Já circula pela net e, por e-mail, vindo de um amigo já recebi o famoso livro do Saraiva.
Li agora 4 ou 5 capítulos, exactamente sobre umas quantas figuras públicas e sobretudo os dedicados a pessoas que já não estão entre nós e conclui com surpresa que, quando imaginava que seria improvável descer mais baixo na escrita, afinal ainda é possível descer abaixo do mais baixo…
Escrever a nível da sanita pode ser eventualmente pensável mas, escrever mesmo dentro da sanita, parecia-me que seria impossível mas não é.
A criatura, por incrível que pareça, escreveu mesmo, mesmo dentro da sanita…
Divulgar – com verdade ou mentira não sabemos… – conversas, confidências e episódios tidas com figuras públicas, sendo que algumas, já falecidas, não podem contestar ou defender-se, é algo surpreendente, impensável e muito condenável.
(O capítulo, que agora li, dedicado à falecida Margarida Marante, só tem uma classificação: repugnante! Repugnante, com todas as letras! Impensável como é possível alguém se atrever a divulgar detalhes da vida pública e íntima de alguém com quem privou e que já não está entre nós. Impensável!)
Mas também há, com detalhe, a divulgação de factos sobre figuras ainda bem vivas e actuantes na nossa política e as reacções não tardarão…
Fico-me, enojado, por aqui. Imagino que vão chover processos judiciais sobre a criatura que se atreveu a este dislate e espero que familiares e amigos dos visados fiquem por aí…
Por fim, interrogo-me: porquê e como raio o ex-primeiro ministro de Portugal Passos Coelho ia fazer a apresentação deste livro/trampa? Porquê?
terça-feira, 27 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
NOVAS TECNOLOGIAS
Da minha varanda, numa das muitas noites quentes que vamos sentindo, vi-o aproximar-se ao fundo da rua…
De passo curtinho mas sempre
apressado, aquela figura meã mas aparentemente rija, certamente bem calejada
pelas agruras da vida é, pelo menos à vista muito ágil e já me é familiar de há
muito por bastas vezes por aqui o ver passar. Carrega sempre uns sacos de
plástico nas mãos e/ou às costas e também sempre se faz acompanhar de uma
pequena vara que muito o ajuda na sua difícil missão de remexer o lixo.
Se não diariamente, pelo
menos com muita regularidade, ele aqui é visto a remexer e tirar dos
contentores os restos, as migalhas – porventura algo talvez pré-podres e azedas…
- que os outros não quiseram e deitaram fora mas que, pelos vistos, lhe servem
e ajudam a sobreviver, a si e aos seus…
Tempos atrás tinha a sua
missão mais facilidade (se é que há facilidade no remexer do lixo e daí tirar o
sustento…) porque os contentores, então constituídos por grandes caixas com
rodas eram móveis, caixas que ele movia um pouco para debaixo do candeeiro de
iluminação pública e, levantando a enorme tampa, ficava com fácil e bem visível
acesso a todo o seu interior mas, ultimamente, a autarquia fê-los substituir
por outros bem maiores, escuros e de tampa mais pequena, tornando-lhe mais
difícil a operação. Estão meio enterrados no solo e, de orifício pequeno e
forrados no seu interior com um enorme saco de plástico preto, de noite nada se
vislumbra no seu interior.
Vi-o então aproximar-se
apressado e ágil de um dos grandes contentores e rapidamente levantar a pequena
tampa e olhar para o interior onde, estou em crer, estava um escuro de breu…
De imediato meteu a mão ao
bolso e, quando eu esperava ver surgir a clássica e velha lanterna de grandes e
dispendiosas pilhas, eis que o nosso homem empunha um telemóvel de onde logo
faz brotar um bem útil e gratificante foco de luz.
Precipita-se então de cabeça
no interior do depósito e, ficando apenas com as pernas de fora, penduradas, é assim,
naquela difícil posição que remexe o lixo e escolhe o que eventualmente lhe
interessa. Logo sai para guardar o parco haver e, ainda empunhando na mão
esquerda o precioso telemóvel, parte para outra busca, outra recolha de algo
que outros deitaram fora e que a ele lhe serve.
Uma vida certamente muito
difícil e desagradável mas que ao nosso amigo se torna obrigatória por opção ou
por absoluta necessidade mas que, todavia, porventura, agora já se lhe
apresenta menos pesada e dispendiosa porque deixou de gastar dinheiro em pilhas
electricas para a lanterna de bolso… Usando o telemóvel fala para a família quando
necessita e usufrui da sua luz nesta sua difícil labuta.
Nova tecnologia: menos
dispendiosa, mais leve e mais prática.
Coisas dos nossos tempos…
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
REENCONTRO, BELÍSSIMO, COM VELHO AMIGO!
Já não nos víamos desde Dezembro de 69, há portanto quase 47
anos e o nosso reencontro, terminado há instantes, foi muito, muito agradável e
bem, bem bonito! Daqueles momentos na vida que ficam para sempre!
Foi o Silva - o
ex-Furriel Silva “Mecânico”, da Guerra de Angola – que me contactou pelo Facebook
através de mensagem particular - “És o Azevedo
da CART 1766? “ – e a mensagem, não sei como, nem porquê, na hora não a vi… Só
a detectei alguns meses passados mas, na sua identificação na rede social ele
suprimiu o último apelido e como as duas fotos ali publicadas não estão bem nítidas
para lhe reconhecer as feições, tive de perguntar ao Miguel se achava que era
ele e recorri ainda á minha memória e a alguns registos escritos que guardo
para o identificar pelo nome completo.
Trocamos depois umas quantas mensagens e fotos e logo
projectamos um encontro para nos revermos e recordarmos tempos passados. “Temos
de nos encontrar para tomarmos um café e revivermos aqueles tempos”, sugeriu o
Silva ao que eu daqui gritei: “Um café??? Isso requer um almoço bem comido e bem bebido!
Não faço por menos!”
Ele acedeu de imediato e, acordado com o Miguel,
reencontramo-nos hoje aqui na Amadora num curto (?) instante que foi desde o
meio-dia até depois das sete, já o sol caminhava para o seu ocaso…

Degustamos
uma grande, fresquíssima e saborosa cabeça de garoupa “regada” com duas
garrafas de Pegões tinto e, depois dos cafés, cafés que repetimos, fomos
mamando um super-delicioso whisky que nos forneciam na guerra - “Para uso exclusivo das Forças Armadas”,
dizia o carimbo no rótulo - que, como
ele eu também trouxe algumas mas que nem já sei quando as fiz desaparecer… O
Silva, não, e, numa gentileza que muito apreciei, fez-se acompanhar de uma garrafinha
“Ne Plus Ultra” adquirida naquela data e que agora fomos mamando durante a
tarde. Ele levou-a já com o peso bem mais aliviado… E teve sorte de eu ainda ir
conduzir…
Mas fiquei maravilhado com o nosso reencontro e com o nosso tão
amigo convívio! O Silva foi sempre um amigo com quem me relacionei muito bem
tanto em Lumbala, no Leste de Angola, onde vivemos tempos difíceis como depois,
no 2º ano na Fazenda Tentativa, perto de Luanda onde terminamos a comissão. E,
tanto num local como noutro, eu permanecia largos períodos fora do quartel em
complicadas e arriscadas missões mas, quando estava junto da Companhia convivia
com prazer e gostava muito do trato e da maneira de ser e estar do Furriel
Silva Mecânico, como era conhecido. (Ele, chefe dos mecânicos, como o Miguel,
chefe dos enfermeiros, eram meninos do arame farpado ao passo que eu, Atirador,
tive que “as” amargar e a coisa não foi nada fácil. Não foi, não… O curioso é
que me deram a categoria de Atirador e, nas provas da recruta chumbei nas
provas físicas e… no tiro. Coisas da tropa e da guerra…)

Mas voltemos ao nosso reencontro de hoje: Encontrei o mesmo
Silva da Lumbala e da Tentativa. Naturalmente mais velho, como seria de
imaginar passado que está quase meio século mas, é o mesmo Silva, calmo, ponderado,
conhecedor e atento ao mundo e ás coisas que o rodeiam mas com a mesma
personalidade daqueles velhos tempos. Com evidente mais saber (estudou bastante
mais e formou-se em engenharia) vê-se que está mais maduro, porventura bem mais
calejado pela vida mas, no essencial, está ali o mesmíssimo Silva com quem tive
o grato prazer de conviver durante mais de 2 difíceis anos das nossas vidas. Ainda
bem! Deu-me muito gosto comprovar isso!
Despedimo-nos já com o sol a deitar-se mas ficou aprazado
novo reencontro para quando acontecer um encontro do Batalhão, eventos periódicos
de que ele sempre esteve afastado, exactamente porque deles não tinha
conhecimento.
Deixo aí duas fotos sendo que uma documenta o nosso
belíssimo reencontro de hoje e, a outra, que eu não tinha e que o Silva fez o
favor de me oferecer, onde estamos, em 1969, na Praia da Pambala, a norte de
Luanda, surgindo ele como turista, de calções de banho e, eu com os soldados,
parecendo que lhe damos protecção. Eh! Eh! Mas é apenas ilusão, embora não nos lembremos
já do porquê daquele grande contraste…
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