sexta-feira, 17 de maio de 2013

O CLIMA ESTÁ LOUCO!

Não fora este clima maluco que estamos a sentir em Portugal e, hoje, bem possivelmente, poderia aqui publicar não esta foto mas eventualmente uma outra igualmente com um bonito exemplar de achigã… Mas, isto só teria sido possível se tivesse ido à pesca, coisa que todo este frio, chuva e vento que sentimos aqui me impediu de avançar para o Alentejo e matar o danado do vício...

Peguei esse achigã exactamente no dia 13 de Outubro de 2012, logo no dia seguinte começou a chover - e eu andava a acompanhar as previsões da meteorologia que bateram certinhas… - e, de então para cá, mais de 6 meses passados, a coisa nunca mais acabou… Inverno muito, muito chuvoso e, para completar o ramalhete, a chuva manteve-se inclusive até ao início do Defeso da pesca… Na verdade, aconteceu que pela primeira vez, desde há muitos anos, não consegui pescar antes do Defeso. E teve anos em que Fevereiro já estava de volta "deles"...
Agora e como acontece todos os anos, contava os dias para a Abertura e ia acompanhando as "previsões de 10 dias" para o período de 16 a 18, datas em tinha programado o reinício da “labuta”. Começaram-me a aparecer os bonecos das nuvens, da chuva e da acentuada baixa da temperatura – 10º! – e eu não queria acreditar…
Não queria mas tive de acreditar. Ontem, hoje, amanhã e mais um dia ou dois – as melhoras do tempo só começam na terça, dia 16!… - temos todo esse lençol de mau tempo e…e…ainda mais a... neve! Isso mesmo: hoje nevou e está a nevar em vários pontos do país! Isto, a um mês do início do Verão!... Dá para acreditar?

Acho que o clima deve estar louco. Só pode. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

IRAQUE - A DOIDICE DE HÁ 10 ANOS


A comunicação social lembra-nos que completam-se hoje 10 anos sobre a incrível e louca invasão do Iraque pelas tropas aliadas dos EUA, do Reino Unido e da Espanha. Invasão, lembre-se, ao arrepio da ONU! Ao arrepio da ONU!
O acordo e visto final foi aposto nas Lages, Açores, quatro dias antes, com o anfitrião Durão Barroso, então primeiro-ministro de Portugal, a receber o idiota George W. Bush (EUA) e os seus submissos servos Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha).
Cenas tristes e demasiado dramáticas e graves que passaram à história e sem a mais leve punição, não obstante os muitos milhares de mortos e feridos naquele país que, vivendo em ditadura era um problema deles e só muito depois do mundo...
Saddam Hussein foi derrubado e morto – por sinal, de forma ultrajante!... - o país foi totalmente destruido e, de então para cá e até aos nossos dias, aquela terra nunca mais teve paz e, muito importante, foi transformada num enorme campo de treinos e organização de grupos terroristas que actuam em todo o Mundo com o permanente terror e o contínuo medo de todos nós.
Tudo obra de um idiota como Bush – como foi possível milhões de americanos colocarem uma coisa daquelas na Casa Branca, é algo que dá que pensar… - que, com o aval de três serventuários, na triste cimeira das Lages, avançou para tamanha loucura.
E, agora, efeitos e consequências nestes inconscientes e loucos dirigentes políticos? Os três principais (Bush, Blair e Aznar) estão em reformas douradas e, o servo Durão Barroso – ex-maoista em Portugal! - foi premiado e passou a senhor maior desta ltriste, desorganizada, desorientada e pré-falida União Europeia cujo fim terrivelmente se adivinha se, entretanto, ninguém de competência e juízo perfeito ponha na ordem.
Este é o Mundo louco – doido, em absoluto! – que temos vindo a ver e a sentir ao longo dos tempos!
Este é o Mundo que doaremos aos nossos descendentes.
 
EM TEMPO – Fica aí como registo uma imagem de há 10 anos nas Lages, Açores, quando essas 4 personagens fizeram as tristes e lamentáveis figuras que conhecemos e que a história um dia julgará. Entretanto, eles e os seus, viverão principescamente...  

sexta-feira, 15 de março de 2013

A MISÉRIA À NOSSA PORTA

 
A exemplo de uma anterior situação, ocorrida há dois ou três meses atrás, acabo de registar aqui mesmo à minha porta novo caso que testemunha bem quanto vivemos em profunda crise económico/social, crise que nunca ainda tinha visto em toda minha vida que já leva perto de sete dezenas de anos.

A uma camisa velha, de colarinho totalmente rôto na sua dobra e, como a anterior, absolutamente imprópria para continuar a utilizar com um mínimo de decência no dia-a-dia, apontei-lhe o mesmo destino: lixo. Foi para o lixo mas, como no caso anterior, optei por repetir a situação e não a deitei dentro do contentor junto ao chamado lixo doméstico e, antes, optei por a colocar num vulgar saco de plástico que depois atei às asas do referido contentor.
Da varanda fotografei a insólita cena e era minha intenção ir espiando para registar o tempo decorrido para o resgate da camisa para o seu novo proprietário mas, tal não me foi possível… Como no anterior caso, que levou menos de meia hora - meia hora! - a desaparecer o saco e a camisa, este foi exactamente igual. Atei o saquinho com a velha camisa era meio-dia e, passados uns breves instantes a Hortense veio dizer-me: “Já levaram a camisa!”. Olhei para o relógio: meio-dia e meia hora!
Em menos de meia hora passou um dos muitos pobres e necessitados que vasculham constantemente os caixotes e contentores do lixo aqui na rua e por toda a grande cidade e achou que lhe faria jeito a rôta e velha camisa...
Neste pequenino exemplo temos a triste realidade do Portugal de hoje!
É esta a miséria que vivemos nesta terra!
Ao longo de toda a minha vida já vi passar várias crises  económico/sociais em Portugal mas, como esta actual, nunca!
Veremos onde tudo isto vai parar mas não prevejo bom fim.
O desemprego atinge números inimagináveis e a miséria é muito grande e sabemos já de muitos casos de miséria extrema!
Para adensar ainda mais todo este drama vejo uma insensibilidade – como nos falam dos desempregados é absolutamente revoltantee! –  e um  descontrolo governamental de um executivo que há já uns meses me parece que está a prazo e que por isso me preocupa e aflige dado que também não vejo uma alternativa de interesse…
Ao descontrolo junta-se a incompetência, os jogos partidários e um baixar de braços de governantes e governados que preocupa sobremaneira.
A coisa vai complicar-se muito!
Oxalá me engane.

quarta-feira, 13 de março de 2013

MEU PAI FARIA 98 ANOS!


Meu pai se fosse vivo completaria hoje 98 anos de idade! O seu nascimento ocorreu a 13 de Março de 1915, em pleno período revolucionário de pós a Implantação da República em 1910!

Revolucionário era coisa que ele não era, dado que era de certa forma um conservador e muito avesso a mudanças e alterações no seu dia-a-dia e na sua vida, não obstante as muitas adaptações profissionais a que teve de se sujeitar por forças das circunstâncias para ganhar o pão de cada dia.

Foi carpinteiro, comerciante, salsicheiro, produtor avícola, vendedor de electrodomésticos, enfermeiro, cobrador… Sei lado o que José Azevedo fez para ganhar a vida e criar os filhos com honradez e hombridade!...

Devo dizer, todavia, por ser da mais elementar justiça, que era um homem absolutamente integro, honrado e estimado e também e sobretudo um dedicado amigo do seu amigo! Esta faceta de ser muito amigo do seu amigo é talvez uma das mais salientes que lhe recordo e que enalteço!

Sei de uma situação em que um padre amigo, atolado em dívidas por força da construção de uma nova igreja na aldeia vizinha o procurou pedindo ajuda financeira e, meu pai, não tendo como o socorrer directamente, decidiu bater à porta de um outro amigo, pedindo ajuda para acudir ao padre… Coisa bonita, né? Bonita a valer!

Partiu muito novo – com menos de 62 anos!... – mas ficou para mim o seu magnífico exemplo, a sua herança de muito caracter e honestidade e a sua imensa saudade!

Deixo aí uma bonita foto, datada de Janeiro de 1970 – morreria 8 anos depois… - onde o vemos, na companhia de amigos, a chamuscar um porco acabado de matar, em frente da nossa casa no Chouto. 
Que descanse em paz

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

SITE = 15.000 VISITAS!

O contador do meu site pessoal atingiu ontem um número histórico e bem interessante…

No curto período de 3 anos em que estou no novo servidor e, portanto, com novo contador, tive 15.000 visitas no site!
Reconheço que não é nenhum resultado sensacional mas, se atendermos a que trata-se de um site pessoal, onde normalmente só abordo assuntos pessoais e de familiares e amigos mais chegados que fazem o favor de me aturar nesta vida, acho uma contagem interessante porque, se dividirmos este total pelo 3 anos, dá-nos uma média de 5.000 visitas anuais!
É um número bonito e deixa-me satisfeito e reconhecido aos amigos que têm feito o favor de me vir aturando nesta carolice que há já largos anos venho mantendo na net, tanto no site como aqui no blogue.
Faço este trabalhinho com muito gosto e franco prazer e devo confessar que também com algum proveito... Na verdade, o tempo despendido com estes espaços e na própria internet tem sido para mim muito importante no desanuviar da cabeça que tão ocupada e martirizada tem sido nestes últimos anos por força do terrível problema que me foi criado na minha actividade profissional.
Manter a mente ocupada com estes espaços tem sido importante e muito valioso! Não fora isso e talvez já tivesse “pirado”…
No Photoshop elaborei um pequeno trabalhinho alusivo a esta efeméride que publiquei no site e que agora aqui deixo como reconhecimento e agradecimento aos amigos que têm feito o favor de me acompanhar.
 
Vou continuar com o mesmo empenho e igual entusiasmo, esperando continuar a merecer o favor da visita e acompanhamento de todos! Isso será para mim muito gratificante!  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MEMÓRIAS...


Embora assente em cartas da época, como esta datada de 14 de Junho de 1958 que aqui junto e outras que escrevi nos anos de estudo em Lisboa e que dirigia a meu pai e ele guardou e eu preservei também e que me ajudaram a localizar no tempo todo aquele período, o meu escrito de hoje é baseado muito nas minhas memórias dado que o episódio que esteve na origem do rompimento das relações entre a família dos meus padrinhos e a minha, pela sua importância e pela dor provocada, isso bem justifica.

É necessário frisar desde já que o relacionamento entre as famílias era excelente até aí, bastando para isso salientar que os meus padrinhos antes de o serem já tinham sido padrinhos de casamento do meu pai e que eu estava a convite deles hospedado na sua casa e convivendo diariamente como se seu filho fosse, não esquecendo ainda que bastas vezes em fins-de-semana e sobretudo férias de Verão os convívios entre todos eram frequentes e meus padrinhos e filhos adoravam estar no Chouto. Ficaram famosas as vivências das meninas, jovens e bonitas adolescentes Teresa e Gaby, de calções pelo Chouto – um Chouto na época, sem televisão, jornais e fracas comunicações e por isso muito desfasado das “modernices” da capital… - ou tomando banho, mergulhando e nadando num tanque de água de regas no Anafe do Meio, do sr. Estêvão Maia! Para as pessoas de mais idade na aldeia aquilo era uma tontice de gente claramente sem maneiras… Junto aqui uma foto dos dois talvez junto do dito tanque de água onde as meninas se banhavam.

Vivia-se portanto este delicioso ambiente quando, subitamente, uma insólita e aparentemente inofensiva ocorrência tudo perturbou e tudo alterou... Radicalmente.

O facto aconteceu sensivelmente entre os dias 6 e 11/12 de Junho de 1958. Nesse intervalo de tempo, uma coisinha aparentemente sem importância, veio alterar toda a minha vida de estudante…

Morávamos no Bairro do Restelo, na Rua Soldados da India, exactamente a última rua do bairro encostada a Algés e frequentávamos o Liceu de Oeiras. O trajecto diário era feito por comboio desde a estação de Algés e, até lá, íamos a pé, de casa, num percurso de 5 a 10 minutos. Para encurtar caminho atravessávamos por um estreito carreiro um terreno baldio que estava sempre cheio de ervas e sobretudo cardos muito altos, daqueles que dão como flor as conhecidas alcachofras. Era essa “cultura” exactamente que ali tínhamos naquele inicio de Verão e últimos dias de aulas do ano lectivo. Logo de seguida eu iria de férias para o Chouto e, foi lá, a 14, que recebi a carta do Tó que junto aí e que me dava conta das notas e onde o rapazinho tem o cuidado de “gritar”, provocador, antes de as notas escrever: “As tuas notas são piores do que as minhas”… eh!eh!

Mas, voltemos à “istória”: Atravessávamos nós - eu e o Tó - o carreiro quando, subitamente, reparamos que do meio dos cardos e sob o efeito dos raios solares, vinha um reflexo de qualquer coisa brilhante… Curiosos, embora picando-nos com os bicos dos cardos, fomos ver… E que encontramos? Encontramos dois grandes, cromados e luzidios faróis de automóvel, daqueles que são fixados exteriormente encima do para-choques ou até mesmo dos guarda-lamas dianteiros. Via-se que tinham sido serrados pelo seu pé…

Estávamos com pressa para apanhar o comboio e já não voltamos a casa para ali os guardar… Logo a seguir tinha o começo da Av. Vasco da Gama e, no 1º prédio, tínhamos a mercearia onde a minha madrinha era cliente e por isso o merceeiro conhecia-nos e foi a ele que pedimos se nos guardava o achado até regressarmos. O senhor acedeu e, na volta ali levantamos os faróis pondo em marcha o nosso plano… Atravessamos a avenida e no outro lado, um pouco mais acima, tínhamos uma oficina auto. Foi aí que nos dirigimos perguntando ao mecânico se queria comprar os faróis…

Não me lembro, não sei, não vi mais nada e só me lembro que demos por nós detidos na esquadra da polícia de Pedrouços... Lembro-me de uma pequena sala de velhas paredes, no 1º andar, de soalho muito velho e esburacado e com uma janela pequena de grades exteriores. Coisa horrível! Estávamos assim... detidos! Presos como ladrões ou, no mínimo, suspeitos de termos cerrado e roubado os faróis! Nós, crianças de 13 e 12 anos e meio, de calçõeszinhos de ir ao colégio, de aspecto de meninos de coro, estávamos encarcerados que nem gatunos!...

Dissemos quem eramos e, passadas uma ou duas horas, lá apareceram os meus padrinhos que acabaram por levar para casa o filho Tó e o afilhado Victor, envergonhados e sem saber onde se meterem… Ralharam-nos muito mas não bateram. Na verdade tínhamos actuado um bocadinho mal mas jamais suspeitávamos na encrenca em que nos estávamos a meter…

Logo, logo de seguida - um/dois dias – acabaram as aulas e eu fui de férias para a aldeia e, lá chegado, bem-disposto porque sabia pelos "pontos" feitos que tinha passado de ano e, sem querer estragar a festa e, talvez e principalmente, com receio que o meu pai me chegasse a "roupa ao pelo”, resolvi nada contar ao meu pai sobre essa vergonha porque passara e deixei correr os dias… Foi esse mais um erro meu…

Passadas umas boas semanas, bem mais de um mês, recebe o meu pai uma carta do padrinho Cerqueira muito, muito dura. Talvez mesmo violenta!... Li a carta depois várias vezes porque o meu pai, além de ma ter lido, tinha-a numa gaveta da secretária e ainda hoje me interrogo como raio o meu padrinho, sendo uma pessoa tão cortês, afável e ponderada, antes de escrever aquela carta tão dura ao afilhado Zé, não pensou, num só momento sequer que ele poderia desconhecer totalmente aquela “istória”… Contava ele que tinha sido incomodado sobremaneira com aquilo, tinha sido chamado à Judiciária umas quantas vezes e tinha-se visto em sérias dificuldades para conseguir que o processo fosse arquivado. Mas, finalmente, já estava arquivado naquela data!...Contava isso e mostrava-se muito incomodado pelo afilhado não se ter minimamente preocupado com aquela actuação do filho que tantos dissabores lhe causara. Estava verdadeiramente surpreendido e ofendido com o afilhado e compadre Zé!...

Como é bom de ver o meu pai ficou muito melindrado com as palavras do padrinho, deu-me um raspanete dos valentes e, logo de seguida, decidiu que eu não voltaria mais para Lisboa para casa dos padrinhos e disso mesmo deu conta ao padrinho Cerqueira em carta que lhe escreveu e que, certamente, também não terá sido nada meiga…

Não tenho a absoluta certeza das fazes seguintes mas julgo que logo de seguida o meu padrinho se retratou e terá apresentado as suas desculpas pedindo que não cumprisse o que dissera e deixasse o Victor voltar em Outubro. A madrinha Ricardina entrou também no processo mas o meu pai não recuou minimamente na decisão. Não era pessoa para isso. Quando resolvia cortar, cortava e não recuava. Era assim a sua maneira de ser e, com esta atitude, não recuando, acabou por deixar também o padrinho ofendido, no que se compreende perfeitamente. Ele, que pedia desculpa pelas palavras menos pensadas, entendia que o afilhado bem podia reconsiderar e deixar voltar tudo ao ponto de partida... Tinha também a sua razão mas... o afilhado Zé era e foi sempre assim. Estava decidido, estava decidido!

Foi então assim, sem um corte de relações oficiais, mas efectivas, dado que não mais voltaram a contactar-se mutuamente, que o relacionamento terminou entre eles.

Digo entretanto e em abono da verdade que jamais o meu pai me impediu de contactar com os padrinhos e, antes, devo confessar por ser verdade, sempre me pressionou nesse contacto tanto mais que o padrinho começou a ficar muito doente, numa doença que cinco anos depois acabaria por o vitimar. Trocávamos alguma correspondência, nomeadamente por alturas das festas pascais e natalícias e lembro-me mesmo muito bem da ocasião em que o visitei em casa, com ele já acamado e muito doente, que fiz isso por sugestão do meu pai…

Lembro-me que aconteceu em Agosto de 1963 quando se realizou em Lisboa, no Terreiro do Paço, uma grande manifestação nacional de apoio a Salazar e à sua política ultramarina, como então se dizia. Foram para Lisboa autocarros de todo o país cheios de gente e do Chouto também isso aconteceu e o meu pai sugeriu que eu aproveitasse, que não pagava nada e ia e vinha no mesmo dia e em vez de ir à manifestação ia visitar o padrinho a casa. Foi o que fiz e foi a última vez que o vi com vida… No mês seguinte (Setembro) morreria. Estive então toda a noite no velório no Mosteiro dos Jerónimos e depois no funeral para o cemitério do Lumiar, com a bandeira do Sporting a cobrir a urna e um grande acompanhamento, nomeadamente com muita gente do clube.

Assim desapareceu tão prematuramente um excelente amigo que me deixou muitas saudades que, sinceramente, são saudades que ainda hoje sinto!... 

Fica então aqui narrada a triste “istória” que esteve na origem do nosso afastamento e, se a conto, para além de memorizar e registar esse acontecimento, faço-o também para que melhor se possa comparar como  se alteraram os comportamentos das autoridades deste país desde então para o dia de hoje…  Se antes de desconfiava até de duas inofensivas crianças, colocando-as como ladrões perigosos, detidas na esquadra,  hoje, adultos e mesmo já cadastrados, roubam e matam e… pouco ou nada lhes acontece…  

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

BELÍSSIMO! BELÍSSIMO ENCONTRO!


Belíssimo! Belíssimo encontro  hoje  com os meus velhos companheiros e amigos de infância José Manuel Samouco (ao centro, na foto) e António Manuel Cerqueira (à direita)! 

Coisinha  super- agradável que aqui quero registar com redobrado prazer pelo particular gosto que senti e sentimos dado que, em conjunto, não nos juntávamos há mais de 55 anos! E… cinquenta e cinco anos é já muita coisa!...

Nos já tão distantes anos de 1955, 56 e 57 eu , vindo do distante e sertanejo Chouto vivia na época escolar em casa dos meus padrinhos de baptismo, pai do Tó – e da Teresa e da Gaby – e o Zé Manel era primo deles, filho da irmã Elisa da minha madrinha Ricardina. A esta madrinha e a meu padrinho António Cerqueira devo a insistência junto de meus pais para eu deixar o Chouto e ir estudar para Lisboa porque meu pai achava que eu deveria vir a ser… alfaiate… Isso mesmo, o meu saudoso pai entendia que eu, depois da 4ª classe, deveria entrar no amigo mestre Acácio Varela, sem dúvida um excelente alfaiate que tinha a sua oficina logo ali ao lado, para  iniciar a minha carreira na alfaiataria. Logo eu que não tinha e nunca mais tive jeitinho algum para trabalhos manuais… Que desastre teria sido...

Foram então os meus padrinhos – a minha madrinha, lembro, era veemente nessa vontade! – que forçaram e “exigiram” que eu fosse para sua casa em Lisboa para obter primeiro a então necessária “Admissão ao Liceu”  - era assim que se chamava -  e depois prosseguir nos estudos. Aí, então, tirei a “Admissão”, numa escola junto ao Bairro do Restelo onde ficava a casa dos padrinhos e, depois, já no Liceu de Oeiras, ainda andei mais dois anos porque chumbei logo no 1º ano, Mas o chumbo não foi aí por culpa minha… Um acidente doméstico, nas férias no Chouto,  provocou e prejudicou-me muito os estudos… Valeu-me então o falecido e saudoso Manuel Marques, famoso massagista do Sporting de então e amigo da família da casa que me tratou durante algumas dolorosas semanas! Mas ainda sofro dessa inadvertida queimadela de azeite a ferver naquela distante passagem de ano.

Mas regressemos então ao belíssimo encontro com os meus dois velhos amigos de brincadeiras dos anos cinquenta:
Nasceu esta reunião e foi pretexto para o Zé Manel me oferecer umas autênticas pérolas compostas por jornais, revistas e postais velhos da Chamusca, coisas de 1928 e seguintes anos, de que deixo aqui foto, que eram pretensa do seu pai, “pérolas” estas ou idênticas que me lembrava ter visto no quarto da sua avó no Restelo. A conversa nasceu na internet e o Zé Manel foi exemplar na gentileza que usou para comigo fazendo esta oferta que muito aprecio!

Juntámo-nos então hoje num almoço/encontro que prosseguiu pela tarde adentro e todo o tempo não chegou para rememorarmos os velhos tempos de crianças no Restelo em que jogávamos à bola na rua – as balizas eram as sarjetas!... -, em que frequentávamos o Sporting tanto na velha sede do Passadiço, como no Estádio de Alvalade que na altura era todo nosso! Andávamos por todo o lado e o estádio era como se nossa casa fosse!... Víamos os jogos junto ao relvado e os jogadores – Passos, Travassos, Juca, Octávio de Sá e tantos outros, eram visita de casa de meu padrinho que era e foi durante muitos anos Secretário Permanente do clube.  Assim como que o actual Director - Geral que, por sinal, é o também meu familiar Valdemar Barreto. Curiosidade e casualidade bem interessante, acho.

Mas recordamos igualmente muitas outras situações como, por exemplo, a velhinha avó deles dois que habitava alternadamente nas casas das duas filhas mas que, quando estava no Restelo, em casa da filha Ricardina, o “terramoto” era diário e constante. Senhora muito pequena, muito corcunda e com uma tosse crónica horrível, possuía um feitio conflituoso no máximo que se possa imaginar e, com a filha, o choque é permanente e muito violento! Um exemplo: Ela embirrava, é o termo, que a minha madrinha quando fazia Cozido à Portuguesa colocasse farinheira no cozido. Embirrava a 1000%!
Numa das vezes, lembro-me bem, desconfiada ela foi ver à panela, viu a farinheira, sacou-a e, de farinheira na mão, pendurada pelo cordel, veio gritar para a janela: “Olhem! Olhem!” e…zás! Atirou a farinheira a voar pela rua fora…

E quando a filha recebia “à socapa” em casa para pernoitar o velho pai que vinha da Golegã a Lisboa? A velhinha e o sr. Vacas estavam separados  há largos anos e a senhora detestava que a filha acolhesse o pai debaixo do mesmo tecto onde ela estava… Minha madrinha recebia então o pai na porta da cozinha, nas traseiras da vivenda, fazia-o subir a um dos quartos no 1º andar e era aí que lhe levava o jantar sem a mãe sentir a mais leve suspeita… De manhã, o homenzinho saia cedo, pé ante pé com a ajuda da filha que, logo de seguida e antes de ir para o trabalho, tinha o cuidado de deixar o quarto arrumado e sem qualquer vestígio de que o pai ali tinha dormido. Mas, aconteceu que numa das vezes ela se esqueceu de um jarro de água no quarto… A velha senhora, que ficava sozinha em casa enquanto uns iam para o trabalho e outros para o liceu, ou porque gostava de vistoriar ou porque algo suspeitara, deu a volta e encontrou o jarro de água e aí o terramoto aconteceu…. Chegada a noite, quando a filha Ricardina chegou do trabalho, a casa parecia que ia abaixo!... Tourada, tourada das boas!

Um detalhe de soberba importância era a forma como o meu padrinho assistia a todas estas contendas entre a esposa e a sogra!… Era um espanto! Um espanto! Nunca se metia e dava a sensação que assistia de poltrona, assim como que em camarote da ópera, a todas as cenas… Meu padrinho era muito educado, um verdadeiro diplomata do seu tempo e jamais o vi intrometer-se, o mínimo que fosse, para acalmar os ânimos das beligerantes… Eh! Eh! Um verdadeiro espanto que nunca mais esqueci!

Igualmente muitíssimo educado e incapaz de levantar a voz fosse para quem fosse tenho de aqui recordar e lembramo-lo bem no nosso almoço de agora, era o pai do Zé Manel, o sr. Armindo Samouco, pessoa de quem igualmente guardo uma belíssima, belíssima  recordação!  Ele e a esposa tinham um magnífico relacionamento e um excelente trato e, nesse caso, aí com a velha senhora, mãe e filha davam-se muito bem! Mas a paciência, toda ela, era da filha Elisa que era uma santa pessoa porque, nitidamente, a Ricardina estava sempre, sempre em colisão com a velha mãe. A velhinha era por demais conflituosa!...

Falamos disto e de muitas outras recordações nesta belíssima tarde que convivemos eu, o Zé Manel e o Tó e, porque ainda ficou muito, muito para falarmos, já aprazamos novo encontro, talvez desta vez para o Alentejo que, inclusive, deve meter pescaria aos achigãs… Mas eu não me comprometi minimamente em arranjar produto piscatório para o almoço… Nessa não caí eu…

Sei que sou excelente pescador – eh! eh!  - mas, nessa não me meti…

NOTA - Falamos também da ocorrência  que tem tanto de insólita quanto aborrecida que ditou o corte de relações ou algo parecido entre o meu padrinho e o meu pai e que ditou o meu abandono dos estudos em Lisboa  e o consequente afastamento entre as famílias mas, para não tornar este escrito demasiado extenso, abordarei o caso no meu próximo apontamento, daqui a dois ou três dias, não só para ficar em registo mas para vermos também e compararmos como as autoridades no tempo de Salazar lidavam com os crimes a ordem pública e as de hoje lidam... Viemos do 80... para o 8...

domingo, 6 de janeiro de 2013

OS 40 ANOS DO "EXPRESSO"


O "Expresso" celebra hoje o seu 40º aniversário  e, ontem, depois de comprar o seu número comemorativo, escrevi umas quantas linhas que agora aqui resolvo publicar e que talvez fiquem bem como arquivo e memória futura...

 Hoje é sábado e, como todos os outros sábados, desde há 40 anos, aqui tenho comigo o “Expresso” que hoje saiu numa edição muito especial porque amanhã celebra o seu 40º aniversário de publicação!

Sair de manhã aos sábados e, no primeiro quiosque comprar o “Expresso”, é para mim um hábito, se não mesmo uma obrigação que sinto quase, quase, como o cristão que todos os domingos vai à missa…

Compro o “Expresso” “obrigatoriamente desde o seu 1º número e para além de ainda guardar esse exemplar, guardo muitos outros, sobretudo do período revolucionário que vivemos após o 25 de Abril de 1974 e lembro-me tão bem como hoje com que expectativa aguardei a saída do 1º número e sobretudo com debati com um velho amigo, há muito já falecido, o conteúdo do jornal acabado de sair. Tratava-se do Afonso, Afonso Henrique Santos de seu nome completo mas que assinava os seus poemas e outros escritos com o pseudónimo de Henrique Bravo. Relojoeiro de profissão, trabalhava numa pequena relojoaria e ourivesaria no Calhariz, junto à então Caixa Geral de Depósitos na Calçada do Combro. 

Esse amigo tinha-me sido apresentado pelo António Bento do “Jornal da Chamusca”, seu velho amigo com quem chegaram a publicar uns cadernos de poesia, de nome “Atitude” e o Afonso chegou também a escrever no “Jornal da Chamusca”. Costumava também sugerir ao António Bento e a mim formas de melhor apresentarmos o jornal e recordo-me por exemplo que numa das vezes deu a ideia de publicar em grande destaque na 1ª página uma foto de um “Bate Papo” em que eu aparecia a entrevistar em palco o padre Diogo, da Chamusca mas apresentado a foto em negativo. O Bento, concordou, ficou bem interessante e lembro-me que muitas pessoas apreciaram a originalidade.

Mas voltemos ao “Expresso” cujo nascimento, na verdade, está bem fresco na minha memória… O jornal nasceu assente na chamada Ala Liberal da então Assembleia da República que era composta entre outros por Pinto Balsemão, que o fundou e dirigiu durante anos e ainda por Mota Amaral, Sá Carneiro, Miller Guerra e Pinto Leite, um homem de que muito pouco se fala porque morreu muito novo num acidente de helicóptero na então Guiné portuguesa mas curiosamente o seu nome vem publicado na 1ª página do “Expresso” no seu 1º número. Era um jovem empresário e político de que muito se esperava.

Foi então assente neste grupo que muito escreveu no jornal de então e aproveitando a pequena abertura que Marcelo Caetano trouxe ao regime do chamado Estado Novo que Balsemão pensou e criou o jornal. Caetano tinha aberto qualquer coisita o ambiente político e esses então jovens deputados achavam que era possível mudar o regime pelo dialogo na Assembleia. Ficaram celebres as discussões deles com os deputados mais velhos e conservadores, ultras, defensores do regime de Salazar e lembro-me por exemplo duma contenda entre Miller Guerra e Cazal Ribeiro que constava do Diário da Assembleia e que circulava mais ou menos clandestinamente entre nós…

O pessoal mais à esquerda – leia-se gente de ideais comunistas que vivia clandestina, mais ou menos ”abafada” – acharam o jornal demasiado conservador porque esperavam mais agressividade na escrita mas eu lembro-me que gostei muito, logo do 1º número. Até então só podíamos ler umas coisitas ou outras contra o regime no “Diário de Lisboa” e no velho “República”. O “Expresso”, trazia uma linguagem algo diferente e como era semanário, o que era uma novidade na altura, dava para ir lendo durante a semana.
Desde a 1ª hora foi sempre um jornal muito influente no poder e não raras vezes tem contribuído para a queda de governos. Recordo-me por exemplo quando Vasco Gonçalves em pleno PREC, num comício em Almada, se atirou ao “Expresso” chamando-lhe pasquim. Desabridamente o homem parecia que estava fora de si e, logo, logo vaticinei: já caíste…! Durou duas ou três semanas…

O jornal está agora muito diferente, como é lógico e tem acompanhado a  evolução dos tempos estando muito mais moderno e competitivo.

É, para mim, o melhor jornal português e ficaram pelo caminho muitos outros que o tentaram abater… Lembro-me do “Semanário”, do “O Jornal”, do “Independente” e ultimamente do “Sol”. Todos tiveram de desistir e morrer, excepção ao “Sol” que ainda aí está porque ultimamente se agarrou a capitais angolanos…

Neste número comemorativo do 40º aniversário, na “Revista”, eles publicam um trabalho com leitores fiéis do jornal desde o 1º número mas esqueceram-se de mim…

Imperdoável!... Eh! Eh!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

NATAL E DESALENTO

Com o dia a chegar ao seu fim eis-nos também a atingir o final deste período natalício que ficará assinalado como o mais desalentado e pobre de sempre na nossa história contemporânea. Na verdade se bem que há já dois ou três anos que curtámos as prendas que trocávamos entre adultos e só as crianças têm direito a sentir a alegria de as receber, este é sem dúvida o Natal em que mais se fez sentir não só a enorme crise económica que assola o país como, sobretudo aquele em que se nota em todos o maior desânimo, o maior desalento de sempre com as prespectivas que se apresentam à nossa terra. E, esse, para mim, ainda é o maior e mais preocupante problema.
Crise económica e social sempre tivemos mais num ano, menos no outro mas, este desânimo, este desalento que se sente em tudo e em todos, isso nunca sentimos, isso nunca tivemos nesta terra lusa!
As pessoas vêm que a hora é dificílima e, ainda pior que isso, sentem que muitos piores dias virão, muito pior futuro as espera, sem que saibam quando acaba todo este apertar de cinto, estas vicissitudes e esta imensa incerteza.
Não sabem porque ninguém lhes diz e sobretudo porque sentem que, de propósito ou por ignorância, os governantes, tecnicos e políticos, lhes mentem, ontem, hoje e amanhã não lhes anunciando a verdade toda e, antes, só utilizam a televisão, a rádio e os jornais para lhes anunciarem mais cortes, mais impostos, mais dificuldades, mais desânimo. Não me recordo, ano e meio a esta parte, com o actual governo, de uma vez, uma vez só, que o ministro da finanças venha a público anunciar uma boa notícia, pequenina que fosse aos portugueses…
Numa linguagem demasiado técnica – só técnica, quadrada e hermética! – Victor Gaspar só nos fala em números, números e mais números e, tanto ele quanto o primeiro-ministro não usam uma palavra – uma palavrinha que seja!... – dirigida ao povo, ás pessoas, à gente sofrida e preocupada que os ouve. Tudo ali são números e mais número, euros e mais euros e não há, não se sente a mais pequenina preocupação nas pessoas a quem se dirigem e com quem deviam preocupar-se. Nitidamente e parece-me por demais evidente, actuam como funcionários dos nossos credores e executam as suas ordens com mestria e eficiência. Pelo menos é o que eles nos dizem quando confessam que a “troika” considera Portugal como um “bom aluno”…
Dir-me-ão alguns, acredito que poucos, favoráveis a esta formula, que estes governantes dão-nos a linguagem crua da verdade mas eu acho que não deveria ser bem assim: As pessoas estão em primeiro lugar e as pessoas deveriam ser a preocupação primeira e maior. Os portugueses andam desanimados e desalentados e é preocupante que isso assim seja.
Não desejo que se minta ao povo mas é importante que se lhe dirija com animo, com vontade, com querer e crer para que o povo acredite nos seus dirigentes e no dia de amanhã. Mas eu sei que eles não conseguem fazê-lo porque não são capazes…São figuras menores e, hoje, como ontem, faltam-nos dirigentes capazes, valentes, inteligentes com carisma e sabedoria para dirigir uma nação.
Não sou adepto do homem salvador, do homem único e supostamente sábio que conduz a luz, com o povo a segui-lo. Não, nisso não acredito porque desejava ter políticos inteligentes, sabedores e que, de preferência, sentissem as gentes, as coisas, o povo, a pátria!
Como está, “isto” não é nada e é simultaneamente muito preocupante!
Muito preocupante!
Oxalá me engane...
NOTA FINAL – Um apontamento final, assim como que um escrito de diário, para registar que o meu neto, este ano, agora já com seis anos e meio, pareceu-nos que já não “engoliu” totalmente a “pêta” do Pai Natal… O tio, que fazia a personagem, não apertou devidamente o fato e deixou-o ver as almofadas que o avolumavam e, sobretudo porque, após a porta fechada, olhando para o avô Lenine e vendo-o sem óculos lhe perguntou pelos mesmos porque, julgamos, o Rafael os reconheceu no Pai Natal…

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O CARVALHO "APAGOU-SE"...


Fosse eu supersticioso e, por certo, depois de hoje, começaria a olhar para o dia da Consoada como tempo de me trazer notícias tristes…
Na verdade, como se já não bastasse de para mim sempre ficar marcado este dia a partir do ano de 1978, data em que faleceu o meu pai e que a partir daí me força a sempre consoar com essa triste lembrança, quis o acaso que hoje também viesse a saber do falecimento do amigo Carvalho, um velho companheiro de pesca e de copos, que me deixa muita saudade. Foi por acaso que o telefone me trouxe hoje a notícia desta morte,  ocorrida já, segundo julgo, há mais de dois meses.
Neste período estive por mais de uma vez na Castanheira do Ribatejo, onde vivia o “velho Carvalho”, não calhei a vê-lo – e pelos vistos nem podia… - e ninguém me transmitiu esta infausta notícia… Se soubesse da sua morte ou, até mesmo, se ela em tempo oportuno me tivesse sido comunicada, forçosamente ter-me-ia deslocado de propósito para o acompanhar à sua última morada.
Tinha pelo Carvalho particular estima e guardo dele boas recordações, não só dos muitos momentos em que o procurava para petiscarmos e tomarmos um copo, como sobretudo pelos muitos anos em que foi meu companheiro de pesca ao achigã no Ribatejo e Alentejo. Com um outro camarada, ao longo de mais de dez anos, percorremos muitos milhares de kms pelos caminhos ribatejanos e alentejanos em busca dos “boca grande” e guardo desse período belas lições de companheirismo e convivência com este já saudoso amigo.
Era um homem que conhecia “tudo e todos”, de convivência muito agradável, respeitoso, que sabia estar e sempre foi um soberbo companheiro, quer nessas viagens, quer sobretudo à mesa de restaurantes e tascas onde sempre foi um colega absolutamente exemplar! Aí o convívio era perfeito e, verdade seja dita, mesmo não vivendo desafogado economicamente, nunca, nunca por nunca ser, vi o amigo Carvalho a esquivar-se a contribuir com a sua parte na despesa, quando não avançava ele mesmo para o pagamento da conta, numa voluntariedade que naturalmente sempre era combatida… Carvalho nunca, nunca se “encostou”! Carvalho foi sempre um companheiro exemplar!
Por isso e não só, eu gostava dele!. Por isso e não só o procurava já depois de se aposentar e passar os seus dias entre os cafés da Castanheira e a sua casa, para viajarmos um pouco (Carregado, Cartaxo, Alenquer, Alhandra, etc) e bebermos uns copos. Copos que, pelos vistos, não lhe fizeram muito mal dado que acabou por partir já perto da bonita idade dos 90… Oitentas e tais de uma vida muito vivida!
Naturalmente guardo do Carvalho deliciosos e inesquecíveis momentos de convivência – deixo aqui uma foto em que ele saúda o fotografo por ocasião de um belo convívio na hora do almoço, junto a uma barragem no Ribatejo – e lembro-me por exemplo das vezes em que se lembrava de levar pequenos “mimos” e os preparava junto às represas, debaixo de uma azinheira. Uma vez, perto de Avis, quando cheguei para almoçar, pensando que ia saborear o meu petisco que levara de casa, deparei-me com o amigo Carvalho fazendo brasas entre duas pedras e preparando-se para assar, espetado num pau, um bom naco de toucinho, bem alto, só temperado com sal grosso, cortado aos gomos e só seguro pelo coirato. Que delícia  aquele petisco me soube, apertado entre o fresquíssimo pão alentejano que comprávamos em Mora, na própria padaria onde era cozido, com o dia ainda a raiar! Uma maravilha que repetiu outras vezes e que jamais esquecerei!
Para além destas facetas que sempre recordarei e do muito que aprendi com ele na arte de pescar os achigãs – Carvalho pescava muito bem, fruto da sua larga experiência! - outro detalhe do seu comportamento que sempre me impressionou, foi a forma amistosa como convivia com os seus empregados. Num ou outro caso – estou a lembrar-me por exemplo de um deficiente mental (Grácio, de seu nome) que para ele trabalhava e que o “velho Carvalho” sempre tratou como um filho… Carvalho ralhava-lhe e premiava-o como se filho fosse! Um espanto!
Mais um exemplo: Numa ocasião em que vínhamos de umas cervejas na direcção do prédio em cujos apartamentos as suas funcionárias executavam as limpezas finais, o amigo Carvalho pergunta-me, sem ela ouvir: “Não se importa que ela tome banho ali numa banheira?” Claro que não me importava e, lesto, o amigo puxou da carteira, tirou uma nota, deu-a à rapariga, dizendo: “Toma, compra um sabonete e toma banho”. E vi-o ter estes gestos, gratificantes e amigos, tantas vezes!...

Não mais degustarei os tordos estufados que anualmente fazia questão de comprar a um amigo caçador e tinha gosto em convidar-me para os saborearmos com um bom vinho tinto que ele também muito apreciava… (Comprava os tordos, mandava o Grácio depená-los e ele mesmo os preparava muito bem com cebola e alho num tacho que depois levava para o café, para degustar com os amigos, como em Janeiro de 2008, ocasião registada na foto ao lado.).
E pronto, o Carvalho, utilizando uma expressão que ele muito usava, “apagou-se”! “Apagou-se” e deixou-nos mais sós e mais tristes! É a chamada “lei da vida” que, como sabemos,  nos deixa sempre muito abalados quando ocorre com quem estimamos…
Ficam estas palavras em sua homenagem e como sentido agradecimento pelos gratificantes tempos que comigo conviveu e pelo muito que me ensinou!
Que descanse em paz!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

GUERRA COLONIAL - O REGRESSO!

Foi neste dia do mês, há já 43 anos, exactamente a 7 de Dezembro de 1969 que, embarcando em Luanda, no paquete Império, tive um dos dias mais felizes da minha vida! Era o início do fim da minha participação – “comissão”, como então se chamava à nossa participação forçada… - na então dura e perigosa guerra naquele território angolano então português e, sendo o início do fim daquela dura etapa da vida de um pacato cidadão, será natural que esse acontecimento entre na sua vida como uma data marcante, apenas suplantada pelo desembarque em terra firme, em Lisboa, dez dias depois, a 17 de Dezembro de 1969!
Lembro-me que quando tive notícia que o Império já estava atracado no porto, esperando o nosso embarque, tive de ir ver com os meus próprios olhos. Fui a Luanda e, exultando de felicidade, registei mesmo em foto a tão normal e vulgar vista mas que, para mim, era das mais lindas paisagens! O gigante barquinho que me levaria a casa estava ali, submisso, imóvel e acolhedor, esperando pela minha entrada… Coisa linda! Fica aí o retrato que bati naquela data.
Na ida tinha viajado no Niassa e o regresso aconteceu no Império, sem dúvida um paquete muito melhor que o primeiro e, curiosamente, ambas as viagens ficariam marcadas por insólitos e inesperados acontecimentos particularmente desagradáveis para muitos militares mas em cujo número felizmente não me inclui…
Na ida, no Niassa e como consequência das péssimas condições em que os soldados eram transportados e alimentados, a meio do trajecto, os rapazes, em número de algumas centenas, sofreram um intoxicação alimentar e a aflição foi muito grande. Os homens viajavam amontoados que nem gado nos porões do barco onde tinham sido instalados os beliches de duas camas. A ventilação, apenas resultante da grande abertura central por onde se fazia a carga e descarga de mercadorias, era quase nula e, se a isso adicionarmos o muito calor, as poucas instalações sanitárias e, alguns dos jovens, porque oriundos de meios rurais e estamos a falar do Portugal dos distantes anos 60, como poucos hábitos de higiene, pode imaginar-se o ambiente e os odores naqueles porões…  Coisa inadmissível para transportar seres humanos, duvidando que, nos dias de hoje, fosse possível fazer igual transporte de homens naquelas condições. Pois, a juntar a essa deplorável situação, ainda acabaram por fornecer aos rapazes alimentação menos própria que lhes provocou uma intoxicação deveras preocupante.
Como as condições em que viajavam eram as descritas, de forma alguma os pobres homens poderiam permanecer ali deitados, a vomitar e a gemer. Houve que os distribuir pelos corredores que davam acesso aos camarotes de oficiais e sargentos, bem como a outras partes do paquete, como  acessos a enfermarias, salões, etc, etc.  Foi um verdadeiro pandemónio e o alarme foi grande chegando a pensar-se em atracarmos na Guiné/Bissau para debelar a situação… Aconteceu que, felizmente pela boa constituição do rapazes ou porque a intoxicação não atingiu maiores proporções, o próprio organismo dos soldados encarregou-se de melhorar todo aquele problema e, ao fim de 2/3 dias, a coisa voltaria ao normal. Mas foi muito preocupante e os rapazes sofreram bastante.
Então, oficialmente, o que saiu sobre as origens do mal estar dos homens foi que não tinham “aguentado” a passagem do equador… Isso mesmo, à boa maneira do antigamente de encobrir as verdades… Como se esse suposto e ridículo "diagnóstico" só atingisse o organismo dos soldados e deixasse imune oficias e sargentos… Ridículo.
Entretanto, enquanto os pobres soldados viajavam e comiam assim, oficiais e sargentos viviam instalados em optimas condições e alimentavam-se magnificamente. Instalados em camarotes de quatro lugares, com ar condicionado e casa de banho própria e fazendo as refeições em belíssimos salões, comíamos excelentemente e eramos servidos por tripulantes fardados a rigor e com a maior deferência. Deixo também aí uma foto no Império que o comprova mas, no Niassa, foi idêntico. Esta era a verdade de então e importa que se diga para que se saiba.
Portanto, esta foi a situação ocorrida na viajem de ida no Niassa e, depois, no regresso no Império nada disso aconteceu felizmente mas, todavia, um acontecimento posterior e de que só agora, aqui pela net, 43 anos depois, tive conhecimento, marcou também essa viajem.
O Império atracou connosco no dia 17/12/1969 e esteve ali, no cais de Alcântara até 5/1/1970, data em que voltou a zarpar com mais um carregamento de tropas, desta vez para Moçambique. Aconteceu que neste período de estadia no cais e certamente beneficiando de algum provável período de menor vigia por causa das festas de Natal e Ano Novo, alguém instalou numa dependência, por debaixo da Casa das Máquinas, um engenho explosivo.
O rebentamento ocorreu a 9, quatro dias depois da partida e provocou um rombo no casco que de imediato resultou na inundação de toda a zona, atingindo a Casa das Máquinas provocando a paragem de toda a maquinaria e consequente falta de energia no paquete. Fecharam de imediato as portas mas chegou a recear-se que elas não aguentassem a pressão. O barco adornou e o caos ficou instalado. Não havia energia, as camaras frigoríficas deixaram estragar os alimentos e os mesmos foram atirados ao mar por não se suportar o cheiro. Chegaram a queimar cordas e tábuas das escadas para fazer fogo e fritarem farinha para alimentar toda aquela gente. Dentro do barco, por falta de ventilação e luz não se podia dormir e conseguiram apenas pôr em funcionamento um gerador para luzes de presença e comunicações.
Imagine-se então a aflição e o caos em toda aquela gente até chegar um rebocador grego que levou o paquete adornado até Cabo Verde. Em Portugal a Emissora Nacional, noticiava oficialmente que o Império estava parado no alto mar com uma avaria nas máquinas…
A viajem da tropa foi então reatada quando chegou o Niassa enviado de Lisboa transportando os militares para Moçambique.
O Império seria depois rebocado para Lisboa e daí seguiria para a Escócia onde foi reparado durante 9 meses, data em que voltou ao serviço da tropa e do seu transporte para África, resultando deste episódio portanto que, a minha viajem nele, foi a última antes do atentado sofrido.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

EANES, O 25 DE NOVEMBRO, O PAÍS


“É inaceitável, é inadmissível, já não em termos democráticos, mas em termos de sociedade, em termos de humanização, que haja cidadãos, sobretudo crianças, que não tenham direito àquilo que é fundamental”, nomeadamente o direito à alimentação, disse o antigo presidente da República Ramalho Eanes, à margem das comemorações do 37.º aniversário do 25 de novembro de 1975.”
Retirei da imprensa estas acertadas palavras de quem tem toda a autoridade para as proferir e de quem sempre se nos apresenta como uma reserva moral e séria do que deveriam ser os políticos e os dirigentes que ao longo dos tempos dirigiram ou dirigem Portugal.
Ramalho Eanes tornou-se conhecido dos portugueses aquando dos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975, data em que acabou a ”bagunça” então reinante nas forças armadas (chegou a realizar-se “juramento de bandeira” de punho erguido…) e tudo voltou para os quartéis de onde nunca deveriam ter saído para as tropelias que então se verificavam. Sei que as hostes comunistas e esquerdistas mais radicais, que então ambicionavam tomar o poder e bem estiveram perto disso, não estarão de acordo com isto, no que estão do seu direito mas, essa será outra discussão…
Para colocar as forças armadas e o país nos carris Eanes precisou politicamente do forte apoio do então chamado “Grupo dos Nove”, com o falecido major Melo Antunes à cabeça e necessitou ainda e logicamente da força, bem ordenada e potente dos Comandos da Amadora, cujo Regimento era superiormente comandado pelo Coronel Jaime Neves, homem de “barba rija” que vergou as forças mais renitentes e que assim muito contribuiu para o êxito da missão. (Na foto vemos, numa cerimónia da época, o General Ramalho Eanes, o Coronel Jaime Neves e o então Capitão Vasco Lourenço, que também fazia parte do "Grupo dos Nove")
Por mero acaso vivi mais ou menos de perto esses dias já que Jaime Neves era então meu vizinho e moravamos no mesmo prédio, ali não muito longe do quartel e, por várias ocasiões fomos companheiros de elevador, sobressaindo as vezes, naqueles dias quentes em que, armado de metralhadora com um homem da sua escolta, igualmente de metralhadora e camuflado, desciam para tomarem o jipe com militares armados que o aguardava na rua. Eu descia também para ir para o emprego e ainda guardo na memória a 1ª vez que entrei no elevador no meu piso e deparei com aquela cena de dois militares de metralhadora ao ombro ali num prédio de civis. Na ocasião desconhecia que o coronel Jaime Neves ali morava e dá para imaginar o susto que apanhei quando o vi assim pela 1ª vez no elevador…Depois tornou-se vulgar, como é obvio.
Com uma força muito bem preparada e fortemente disciplinada Jaime Neves foi sem dúvida figura muito importante no êxito do movimento militar que fez voltar a ordem e a disciplina ao país!
Com o General Ramalho Eanes só estive uma vez pessoalmente e guardo dele a memória do seu ar austero – dele se dizia que não ria… - a sua fisionomia sisuda e fechada, não só por lhe ser habitual mas também pelas circunstâncias do momento que vivíamos. Tratava-se do velório do corpo do escritor e poeta Miguel Torga, em Coimbra. Sendo um dos escritores cuja vida e obra mais admiro, forçoso era que, sabendo da sua morte em Janeiro de 1995 ali me deslocasse para uma derradeira homenagem. Torga era apoiante e admirador de Eanes e este também apreciava muito o escritor e lógico seria que igualmente gostasse de o homenagear na sua derradeira viajem. Foi assim, junto ao corpo do homem que ambos admirávamos, que conheci pessoalmente Ramalho Eanes.
Foi num local insólito como é evidente mas, para mim, também não deixou de ser gratificante por se tratar de uma figura cujo comportamento apreciava e que, com o tempo até hoje decorrido, mais tenho admirado e respeitado e disso já aqui dei conta algumas vezes!
Tivesse Portugal muitos homens honrados e sérios como Ramalho Eanes e teríamos forçosamente outro país, outra terra e outra gente!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A MINHA PESQUINHA


Faz hoje um mês que pesquei este achigãzinho de quilo aí da foto que acompanha estas linhas e com ele encerrei a minha pesquinha deste ano de 2012.
Chamo-lhe pesquinha porque na verdade é isso mesmo que pratico de há uns anos e esta parte... Saio de casa não tão cedo quanto deveria (gosto de levar o “Expresso” e espero que chegue às bancas…) e regresso muito antes do pôr-do-sol, altura em que ainda deveria estar na pesca, dado que é nessa hora que a mesma é mais produtiva…
Mas a minha preocupação, não obstante o grande prazer em ferrar um bom exemplar que sempre se sente, não é só a pesca propriamente dita... Não é, não. Gosto de me levantar cedo; gosto do fresquinho da manhã no Verão; gosto da viajem, das árvores, dos arbustos, das peças de caça que vou encontrando, das aves e outros animais selvagens que vão surgindo, enfim, da Natureza. Na cidade nada disso temos e, muito menos temos e respiramos o ar puro que encontro no Ribatejo e no Alentejo onde me desloco no exercício deste belíssimo desporto.
O curioso deste meu vício, de que um dia espero aqui falar com mais detalhe, é que fui iniciado nestas lides exactamente por meus cunhados de um lado e outro da família… Uns iniciaram-me na também muito interessante pesca no Rio Vouga, com os pequenos “ruivacos” que ali abundavam e, outro – que por sinal já não é, por força de divórcio… -, naquela que mais dias e horas me tem absorvido e que ainda hoje mantenho com redobrado prazer, a pesca do achigã.
A 1ª, na Beira Alta, era feita com uma rudimentar Cana da India, só com uma linha, um chumbinho e um anzol muito pequenino (mosca), sem carreto e produzia excelente resultado, chegando, com a evolução da minha tecnica a, posteriormente, sacar do rio boas bogas e sobretudo belíssimos exemplares de excelentes e bem batalhadores barbos.
Na outra, a do achigã, lembro-me que me equipei na década de 70, talvez por volta de 1977/78 numa pequena Casa de Pesca em Alhandra (o sr. Manuel, que felizmente ainda é vivo e ainda se mantém atrás do balcão e onde muito material tenho adquirido ao longo dos tempos). Umas botas de borracha, um saco-mochila que ainda uso, umas "medalhas" para amostras e uma cana e um carreto que também ainda possuo. Mas estes dois não eram indicados para a pesca do achigã… Não era o carreto e muito menos a cana, por ser muito grande e pesada. Tenho-a usado na pesca à beira mar.
Ficam por aqui estas recordações – outro dia desfíarei mais uma ou outra memória e uma ou outra história… - e importa agora dizer que findou este ano a pesquinha. Começou a chover, os acessos às barragens são mais difíceis, quando não impossíveis mesmo de jipe e os terrenos nas margens ficam muito mais pesados e, com algum frio também a chegar, as águas arrefecem, os peixes afundam e nas margens a pesca só se justificará em finais de Fevereiro, quando se aproximar a Primavera e as temperaturas se tornarem mais amenas.
Até lá, é para arrumar fotos, materiais e recordações e aspirar pela chegada da nova época. Nos últimos dias, que antecedem o regresso às lides, até se contam os dias e, mais pertinho dessa data, até as horas vão recuando aqui na caixinha dos pirolitos…
Um vício danado! Mas, bonito! E saudável!...

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

...E JÁ SÃO 68!


O homem ganhou este hábito: desde que nasce e embora caminhe para o envelhecimento e consequente morte, festeja a passagem dos seus aniversários natalícios…
Não fujo à regra como é natural e hoje festejo mais um, de uma soma que já produz resultado volumoso, atingindo os 68! Já começa a pesar, esta coisa…
De novo juntei os familiares mais chegados e amigos próximos e, num restaurante, no jantar à pouco, saboreamos uma boa Cataplana de Garoupa confeccionada pela senhora do restaurante.
Para além da garoupa, à mesa esteve também presente, como seria inevitável, a terrível crise económica/financeira que se arrasta e a todos tritura e  mata aos poucos, sem que se vislumbre nos dirigentes nacionais e europeus a mínima capacidade para a debelar.
Os meses e os anos passam e arrastam-se e a receita é sempre a mesma, com os mesmos resultados: Impostos e mais impostos; cortes e mais cortes e as pessoas cada vez mais pobres e necessitadas, quando não já miseráveis nalguns casos...
Para além de quem trabalha, sofrem agora também pesados cortes os pensionistas, num roubo descarado e aviltante dado que se vai ao bolso de quem aceitou um acordo de apoio à velhice com o Estado, que para isso durante dezenas de anos recebeu as devidas contribuições e agora faz tábua rasa e como que se rasga esse acordo, fazendo elevados cortes nas acordadas pensões e assim criando difíceis condições de subsistência para muitos milhares de cidadãos e suas famílias.
É o que temos que aturar e suportar com esta terrível incapacidade de dirigentes e técnicos que mandam no país e na Europa, com uma Alemanha que põe e dispõe na restante Europa como se sua quinta fosse a apostar na austeridade, mais austeridade e mais austeridade. As economias não funcionam, ninguém compra nada a ninguém, as empresas fecham e vão à falência e é todo um arrastar de situação que, com toda a convicção o digo, nos levará a dias muito e muito difíceis.
Oxalá me engane mas, a continuar assim, celebrar aniversários será cada vez mais difícil e complicado para mim e de certeza para muitos e muitos dos meus concidadãos e tenho mesmo a plena convicção que muitos, muitos já não os festejam… Não têm disposição, não têm dinheiro, não têm possibilidades…