sexta-feira, 31 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
O CLIMA ESTÁ LOUCO!
Não fora
este clima maluco que estamos a sentir em Portugal e, hoje, bem possivelmente,
poderia aqui publicar não esta foto mas eventualmente uma outra igualmente com
um bonito exemplar de achigã… Mas, isto só
teria sido possível se tivesse ido à pesca, coisa que todo este frio, chuva e
vento que sentimos aqui me impediu de avançar para o Alentejo e matar o danado do vício...
Peguei esse
achigã exactamente no dia 13 de Outubro de 2012, logo no dia seguinte começou a
chover - e eu andava a acompanhar as previsões da meteorologia que bateram
certinhas… - e, de então para cá, mais de 6 meses passados, a coisa nunca mais
acabou… Inverno muito, muito chuvoso e, para completar o ramalhete, a chuva manteve-se
inclusive até ao início do Defeso da pesca… Na verdade, aconteceu que pela
primeira vez, desde há muitos anos, não consegui pescar antes do Defeso. E teve anos em que Fevereiro já estava de volta "deles"...
Peguei esse
achigã exactamente no dia 13 de Outubro de 2012, logo no dia seguinte começou a
chover - e eu andava a acompanhar as previsões da meteorologia que bateram
certinhas… - e, de então para cá, mais de 6 meses passados, a coisa nunca mais
acabou… Inverno muito, muito chuvoso e, para completar o ramalhete, a chuva manteve-se
inclusive até ao início do Defeso da pesca… Na verdade, aconteceu que pela
primeira vez, desde há muitos anos, não consegui pescar antes do Defeso. E teve anos em que Fevereiro já estava de volta "deles"...
Agora e
como acontece todos os anos, contava os dias para a Abertura e ia acompanhando
as "previsões de 10 dias" para o período de 16 a 18, datas em tinha programado o
reinício da “labuta”. Começaram-me a aparecer os bonecos das nuvens, da chuva e da acentuada
baixa da temperatura – 10º! – e eu não queria acreditar…
Não queria
mas tive de acreditar. Ontem, hoje, amanhã e mais um dia ou dois – as melhoras
do tempo só começam na terça, dia 16!… - temos todo esse lençol de mau tempo e…e…ainda
mais a... neve! Isso mesmo: hoje nevou e está a nevar em vários pontos do país!
Isto, a um mês do início do Verão!... Dá para acreditar?
Acho que o clima deve estar louco. Só pode.
Acho que o clima deve estar louco. Só pode.
quarta-feira, 20 de março de 2013
IRAQUE - A DOIDICE DE HÁ 10 ANOS
A comunicação social lembra-nos que completam-se hoje
10 anos sobre a incrível e louca invasão do Iraque pelas tropas aliadas dos
EUA, do Reino Unido e da Espanha. Invasão, lembre-se, ao arrepio da ONU! Ao arrepio da ONU!
O acordo e visto final foi aposto nas Lages, Açores, quatro dias
antes, com o anfitrião Durão Barroso, então primeiro-ministro de Portugal, a
receber o idiota George W. Bush (EUA) e os seus
submissos servos Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha).

Cenas tristes e demasiado dramáticas e
graves que passaram à história e sem a mais leve punição, não obstante os muitos
milhares de mortos e feridos naquele país que, vivendo em ditadura era
um problema deles e só muito depois do mundo...
Saddam
Hussein foi derrubado e morto – por sinal, de forma ultrajante!... - o país foi totalmente destruido e, de então
para cá e até aos nossos dias, aquela terra nunca mais teve paz e, muito importante,
foi transformada num enorme campo de treinos e organização de grupos terroristas
que actuam em todo o Mundo com o permanente terror e o contínuo medo de todos nós.
Tudo obra de um idiota como Bush – como
foi possível milhões de americanos colocarem uma coisa daquelas na Casa Branca,
é algo que dá que pensar… - que, com o aval de três serventuários, na triste
cimeira das Lages, avançou para tamanha loucura.
E, agora, efeitos e consequências nestes inconscientes
e loucos dirigentes políticos? Os três principais (Bush, Blair e Aznar) estão
em reformas douradas e, o servo Durão Barroso – ex-maoista em Portugal! - foi
premiado e passou a senhor maior desta ltriste, desorganizada, desorientada e pré-falida
União Europeia cujo fim terrivelmente se adivinha se, entretanto, ninguém de
competência e juízo perfeito ponha na ordem.
Este é o Mundo louco – doido, em
absoluto! – que temos vindo a ver e a sentir ao longo dos tempos!
Este é o Mundo que doaremos aos nossos
descendentes.
EM TEMPO – Fica aí como registo uma
imagem de há 10 anos nas Lages, Açores, quando essas 4 personagens fizeram as
tristes e lamentáveis figuras que conhecemos e que a história um dia julgará. Entretanto, eles e os seus, viverão principescamente...
sexta-feira, 15 de março de 2013
A MISÉRIA À NOSSA PORTA
A exemplo de uma anterior situação, ocorrida há dois ou três meses atrás, acabo de registar aqui mesmo à minha porta novo caso que testemunha bem quanto vivemos em profunda crise económico/social, crise que nunca ainda tinha visto em toda minha vida que já leva perto de sete dezenas de anos.
A uma camisa velha, de colarinho
totalmente rôto na sua dobra e, como a anterior, absolutamente imprópria para
continuar a utilizar com um mínimo de decência no dia-a-dia, apontei-lhe o
mesmo destino: lixo. Foi para o lixo mas, como no caso anterior, optei por
repetir a situação e não a deitei dentro do contentor junto ao chamado lixo
doméstico e, antes, optei por a colocar num vulgar saco de plástico que depois
atei às asas do referido contentor.
Em menos de meia hora passou um dos
muitos pobres e necessitados que vasculham constantemente os caixotes e
contentores do lixo aqui na rua e por toda a grande cidade e achou que lhe
faria jeito a rôta e velha camisa...
Neste pequenino exemplo temos a triste
realidade do Portugal de hoje!
É esta a miséria que vivemos nesta
terra!
Ao longo de toda a minha vida já vi
passar várias crises económico/sociais
em Portugal mas, como esta actual, nunca!
Veremos onde tudo isto vai parar mas
não prevejo bom fim.
O desemprego atinge números
inimagináveis e a miséria é muito grande e sabemos já de muitos casos de miséria
extrema!
Para adensar ainda mais todo este
drama vejo uma insensibilidade – como nos falam dos desempregados é
absolutamente revoltantee! – e um descontrolo governamental de um executivo que
há já uns meses me parece que está a prazo e que por isso me preocupa e aflige
dado que também não vejo uma alternativa de interesse…
Ao descontrolo junta-se a
incompetência, os jogos partidários e um baixar de braços de governantes e
governados que preocupa sobremaneira.
A coisa vai complicar-se muito!
Oxalá me engane.
quarta-feira, 13 de março de 2013
MEU PAI FARIA 98 ANOS!
Meu pai se fosse vivo completaria hoje 98 anos de idade! O seu nascimento ocorreu a 13 de Março de 1915, em pleno período
revolucionário de pós a Implantação da República em 1910!Revolucionário era coisa que ele não era, dado que era de certa forma um conservador e muito avesso a mudanças e alterações no seu dia-a-dia e na sua vida, não obstante as muitas adaptações profissionais a que teve de se sujeitar por forças das circunstâncias para ganhar o pão de cada dia.
Foi carpinteiro, comerciante, salsicheiro, produtor avícola, vendedor de electrodomésticos, enfermeiro, cobrador… Sei lado o que José Azevedo fez para ganhar a vida e criar os filhos com honradez e hombridade!...
Devo dizer, todavia, por ser da mais elementar justiça, que era um homem absolutamente integro, honrado e estimado e também e sobretudo um dedicado amigo do seu amigo! Esta faceta de ser muito amigo do seu amigo é talvez uma das mais salientes que lhe recordo e que enalteço!
Sei de uma situação em que um padre amigo, atolado em dívidas por força da construção de uma nova igreja na aldeia vizinha o procurou pedindo ajuda financeira e, meu pai, não tendo como o socorrer directamente, decidiu bater à porta de um outro amigo, pedindo ajuda para acudir ao padre… Coisa bonita, né? Bonita a valer!
Partiu muito novo – com menos de 62 anos!... – mas ficou para mim o seu magnífico exemplo, a sua herança de muito caracter e honestidade e a sua imensa saudade!
Deixo aí uma bonita foto, datada de Janeiro de 1970 – morreria 8 anos depois… - onde o vemos, na companhia de amigos, a chamuscar um porco acabado de matar, em frente da nossa casa no Chouto.
Que descanse em paz
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
SITE = 15.000 VISITAS!
O contador
do meu site pessoal atingiu ontem um número histórico e bem interessante…
No curto período de 3 anos em que estou no
novo servidor e, portanto, com novo contador, tive 15.000 visitas no site!

Reconheço
que não é nenhum resultado sensacional mas, se atendermos a que trata-se de um
site pessoal, onde normalmente só abordo assuntos pessoais e de familiares e
amigos mais chegados que fazem o favor de me aturar nesta vida, acho uma
contagem interessante porque, se dividirmos este total pelo 3 anos, dá-nos uma
média de 5.000 visitas anuais!
É um número
bonito e deixa-me satisfeito e reconhecido aos amigos que têm feito o favor de
me vir aturando nesta carolice que há já largos anos venho mantendo na net,
tanto no site como aqui no blogue.
Faço este
trabalhinho com muito gosto e franco prazer e devo confessar que também com
algum proveito... Na verdade, o tempo despendido com estes espaços e na própria
internet tem sido para mim muito importante no desanuviar da cabeça que tão
ocupada e martirizada tem sido nestes últimos anos por força do terrível
problema que me foi criado na minha actividade profissional.
Manter a
mente ocupada com estes espaços tem sido importante e muito valioso! Não fora
isso e talvez já tivesse “pirado”…
No Photoshop
elaborei um pequeno trabalhinho alusivo a esta efeméride que publiquei no site
e que agora aqui deixo como reconhecimento e agradecimento aos amigos que têm
feito o favor de me acompanhar.
Vou continuar com o mesmo empenho e igual entusiasmo, esperando continuar a merecer o favor da visita e acompanhamento de todos! Isso será para mim muito gratificante!
Vou continuar com o mesmo empenho e igual entusiasmo, esperando continuar a merecer o favor da visita e acompanhamento de todos! Isso será para mim muito gratificante!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
MEMÓRIAS...

Embora assente em cartas
da época, como esta datada de 14 de Junho de 1958 que aqui junto e outras que
escrevi nos anos de estudo em Lisboa e que dirigia a meu pai e ele guardou e eu
preservei também e que me ajudaram a localizar no tempo todo aquele período, o meu
escrito de hoje é baseado muito nas minhas memórias dado que o episódio que
esteve na origem do rompimento das relações entre a família dos meus padrinhos
e a minha, pela sua importância e pela dor provocada, isso bem justifica.

É necessário frisar desde
já que o relacionamento entre as famílias era excelente até aí, bastando para
isso salientar que os meus padrinhos antes de o serem já tinham sido padrinhos
de casamento do meu pai e que eu estava a convite deles hospedado na sua casa e
convivendo diariamente como se seu filho fosse, não esquecendo ainda que bastas
vezes em fins-de-semana e sobretudo férias de Verão os convívios entre todos
eram frequentes e meus padrinhos e filhos adoravam estar no Chouto. Ficaram famosas
as vivências das meninas, jovens e bonitas adolescentes Teresa e Gaby, de
calções pelo Chouto – um Chouto na época, sem televisão, jornais e fracas
comunicações e por isso muito desfasado das “modernices” da capital… - ou
tomando banho, mergulhando e nadando num tanque de água de regas no Anafe do
Meio, do sr. Estêvão Maia! Para as pessoas de mais idade na aldeia aquilo era
uma tontice de gente claramente sem maneiras… Junto aqui uma foto dos dois talvez
junto do dito tanque de água onde as meninas se banhavam.
Vivia-se portanto este delicioso
ambiente quando, subitamente, uma insólita e aparentemente inofensiva
ocorrência tudo perturbou e tudo alterou... Radicalmente.
O facto aconteceu sensivelmente
entre os dias 6 e 11/12 de Junho de 1958. Nesse intervalo de tempo, uma
coisinha aparentemente sem importância, veio alterar toda a minha vida de
estudante…
Morávamos no Bairro do
Restelo, na Rua Soldados da India, exactamente a última rua do bairro encostada a Algés e frequentávamos o Liceu de Oeiras. O trajecto diário era feito por
comboio desde a estação de Algés e, até lá, íamos a pé, de casa, num percurso de 5
a 10 minutos. Para encurtar caminho atravessávamos por um estreito carreiro um
terreno baldio que estava sempre cheio de ervas e sobretudo cardos muito altos,
daqueles que dão como flor as conhecidas alcachofras. Era essa “cultura” exactamente que ali tínhamos naquele inicio de
Verão e últimos dias de aulas do ano lectivo. Logo de seguida eu iria de férias para o Chouto
e, foi lá, a 14, que recebi a carta do Tó que junto aí e que me dava conta das
notas e onde o rapazinho tem o cuidado de “gritar”, provocador, antes de as
notas escrever: “As tuas notas são piores do que as minhas”… eh!eh!
Mas, voltemos à “istória”:
Atravessávamos nós - eu e o Tó - o carreiro quando, subitamente, reparamos que do meio dos
cardos e sob o efeito dos raios solares, vinha um reflexo de qualquer coisa brilhante…
Curiosos, embora picando-nos com os bicos dos cardos, fomos ver… E que
encontramos? Encontramos dois grandes, cromados e luzidios faróis de automóvel, daqueles
que são fixados exteriormente encima do para-choques ou até mesmo dos guarda-lamas
dianteiros. Via-se que tinham sido serrados pelo seu pé…
Estávamos com pressa
para apanhar o comboio e já não voltamos a casa para ali os guardar… Logo a
seguir tinha o começo da Av. Vasco da Gama e, no 1º prédio, tínhamos a mercearia
onde a minha madrinha era cliente e por isso o merceeiro conhecia-nos e foi a
ele que pedimos se nos guardava o achado até regressarmos. O senhor acedeu e,
na volta ali levantamos os faróis pondo em marcha o nosso plano… Atravessamos a
avenida e no outro lado, um pouco mais acima, tínhamos uma oficina auto. Foi aí
que nos dirigimos perguntando ao mecânico se queria comprar os faróis…
Não me lembro, não sei,
não vi mais nada e só me lembro que demos por nós detidos na esquadra da polícia de
Pedrouços... Lembro-me de uma pequena sala de velhas paredes, no 1º andar, de
soalho muito velho e esburacado e com uma janela pequena de grades exteriores.
Coisa horrível! Estávamos assim... detidos! Presos como ladrões ou, no mínimo, suspeitos de termos
cerrado e roubado os faróis! Nós, crianças de 13 e 12 anos e meio, de calçõeszinhos
de ir ao colégio, de aspecto de meninos de coro, estávamos encarcerados que nem
gatunos!...
Dissemos quem eramos e,
passadas uma ou duas horas, lá apareceram os meus padrinhos que acabaram por
levar para casa o filho Tó e o afilhado Victor, envergonhados e sem saber onde
se meterem… Ralharam-nos muito mas não bateram. Na verdade tínhamos actuado um bocadinho
mal mas jamais suspeitávamos na encrenca em que nos estávamos a meter…
Logo, logo de seguida -
um/dois dias – acabaram as aulas e eu fui de férias para a aldeia e, lá
chegado, bem-disposto porque sabia pelos "pontos" feitos que tinha passado de ano e, sem querer
estragar a festa e, talvez e principalmente, com receio que o meu pai me chegasse
a "roupa ao pelo”, resolvi nada contar ao meu pai sobre essa vergonha porque
passara e deixei correr os dias… Foi esse mais um erro meu…
Passadas umas boas
semanas, bem mais de um mês, recebe o meu pai uma carta do padrinho Cerqueira
muito, muito dura. Talvez mesmo violenta!... Li a carta depois várias vezes
porque o meu pai, além de ma ter lido, tinha-a numa gaveta da secretária e ainda
hoje me interrogo como raio o meu padrinho, sendo uma pessoa tão cortês, afável
e ponderada, antes de escrever aquela carta tão dura ao afilhado Zé, não pensou,
num só momento sequer que ele poderia desconhecer totalmente aquela “istória”…
Contava ele que tinha sido incomodado sobremaneira com aquilo, tinha sido
chamado à Judiciária umas quantas vezes e tinha-se visto em sérias dificuldades
para conseguir que o processo fosse arquivado. Mas, finalmente, já estava arquivado naquela data!...Contava isso e mostrava-se muito
incomodado pelo afilhado não se ter minimamente preocupado com aquela actuação
do filho que tantos dissabores lhe causara. Estava verdadeiramente surpreendido e ofendido com o afilhado e compadre Zé!...
Como é bom de ver o meu
pai ficou muito melindrado com as palavras do padrinho, deu-me um raspanete dos
valentes e, logo de seguida, decidiu que eu não voltaria mais para Lisboa para
casa dos padrinhos e disso mesmo deu conta ao padrinho Cerqueira em carta que lhe
escreveu e que, certamente, também não terá sido nada meiga…
Não tenho a absoluta
certeza das fazes seguintes mas julgo que logo de seguida o meu padrinho se
retratou e terá apresentado as suas desculpas pedindo que não cumprisse o que dissera
e deixasse o Victor voltar em Outubro. A madrinha Ricardina entrou também no
processo mas o meu pai não recuou minimamente na decisão. Não era pessoa para
isso. Quando resolvia cortar, cortava e não recuava. Era assim a sua maneira de
ser e, com esta atitude, não recuando, acabou por deixar também o padrinho ofendido, no que se
compreende perfeitamente. Ele, que pedia desculpa pelas palavras menos pensadas, entendia que o afilhado bem podia reconsiderar e deixar voltar tudo ao ponto de partida... Tinha também a sua razão mas... o afilhado Zé era e foi sempre assim. Estava decidido, estava decidido!
Foi então assim, sem um
corte de relações oficiais, mas efectivas, dado que não mais voltaram a
contactar-se mutuamente, que o relacionamento terminou entre eles.
Digo entretanto e em
abono da verdade que jamais o meu pai me impediu de contactar com os padrinhos
e, antes, devo confessar por ser verdade, sempre me pressionou nesse contacto
tanto mais que o padrinho começou a ficar muito doente, numa doença que cinco
anos depois acabaria por o vitimar. Trocávamos alguma correspondência,
nomeadamente por alturas das festas pascais e natalícias e lembro-me mesmo
muito bem da ocasião em que o visitei em casa, com ele já acamado e muito doente, que
fiz isso por sugestão do meu pai…
Lembro-me que aconteceu
em Agosto de 1963 quando se realizou em Lisboa, no Terreiro do Paço, uma grande
manifestação nacional de apoio a Salazar e à sua política ultramarina, como
então se dizia. Foram para Lisboa autocarros de todo o país cheios de gente e
do Chouto também isso aconteceu e o meu pai sugeriu que eu aproveitasse, que
não pagava nada e ia e vinha no mesmo dia e em vez de ir à manifestação ia
visitar o padrinho a casa. Foi o que fiz e foi a última vez que o vi com vida…
No mês seguinte (Setembro) morreria. Estive então toda a noite no velório no
Mosteiro dos Jerónimos e depois no funeral para o cemitério do Lumiar, com a
bandeira do Sporting a cobrir a urna e um grande acompanhamento, nomeadamente com
muita gente do clube.
Assim desapareceu tão prematuramente
um excelente amigo que me deixou muitas saudades que, sinceramente, são saudades que ainda hoje
sinto!...
Fica então aqui narrada
a triste “istória” que esteve na origem do nosso afastamento e, se a conto, para
além de memorizar e registar esse acontecimento, faço-o também para que melhor
se possa comparar como se alteraram os
comportamentos das autoridades deste país desde então para o dia de hoje… Se antes de desconfiava até de duas
inofensivas crianças, colocando-as como ladrões perigosos, detidas na esquadra, hoje, adultos e mesmo já cadastrados, roubam e
matam e… pouco ou nada lhes acontece…
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
BELÍSSIMO! BELÍSSIMO ENCONTRO!
Belíssimo! Belíssimo encontro hoje com os meus velhos companheiros e amigos de
infância José Manuel Samouco (ao centro, na foto) e António Manuel Cerqueira (à direita)!
Coisinha super- agradável
que aqui quero registar com redobrado prazer pelo particular gosto que senti e sentimos
dado que, em conjunto, não nos juntávamos há mais de 55 anos! E… cinquenta e cinco
anos é já muita coisa!...
Nos já tão distantes anos de 1955, 56 e 57 eu , vindo do
distante e sertanejo Chouto vivia na época escolar em casa dos meus padrinhos
de baptismo, pai do Tó – e da Teresa e da Gaby – e o Zé Manel era primo deles,
filho da irmã Elisa da minha madrinha Ricardina. A esta madrinha e a meu
padrinho António Cerqueira devo a insistência junto de meus pais para eu deixar
o Chouto e ir estudar para Lisboa porque meu pai achava que eu deveria vir a
ser… alfaiate… Isso mesmo, o meu saudoso pai entendia que eu, depois da 4ª
classe, deveria entrar no amigo mestre Acácio Varela, sem dúvida um excelente
alfaiate que tinha a sua oficina logo ali ao lado, para iniciar a minha carreira na alfaiataria. Logo eu
que não tinha e nunca mais tive jeitinho algum para trabalhos manuais… Que
desastre teria sido...
Foram então os meus padrinhos – a minha madrinha, lembro, era
veemente nessa vontade! – que forçaram e “exigiram” que eu fosse para sua casa
em Lisboa para obter primeiro a então necessária “Admissão ao Liceu” - era assim que se chamava - e depois prosseguir nos estudos. Aí, então, tirei a “Admissão”, numa escola junto ao Bairro do Restelo onde ficava a casa
dos padrinhos e, depois, já no Liceu de Oeiras, ainda andei mais dois anos
porque chumbei logo no 1º ano, Mas o chumbo não foi aí por culpa minha… Um
acidente doméstico, nas férias no Chouto, provocou e prejudicou-me muito os estudos… Valeu-me
então o falecido e saudoso Manuel Marques, famoso massagista do Sporting de
então e amigo da família da casa que me tratou durante algumas dolorosas semanas!
Mas ainda sofro dessa inadvertida queimadela de azeite a ferver naquela
distante passagem de ano.
Mas regressemos então ao belíssimo encontro com os meus dois
velhos amigos de brincadeiras dos anos cinquenta:
Nasceu esta reunião e foi pretexto para o Zé Manel me oferecer
umas autênticas pérolas compostas por jornais, revistas e postais velhos da
Chamusca, coisas de 1928 e seguintes anos, de que deixo aqui foto, que eram pretensa do seu pai, “pérolas” estas ou idênticas que me
lembrava ter visto no quarto da sua avó no Restelo. A conversa nasceu na
internet e o Zé Manel foi exemplar na gentileza que usou para comigo fazendo esta oferta que muito aprecio!
Juntámo-nos então hoje num almoço/encontro que prosseguiu
pela tarde adentro e todo o tempo não chegou para rememorarmos os velhos tempos
de crianças no Restelo em que jogávamos à bola na rua – as balizas eram as
sarjetas!... -, em que frequentávamos o Sporting tanto na velha sede do
Passadiço, como no Estádio de Alvalade que na altura era todo nosso! Andávamos
por todo o lado e o estádio era como se nossa casa fosse!... Víamos os jogos
junto ao relvado e os jogadores – Passos, Travassos, Juca, Octávio de Sá e
tantos outros, eram visita de casa de meu padrinho que era e foi durante muitos
anos Secretário Permanente do clube. Assim como que o actual Director - Geral que, por sinal, é o também meu familiar Valdemar Barreto. Curiosidade e casualidade
bem interessante, acho.
Mas recordamos igualmente muitas outras situações como, por
exemplo, a velhinha avó deles dois que habitava alternadamente nas casas das
duas filhas mas que, quando estava no Restelo, em casa da filha Ricardina, o “terramoto”
era diário e constante. Senhora muito pequena, muito corcunda e com uma tosse
crónica horrível, possuía um feitio conflituoso no máximo que se possa imaginar
e, com a filha, o choque é permanente e muito violento! Um exemplo: Ela
embirrava, é o termo, que a minha madrinha quando fazia Cozido à Portuguesa colocasse
farinheira no cozido. Embirrava a 1000%!
Numa das vezes, lembro-me bem, desconfiada ela foi ver à panela, viu a
farinheira, sacou-a e, de farinheira na mão, pendurada pelo cordel, veio gritar para a janela: “Olhem!
Olhem!” e…zás! Atirou a farinheira a voar pela rua fora…
E quando a filha recebia “à socapa” em casa para pernoitar o
velho pai que vinha da Golegã a Lisboa? A velhinha e o sr. Vacas estavam separados há largos anos e a senhora detestava que a filha
acolhesse o pai debaixo do mesmo tecto onde ela estava… Minha madrinha recebia
então o pai na porta da cozinha, nas traseiras da vivenda, fazia-o subir a um
dos quartos no 1º andar e era aí que lhe levava o jantar sem a mãe sentir a mais
leve suspeita… De manhã, o homenzinho saia cedo, pé ante pé com a ajuda da
filha que, logo de seguida e antes de ir para o trabalho, tinha o cuidado de
deixar o quarto arrumado e sem qualquer vestígio de que o pai ali tinha dormido.
Mas, aconteceu que numa das vezes ela se esqueceu de um jarro de água no quarto…
A velha senhora, que ficava sozinha em casa enquanto uns iam para o trabalho e
outros para o liceu, ou porque gostava de vistoriar ou porque algo suspeitara,
deu a volta e encontrou o jarro de água e aí o terramoto aconteceu…. Chegada a
noite, quando a filha Ricardina chegou do trabalho, a casa parecia que ia
abaixo!... Tourada, tourada das boas!
Um detalhe de soberba importância era a forma como o meu
padrinho assistia a todas estas contendas entre a esposa e a sogra!… Era um
espanto! Um espanto! Nunca se metia e dava a sensação que assistia de poltrona,
assim como que em camarote da ópera, a todas as cenas… Meu padrinho era muito
educado, um verdadeiro diplomata do seu tempo e jamais o vi intrometer-se, o
mínimo que fosse, para acalmar os ânimos das beligerantes… Eh! Eh! Um verdadeiro
espanto que nunca mais esqueci!
Igualmente muitíssimo educado e incapaz de levantar a voz
fosse para quem fosse tenho de aqui recordar e lembramo-lo bem no nosso almoço de
agora, era o pai do Zé Manel, o sr. Armindo Samouco, pessoa de quem igualmente guardo uma belíssima, belíssima recordação! Ele e a esposa tinham um magnífico
relacionamento e um excelente trato e, nesse caso, aí com a velha senhora, mãe
e filha davam-se muito bem! Mas a paciência, toda ela, era da filha Elisa que
era uma santa pessoa porque, nitidamente, a Ricardina estava sempre, sempre em
colisão com a velha mãe. A velhinha era por demais conflituosa!...
Falamos disto e de muitas outras recordações nesta belíssima
tarde que convivemos eu, o Zé Manel e o Tó e, porque ainda ficou muito, muito
para falarmos, já aprazamos novo encontro, talvez desta vez para o Alentejo que,
inclusive, deve meter pescaria aos achigãs… Mas eu não me comprometi minimamente
em arranjar produto piscatório para o almoço… Nessa não caí eu…
Sei que sou excelente pescador – eh! eh! - mas, nessa não me meti…
NOTA - Falamos também da ocorrência que tem tanto de insólita quanto aborrecida que ditou o corte de relações ou algo parecido entre o meu padrinho e o meu pai e que ditou o meu abandono dos estudos em Lisboa e o consequente afastamento entre as famílias mas, para não tornar este escrito demasiado extenso, abordarei o caso no meu próximo apontamento, daqui a dois ou três dias, não só para ficar em registo mas para vermos também e compararmos como as autoridades no tempo de Salazar lidavam com os crimes a ordem pública e as de hoje lidam... Viemos do 80... para o 8...
domingo, 6 de janeiro de 2013
OS 40 ANOS DO "EXPRESSO"
O "Expresso" celebra hoje o seu 40º aniversário e, ontem, depois de comprar o seu número comemorativo, escrevi umas quantas linhas que agora aqui resolvo publicar e que talvez fiquem bem como arquivo e memória futura...
Hoje é sábado e, como todos os outros
sábados, desde há 40 anos, aqui tenho comigo o “Expresso” que hoje saiu numa
edição muito especial porque amanhã celebra o seu 40º aniversário de
publicação!
Hoje é sábado e, como todos os outros
sábados, desde há 40 anos, aqui tenho comigo o “Expresso” que hoje saiu numa
edição muito especial porque amanhã celebra o seu 40º aniversário de
publicação!
Sair de manhã aos sábados e, no primeiro
quiosque comprar o “Expresso”, é para mim um hábito, se não mesmo uma obrigação
que sinto quase, quase, como o cristão que todos os domingos vai à missa…
Compro o “Expresso” “obrigatoriamente desde
o seu 1º número e para além de ainda guardar esse exemplar, guardo muitos
outros, sobretudo do período revolucionário que vivemos após o 25 de Abril de
1974 e lembro-me tão bem como hoje com que expectativa aguardei a saída do 1º
número e sobretudo com debati com um velho amigo, há muito já falecido, o
conteúdo do jornal acabado de sair. Tratava-se do Afonso, Afonso Henrique
Santos de seu nome completo mas que assinava os seus poemas e outros escritos com
o pseudónimo de Henrique Bravo. Relojoeiro de profissão, trabalhava numa
pequena relojoaria e ourivesaria no Calhariz, junto à então Caixa Geral de
Depósitos na Calçada do Combro.
Esse amigo tinha-me sido apresentado pelo António Bento do “Jornal da Chamusca”, seu velho amigo com quem chegaram a publicar uns cadernos de poesia, de nome “Atitude” e o Afonso chegou também a escrever no “Jornal da Chamusca”. Costumava também sugerir ao António Bento e a mim formas de melhor apresentarmos o jornal e recordo-me por exemplo que numa das vezes deu a ideia de publicar em grande destaque na 1ª página uma foto de um “Bate Papo” em que eu aparecia a entrevistar em palco o padre Diogo, da Chamusca mas apresentado a foto em negativo. O Bento, concordou, ficou bem interessante e lembro-me que muitas pessoas apreciaram a originalidade.
Esse amigo tinha-me sido apresentado pelo António Bento do “Jornal da Chamusca”, seu velho amigo com quem chegaram a publicar uns cadernos de poesia, de nome “Atitude” e o Afonso chegou também a escrever no “Jornal da Chamusca”. Costumava também sugerir ao António Bento e a mim formas de melhor apresentarmos o jornal e recordo-me por exemplo que numa das vezes deu a ideia de publicar em grande destaque na 1ª página uma foto de um “Bate Papo” em que eu aparecia a entrevistar em palco o padre Diogo, da Chamusca mas apresentado a foto em negativo. O Bento, concordou, ficou bem interessante e lembro-me que muitas pessoas apreciaram a originalidade.
Mas voltemos ao “Expresso” cujo
nascimento, na verdade, está bem fresco na minha memória… O jornal nasceu
assente na chamada Ala Liberal da então Assembleia da República que era
composta entre outros por Pinto Balsemão, que o fundou e dirigiu durante anos
e ainda por Mota Amaral, Sá Carneiro, Miller Guerra e Pinto Leite, um homem de
que muito pouco se fala porque morreu muito novo num acidente de helicóptero na
então Guiné portuguesa mas curiosamente o seu nome vem publicado na 1ª página
do “Expresso” no seu 1º número. Era um jovem empresário e político de que muito
se esperava.
Foi então assente neste grupo que muito escreveu no jornal de então e
aproveitando a pequena abertura que Marcelo Caetano trouxe ao regime do chamado
Estado Novo que Balsemão pensou e criou o jornal. Caetano tinha aberto qualquer
coisita o ambiente político e esses então jovens deputados achavam que era possível mudar o regime
pelo dialogo na Assembleia. Ficaram celebres as discussões deles com os
deputados mais velhos e conservadores, ultras, defensores do regime de Salazar e
lembro-me por exemplo duma contenda entre Miller Guerra e Cazal Ribeiro que
constava do Diário da Assembleia e que circulava mais ou menos clandestinamente
entre nós…
O pessoal mais à esquerda – leia-se
gente de ideais comunistas que vivia clandestina, mais ou menos ”abafada” – acharam
o jornal demasiado conservador porque esperavam mais agressividade na escrita
mas eu lembro-me que gostei muito, logo do 1º número. Até então só podíamos ler
umas coisitas ou outras contra o regime no “Diário de Lisboa” e no velho “República”.
O “Expresso”, trazia uma linguagem algo diferente e como era semanário, o que
era uma novidade na altura, dava para ir lendo durante a semana.
Desde a 1ª hora foi sempre um jornal
muito influente no poder e não raras vezes tem contribuído para a queda de
governos. Recordo-me por exemplo quando Vasco Gonçalves em pleno PREC, num
comício em Almada, se atirou ao “Expresso” chamando-lhe pasquim. Desabridamente
o homem parecia que estava fora de si e, logo, logo vaticinei: já caíste…!
Durou duas ou três semanas…
O jornal está agora muito diferente,
como é lógico e tem acompanhado a evolução
dos tempos estando muito mais moderno e competitivo.
É, para mim, o melhor jornal português
e ficaram pelo caminho muitos outros que o tentaram abater… Lembro-me do “Semanário”,
do “O Jornal”, do “Independente” e ultimamente do “Sol”. Todos tiveram de
desistir e morrer, excepção ao “Sol” que ainda aí está porque ultimamente se
agarrou a capitais angolanos…
Neste número comemorativo do 40º
aniversário, na “Revista”, eles publicam um trabalho com leitores fiéis do
jornal desde o 1º número mas esqueceram-se de mim…
Imperdoável!... Eh! Eh!
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
NATAL E DESALENTO
Com o dia a chegar ao seu fim eis-nos também
a atingir o final deste período natalício que ficará assinalado como o mais
desalentado e pobre de sempre na nossa história contemporânea. Na verdade se
bem que há já dois ou três anos que curtámos as prendas que trocávamos entre adultos
e só as crianças têm direito a sentir a alegria de as receber, este é sem
dúvida o Natal em que mais se fez sentir não só a enorme crise económica que
assola o país como, sobretudo aquele em que se nota em todos o maior desânimo,
o maior desalento de sempre com as prespectivas que se apresentam à nossa
terra. E, esse, para mim, ainda é o maior e mais preocupante problema.
Não sabem porque ninguém lhes diz e
sobretudo porque sentem que, de propósito ou por ignorância, os governantes, tecnicos
e políticos, lhes mentem, ontem, hoje e amanhã não lhes anunciando a verdade
toda e, antes, só utilizam a televisão, a rádio e os jornais para lhes
anunciarem mais cortes, mais impostos, mais dificuldades, mais desânimo. Não me
recordo, ano e meio a esta parte, com o actual governo, de uma vez, uma vez só,
que o ministro da finanças venha a público anunciar uma boa notícia, pequenina
que fosse aos portugueses…
Crise económica e social sempre tivemos
mais num ano, menos no outro mas, este desânimo, este desalento que se sente em
tudo e em todos, isso nunca sentimos, isso nunca tivemos nesta terra lusa!
As pessoas vêm que a hora é dificílima
e, ainda pior que isso, sentem que muitos piores dias virão, muito pior futuro
as espera, sem que saibam quando acaba todo este apertar de cinto, estas vicissitudes
e esta imensa incerteza.
Não sabem porque ninguém lhes diz e
sobretudo porque sentem que, de propósito ou por ignorância, os governantes, tecnicos
e políticos, lhes mentem, ontem, hoje e amanhã não lhes anunciando a verdade
toda e, antes, só utilizam a televisão, a rádio e os jornais para lhes
anunciarem mais cortes, mais impostos, mais dificuldades, mais desânimo. Não me
recordo, ano e meio a esta parte, com o actual governo, de uma vez, uma vez só,
que o ministro da finanças venha a público anunciar uma boa notícia, pequenina
que fosse aos portugueses…
Numa linguagem demasiado técnica – só técnica,
quadrada e hermética! – Victor Gaspar só nos fala em números, números e mais
números e, tanto ele quanto o primeiro-ministro não usam uma palavra – uma palavrinha
que seja!... – dirigida ao povo, ás pessoas, à gente sofrida e preocupada que
os ouve. Tudo ali são números e mais número, euros e mais euros e não há, não se
sente a mais pequenina preocupação nas pessoas a quem se dirigem e com quem
deviam preocupar-se. Nitidamente e parece-me por demais evidente, actuam como
funcionários dos nossos credores e executam as suas ordens com mestria e
eficiência. Pelo menos é o que eles nos dizem quando confessam que a “troika”
considera Portugal como um “bom aluno”…
Dir-me-ão alguns, acredito que poucos,
favoráveis a esta formula, que estes governantes dão-nos a linguagem crua da
verdade mas eu acho que não deveria ser bem assim: As pessoas estão em primeiro
lugar e as pessoas deveriam ser a preocupação primeira e maior. Os portugueses
andam desanimados e desalentados e é preocupante que isso assim seja.
Não desejo que se minta ao povo mas é
importante que se lhe dirija com animo, com vontade, com querer e crer para que
o povo acredite nos seus dirigentes e no dia de amanhã. Mas eu sei que eles não
conseguem fazê-lo porque não são capazes…São figuras menores e, hoje, como
ontem, faltam-nos dirigentes capazes, valentes, inteligentes com carisma e
sabedoria para dirigir uma nação.
Não sou adepto do homem salvador, do
homem único e supostamente sábio que conduz a luz, com o povo a segui-lo. Não, nisso
não acredito porque desejava ter políticos inteligentes, sabedores e que, de
preferência, sentissem as gentes, as coisas, o povo, a pátria!
Como está, “isto” não é nada e é simultaneamente
muito preocupante!
Muito preocupante!
Oxalá me engane...
NOTA FINAL – Um apontamento final,
assim como que um escrito de diário, para registar que o meu neto, este ano,
agora já com seis anos e meio, pareceu-nos que já não “engoliu” totalmente a “pêta”
do Pai Natal… O tio, que fazia a personagem, não apertou devidamente o fato e
deixou-o ver as almofadas que o avolumavam e, sobretudo porque, após a porta
fechada, olhando para o avô Lenine e vendo-o sem óculos lhe perguntou pelos mesmos
porque, julgamos, o Rafael os reconheceu no Pai Natal…
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
O CARVALHO "APAGOU-SE"...
Fosse eu supersticioso e, por certo, depois
de hoje, começaria a olhar para o dia da Consoada como tempo de me trazer
notícias tristes…
Na verdade, como se já não bastasse de
para mim sempre ficar marcado este dia a partir do ano de 1978, data em que faleceu
o meu pai e que a partir daí me força a sempre consoar com essa triste
lembrança, quis o acaso que hoje também viesse a saber do falecimento do amigo
Carvalho, um velho companheiro de pesca e de copos, que me deixa muita saudade.
Foi por acaso que o telefone me trouxe hoje a notícia desta morte, ocorrida já, segundo julgo, há mais de dois
meses.
Neste período estive por mais de uma vez
na Castanheira do Ribatejo, onde vivia o “velho Carvalho”, não calhei a vê-lo –
e pelos vistos nem podia… - e ninguém me transmitiu esta infausta notícia… Se
soubesse da sua morte ou, até mesmo, se ela em tempo oportuno me tivesse sido
comunicada, forçosamente ter-me-ia deslocado de propósito para o acompanhar à
sua última morada.
Tinha pelo Carvalho particular estima
e guardo dele boas recordações, não só dos muitos momentos em que o procurava
para petiscarmos e tomarmos um copo, como sobretudo pelos muitos anos em que foi
meu companheiro de pesca ao achigã no Ribatejo e Alentejo. Com um outro
camarada, ao longo de mais de dez anos, percorremos muitos milhares de kms
pelos caminhos ribatejanos e alentejanos em busca dos “boca grande” e guardo
desse período belas lições de companheirismo e convivência com este já saudoso
amigo.
Era um homem que conhecia “tudo e
todos”, de convivência muito agradável, respeitoso, que sabia estar e sempre
foi um soberbo companheiro, quer nessas viagens, quer sobretudo à mesa de
restaurantes e tascas onde sempre foi um colega absolutamente exemplar! Aí
o convívio era perfeito e, verdade seja dita, mesmo não vivendo desafogado economicamente,
nunca, nunca por nunca ser, vi o amigo Carvalho a esquivar-se a contribuir com
a sua parte na despesa, quando não avançava ele mesmo para o pagamento da
conta, numa voluntariedade que naturalmente sempre era combatida… Carvalho
nunca, nunca se “encostou”! Carvalho foi sempre um companheiro exemplar!
Por isso e não só, eu gostava dele!. Por
isso e não só o procurava já depois de se aposentar e passar os seus dias
entre os cafés da Castanheira e a sua casa, para viajarmos um pouco (Carregado,
Cartaxo, Alenquer, Alhandra, etc) e bebermos uns copos. Copos que, pelos
vistos, não lhe fizeram muito mal dado que acabou por partir já perto da bonita
idade dos 90… Oitentas e tais de uma vida muito vivida!

Naturalmente guardo do Carvalho
deliciosos e inesquecíveis momentos de convivência – deixo aqui uma foto em que
ele saúda o fotografo por ocasião de um belo convívio na hora do almoço, junto
a uma barragem no Ribatejo – e lembro-me por exemplo das vezes em que se
lembrava de levar pequenos “mimos” e os preparava junto às represas, debaixo de
uma azinheira. Uma vez, perto de Avis, quando cheguei para almoçar, pensando
que ia saborear o meu petisco que levara de casa, deparei-me com o amigo
Carvalho fazendo brasas entre duas pedras e preparando-se para assar, espetado
num pau, um bom naco de toucinho, bem alto, só temperado com sal grosso, cortado
aos gomos e só seguro pelo coirato. Que delícia aquele petisco me soube, apertado entre o fresquíssimo
pão alentejano que comprávamos em Mora, na própria padaria onde era cozido, com
o dia ainda a raiar! Uma maravilha que repetiu outras vezes e que jamais
esquecerei!
Para além destas facetas que sempre
recordarei e do muito que aprendi com ele na arte de pescar os achigãs –
Carvalho pescava muito bem, fruto da sua larga experiência! - outro detalhe do
seu comportamento que sempre me impressionou, foi a forma amistosa como convivia
com os seus empregados. Num ou outro caso – estou a lembrar-me por exemplo de
um deficiente mental (Grácio, de seu nome) que para ele trabalhava e que o “velho
Carvalho” sempre tratou como um filho… Carvalho ralhava-lhe e premiava-o como
se filho fosse! Um espanto!
Mais um exemplo: Numa ocasião em que vínhamos
de umas cervejas na direcção do prédio em cujos apartamentos as suas
funcionárias executavam as limpezas finais, o amigo Carvalho pergunta-me, sem
ela ouvir: “Não se importa que ela tome banho ali numa banheira?” Claro que não
me importava e, lesto, o amigo puxou da carteira, tirou uma nota, deu-a à
rapariga, dizendo: “Toma, compra um sabonete e toma banho”. E vi-o ter estes
gestos, gratificantes e amigos, tantas vezes!...
Não mais degustarei os tordos estufados
que anualmente fazia questão de comprar a um amigo caçador e tinha gosto em
convidar-me para os saborearmos com um bom vinho tinto que ele também muito
apreciava… (Comprava os tordos, mandava o Grácio depená-los e ele mesmo os
preparava muito bem com cebola e alho num tacho que depois levava para o café,
para degustar com os amigos, como em Janeiro de 2008, ocasião registada na foto ao lado.).
E pronto, o Carvalho, utilizando uma
expressão que ele muito usava, “apagou-se”! “Apagou-se” e deixou-nos mais sós e
mais tristes! É a chamada “lei da vida” que, como sabemos, nos deixa sempre
muito abalados quando ocorre com quem estimamos…
Ficam estas palavras em sua homenagem
e como sentido agradecimento pelos gratificantes tempos que comigo conviveu e
pelo muito que me ensinou!
Que descanse em paz!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
GUERRA COLONIAL - O REGRESSO!
Foi neste dia do mês, há já 43 anos, exactamente
a 7 de Dezembro de 1969 que, embarcando em Luanda, no paquete Império, tive um
dos dias mais felizes da minha vida! Era o início do fim da minha participação –
“comissão”, como então se chamava à nossa participação forçada… - na então dura
e perigosa guerra naquele território angolano então português e, sendo o início
do fim daquela dura etapa da vida de um pacato cidadão, será natural que esse
acontecimento entre na sua vida como uma data marcante, apenas suplantada pelo
desembarque em terra firme, em Lisboa, dez dias depois, a 17 de Dezembro de
1969!
Lembro-me que quando tive notícia que
o Império já estava atracado no porto, esperando o nosso embarque, tive de ir
ver com os meus próprios olhos. Fui a Luanda e, exultando de felicidade, registei
mesmo em foto a tão normal e vulgar vista mas que, para mim, era das mais lindas
paisagens! O gigante barquinho que me levaria a casa estava ali, submisso,
imóvel e acolhedor, esperando pela minha entrada… Coisa linda! Fica aí o
retrato que bati naquela data.
Na ida tinha viajado no Niassa e o
regresso aconteceu no Império, sem dúvida um paquete muito melhor que o
primeiro e, curiosamente, ambas as viagens ficariam marcadas por insólitos e
inesperados acontecimentos particularmente desagradáveis para muitos militares
mas em cujo número felizmente não me inclui…

Na ida, no Niassa e como consequência
das péssimas condições em que os soldados eram transportados e alimentados, a
meio do trajecto, os rapazes, em número de algumas centenas, sofreram um
intoxicação alimentar e a aflição foi muito grande. Os homens viajavam amontoados
que nem gado nos porões do barco onde tinham sido instalados os beliches de
duas camas. A ventilação, apenas resultante da grande abertura central por onde
se fazia a carga e descarga de mercadorias, era quase nula e, se a isso
adicionarmos o muito calor, as poucas instalações sanitárias e, alguns dos
jovens, porque oriundos de meios rurais e estamos a falar do Portugal dos
distantes anos 60, como poucos hábitos de higiene, pode imaginar-se o ambiente e os
odores naqueles porões… Coisa inadmissível
para transportar seres humanos, duvidando que, nos dias de hoje, fosse possível
fazer igual transporte de homens naquelas condições. Pois, a juntar a essa
deplorável situação, ainda acabaram por fornecer aos rapazes alimentação menos
própria que lhes provocou uma intoxicação deveras preocupante.
Como as condições em que viajavam eram
as descritas, de forma alguma os pobres homens poderiam permanecer ali deitados, a
vomitar e a gemer. Houve que os distribuir pelos corredores que davam acesso
aos camarotes de oficiais e sargentos, bem como a outras partes do paquete,
como acessos a enfermarias, salões, etc, etc. Foi
um verdadeiro pandemónio e o alarme foi grande chegando a pensar-se em
atracarmos na Guiné/Bissau para debelar a situação… Aconteceu que, felizmente
pela boa constituição do rapazes ou porque a intoxicação não atingiu maiores
proporções, o próprio organismo dos soldados encarregou-se de melhorar todo
aquele problema e, ao fim de 2/3 dias, a coisa voltaria ao normal. Mas foi
muito preocupante e os rapazes sofreram bastante.
Então, oficialmente, o que saiu sobre
as origens do mal estar dos homens foi que não tinham “aguentado” a passagem do
equador… Isso mesmo, à boa maneira do antigamente de encobrir as verdades… Como
se esse suposto e ridículo "diagnóstico" só atingisse o organismo dos soldados e
deixasse imune oficias e sargentos… Ridículo.

Entretanto, enquanto os pobres
soldados viajavam e comiam assim, oficiais e sargentos viviam instalados em
optimas condições e alimentavam-se magnificamente. Instalados em camarotes de
quatro lugares, com ar condicionado e casa de banho própria e fazendo as
refeições em belíssimos salões, comíamos excelentemente e eramos servidos por
tripulantes fardados a rigor e com a maior deferência. Deixo também aí uma foto
no Império que o comprova mas, no Niassa, foi idêntico. Esta era a verdade de
então e importa que se diga para que se saiba.
Portanto, esta foi a situação ocorrida
na viajem de ida no Niassa e, depois, no regresso no Império nada disso
aconteceu felizmente mas, todavia, um acontecimento posterior e de que só agora,
aqui pela net, 43 anos depois, tive conhecimento, marcou também essa viajem.
O Império atracou connosco no dia
17/12/1969 e esteve ali, no cais de Alcântara até 5/1/1970, data em que voltou
a zarpar com mais um carregamento de tropas, desta vez para Moçambique.
Aconteceu que neste período de estadia no cais e certamente beneficiando de
algum provável período de menor vigia por causa das festas de Natal e Ano Novo,
alguém instalou numa dependência, por debaixo da Casa das Máquinas, um engenho
explosivo.
O rebentamento ocorreu a 9, quatro dias
depois da partida e provocou um rombo no casco que de imediato resultou na inundação de toda a zona,
atingindo a Casa das Máquinas provocando a paragem de toda a maquinaria e
consequente falta de energia no paquete. Fecharam de imediato as portas mas
chegou a recear-se que elas não aguentassem a pressão. O barco adornou e o caos
ficou instalado. Não havia energia, as camaras frigoríficas deixaram estragar
os alimentos e os mesmos foram atirados ao mar por não se suportar o cheiro. Chegaram
a queimar cordas e tábuas das escadas para fazer fogo e fritarem farinha para
alimentar toda aquela gente. Dentro do barco, por falta de ventilação e luz não
se podia dormir e conseguiram apenas pôr em funcionamento um gerador para luzes
de presença e comunicações.
Imagine-se então a aflição e o caos em
toda aquela gente até chegar um rebocador grego que levou o paquete adornado
até Cabo Verde. Em Portugal a Emissora Nacional, noticiava oficialmente que o
Império estava parado no alto mar com uma avaria nas máquinas…
A viajem da tropa foi então reatada
quando chegou o Niassa enviado de Lisboa transportando os militares para Moçambique.
O Império seria depois rebocado para
Lisboa e daí seguiria para a Escócia onde foi reparado durante 9 meses, data
em que voltou ao serviço da tropa e do seu transporte para África, resultando
deste episódio portanto que, a minha viajem nele, foi a última antes do
atentado sofrido.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
EANES, O 25 DE NOVEMBRO, O PAÍS
“É inaceitável, é inadmissível, já não em termos democráticos, mas em termos de sociedade, em termos de humanização, que haja cidadãos, sobretudo crianças, que não tenham direito àquilo que é fundamental”, nomeadamente o direito à alimentação, disse o antigo presidente da República Ramalho Eanes, à margem das comemorações do 37.º aniversário do 25 de novembro de 1975.”
Retirei da imprensa
estas acertadas palavras de quem tem toda a autoridade para as proferir e de
quem sempre se nos apresenta como uma reserva moral e séria do que deveriam ser
os políticos e os dirigentes que ao longo dos tempos dirigiram ou dirigem Portugal.
Ramalho Eanes tornou-se
conhecido dos portugueses aquando dos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975,
data em que acabou a ”bagunça” então reinante nas forças armadas (chegou a
realizar-se “juramento de bandeira” de punho erguido…) e tudo voltou para os
quartéis de onde nunca deveriam ter saído para as tropelias que então se
verificavam. Sei que as hostes comunistas e esquerdistas mais radicais, que
então ambicionavam tomar o poder e bem estiveram perto disso, não estarão de
acordo com isto, no que estão do seu direito mas, essa será outra discussão…
Para colocar as forças
armadas e o país nos carris Eanes precisou politicamente do forte apoio do
então chamado “Grupo dos Nove”, com o falecido major Melo Antunes à cabeça e
necessitou ainda e logicamente da força, bem ordenada e potente dos Comandos da
Amadora, cujo Regimento era superiormente comandado pelo Coronel Jaime Neves,
homem de “barba rija” que vergou as forças mais renitentes e que assim muito
contribuiu para o êxito da missão. (Na foto vemos, numa cerimónia da época, o General Ramalho Eanes, o Coronel Jaime Neves e o então Capitão Vasco Lourenço, que também fazia parte do "Grupo dos Nove")
Por mero acaso vivi mais
ou menos de perto esses dias já que Jaime Neves era então meu vizinho e moravamos
no mesmo prédio, ali não muito longe do quartel e, por várias ocasiões fomos
companheiros de elevador, sobressaindo as vezes, naqueles dias quentes em que,
armado de metralhadora com um homem da sua escolta, igualmente de metralhadora
e camuflado, desciam para tomarem o jipe com militares armados que o aguardava
na rua. Eu descia também para ir para o emprego e ainda guardo na memória a 1ª
vez que entrei no elevador no meu piso e deparei com aquela cena de dois
militares de metralhadora ao ombro ali num prédio de civis. Na ocasião
desconhecia que o coronel Jaime Neves ali morava e dá para imaginar o susto que
apanhei quando o vi assim pela 1ª vez no elevador…Depois tornou-se vulgar, como
é obvio.
Com uma força muito bem
preparada e fortemente disciplinada Jaime Neves foi sem dúvida figura muito
importante no êxito do movimento militar que fez voltar a ordem e a disciplina
ao país!
Com o General Ramalho
Eanes só estive uma vez pessoalmente e guardo dele a memória do seu ar austero –
dele se dizia que não ria… - a sua fisionomia sisuda e fechada, não só por lhe
ser habitual mas também pelas circunstâncias do momento que vivíamos.
Tratava-se do velório do corpo do escritor e poeta Miguel Torga, em Coimbra.
Sendo um dos escritores cuja vida e obra mais admiro, forçoso era que, sabendo
da sua morte em Janeiro de 1995 ali me deslocasse para uma derradeira
homenagem. Torga era apoiante e admirador de Eanes e este também apreciava
muito o escritor e lógico seria que igualmente gostasse de o homenagear na sua derradeira
viajem. Foi assim, junto ao corpo do homem que ambos admirávamos, que conheci
pessoalmente Ramalho Eanes.
Foi num local insólito como
é evidente mas, para mim, também não deixou de ser gratificante por se tratar
de uma figura cujo comportamento apreciava e que, com o tempo até hoje
decorrido, mais tenho admirado e respeitado e disso já aqui dei conta algumas
vezes!
Tivesse Portugal muitos
homens honrados e sérios como Ramalho Eanes e teríamos forçosamente outro país,
outra terra e outra gente!
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A MINHA PESQUINHA
Faz hoje um mês que pesquei este
achigãzinho de quilo aí da foto que acompanha estas linhas e com ele encerrei a
minha pesquinha deste ano de 2012.
Chamo-lhe pesquinha porque na verdade
é isso mesmo que pratico de há uns anos e esta parte... Saio de casa não tão
cedo quanto deveria (gosto de levar o “Expresso” e espero que chegue às bancas…)
e regresso muito antes do pôr-do-sol, altura em que ainda deveria estar na
pesca, dado que é nessa hora que a mesma é mais produtiva…
Mas a minha preocupação, não obstante
o grande prazer em ferrar um bom exemplar que sempre se sente, não é só a pesca
propriamente dita... Não é, não. Gosto de me levantar cedo; gosto do fresquinho
da manhã no Verão; gosto da viajem, das árvores, dos arbustos, das peças de
caça que vou encontrando, das aves e outros animais selvagens que vão surgindo,
enfim, da Natureza. Na cidade nada disso temos e, muito menos temos e respiramos
o ar puro que encontro no Ribatejo e no Alentejo onde me desloco no exercício
deste belíssimo desporto.
O curioso deste meu vício, de que um
dia espero aqui falar com mais detalhe, é que fui iniciado nestas lides
exactamente por meus cunhados de um lado e outro da família… Uns iniciaram-me
na também muito interessante pesca no Rio Vouga, com os pequenos “ruivacos” que
ali abundavam e, outro – que por sinal já não é, por força de divórcio… -,
naquela que mais dias e horas me tem absorvido e que ainda hoje mantenho com
redobrado prazer, a pesca do achigã.
A 1ª, na Beira Alta, era feita com uma
rudimentar Cana da India, só com uma linha, um chumbinho e um anzol muito
pequenino (mosca), sem carreto e produzia excelente resultado, chegando, com a
evolução da minha tecnica a, posteriormente, sacar do rio boas bogas e sobretudo
belíssimos exemplares de excelentes e bem batalhadores barbos.
Na outra, a do achigã, lembro-me que
me equipei na década de 70, talvez por volta de 1977/78 numa pequena Casa de
Pesca em Alhandra (o sr. Manuel, que felizmente ainda é vivo e ainda se mantém
atrás do balcão e onde muito material tenho adquirido ao longo dos tempos). Umas
botas de borracha, um saco-mochila que ainda uso, umas "medalhas" para amostras e uma cana e um carreto que também
ainda possuo. Mas estes dois não eram indicados para a pesca do achigã… Não era o carreto
e muito menos a cana, por ser muito grande e pesada. Tenho-a usado na pesca à
beira mar.
Ficam por aqui estas recordações – outro
dia desfíarei mais uma ou outra memória e uma ou outra história… - e importa
agora dizer que findou este ano a pesquinha. Começou a chover, os acessos às
barragens são mais difíceis, quando não impossíveis mesmo de jipe e os terrenos nas margens ficam muito mais pesados e,
com algum frio também a chegar, as águas arrefecem, os peixes afundam e nas
margens a pesca só se justificará em finais de Fevereiro, quando se aproximar a
Primavera e as temperaturas se tornarem mais amenas.
Até lá, é para arrumar fotos,
materiais e recordações e aspirar pela chegada da nova época. Nos últimos dias,
que antecedem o regresso às lides, até se contam os dias e, mais pertinho dessa
data, até as horas vão recuando aqui na caixinha dos pirolitos…
Um vício danado! Mas, bonito! E
saudável!...
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
...E JÁ SÃO 68!
O
homem ganhou este hábito: desde que nasce e embora caminhe para o envelhecimento
e consequente morte, festeja a passagem dos seus aniversários natalícios…
Não
fujo à regra como é natural e hoje festejo mais um, de uma soma que já produz
resultado volumoso, atingindo os 68! Já começa a pesar, esta coisa…
De
novo juntei os familiares mais chegados e amigos próximos e, num restaurante,
no jantar à pouco, saboreamos uma boa Cataplana de Garoupa confeccionada pela
senhora do restaurante.
Os
meses e os anos passam e arrastam-se e a receita é sempre a mesma, com os
mesmos resultados: Impostos e mais impostos; cortes e mais cortes e as pessoas
cada vez mais pobres e necessitadas, quando não já miseráveis nalguns casos...
Para
além de quem trabalha, sofrem agora também pesados cortes os pensionistas, num
roubo descarado e aviltante dado que se vai ao bolso de quem aceitou um acordo de
apoio à velhice com o Estado, que para isso durante dezenas de anos recebeu as
devidas contribuições e agora faz tábua rasa e como que se rasga esse acordo,
fazendo elevados cortes nas acordadas pensões e assim criando difíceis condições
de subsistência para muitos milhares de cidadãos e suas famílias.
É o
que temos que aturar e suportar com esta terrível incapacidade de dirigentes e técnicos
que mandam no país e na Europa, com uma Alemanha que põe e dispõe na restante
Europa como se sua quinta fosse a apostar na austeridade, mais austeridade e
mais austeridade. As economias não funcionam, ninguém compra nada a ninguém, as
empresas fecham e vão à falência e é todo um arrastar de situação que, com toda
a convicção o digo, nos levará a dias muito e muito difíceis.
Oxalá
me engane mas, a continuar assim, celebrar aniversários será cada vez mais difícil
e complicado para mim e de certeza para muitos e muitos dos meus concidadãos e
tenho mesmo a plena convicção que muitos, muitos já não os festejam… Não têm disposição,
não têm dinheiro, não têm possibilidades…
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