Já circula pela net e, por e-mail, vindo de um amigo já recebi o famoso livro do Saraiva.
Li agora 4 ou 5 capítulos, exactamente sobre umas quantas figuras públicas e sobretudo os dedicados a pessoas que já não estão entre nós e conclui com surpresa que, quando imaginava que seria improvável descer mais baixo na escrita, afinal ainda é possível descer abaixo do mais baixo…
Escrever a nível da sanita pode ser eventualmente pensável mas, escrever mesmo dentro da sanita, parecia-me que seria impossível mas não é.
A criatura, por incrível que pareça, escreveu mesmo, mesmo dentro da sanita…
Divulgar – com verdade ou mentira não sabemos… – conversas, confidências e episódios tidas com figuras públicas, sendo que algumas, já falecidas, não podem contestar ou defender-se, é algo surpreendente, impensável e muito condenável.
(O capítulo, que agora li, dedicado à falecida Margarida Marante, só tem uma classificação: repugnante! Repugnante, com todas as letras! Impensável como é possível alguém se atrever a divulgar detalhes da vida pública e íntima de alguém com quem privou e que já não está entre nós. Impensável!)
Mas também há, com detalhe, a divulgação de factos sobre figuras ainda bem vivas e actuantes na nossa política e as reacções não tardarão…
Fico-me, enojado, por aqui. Imagino que vão chover processos judiciais sobre a criatura que se atreveu a este dislate e espero que familiares e amigos dos visados fiquem por aí…
Por fim, interrogo-me: porquê e como raio o ex-primeiro ministro de Portugal Passos Coelho ia fazer a apresentação deste livro/trampa? Porquê?
terça-feira, 27 de setembro de 2016
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
NOVAS TECNOLOGIAS
Da minha varanda, numa das muitas noites quentes que vamos sentindo, vi-o aproximar-se ao fundo da rua…
De passo curtinho mas sempre
apressado, aquela figura meã mas aparentemente rija, certamente bem calejada
pelas agruras da vida é, pelo menos à vista muito ágil e já me é familiar de há
muito por bastas vezes por aqui o ver passar. Carrega sempre uns sacos de
plástico nas mãos e/ou às costas e também sempre se faz acompanhar de uma
pequena vara que muito o ajuda na sua difícil missão de remexer o lixo.
Se não diariamente, pelo
menos com muita regularidade, ele aqui é visto a remexer e tirar dos
contentores os restos, as migalhas – porventura algo talvez pré-podres e azedas…
- que os outros não quiseram e deitaram fora mas que, pelos vistos, lhe servem
e ajudam a sobreviver, a si e aos seus…
Tempos atrás tinha a sua
missão mais facilidade (se é que há facilidade no remexer do lixo e daí tirar o
sustento…) porque os contentores, então constituídos por grandes caixas com
rodas eram móveis, caixas que ele movia um pouco para debaixo do candeeiro de
iluminação pública e, levantando a enorme tampa, ficava com fácil e bem visível
acesso a todo o seu interior mas, ultimamente, a autarquia fê-los substituir
por outros bem maiores, escuros e de tampa mais pequena, tornando-lhe mais
difícil a operação. Estão meio enterrados no solo e, de orifício pequeno e
forrados no seu interior com um enorme saco de plástico preto, de noite nada se
vislumbra no seu interior.
Vi-o então aproximar-se
apressado e ágil de um dos grandes contentores e rapidamente levantar a pequena
tampa e olhar para o interior onde, estou em crer, estava um escuro de breu…
De imediato meteu a mão ao
bolso e, quando eu esperava ver surgir a clássica e velha lanterna de grandes e
dispendiosas pilhas, eis que o nosso homem empunha um telemóvel de onde logo
faz brotar um bem útil e gratificante foco de luz.
Precipita-se então de cabeça
no interior do depósito e, ficando apenas com as pernas de fora, penduradas, é assim,
naquela difícil posição que remexe o lixo e escolhe o que eventualmente lhe
interessa. Logo sai para guardar o parco haver e, ainda empunhando na mão
esquerda o precioso telemóvel, parte para outra busca, outra recolha de algo
que outros deitaram fora e que a ele lhe serve.
Uma vida certamente muito
difícil e desagradável mas que ao nosso amigo se torna obrigatória por opção ou
por absoluta necessidade mas que, todavia, porventura, agora já se lhe
apresenta menos pesada e dispendiosa porque deixou de gastar dinheiro em pilhas
electricas para a lanterna de bolso… Usando o telemóvel fala para a família quando
necessita e usufrui da sua luz nesta sua difícil labuta.
Nova tecnologia: menos
dispendiosa, mais leve e mais prática.
Coisas dos nossos tempos…
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
REENCONTRO, BELÍSSIMO, COM VELHO AMIGO!
Já não nos víamos desde Dezembro de 69, há portanto quase 47
anos e o nosso reencontro, terminado há instantes, foi muito, muito agradável e
bem, bem bonito! Daqueles momentos na vida que ficam para sempre!
Foi o Silva - o
ex-Furriel Silva “Mecânico”, da Guerra de Angola – que me contactou pelo Facebook
através de mensagem particular - “És o Azevedo
da CART 1766? “ – e a mensagem, não sei como, nem porquê, na hora não a vi… Só
a detectei alguns meses passados mas, na sua identificação na rede social ele
suprimiu o último apelido e como as duas fotos ali publicadas não estão bem nítidas
para lhe reconhecer as feições, tive de perguntar ao Miguel se achava que era
ele e recorri ainda á minha memória e a alguns registos escritos que guardo
para o identificar pelo nome completo.
Trocamos depois umas quantas mensagens e fotos e logo
projectamos um encontro para nos revermos e recordarmos tempos passados. “Temos
de nos encontrar para tomarmos um café e revivermos aqueles tempos”, sugeriu o
Silva ao que eu daqui gritei: “Um café??? Isso requer um almoço bem comido e bem bebido!
Não faço por menos!”
Ele acedeu de imediato e, acordado com o Miguel,
reencontramo-nos hoje aqui na Amadora num curto (?) instante que foi desde o
meio-dia até depois das sete, já o sol caminhava para o seu ocaso…

Degustamos
uma grande, fresquíssima e saborosa cabeça de garoupa “regada” com duas
garrafas de Pegões tinto e, depois dos cafés, cafés que repetimos, fomos
mamando um super-delicioso whisky que nos forneciam na guerra - “Para uso exclusivo das Forças Armadas”,
dizia o carimbo no rótulo - que, como
ele eu também trouxe algumas mas que nem já sei quando as fiz desaparecer… O
Silva, não, e, numa gentileza que muito apreciei, fez-se acompanhar de uma garrafinha
“Ne Plus Ultra” adquirida naquela data e que agora fomos mamando durante a
tarde. Ele levou-a já com o peso bem mais aliviado… E teve sorte de eu ainda ir
conduzir…
Mas fiquei maravilhado com o nosso reencontro e com o nosso tão
amigo convívio! O Silva foi sempre um amigo com quem me relacionei muito bem
tanto em Lumbala, no Leste de Angola, onde vivemos tempos difíceis como depois,
no 2º ano na Fazenda Tentativa, perto de Luanda onde terminamos a comissão. E,
tanto num local como noutro, eu permanecia largos períodos fora do quartel em
complicadas e arriscadas missões mas, quando estava junto da Companhia convivia
com prazer e gostava muito do trato e da maneira de ser e estar do Furriel
Silva Mecânico, como era conhecido. (Ele, chefe dos mecânicos, como o Miguel,
chefe dos enfermeiros, eram meninos do arame farpado ao passo que eu, Atirador,
tive que “as” amargar e a coisa não foi nada fácil. Não foi, não… O curioso é
que me deram a categoria de Atirador e, nas provas da recruta chumbei nas
provas físicas e… no tiro. Coisas da tropa e da guerra…)

Mas voltemos ao nosso reencontro de hoje: Encontrei o mesmo
Silva da Lumbala e da Tentativa. Naturalmente mais velho, como seria de
imaginar passado que está quase meio século mas, é o mesmo Silva, calmo, ponderado,
conhecedor e atento ao mundo e ás coisas que o rodeiam mas com a mesma
personalidade daqueles velhos tempos. Com evidente mais saber (estudou bastante
mais e formou-se em engenharia) vê-se que está mais maduro, porventura bem mais
calejado pela vida mas, no essencial, está ali o mesmíssimo Silva com quem tive
o grato prazer de conviver durante mais de 2 difíceis anos das nossas vidas. Ainda
bem! Deu-me muito gosto comprovar isso!
Despedimo-nos já com o sol a deitar-se mas ficou aprazado
novo reencontro para quando acontecer um encontro do Batalhão, eventos periódicos
de que ele sempre esteve afastado, exactamente porque deles não tinha
conhecimento.
Deixo aí duas fotos sendo que uma documenta o nosso
belíssimo reencontro de hoje e, a outra, que eu não tinha e que o Silva fez o
favor de me oferecer, onde estamos, em 1969, na Praia da Pambala, a norte de
Luanda, surgindo ele como turista, de calções de banho e, eu com os soldados,
parecendo que lhe damos protecção. Eh! Eh! Mas é apenas ilusão, embora não nos lembremos
já do porquê daquele grande contraste…
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
TIA BEATRIZ - QUEBROU-SE O ÚLTIMO LAÇO...
Hoje, uma ida, dolorosa e triste ao Chouto, para acompanhar a
Tia Beatriz, falecida ontem na Casa de Repouso de Idosos onde estava internada
na margem sul, à sua última morada no cemitério da nossa aldeia.
Fina-se assim o último e derradeiro laço familiar materno directo
que me ligava à minha vida e à minha existência. (Do lado paterno, igualmente
em laços directos, há muito se foram…)
Silenciosamente assisti ao funeral… Silenciosamente vi o caixão descer na
sepultura e ser coberto pelos torrões rudes e secos… Nunca faço choro ou
alarido… Nesses momentos só sei expressar-me assim… Silenciosamente, recolhido no meu ser, é
como gosto de estar… Sentindo, com verdade e dor, a partida física de alguém
bem querido…
A amiga Tia Beatriz viu-me nascer, ajudou-me a crescer e a
criar e sei que também ela tinha por mim muita, muita estima e grande amor!
Tive, ao longo das nossas vidas, inequívocas e inesquecíveis provas disso mesmo!
Dedicação, carinho e amor que jamais esquecerei!

Tenho registos fotográficos, de vídeos e, até muito mais
velhos ainda, registos em áudio de diálogos belíssimos de carinho e afinidade
que guardo com verdadeira religiosidade e de que não pretendo desfazer-me mas,
hoje, aqui, quero apenas recordar, repescando uma velha página deste meu
blogue, datada de 2004, quando Portugal estava em força no futebol no Euro aqui
disputado e quando o seleccionador Scolari tinha lançado a famosa ideia de todos hastearmos
nas casas a nossa bandeira…
Estive com a Tia Beatriz e o Tio Chico – quase sempre os víamos
juntos! – naquela data na Feira do Chouto e acho o dialogo que travamos delicioso
de carinho, educação e inocência.
Deixo aí a página do Blogue onde descrevo a situação e uma
foto que dias depois registei na frente da sua casa, já com a Bandeira Nacional
hasteada. Bandeira que a Hortense, depois daquela seu expresso desejo, fez
questão de lhe enviar pelo correio e que ela logo pediu ao marido que a hasteasse
na frente do pátio.
Um encanto, a doce e amiga Tia Beatriz que me deixa muitas,
muitas e muitas saudades!
Que descanse na paz que bem merece!
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
PROF. MONIZ PEREIRA - PARTIU UM SENHOR...
Final do dia muito triste o de ontem com a bruta e fria
notícia da morte do prof. Mário Moniz Pereira.
É verdade que já tinha 95 anos de idade e também adivinhavamos
que a sua saúde seria algo precária mas, como sabemos, a morte de alguém que
estimamos sempre na hora nos surpreende.
Um homem íntegro e ímpar na vida e sobretudo no atletismo e
no desporto português, a ele ficamos a dever os vários campeões olímpicos e
mundiais que fabricou no seu Sporting e que doou ao nosso país com brilhantes e
inesquecíveis comportamentos em tantas provas nacionais e internacionais!
“Senhor atletismo” e “fazedor de campeões” lhe chamaram e,
em boa verdade, os títulos estão bem aplicados.
Saíram das suas mãos campeões de atletismo como Manuel de
Oliveira, Aniceto Simões, Armando Aldegalega, Carlos Lopes, Fernando Mamede, os
irmãos Castros e, tantos, tantos outros que não atingiram tal estrelado mas
tiveram comportamento brilhante nas pistas portuguesas e internacionais em
muitas e diversas ocasiões.
Mas tem uma faceta da vida deste nosso professor de que sou
testemunha e que aqui quero e devo registar por a mesma demonstrar bem a sua
integridade e a sua honestidade de procedimentos que sabemos ser de toda uma
vida que dedicou ao atletismo e ao Sporting Clube de Portugal. Acho que devo
contar, porque acho que é sempre bom sabermos e conhecermos com quem
convivemos.
Tentando ser conciso, conto, então:
Estavamos em 1984 no mês de Setembro e o país e naturalmente
o Sporting e Moniz Pereira ainda festejavam o saboroso e inédito triunfo de
Carlos Lopes na Maratona de Los Angeles no mês anterior. O ambiente era de
euforia e logicamente o Sporting tentava reforçar cada vez mais a sua hegemonia
nacional no confronto directo com o rival Benfica.
Na data eu tinha na Chamusca – e tenho ainda, felizmente! – um jovem
afilhado de 18 anos (a quem infelizmente nunca dispensei a atenção merecida… Mas
isso são contas doutro “rosário” pessoal que ele conhece bem e que um dia deverei
aqui abordar …) que se destacava com muito êxito no atletismo, primeiro como Juvenil e nessa
data já na categoria de Júnior, como Campeão Nacional em diversas categorias
que praticava. Mas o Vítor Malaquias, de seu nome, sobressaía sobretudo no
Salto em Altura, de que era Campeão Nacional no seu escalão!
Eu sou alertado para a situação – já não me recordo bem por
quem… - e, de imediato, contacto o Vítor e o pai Chico Pedro com quem tinha e
tenho excelente relacionamento e falo-lhes na hipótese de ouvirmos o interesse
do nosso Sporting (eu sabia que tanto o Vítor quanto o pai eram grandes adeptos
do clube de Alvalade) na contratação do jovem Vítor.
Lembro-me que ficaram admirados com a minha sugestão –
talvez não acreditassem… - mas deram-me “carta-branca” para avançar.
Abordei então com brevidade o professor Moniz Pereira que
era a alma forte do atletismo leonino, numa abordagem que me foi fácil, não só
porque ele era pessoa extremamente afável e acessível, mas também porque lhe
falei da minha “costela” leonina por influência do meu padrinho António Cerqueira,
entretanto falecido, durante muitos anos dirigente da casa e também da minha
madrinha Ricardina que, na data, ainda era viva e por vezes frequentava Alvalade e que
ele bem conhecia. Isso também facilitou o contacto, acho…
O professor conhecia de nome, muito bem, o jovem Vítor
Malaquias e logo se manifestou interessado no contacto ficando ali acertado que,
para evitar mais deslocações do Vítor e do pai a Lisboa, no dia que
tivessem marcada a entrevista no Benfica, viriam um pouco mais cedo para Lisboa
e passariam por Alvalade para falarem com ele. E assim aconteceu…
No dia aprazado o Vítor, o pai Chico Pedro e eu estávamos à
porta do velhinho Estádio de Alvalade onde fomos recebidos muito bem pelo nosso
professor no seu gabinete.
A entrevista decorreu muito bem, como seria de esperar e
recordo-me que o que mais me admirou de imediato foi como Moniz Pereira
conhecia de memória, sem consultar qualquer apontamento, todas as marcas do
Vítor Malaquias nas diversas disciplinas de atletismo que praticava. Se a memória
não me falha, só tinha dúvida numa qualquer que pediu ao Vítor para o
esclarecer… Confesso que fiquei admirado!
O professor manifestou todo o interesse no ingresso do
atleta no Sporting, apresentou-lhe as condições que o clube lhe poderia
oferecer (pagamento de deslocações, alojamento e equipamentos e ainda um subsídio
que, todavia, que me lembre, não quantificou ali. Eu não me recordo que ele
tenha referido o seu valor… Um dia deste hei-de perguntar ao Vítor ou ao Chico…)
E que aconteceu depois? Bem, aí o meu maior espanto, num
espanto que atesta bem a honestidade de processos e o desportivismo de Moniz
Pereira, um verdadeiro senhor, com todas as letras!...
Quando seria de esperar que colocasse à frente do atleta e
do pai um contrato para assinarem (na época, a disputa e o “roubo” de atletas entre
Sporting e Benfica e vice- versa era o “pão nosso de cada dia”…) Moniz Pereira
remata assim:
“Ouviram as condições do Sporting. Vão à entrevista com o
Benfica, ouçam o que eles vos oferecem e depois façam a vossa opção. O Sporting
está interessado mas devem ouvir o Benfica porque a ele vêm destinados.”
Assim, desta maneira frontal, honesta e 100% desportiva,
procedeu o grande prof. Mário Moniz Pereira! Um grande senhor! Nunca mais esqueci esta sua decisão!
Resta acrescentar que o Vítor e o Chico foram à entrevista
no Benfica – eu aí já não os acompanhei, como é óbvio… - onde creio que também
esteve o seu treinador da Chamusca - e regressaram a Alvalade onde assinaram um
contrato e o campeão Vítor Malaquias passou a ser atleta do Sporting Clube de
Portugal!
(Para além da lógica imagem do já saudoso prof. Moniz
Pereira, deixo também uns recortes do “Jornal
da Chamusca” da época onde a notícia da transferência é dada em 1ª página e
onde Vítor Malaquias dá conta da minha influência no seu inesperado “desvio” da
Luz para Alvalade. Fiquei satisfeito e feliz com o sucesso da minha intervenção no caso, claro!
E não era de ficar?...)
domingo, 10 de julho de 2016
sexta-feira, 24 de junho de 2016
BREXIT - TERRAMOTO POLÍTICO NA EUROPA
Quando, hoje logo de manhã – e ainda não eram 8 horas… - liguei a
tv e ouvi os resultados do referendo no Reino Unido, fiquei meio atónito com o
que era noticiado…
Fiquei eu e acredito que, a essa hora, também estariam assim
milhões de pessoas em todo o mundo: Tínhamo-nos deitado com projecções a dar a vitória à derrota do Brexit e acordamos com este volte-face verdadeiramente
surpreendente…
Logo avaliei que estávamos na presença de um verdadeiro e incrível
terramoto político e de certo não me enganei…
Hoje, por todo o dia, jornais, rádios, tvs e redes sociais não falam de
outra coisa e, ninguém, absolutamente ninguém, consegue prever o que vai
acontecer…
As interrogações são imensas e é impossível encontrar agora
respostas certas – ou no mínimo aproximadas - para elas:
Que vai acontecer à União Europeia?
Que vai acontecer ao Reino Unido?
Vão seguir-se outros referendos na Irlanda e na Escócia?
E será que vão querer-se outros referendos noutros estados
europeus?
E como vão ficar os nossos concidadãos emigrados no até
agora Reino Unido?
Interrogações, muitas interrogações para as quais ninguém,
ninguém hoje tem resposta.
Não há resposta hoje e previsivelmente não haverá tão cedo…
Acho que levará anos a encerrar-se este dossier de consequências inimagináveis…
Hoje, um dia histórico para a Europa e, certamente, um
verdadeiro terramoto político/social para o velho continente!
sexta-feira, 17 de junho de 2016
NO 90º ANIVERSÁRIO DE UM BOM AMIGO!
Fui ontem a Vouzela e voltei, percorrendo assim 600 kms em
poucas horas, mas custou-me tanto como se tivesse conduzido… 6 kms…
Tio Zé e tia Tina
foram sérios, honrados e firmes e esse meu agradecimento e consideração serão sempre grandes e eternos!
Aconteceu então uma hora muito bonita e gratificante que
aqui deixo registada com algumas fotos cedidas pelo genro João Dias, captadas na hora.
E que o nosso muito dedicado amigo festeje mais um, mais
outro e ainda muitos mais outros com a mesma saúde, a mesma força física e o
mesmo espírito de hoje, para seu belo e saudável proveito e para nossa grande
alegria!
sábado, 11 de junho de 2016
terça-feira, 17 de maio de 2016
A ABERTURA DA MINHA PESQUINHA
Ainda que os achigãs, esquisitos com os “alimentos artificias” que lhe propus na ponta da linha se mostrassem hostis - embora os avistasse grandes e felizes nas calmas águas da barragem… - e mesmo que as ariscas gazelas, javalis, texugos, saca-rabos, lebres e perdizes selvagens não tivessem aparecido desta vez - mas onde ainda um fugidio coelho bravo se deixou ver… - prazer e glória imensa num dia diferente de contacto ameno, sossegado e muito agradável com o ar puro e as coisas simples e belas da Natureza que, felizmente, ainda encontramos em pequenos e recônditos lugares no nosso Portugal.
Imagens que captei e registos que aqui deixo para a posteridade e que, mais tarde sempre me encantará rever, aí ficam!
Entretanto, no meio do dia, num intervalo para o sempre apetecível almoço, o aconchego (?) do estômago com as deliciosas e espectaculares “Favas com Chouriço”, de seu nome na zona, com uma saladinha de alface a condizer e o tradicional tintinho, servidas no restaurante “Paraíso da Mata”, ali pertinho da vila de Lavre (Montemor o Novo).
Belezas e maravilhas simples e desinteressadas de um dia habitual - ou em excepção, no tocante à pescaria… - ( pescadores e caçadores sempre serão uns mentirosos…) que, continuamente me dá muito prazer e até mesmo muita saúde para os dias futuros.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
VIVA O 25 DE ABRIL!

Ainda que mais nada se tivesse concretizado e não obstante os muitos erros de percurso, de que a apressada e má descolonização é um exemplo, só por ter sido posto fim às guerras de Angola, Guiné e Moçambique, onde se finaram para sempre muitos dos nossos jovens, valeu a pena!
Obrigado!
quinta-feira, 14 de abril de 2016
SECA?
Alarmado – não exagero: alarmado! – notei-o com enorme
surpresa quando, no dia 5 de Março, quase a atingirmos o final do Inverno e, quando
chegado junto de uma das pequenas represas que costumo frequentar na minha
pesquinha, encontrei a água “lá em baixo”. Quase a atingirmos o início da
Primavera e quando seria suposto, pelo normal de outras épocas nesta data,
termos as represas cheias, com a água mesmo a sair pelo “ladrão”, ali faltavam, seguramente, pelo menos 2 metros
de água… Coisa absolutamente preocupante, quando não dramática…
Passou mais de um mês e, quando se esperaria que, por força
do ditado popular “Abril águas mil!”, temos que a escassez de água da chuva
continua e, agora mesmo, vejo num canal de televisão uma reportagem feita no
Alentejo com o significativo título “seca”…
Não sei se será exagero titularmos de seca o que temos vindo
a observar no país de Coimbra para Sul ao longo do Inverno mas a verdade é que,
para Norte tem chovido o normal, quando não em excesso e, aqui para Sul, a
falta da bendita chuva tem sido uma realidade preocupante.
Eu fiquei triste e preocupado nesse dia 5 de Março e tirei
mesmo uma foto da situação da barragem, cuja imagem aqui deixo.
Será que a coisa vai melhorar no que resta de Abril e mesmo em
Maio? Oxalá porque, se isso não acontecer esta pequena massa de água não
aguentará todo o Verão… E os “meus” achigãs desaparecerão…
Nem quero pensar…
terça-feira, 12 de abril de 2016
EM CHOQUE
Confesso que estou triste e fortemente impressionado, se não
mesmo em estado de choque, com a notícia que acabo de conhecer…
Esse amigo, aí em segundo na foto, de nome Roque, (o 1º é o
velho amigo JP (João Pereira), brasuca muito amigo que em Setembro de 2010 me ofereceu uma desejosa e não mais esquecida pescaria na Amazónia a que, por
motivos que gravemente me preocupavam na época, tive de renunciar…) sofreu um
gravíssimo acidente em Novembro passado, de que só agora tive conhecimento e
que o deixou sem visão.
Dramático e muito triste drama para um homem de bem com a
vida, social e economicamente que, com João Pereira e respectivas esposas, aqui esteve em Portugal um
ano atrás. Viajamos os dois de Lisboa a Reguengos de Monsaraz no meu carro onde, eles e suas esposas e eu próprio a seu convite, visitamos a Adega do Esporão
onde almoçamos.
Vítima de um muito estúpido acidente, o amigo Roque ficou
cego e, eu, nem quero acreditar nesta tão triste notícia agora vinda do nosso
amigo comum João Pereira. E que estúpido acidente foi esse?
Roque tinha há muitos anos uma cabeça de veado fixada numa parede de uma sua sala na casa de habitação como eventual troféu de caça, penso eu e, por
muito estranho pareça, a cabeça do bicho, depois de tantos anos ali pendurada,
caiu encima dele e, um dos chifres do veado perfurou e sacou um dos olhos do
Roque e, incrivelmente, atingiu também o outro olho, ferindo o seu nervo optico de
forma irremediável e o nosso Roque ficou cego para sempre.
Dá para acreditar em tão estúpido acidente?
Confesso que estou impressionado e muito triste!
Que o Roque tenha “estofo” para suportar tamanho drama!
sábado, 2 de abril de 2016
quinta-feira, 24 de março de 2016
COMO ENTENDER?...
Eu, que até tenho criação e formação católica e que, com
esta idade, já tenho visto muitas atitudes estranhas e bastantes incongruências
na minha vida, confesso que não consigo entender o que vi agora assistindo a um
Bispo da Igreja Católica a apresentar, com pompa e circunstância, num hotel de
Lisboa, o lançamento de um livro dito autobiográfico de um cidadão que foi
condenado em tribunal e está a cumprir pena de 6 anos de prisão por abuso
sexual de menores… Friso bem: a cumprir pena por abuso sexual de menores!
Que razão? Que motivo? Que fundamento?
Certamente será por manifesta incapacidade mental, intelectual,
religiosa e civilizacional da minha parte mas, que fazer?
Não entendo…
terça-feira, 15 de março de 2016
NA MINHA PESQUINHA, O SUCESSO TOTAL!
Sai de casa cedo, pelas 7,15 horas, não tanto pela pressa de
pescar porque sabia que, como a manhã estava demasiado fresca os achigãs não
estariam ainda activos mas apenas para não sentir os efeitos da “hora de ponta”
no trânsito na entrada de Lisboa.
O dia estava bonito com algum Sol embora ainda fraco de
intensidade mas com uma leve neblina e a espectativa era muito grande,
confesso. Já me tem acontecido partir para a pesca com idêntica expectativa
mas, desta vez, tinha uma convicção bem mais forte porque assente nos dois dias
anteriores em que a minha pesquinha produziu bons efeitos: no sábado (5) tinha
ferrado um de 800 grs. e deixado escapar dois de igual porte e na vez seguinte (sábado,
12), para além dos outros dois que se safaram, consegui ferrar três, sendo
idênticos, com um deles já a pesar 850 grs.
O entusiasmo foi tanto que logo pensei em pedir dispensa de
ir buscar o Rafael ao colégio ontem (segunda-feira) e assim aproveitar o
derradeiro dia antes da entrada do Defeso para ver de conseguia fisgar mais uns
bons exemplares no mesmo local. A água estava excelente de limpeza (via-se o
fundo, com nitidez, a 3 ou 4 metros da margem) e os peixes andavam bastante
activos à caça ou tratando da sua desova. Prometia, pois…
Cheguei então junto da pequena represa - infelizmente ainda
muito longe de estar cheia, não obstante estarmos no final do Inverno, nada
chuvoso a sul do Tejo… - por volta das 9 da manhã, percorridos que foram, com
calma, os 106 kms que a distam da minha residência e, depois de comer um peça
de fruta, logo parti para junto da água para tentar a minha sorte. Mas
aconteceu como já esperava: nada. Nada de nada! As águas, de temperatura ainda
muito baixa por causa do muito frio da noite, não convidavam os achigãs a saír do
fundo onde tinham águas menos gélidas.
Fui almoçar, naquele que é para mim também um belo e
saboroso momento destas jornadas piscatórias por terras e ares alentejanos! Desta vez escolhi um delicioso Pernil Assado
no Forno, com batata frita, arroz e uma fresquinha salada de alface como
acompanhamento. Comi metade de um queijinho de ovelha seco e “reguei” tudo com
os habituais 7,5 l. de tintinho da Península de Setúbal. Tudo com nota máxima
de sabor, qualidade e satisfação!
Eis-me então de novo a caminho da represa, não sem que antes
ainda visse um casalinho de perdizes nos terrenos anexos à estrada de terra.
Mas, noutras ocasiões, também já tenho visto coelhos, saca-rabos e até texugos
e javalis… E até gazelas! Sim, gazelas selvagens, numa ocasião única que me
deixou tanto de entusiasmado, quanto de admirado!...
E, chegado de novo à actividade piscatória do meu encanto,
como previa tudo então foi diferente, para muito melhor! O Sol, nas horas
decorridas, tinha tornado a temperatura ambiente e as águas com temperatura bem
mais amenas e logo vi e senti que os amigos peixinhos já andavam por ali bem
mais activos.
Se, de manhã, andei de um lado para o outro, dei a volta à
barragem e mudei várias vezes de amostra e nem sinal deles, agora, era
totalmente diferente… Escolhi uma amostra
“Rapala” verde, de 9 cms, flutuante, que me pareceu a mais adequada e foi um “ver
se te avias”: êxito total!
Das duas e meia, às cinco e meia, ferrei 5 bons exemplares,
com cerca de 800 grs. cada, sendo que um deles, o maior, já pesou 1,1 kg! E
pelo meio, um a um ainda os vim trazer ao jipe e fotografei e filmei! Maluco
por este vício, só estou bem funcionando assim, fotografando e filmando, para
mais tarde recordar…
Bom, mas pelo meio, ainda aconteceu que um “grandolas” me
quebrou a linha e levou a mostra!... (E eu que, de manhã, olhando para um
pedaço no extremo da linha mais deteriorado, havia pensado em substitui-la mas,
como era o último dia antes do Defeso, achei que só em Maio, na abertura,
deveria cortar aquele pedaço da linha… Mandam os cadernos de bom pescador que
nunca se deve facilitar mas… o quê? É sempre o mesmo…) E para além desse “grandinho”
mais três se foram… Com tantos anos a ferrar achigãs, ainda me acontece isto…
Bem, o achigã quebrou a linha e levou-me a boa amostra e eu
fiquei danado, claro… Mas foi por pouco tempo… Passados uns instantes vejo-a a
flutuar com o pedaço da linha! O bicho tinha conseguido “cuspi-la” e, como é
flutuante, veio ao de cima. Foi a minha sorte! Lancei-lhe depois uma nova
amostra e consegui recuperá-la e assim, do mal, o menos… Foi-se o peixe mas
ficou a amostra.
Contados então, no final do dia e já com algum cansaço,
foram assim 5 (cinco!) os belos exemplares que consegui neste derradeiro dia de
pesca antes do Defeso! Bom! Muito bom!
Para os três dias de pesca fiz uns pequenos trabalhos no Photoshop
que aqui deixo como testemunho e para mais tarde recordar.
Agora resta-me contar dia-a-dia os 60 em que vigorará o Defeso
e a 16 de Maio lá retornarei com a ansiedade e o entusiasmo de sempre! O
ambiente bonito e puro, o ar bom de respirar, os animais selvagens, o contacto
com a Natureza e a própria pesca que me ocupa e desanuvia a mente preocupada e
até perturbada, é algo de que não prescindo e que me tem feito muito bem nestes
últimos anos. Veremos então se assim poderei continuar e quando verei chegar ao
fim este calvário que me criaram…
segunda-feira, 7 de março de 2016
A MINHA PESQUINHA PROMETE!
Ontem não tive ocasião para escrever sobre o dia da minha
pesquinha no dia anterior, sábado, 5 e
faço-o hoje, neste interminável e desagradável Inverno, felizmente perto do fim
em que dias de chuva e frio, aborrecidos e chatos, não me deixaram partir para
matar saudades da minha pesquinha.
Vigiava há vários dias na net as previsões dos “manda chuva”
e, não obstante elas me indicarem que teríamos nuvens e chuva fraca, teria de
avançar na mesma. O vício mandava e o ver o tempo possível de pesca a encurtar,
também… O Defeso aproximava-se, só restaria mais um sábado (12) e, para além
disso, tinha imensa curiosidade em observar como estávamos de volume de águas,
passado quase um Inverno infelizmente com chuvas pouco intensas a Sul do país.
Choveu sem grande intensidade no Ribatejo e no Alentejo mas,
mesmo assim, no passado mês de Fevereiro tivemos alguns dias de precipitação considerável
e estava confiante que teria as represas onde costumo pescar cheias. Mas, puro
engano…
Chegado ao local, depois de uma viagem com vidros fechados
por causa do frio e debaixo de alguma chuvinha fraca e, em que, não fora o
vício e mais apeteceria voltar para casa, eis a 1ª surpresa: a pequena represa
está longe de estar cheia… Faltam, seguramente, pelo menos 2 metros de altura
de água para que isso suceda. Uma tristeza e a convicção de que, se não chover
algo de jeito em Março e Abril, ela não aguentará o Verão e, forçosamente,
secará… Lamentavelmente…
De manhã, a pesquinha foi “zero”, um “zerinho” bem grande,
redondo e chato. Não senti e, sobretudo não vi, um único bichinho naquelas
águas. Nem achigãs, nem percas, nada de nada. Dir-se-ia que, por ali, não existia
viva alma… Uma tristeza!...
Fui para o jipe, passei uma vista de olhos pelas notícias
principais do “Expresso”, voltei por mais um pouco a tentar a minha sorte
mudando de amostra mas… nada. Ali, como em tempos dizia o velho e saudoso companheiro
de pesca Carvalho, “eles” estavam “arrecadados”. Feliz expressão que não mais
esquecerei.
Fui para o almoço, debaixo de mais um pouco de chuva e ali
me queixei ao Fernando: “Fernando, como dizia o velho Carvalho: estão
arrecadados!” e, tive como resposta: “É. As águas ainda estão muito frias!”.
Seria para não voltar mas, pescador que é pescador, não teme
mau tempo e vai. Voltei, pois e em boa hora o fiz... Fui de novo para o “paredão”,
zona mais protegida do vento frio e onde o Sol colocava a água com temperatura
mais amena (a cabecinha e a experiência sempre servem para alguma coisa) e, ali
estavam eles: Um, de 800 grs que, de peito cheio que nem um perú, logo fui
pesar, fotografar e guardar na caixa térmica e de novo retornei, esperançado
que a “coisa” continuasse… E continuou mesmo, embora de forma não tão feliz:
logo de seguida outro, ainda mais pesado e maior mas que todavia se soltou já
bem perto de mim e, logo depois, deu dois sofridos e ofendidos saltos na água
e, pouco depois, mais outro que igualmente se foi… Afinal, depois da hora do almoço,
os “rapazinhos” deixaram de estar arrecadados…
Satisfeito com as emoções deste 1º dia de pesquinha de 2016,
fui de novo um pouquinho para o jipe e, escassos minutos volvidos, vejo chegar
um carro branco com dois presumíveis pescadores… Pergunta-me um: “Então, não
dão nada?” E, eu desalentado: “Nada! Nadinha! As águas ainda estão muito frias.”
Pescador é mentiroso, né? É isso que se diz…
Afinal, esse que comigo falou não fez mais que meia dúzia de
lançamentos e logo partiu ao encontro do companheiro que havia subido a encosta…
E eu intrigado… Regressaram alguns momentos depois, ambos com as mãos cheias de…
espargos silvestres.
Também vou procura-los e colhê-los no próximo sábado em que
conto lá voltar – agora, presumivelmente, já com bem melhor tempo… - para o
derradeiro dia da minha pesquinha antes do Defeso, esse danado que começa a 15
e só termina no outro 15, mas de Maio.
Um verdadeiro sacrifício – e suplício! – até lá.
sexta-feira, 4 de março de 2016
EM MARÇO DE 1971, NO CHOUTO DE OUTROS TEMPOS

Hoje recordo este que, seguramente, foi um dos maiores escândalos da minha freguesia natal na época contemporânea:
Há 45 anos, quando da saída para a rua da edição de Março de 1971 do “Jornal da Chamusca”, provoquei um dos maiores “balburdios” na aldeia e na freguesia!
Passo a contar:
Tínhamos então no Casal do Geraldo uma bruxa – ou benzedoura, como então também se lhes chamava – que, na época, estava a agitar as mentes menos esclarecidas do burgo pelo que o então jovem repórter do jornal local – eu tinha na data os 26 anos em que sempre se tenta mudar o mundo… - entendeu por bem agitar as águas e mandar uma pedrada no charco. Recordo-me que na agitação social da aldeia já nalguns casos se falava em divórcios de casais com muitos anos de consórcio e as consequências para esses, para filhos e até, nalguns caos, para netos, seriam graves e inevitáveis. E, o jovem repórter, de sangue na guelra, achou que tinha que agitar as águas e mudar as coisas…
Tínhamos então no Casal do Geraldo uma bruxa – ou benzedoura, como então também se lhes chamava – que, na época, estava a agitar as mentes menos esclarecidas do burgo pelo que o então jovem repórter do jornal local – eu tinha na data os 26 anos em que sempre se tenta mudar o mundo… - entendeu por bem agitar as águas e mandar uma pedrada no charco. Recordo-me que na agitação social da aldeia já nalguns casos se falava em divórcios de casais com muitos anos de consórcio e as consequências para esses, para filhos e até, nalguns caos, para netos, seriam graves e inevitáveis. E, o jovem repórter, de sangue na guelra, achou que tinha que agitar as águas e mudar as coisas…
Arranjei como cúmplice corajoso o falecido e meu muito saudoso amigo João da Cruz Galucho que, “pendura” dentro do carro, tinha a missão de, com a minha velhinha “Kodak” escondida, que lhe ensinei a manejar, sacar as fotos possíveis, atraída que fosse por mim a senhora para a rua e aí ele deveria disparar a maquininha. Tudo resultou em pleno.
Não foi fácil e corri algum risco - depressa aliviado porque a senhora não reconheceu o solteirinho ali apresentado como “caixeiro viajante” supostamente casado que andava em difícil relacionamento com a sua esposa… - e, depois de cerca de meia hora de “consulta”, com gravador de voz previamente ligado escondido numa velha pasta de couro ciosamente conservada encima do colo na consulta, onde depois foi depositado um prato com água e uns pingos de azeite que se “escangalhava todo”… - nas palavras da pobre senhora “benzedoura”, saí e o João da Cruz registou as fotos na rua. Pleno êxito na operação, pois!
Trouxe então um género de “pó de talco”, a que a senhora chamou de “pó d’atrair”, que tinha de juntar aos poucos nas cartas que fosse escrevendo à “esposa” e, em casa, também teria se colocar debaixo da almofada da cama sem que “ela” desse por isso…
Quando o jornal saiu no final de Março de 71 foi o escândalo dos escândalos! Houve mesmo um “auto de fé” com vários exemplares a serem queimados no largo da aldeia e o nosso saudoso João da Cruz na ocasião teve mesmo que meter pernas ao caminho e recolher-se em casa para não ser incomodado fisicamente… Mas, ele era, seguramente, o menos culpado… Eu, sim, fui o obreiro daquela “maldade”. Honra seja feita e se diga entretanto que, a mim, grande responsável daquela arriscada façanha, ninguém da terra incomodou. Foram simpáticos e amigos.
Na verdade, culpado era e foi este vosso amigo que, preocupado com o ambiente então existente na freguesia, quis mandar uma pedrada no charco e mostrar a muitos conterrâneos que andavam profundamente enganados e errados e, a senhora – que por sinal era bastante inculta e ignorante, coitada… -, era prematuramente informada por colaboradores/as locais que a informavam de quem iria na vez seguinte à “consulta” e aí ela sabia o que devia “armar” com a suposta padecente. Como na minha vez foi apanhada de surpresa e de mim nada sabia, foi o desmascarar de uma farsa que provocou o escândalo.
Confesso entretanto que, hoje, passados este 45 anos, não sei se teria coragem para arriscar tanto como então o fiz…
Como remate final digo que o escândalo chegou ao Ministério Público e fui chamado a tribunal – Tribunal da Golegã – onde já encontrei em cima de uma grande mesa todos os frascos com cobras, sapos e lagartos em álcool e as muitas fotos molduradas de então militares da freguesia na guerra de África, objectos que tinha visto no local da “consulta”, e no tribunal limitei-me a confirmar tudo o descrito na reportagem do jornal, tendo conhecimento posterior que a senhora foi “recambiada” para um outro qualquer lugar, creio que mais a Sul onde, presumivelmente, continuou a dar os seus “aconselhamentos”…
(Texto e foto publicados na página do Chouto no Facebook)
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
MAIS VELHARIAS, MAIS RECORDAÇÕES
Esta imagem, agora copiada da net, traz-me recordações que desejo partilhar:

Meu falecido pai era um verdadeiro enfermeiro da aldeia e a ele recorriam muitos ou talvez mesmo todos os padecentes que necessitavam de alguns cuidados médicos. Era vulgar os doentes, indo à Chamusca ao médico dr. Cumbre ou à “farmácia do Joaquim Cabeça”, estes recomendarem que, depois na terra, procurassem o Zé Azevedo para lhes “dar” as injecções ou para lhes “mudar” os pensos, no caso de feridas. Muito vulgar e, diria mesmo: quase obrigatório.
(A propósito quero recordar aqui, porque me lembro muitíssimo bem que, na época – e falo das décadas de 40/50 do século passado – era muito fácil ocorrerem fortes e valentes rixas não só entre residentes na aldeia como, principalmente, entre habitantes do Chouto e forasteiros de localidades vizinhas. Acontecia com pessoas de Ulme mas, muito principalmente, com gente vinda da Parreira. Era rara a escaramuça que não resultava em murro, pontapé e pedrada e, lembro-me bem porque, sendo eu criança, as cenas sempre me impressionavam, o desenlace acabava por envolver e terminar também muitas vezes em fortes pauladas porque os cajados de pastores, boieiros e eventualmente até lavradores, na época frequentadores das tabernas, entravam em acção e, daí às cabeças partidas e muitas outras feridas, era coisa inevitável e de breves segundos.
Muitas destas sofridas vítimas iam parar às mãos do Zé Azevedo e é daí que guardo na memória essas imagens que então tanto me impressionavam e que, possivelmente, não mais esquecerei. Lembro-me de ver meu pai com uma “gilette” rapar um pouco o cabelo em redor de uma ferida aberta na cabeça de um sofredor que levara forte paulada, água oxigenada e mercúrio-cromo. E também usava, noutros casos um pó, algo de nome “sulfamida”, produto então muito utilizado para cicatrizar rapidamente as feridas.)
Bom, mas comecei a divagar para outro lado e esqueci-me da razão da publicação desta imagem agora apanhada na net…
O que vemos é concretamente uma caixa de seringas: a dita cuja e as suas agulhas com que se infiltravam os medicamentos. No recipiente maior eram colocadas a seringa e a respectiva agulha aconselhada para a injecção; ali se vertia um pouco de álcool e se lançava o fogo para as desinfectar. Extinto o fogo e desinfectadas as ditas, a agulha era aplicada na extremidade da seringa, aspirado o liquido do medicamento e infiltrado no doente, quase sempre numa nádega.
Meu pai “deu” seguramente muitos milhares de injecções a residentes na freguesia e lembro-me especialmente de um senhor de nome José Ferreira, marido de dona Maria Augusta, ambos já falecidos há muito e pais dos meus amigos (Fernando, Diamantino, Álvaro, etc.) ainda hoje felizmente vivos e gozando de boa saúde. O seu pai José Ferreira sofria e sofreu durante vários anos de tuberculose e as injecções eram obrigatórias para combater a contaminação de que sofria. Uma vida de sofrimento a dele e uma verdadeira militância de meu pai, neste e em muitos outros casos idênticos e até piores com doentes graves e em fase terminal de vida, de que bem guardo memória.
Vidas passadas de outro Chouto passado…
Alonguei-me – o habitual… - mas pode ser que alguém aprecie estas velharias…
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