Com 82 anos de idade faleceu cinco dias atrás (dia 25) Neil
Armstrong, o homem americano que entrou na História por ter sido o 1º ser
humano a pisar a Lua no já distante dia 21 de Julho de 1969, tendo proferido
então a celebre frase que ficou para sempre imortalizada “Um pequeno passo para
o homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Estava na guerra, em Angola, exactamente na Fazenda Lifune,
a cerca de 100 kms de Luanda. No comando de uma secção de homens (cerca de 10),
dávamos protecção às instalações e pessoal da dita fazenda que produzia com um
enorme palmar, os frutos (dendem) com que depois de fabricava o respectivo óleo
de palma.
Lembro-me que acompanhei o feito de Armstrong e Edwin Adrin,
o seu companheiro de descida lunar nessa celebre noite, pelas 4 horas da
madrugada, através de um pequeno rádio portátil que sempre me acompanhava e que
ainda hoje guardo e que logo de seguida, nessa manhã, contando aos meus
soldados tão importante façanha feita pelo homem, eles não acreditaram dizendo
que eu era ingénuo e “embarcava” em tudo o que me diziam. Uma grande “aldrabice”,
diziam.
Eram rapazes humildes de quase nenhuma formação académica –
escreviam e liam os seus aerogramas da família e namoradas e nada mais – e sendo
na sua quase totalidade oriundos do Minho, viviam e trabalhavam na agricultura
e numa ou outra fábrica como operários e para eles toda a história do Homem na
Lua era isso mesmo, uma “istória”, uma patranha.
Curiosamente vivi ali com alguns deles, na Fazenda Lifune, a
mais difícil situação em termos disciplinares que passei na guerra, ocorrência
que resolvi com calma e bom senso e poderei contar aqui oportunamente. Quando
se comandam homens e sobretudo em cenário de guerra, como era o caso, para
mantermos a ordem e a disciplina por vezes temos de ser firmes e rijos, não
esquecendo sempre o uso do bom senso. Foi o que fiz.