A cena ocorreu há já uns bons pares de
anos mas nunca mais a esqueci não obstante o tempo decorrido e tenho-a ainda
bem viva na minha memória.
Eu, nessa distante data, era
Assistente do "Circulo de Leitores", tinha quatro centenas de sócios do Circulo
que visitava assiduamente e, francamente, tinha com todos uma excelente
convivência. Aconteceu que, à porta de um desses apartamentos e enquanto era
atendido pela dona de casa, veio lá de dentro uma simpática idosa, que depois
soube ser sua mãe e que, simpaticamente, me saudou com um amável “boa noite!”
a que, naturalmente respondi retribuindo com idêntica saudação de “boa noite,
minha senhora!” e ainda acrescentei :
- Como está?
A simpática senhora, toda de negro vestida, confessou-me então:
- Mal, senhor. Mal! O senhor, obra bem? - perguntou-me de chofre.
Admirado com a franca confissão
da senhora e não menos com o patusco termo utilizado, respondi-lhe assim mais ou menos laconicamente, rápido e de mansinho:
- Obro.
E, aí, a sofrida idosa rematou:
- Eu não… Eu obro muito mal, senhor!…
As vezes que hoje este rapaz se
lembrou deste curioso e invulgar dialogo não mais esquecido!?...
Depois de uma terrível noite de cólicas
e mais cólicas, motivadas por 8 dias sem obrar – isso mesmo, como a senhora me
ensinou: sem obrar!..eheh.- eis que o rapazinho, aflito até mais não, corre a pedir
auxílio pela 1ª vez a um hospital.

Passada essa demora, tudo correu de
forma excelente e com andamento muito bom e sempre com atento e competente
atendimento. Diagnóstico cuidado por médico-cirurgião (Dr. Nuno Pignatelli) "está carregado de fezes!", análises de sangue e urina, clister e onde, de forma
solicita e sempre muito simpática, nem uma fralda faltou recebido o clister, para o curto trajecto a fazer até aos sanitários. Tudo
bastante bom e, logo, logo em pouco tempo o rapazinho obrava a “carga” e "ressuscitava" – coisa que
demorou talvez bem perto de meia hora! eheh – e surgia como novo junto da
família que o aguardava.
Ufff! Mas foi uma danada de uma
aflição, pá!... Não quero voltar a sentir tal coisa!...
No balanço final, só dois senões do
serviço – Serviço Nacional de Saúde - do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca,
na Amadora: O largo tempo de espera que o desgraçado do padecente, com terríveis
cólicas intestinais, teve de aguentar e ainda, meus senhores, o incrível volume do som
da aparelhagem ouvida em toda aquela zona das Urgências, chamando e indicando, segundo a segundo, minuto a minuto,
os necessários serviços aos doentes! Um barulho incrível, meus amigos! Mais parece que estamos numa
estação da C.P.. com os altifalantes anunciando as chegadas e partidas dos
comboios… Para quê tanto barulho, que incomoda e fere os ouvidos dos sofridos
doentes? Não entendi...
Ah! Já me esquecia: Paguei, logo “à cabeça” - para não esquecer... -,
a “simpática” “taxa moderadora”: €18,05!