segunda-feira, 22 de outubro de 2012

EFEMÉRIDE COM 45 ANOS!


Aconteceu exactamente no dia 22 de Outubro de 1967, fazendo portanto hoje 45 anos, que ocorreu o meu desembarque em Luanda para participar activa e arriscadamente na guerra de guerrilha que então ali existia.

A viajem fora algo atribulada e difícil, sobretudo para os soldados que sofreram uma intoxicação alimentar por algo menos próprio que lhe forneceram na alimentação e que forçou umas largas centenas deles a passarem 2 ou 3 dias particularmente difíceis. Chegou mesmo a pensar-se em atracar na Guiné para tentar resolver a situação mas, felizmente, depois e talvez por serem rapazes novos, os seus organismos por si próprios encarregaram-se de trazer melhoras e solucionar o grave caso. Mas a coisa chegou a estar feia…

Depois, foi então o desembarque e a dura e demorada viajem por terra para o leste angolano onde se iniciou a comissão – como então se chamava ao tempo que permanecíamos na guerra – que teve início na zona de Lumbala, no saliente do Cazombo, bem perto da fronteira com a o Zambia e terminou passados mais de dois anos já no Norte de Angola, na zona do Caxito, bem perto de Luanda.

Foram no total 26 meses de dura e por vezes arriscada vida, com alguns momentos particularmente difíceis, nos quais incluo duas situações debaixo de fogo inimigo em que, sobretudo na 1ª, exactamente dois meses e dois dias depois do desembarque (noite do dia de Natal de 67), vi a situação bem complicada.

A coisa passou-se, as baixas na minha Companhia e no Batalhão não foram tantas quanto temíamos no início mas não deixei de passar por “elas” e de assistir mesmo a casos bem graves e dramáticos. Lembro-me de, por exemplo, porque muito me impressionou, ver o cadáver de um jovem tenente fuzileiro do agrupamento que connosco do exército estava logo nos primeiros meses no destacamento do Chilombo e que era uma tropa particularmente bem preparada e destemida, com um buraco bem no centro da testa, de uma bala que por ali entrou e saiu na nuca por trás. Impressionante! Os guerrilheiros – então por nós chamados de “turras”, diminutivo de “terroristas” – tinham por hábito “flagelar” com alguns tiros os botes dos fuzileiros que patrulhavam as águas do Rio Zambeze que passava mesmo ali ao lado e já sabiam que os fuzos de imediato avançavam para as margens para responderem aos ataques. No caso da morte deste tenente foi só calcular o local mais à frente onde o bote atracaria e, de arma apoiada no tronco de uma árvore, mirar e disparar certeiramente. Para infelicidade do nosso companheiro foi mesmo no centro da testa… Não mais esqueci…

Não ficou por lá esta minha carcaça mas muitas e muitas mortes por lá sentiram os militares portugueses nos 13 anos que duraram as guerras em Angola, Guiné e Moçambique.

E agora, olhando para trás penso, como certamente muitos dos outros que por lá passaram, no proveito desse sacrifício e desse tempo perdido… Passados todas essas vicissitudes e dramas, largamos de “mãos a abanar” sem o mínimo proveito e até sem o mínimo acordo que defendesse os nossos interesses e bens ao longo dos anos criados e mantidos. Tivemos ainda de integrar na nossa sociedade meio milhão de colonos, a que chamamos então de “retornados” e que, felizmente, não obstante as suas muitas mágoas e preocupações, tiveram um comportamento exemplar e, com uma força de vontade impressionante, refizeram as suas vidas e integraram-se tão bem quanto puderam.

E agora, e agora, numa curiosa ironia do destino e passados estes anos, assistimos a esta cena que a todos impressiona de vermos os angolanos a "colonizarem" Portugal comprando tudo, tudo o que mexe nesta terra… Com o dinheiro, ou com o nome de Isabel dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos, dirigente máximo de todo aquele imenso e rico território, firmas, imóveis e tudo o que vale, está passando para a sua posse e ainda de mais uns quantos angolanos que se passeiam em brutos automóveis topo de gama e investem em luxuosos imóveis a que os portugueses não consegue chegar pelo seu elevado preço.

Meses atrás o semanário "Expresso" publicou um interessante trabalho sobre o assunto e deixo aí o cartoon que o acompanhava, com Isabel dos Santos carregando as suas muitas “prendas”… Isto, naquela altura porque, de então par cá, outras se lhe somaram… E outras se seguirão… Pela certa…

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

GOVERNO A PRAZO


Se na verdade sempre considerei Passos Coelho uma “rapaz” claramente impreparado para a difícil governação que tinha pela frente, sempre esperei que a equipa que criou para o acompanhar, com destaque para as Finanças e Economia com homens vindos do estrangeiro, aliviasse essas dificuldades e avançasse com uma governação, embora muito difícil mas eficiente.
Desde cedo todavia se notou que tínhamos ali coisa de reduzida valia. Efectivamente, por exemplo, no caso do Ministro da Economia, foi por demais evidente a sua impreparação e falta de jeito para o lugar e desde cedo saltaram à vista as suas dificuldades. Mas, se neste caso e em mais um ou outro, se poderiam apontar falhas, a verdade é que o governo ia governando, as negociações iam avançando periodicamente com a “troika”e o dinheirinho da estranja ia entrando conforme as necessidades, não obstante as duras medidas que se iam implementando mas que, embora com muita contrariedade, os portugueses iam suportando.
É verdade que tudo apontava para que as metas do défice não fossem atingidas do final do ano e discutia-se a bondade das medidas impostas pelos credores mas, pensava o povo que com mais umas negociações, o prolongamento do prazo antes marcado, etc, fosse possível ao governo contornar as dificuldades e prosseguir o difícil caminho. Até que… até que surgiram as erradas medidas e a desastrada comunicação do primeiro-ministro de sexta, dia 7…
No anterior apontamento considerei as medidas e a comunicação um erro colossal e logo ali previ grandes e graves consequências e, a ver pelo que se seguiu neste últimos 10 dias, é bem claro que não me enganei. Temos aí, sem a mais pequena dúvida, um governo a prazo!.
Desde o momento da comunicação de Passos Coelho até ao instante em que escrevo temos assistido a uma sucessão de acontecimentos qual deles a mais prejudicial e agravante para a estabilidade e manutenção do governo.
Desde a publicação de imagens de Passos Coelho sorridente e a cantar, obtidas logo depois da comunicação num concerto musical, a que se seguiu um incrível e mau de mais escrito seu no Facebook, assim como um “perdoa-me”, tivemos depois inimagináveis reacções de várias personalidades das áreas dos partidos do governo, entre as quais se destacou – e de que maneira!!! – a de Manuela Ferreira Leite que em 45 minutos de entrevista arrasou o “seu” governo de forma absolutamente surpreendente e até de forma inadmissível, chegando a convidar os deputados do PSD e CDS a vetarem o O.E.. Coisa absolutamente impensável que viesse a sair duma ex presidente do PSD…
Depois foram muitas outras personalidades a expressar-se contra o governo e sobretudo à sua inédita e inconcebível decisão de aumentar a TSU em + 7% (um aumento de mais de 60%) para a entregar às empresas. Coisa nunca vista em parte alguma e fortemente contestada por todos. Não vimos um único sector, uma única pessoa a aprovar esta medida e até assistimos ao caricato de ver os próprios patrões a informarem que assim não queriam… Um desastre! Um desastre de colossais consequências já que, logo de seguida, tivemos as enormes manifestações pelo país inteiro com a participação diria maciça da população, com gente de todos os quadrantes políticos e sociais e a fazer lembrar as manifestações do tempo da revolução.
As manifestações foram de um sucesso estrondoso e, como se esperava, o seu efeito teria e terá de ser também estrondoso!
E ainda não falei do mais grave… Do muito mais grave que logo, logo surgiu…
Na verdade, aí temos o CDS, parceiro de governo, a tentar “roer a corda” ou, melhor dizendo, a querer ficar no governo e fora dele. As suas declarações, depois da reunião do seu Conselho Nacional são isso mesmo. São isso mesmo e foram tão graves que o PSD, na hora em que escrevo, se prepara também para reunir os seus órgãos para tomar posição…
Temos assim que, não obstante a gravidade da situação, tendo em conta a nossa dependência dos dinheiros dos outros e as sempre difíceis negociações com esses credores, o senhores políticos da governação PSD/CDS se digladiam já na praça pública, de onde resultarão consequências ainda difíceis de adivinhar mas que apontarão certamente para o governo que, a manter-se, fique nitidamente fragilizado e por isso a curto prazo terá o seu fim.
Esta é a minha previsão e acredito que será a de muitos observadores e talvez mesmo de uma boa parte da população portuguesa.
E, importa não esquecer também – coisa que muitos estranhamente têm relegado para fase posterior… - a decisão do Tribunal Constitucional, claramente afrontado por estas decisões do governo e que, se por ele forem vetadas, funcionará como um verdadeiro terramoto…
Segue-se agora a reunião do Conselho de Estado convocado pelo Presidente da República e, como nele se sentam personalidades cuja posição já é antecipadamente conhecida, adivinha-se o que ali dirão muitos dos conselheiros… Isto se até lá o governo não cair…

sábado, 8 de setembro de 2012

ERRO COLOSSAL


Parece-me um erro colossal a forma e o conteúdo das terríveis novas medidas de austeridade ontem anunciadas apressada e atabalhoadamente pelo 1º ministro Passos Coelho e julgo que as suas consequências serão desastrosas para tudo e todos!
Errou dramaticamente o governo com estas medidas e a seu tempo, que não tardará muito, veremos como não estou errado nesta minha apreciação.
Começou logo pela habilidade saloia de apressadamente “encostar” a comunicação ao início do jogo da selecção de futebol com o Luxemburgo, de um jeito que toda a gente percebeu e que, logo aí, calcava para baixo essa própria comunicação e terminou depois com as drásticas e elevadíssimas medidas anunciadas de cortar os vencimentos dos particulares em 7% porque, como é evidente, o pretexto invocado de que é um aumento do desconto para a Segurança Social não é mais do que um enorme corte nos ordenados dos portugueses. Um novo imposto!
Assim, de um penada, Passos Coelho mandou  às urtigas a pouca simpatia com que ainda era visto pelos portugueses e arranjou um enorme pretexto para que o PS, que aguardava por uma ocasião para quebrar o pouco consenso político ainda existente aos olhos da “troika” e do exterior, agora volte as costas ao Orçamento e o reprove, provocando uma crise que certamente nada ajudará nas reuniões com os credores da “troika”.
Para além disto e certamente não em menor escala de gravidade, criou a oportunidade e a razão para a certamente enorme contestação social que aí virá porque, se é indiscutível que muitos milhares de portugueses vivem hoje a passar por imensas necessidade e mesmo no limiar e na própria pobreza, é uma gritante verdade que com estas medidas e certamente outras que aí virão com as consequências dos novos escalões do IRS que anunciam, o nível de vida de todos descerá dramaticamente, o desemprego – ao contrário do que prevê o 1º ministro! – aumentará  e a pobreza, se não mesmo a miséria, estará instalada.
Este governo, estes economistas e esta “troika”, com estas medidas de nivelar tudo por baixo, colocando um país verdadeiramente a  “ pão e água” é uma política, segundo o meu ponto de vista, profunda e dramaticamente errada. Ninguém compra nada a ninguém, o comércio não funciona, as indústrias estão na ruina, as empresas fecham, o desemprego aumenta assustadoramente e não tardará muito o caos será total porque as convulsões sociais estarão aí num muito curto prazo.
Veja-se o elevado número de falências das empresas – até Junho passado  já abriram falência tantas como em todo o ano de 2011 e aí já o número, de mais de 4 mil, era elevadíssimo… - veja-se o aumento em flecha da criminalidade com roubos e assaltos a toda a hora e pense-se até nos crimes familiares e caseiros a que certamente a crise financeira familiar não será estranha e calcule-se o que aí virá com estas novas e preocupantes medidas.
Para além disto acho que o governo afrontou e abriu um conflito com o Tribunal Constitucional do qual não sairá muito bem. Parece-me que os motivos que o tribunal apresentou para chumbar os cortes nos subsídios se mantêm e adivinho dias complicados e nada fáceis para os entendidos na matéria.
No meu caso, como no de muitos reformados, nada nos resta fazer se não assistir ao escandaloso roubo feito por este governo que nos retira da carteira, sem nos pedir, dinheiro que era nosso de pleno direito pelos muitos descontos que efectuamos ao longo de uma vida de trabalho. O dinheiro é dos reformados e pensionistas e o governo rouba-o vergonhosa e descaradamente.
Esta e tantas outras decisões em que as pessoas não são tidas em conta é algo nunca visto nesta terra e que terá forçosamente que acarretar consequências.
Prevejo isso e certamente não deverei  estar enganado…

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

NEIL ARMSTRONG, A LUA E A MINHA GUERRA


Com 82 anos de idade faleceu cinco dias atrás (dia 25) Neil Armstrong, o homem americano que entrou na História por ter sido o 1º ser humano a pisar a Lua no já distante dia 21 de Julho de 1969, tendo proferido então a celebre frase que ficou para sempre imortalizada “Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”.
Recordo-me perfeitamente do acontecimento e confesso que foi e é uma mágoa que senti e sempre me ficou dado que não pude acompanhar em directo pela TV, como 500 milhões de pessoas, tão importante quanto inédito feito.
Estava na guerra, em Angola, exactamente na Fazenda Lifune, a cerca de 100 kms de Luanda. No comando de uma secção de homens (cerca de 10), dávamos protecção às instalações e pessoal da dita fazenda que produzia com um enorme palmar, os frutos (dendem) com que depois de fabricava o respectivo óleo de palma.
Lembro-me que acompanhei o feito de Armstrong e Edwin Adrin, o seu companheiro de descida lunar nessa celebre noite, pelas 4 horas da madrugada, através de um pequeno rádio portátil que sempre me acompanhava e que ainda hoje guardo e que logo de seguida, nessa manhã, contando aos meus soldados tão importante façanha feita pelo homem, eles não acreditaram dizendo que eu era ingénuo e “embarcava” em tudo o que me diziam. Uma grande “aldrabice”, diziam.
Eram rapazes humildes de quase nenhuma formação académica – escreviam e liam os seus aerogramas da família e namoradas e nada mais – e sendo na sua quase totalidade oriundos do Minho, viviam e trabalhavam na agricultura e numa ou outra fábrica como operários e para eles toda a história do Homem na Lua era isso mesmo, uma “istória”, uma patranha.
Curiosamente vivi ali com alguns deles, na Fazenda Lifune, a mais difícil situação em termos disciplinares que passei na guerra, ocorrência que resolvi com calma e bom senso e poderei contar aqui oportunamente. Quando se comandam homens e sobretudo em cenário de guerra, como era o caso, para mantermos a ordem e a disciplina por vezes temos de ser firmes e rijos, não esquecendo sempre o uso do bom senso. Foi o que fiz.

sábado, 30 de junho de 2012

COBARDIA POLÍTICA

Confesso que há já uns bons pares de meses cheguei a ter “alinhavado” na cabeça um apontamento para aqui publicar onde, a propósito de uma entrevista dada pelo dr. Miguel Portas, onde ele abordava a sua entrada no jornalismo e confessava como o havia feito, eu partia para aqui lembrar um velho amigo há muito desaparecido do nosso mundo.

A forma como então trataria esse inicio de carreira de Miguel Portas não era a mais simpática para ele, face à sua confissão de como se iniciou nas lides jornalísticas mas, como logo de seguida, soube que o agora falecido euro-deputado sofria de gravíssima doença, entendi por bem não passar a escrito o que havia “alinhavado” e guardar para melhor altura esse escrito.

E lembrei-me agora disto exactamente porque foi divulgada a atitude dos deputados do PSD da Madeira à Assembleia Regional daquele território que, discordando de uma proposta de voto de pesar pela morte de Miguel Portas, aqueles deputados se dividiram e, enquanto uma parte deles se absteve, a outra levantou-se no momento da votação e abandonou a sala...

Não sei das razões que assistem aos homens do PSD/Madeira para este comportamento mas acho que manda a boa educação e também o respeito pelos nossos adversários que sempre sintamos pesar pela partida de um ser humano que, segundo penso, não tendo sido um perigoso e intratável esquerdista, sectário e faccioso, sempre tratou, inclusive os seus adversários políticos, com civilidade e educação. Não navegando eu nas suas opções políticas, sinto-me à vontade para assim falar...

Se discordavam do voto de pesar – que, ainda por cima, foi proposto pelo CDS, homens de direita! – melhor seria que tivessem assumido frontalmente a sua discordância e, abstendo ou votando contra, assim o tivessem assumido. Abandonar a sala na hora da votação é um acto de cobardia política que condeno!

Um ser humano, civilizado e cortês, que parte assim tão prematuramente e de forma tão dramática e sofrida, merecia mais respeito e educação! Reconheceram-no os parlamentos nacional e europeu que lhe prestaram importante e significativa homenagem mas olvidou-o uma parte do parlamento da Madeira, ficando as atitudes para quem as pratica...

Quanto ao meu escrito e porque quero lembrar o outro velho amigo de que falei, aparecerá aqui um dia destes, voltando ao criticável início de Miguel Portas no jornalismo e à entrevista que deu mas, desta vez, de forma mais moderada porque o euro-deputado já não se encontra entre nós para eventualmente se defender...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

FOI BONITO, SENHORES!

 A julgar pelo que conheço da situação vertente, do ambiente envolvente à mesma e da pessoa da minha idosa e estimada conterrânea, acredito que Ti Rosa Maria, com quase 92 anos, muito vivos e muito activos, ao recepcionar o representante das Rações Zêzere que ao meu Chouto se deslocou de propósito para lhe ofertar uns sacos de rações para aves, como reconhecimento pela sua dedicação como cliente daquele produto, deve ter sentido um natural misto de surpresa, gratidão e natural satisfação.

E, estou a ver a cena, com a chegada do surpreendente visitante à porta de Ti Rosa, empunhando a foto que em 16 de Dezembro de 2010 lhe tirei numa rua do Chouto, com um saco de rações à cabeça, numa tarde gélida de Inverno, com ela, então com os seus 90 anos, surpreendentemente despreocupada e sem queixas de frio, vinda do mini-mercado onde tinha ido fazer a sua compra…

Publiquei então essa foto e uma pequena narração dessa minha experiência no blogue   http://victor-azevedo.blogspot.pt/search?q=tia+rosa+maria  e, as Rações Zêzere, tendo conhecimento da mesma pediram-me licença para usarem a foto no seu site. Acedi naturalmente e, a partir daí ficou o contacto com a empresa que me pediu igual contacto de Ti Rosa ou de algum seu familiar dado que pretendiam premiar a sua fidelidade como cliente, bem expresso naquela imagem registada em condições tão adversas de temperatura. 

No tempo entretanto decorrido e dado que uma desejada ida de Tia Rosa à fábrica das rações, como era pretensão da empresa para a premiarem não era viável, a mesma foi substituída pela ida de um seu representante ao Chouto, resultando daí agora a concretização deste belíssimo gesto das Rações Zêzere!

De Dr. Luis Guilherme, administrador daquela firma recebi de surpresa uma mensagem que me dizia apenas: “Promessa cumprida!”.

Daí até me facultar a foto que aqui anexo foi um instante de franco prazer, como vários instantes de prazer foi depois constatar as muitas manifestações de agrado recebidas no Facebook pelos muitos amigos e desconhecidos que, sabedores deste belo gesto das Rações Zêzere, expressaram o seu gosto pela gratificante atitude! 

Agora, também eu, bem satisfeito pelo desenlace deste caso, aqui deixo um “bem hajam!” às Rações Zêzere pelo seu gesto, certo como estou que, durante um bom pedaço de tempo a nossa Ti Rosa com aqueles saquinhos como valioso stock vai alimentar e criar os seus franguinhos lançando a ração no galinheiro com mais desenvoltura e sem que a mão lhe trave pelo peso do custo do alimento dos seus galináceos. Vários quilos de rações darão para formar um robusto franguinho que depois poderá transformar numa boa e suculenta canjinha!
Foi bonito que um simples e despretensioso escrito deste modesto escriba tivesse dado no que deu, graças à bonita atitude comercial e humanista dos amigos das Rações Zêzere! 

Muito bem! Bem hajam!  

sábado, 12 de maio de 2012

INADMISSÍVEL!

«Estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade».

Estas, por incrível que pareça, são palavras de um primeiro-ministro - rapaz de seu nome Pedro Passos Coelho -  que, nesta data, segundo números oficiais, conta com mais de UM MILHÃO de desempregados num país falido, país sem prespectivas, amorfo e desalentado e onde a população activa não ultrapassará os cinco milhões...

COMO É POSSÍVEL TANTA INSENSIBILIDADE? COMO É POSSÍVEL TANTA FALTA DE SENSO? COMO É POSSÍVEL TANTA ESTUPIDEZ???...
POR FAVOR, DIGAM-ME QUE EU NÃO OUVI ISTO DESTE RAPAZ QUE ESTÁ EMPREGADO - EMPREGADO!... - EM S. BENTO...

CUIDADO, RAPAZ! MUITO CUIDADO!

POR MUITO MENOS JÁ TEMOS VISTO MUITO HOMEM DESESPEADO, AINDA QUE CIVILIZADO E PACIENTE, PERDER A CABEÇA!...

PÕE-TE A PAU!...

domingo, 6 de maio de 2012

40 ANOS DE CASAMENTO!


Passaram exactamente 40 anos sobre esta foto. Foi tirada no dia 6 de Maio de 1972 e estava um dia de sol como hoje.

De então para cá vimos nascer mais duas gerações na família: Primeiro os dois filhos e, ultimamente, o neto que é o encanto de todos!

Mas, olhando aí a imagem e contando um a um, soma já mais de duas dezenas os queridos familiares e amigos que nos deixaram neste período de 4 décadas… Um a um, tendo começado pelos avós e logo seguido de pais e tios a que se juntaram também alguns amigos, eles foram partindo do nosso convívio deixando-nos mais sós e mais tristes. Sabemos que é a chamada “lei da vida” mas custa sempre ver estes documentos antigos e recordar quem nos foi querido e que tantas saudades nos provoca. Paciência… Não há mais nada a fazer…

Neste já comprido percurso dos 40 anos, para além das vicissitudes e tristezas que agora não interessa lembrar, houve momentos bons e felizes que ficam na nossa memória e que ao longo do tempo tenho vindo a documentar e comentar aqui na net sempre com muito gosto. Primeiro o nascimento dos filhos e recentemente o netinho, tendo pelo meio agradáveis momentos de que destaco boas e bonitas viagens pelo mundo e por vários continentes.

Foram episódios nas nossas vidas que, estes sim, importa recordar com prazer e que queremos repetir ou renovar com entusiasmo e boa vivência, na convicção de que só se vive uma vez e há que aproveitar…

E, agora, ultrapassadas estas 4 décadas, outras 4 seria bom desejar mas… bem sabemos que não é possível, razão porque resta pedir que se viva um a um, um ano de cada vez e que aqui tentarei registar ao mesmo tempo que os conto festejar com familiares e amigos como fiz hoje…

Amen!...

sexta-feira, 30 de março de 2012

VOLTA O EXAME DA 4ª CLASSE!


Na educação como em muitos outros sectores da nossa vida colectiva após a revolução de 25 de Abril de 1974 registaram-se muitas e diversificadas transformações e infelizmente nem sempre para melhor, tendo neste caso do ensino passado do 80 para o 8.

Cada ministro que entrou foi mudando, modificando e não poucas vezes piorando… O caso da abolição dos exames é uma dessas situações.

Alguém mais iluminado achou que os alunos fazerem exames era um disparate e, um a um, eles foram sendo eliminados de forma que até ao ingresso nas faculdades as avaliações vêm sendo feitas por testes, provas, chamem-lhe o que quiserem. Desta forma acabamos por ver formados jovens que saem licenciados e sabem muito pouco, havendo até quem ache que não sabem nada de nada.

Não vou tão longe mas também penso que não é tão invulgar quanto isso encontrar licenciados que fazem contas pelos dedos das mãos, não sabem a tabuada e sofrem de grandes carências no português, sendo garantido que só conseguirão fazer com grande dificuldade uma composição, redigir um texto com princípio meio e fim.

Suprimindo-se os exames nivelou-se tudo por baixo e a falta de conhecimentos é por demais evidente relativamente a muitos dos formados que saem todos os anos das universidades. 

Agora o actual Ministro da Educação, Dr. Nuno Crato, decidiu inverter o caminho e vai surgir de novo o exame do 4º ano, aquela que era a nossa velha 4ª classe. Aprovo e aplaudo a decisão e entendo que só perde por ser tardia.

Para minha surpresa, ou talvez não, saltaram logo os políticos chamados de esquerda a criticar a medida e na Assembleia da República ouvimos deputados do PS, do BE e do PCP levantando a voz em feroz critica à decisão do ministro. Parece mentira mas é verdade...

O argumento apresentado é de que será traumatizante comunicar a uma criança de 10/11 anos que reprovou no exame…

Francamente!... Coitados dos hoje homens e mulheres da minha geração e de outras gerações antes e depois, que chumbaram e ficaram traumatizados para toda a vida!...
Tropeçávamos em exames quase todos os anos – até tínhamos o de “Admissão ao Liceu”, como então se dizia – passávamos e chumbávamos e cá estamos mais ou menos preparados para a vida mas nunca traumatizados por isso.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

TIO JOÃO - MORREU UM HOMEM BOM!

O e-mail chegado ontem, já noite, da Celeste, sobrinha dilecta e muito dedicada do Tio João, não nos surpreendeu aqui em casa porque, com as suas últimas notícias de dias atrás e, sobretudo, depois de recebermos o anterior e-mail do Flávio, seu marido, que nos dizia que só um milagre reverteria o difícil estado do nosso amigo e familiar, outro desfecho não seria espectável… Na realidade, o nosso bom amigo e tio, tinha visto chegar o fim da sua existência… E,assim, depois de 86 anos de vida, o Tio João, como muito bem dizia a sobrinha Celeste, “já não está mais entre nós!...”. Na hora em que escrevo o seu corpo entra na sepultura...

É então mais um estimado e dedicado amigo que parte, levado pela inexorável “lei da vida” e que assim nos deixa mais sós, mais pobres e mais tristes!

Tio João era daquelas a que posso chamar últimas pessoas boas na superfície da terra de tal forma que, posso garantir, nunca - nunca! – lhe ouvi uma única palavra em desabono fosse de quem fosse! Nunca, por nunca ser! Nem mesmo quando me narrava a forma como ele e Tia Nair foram assaltados num transporte público na cidade do Rio de Janeiro, anos atrás, em que o sujeitinho lhes levou alianças de casamento, fios , relógios, etc… “Um cara educado! Um cara simpático!…”, nas suas palavras que nunca mais esqueci... Parece mentira, mas é verdadeiro! Tio João, na presença da Tia Nair, referia-se assim ao meliante que os roubou…
Emigrado no Brasil (Rio de Janeiro) há seis dezenas de anos, Tio João criou ali um pequeno bar donde tirava o sustento para ele e Tia Nair, com quem casou passado uns tempos de ali viver e, amealhando e conservando as suas economias, foi visitando a aldeia natal e Portugal dando-nos sempre o muito agradável prazer do seu único e inesquecível convívio!

Por afinidade entrei na sua família no início da década de 70 e logo me habituei a ver e sentir ali um prezado amigo, sempre pronto a uma conversa, um “chopp”, um “papo”, um convívio ameno e absolutamente desinteressado e saudável! E, se esse convívio e essa amizade já era bonita e importante aquando das suas visitas à família na Beira Alta, muito mais foi assinalável e justificativo de muito realce quando teve a bondade de me receber – ele e Tia Nair (aquém não posso deixar de associar Celeste, seu marido Flávio e restante família Almerinda, Adélia, etc.) – aquando da minha visita de 10 dias ao Rio de Janeiro anos atrás!

Foi absolutamente impecável a forma como ali me receberam e nunca esquecerei esse magnífico ambiente que me criaram e que incluiu refeições, “chopps”, viagens e onde até nem faltou um excelente passeio de barco na belíssima Baía de Guanabara!

Tio João foi nesta ocasião e sempre, como bem sabemos, no convívio e na correcção, com outros amigos e familiares, um exemplo único e ocorre-me aqui lembrar o dia em que me levou por metro e outros transportes públicos – Tio João não tinha automóvel - a visitar o Centro do Rio de Janeiro… Lembro-me de visitar a Catedral, o Real Gabinete Português de Leitura – coisa bonita! -, jardins, ruas e praças e de almoçarmos num bom restaurante português, mesmo no centro da cidade!
Recordo-me que depois paramos num pequeno bar, já perto do final da tarde, para tomar um “chopp”. O “chopp” não é mais que uma cervejinha, cervejinha que, porque é mais suave que em Portugal e com o calor ambiente do Brasil, ali se bebe muito, muito bem! Muito agradável, mesmo! (Tio João era um grande apreciador dos "chopps", como igualmente o era do tabaco e, seguramente, fumou milhões de cigarros!)

Naquele passeio pelo Rio, estávamos então bem e despreocupados sentados ao balcão do bar e, eu, vendo um rapaz ali mais ao lado, também no balcão, igualmente “mamando” uma fresquínha, resolvi pegar na máquina fotográfica e, entregando-lha, pedi-lhe que nos tirasse um retrato…
O que eu fui fazer!?... O bom do Tio João, vendo-me despreocupadamente entregar a máquina ao brasuca, ia caindo para o lado… (Dir-me-ia depois “Victor, que descuido! Nunca se faz isso aqui! Ele podia ter fugido com a máquina! Pensa que está em Portugal? Foi uma sorte!”)

Traumatizado pelos assaltos e pela violência urbana no Rio e, como emigrante, era o único trauma que eu via no Tio João… A violência é grande ali – e, infelizmente, agora não só já ali… - ele certamente lá teria as suas razões… Mas, naquela vez, não teve razão… O rapaz tirou a foto que, com outras do e com o nosso já saudoso Tio João acompanha este apontamento e que mostra como bom, feliz e agradável foi sempre único e inesquecível o convívio com ele!

Ficará sempre na minha memória e será sempre uma eterna saudade o bom e sentimentalão Tio João!

Coisa única!

Homem bom, puro e simples que o mundo perdeu!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

TIO "CHICO" DEIXOU-NOS...


Dia triste o de hoje com a ida ao Chouto para acompanhar à sua última morada o Tio Chico falecido ontem no Hospital de Almada onde havia sido internado dias atrás aparentemente vitima de mais um AVC, doença que há muito o apoquentava.

Francisco Nunes de Oliveira, de seu nome próprio, foi para mim sempre o "Tio Chico", com quem tive sempre, sempre um excelente relacionamento e de quem recebi continuas provas de muita amizade e carinho que eu sempre procurei retribuir e agradecer! E foram tantas e tão gratificantes as manifestações de amizade que sempre recebi deste meu familiar com que convivi desde tenra idade!

Casado com a minha Tia Beatriz, irmã mais velha de minha falecida mãe, “viu-me nascer" e acompanhou toda a minha vida desde criança, tendo naturalmente também contribuído para a minha construção não só física como também mental.

Recordo-me bem dos meus tempos de meninice quando ele trabalhava no Anafe, nas terras que meu Avô Gregório arroteava e cultivava e ali o Tio Chico produzia boas e extensas searas de milho, arroz, pimento, etc, etc. Lembro-me também de o meu avô o ter como boieiro, quando no Anafe existiam 3 ou 4 juntas de bois em permanente labuta agrícola. À hora da refeição reuníamo-nos todos sentados em pequenos bancos de madeira com assento de palha, em redor de uma grande e redonda travessa (acho que não se chamava bem assim...) colocada encima de uma pequena mesinha e de onde todos comíamos. Com colheres retirávamos a comida da grande malga e assim nos alimentávamos. No Verão, como sobremesa, tínhamos melancia, do sempre excelente cultivo do meu avô. O Avô Gregório ia buscar uma melancia ao quarto, de piso de cimento, melancias que guardava sempre debaixo da cama para estarem mais fresquinhas porque o quarto era de telha-vã, sentava-se à mesa com a melancia entre as pernas e era assim que procedia ao seu corte em fatias, deixando sempre o “castelo” para comermos no final, por ser o mais doce do fruto. Era sempre um cerimonial bem interessante que não esqueci. Como não esqueci a forma, digamos que quase “artística”, como o Tio Chico comia e rapava os ossos de assuã e outros do porco, quando a minha avó fazia o que então chamávamos de “couves com carne”, digamos que um “cozido à portuguesa” mais pobrezinho. Munido de um canivete que, como bom ribatejano sempre o acompanhava, Tio Chico rapava o ossinho todinho, todinho, até nos mais difíceis recantos do mesmo e ficava limpinho, limpinho só o puro osso! Achava aquilo tão “artístico” que nunca mais esqueci...

Tio Chico era um homem profundamente calmo e muito educado, não me recordando de alguma vez lhe ter ouvido uma exclamação mais exaltada ou irada! Até mesmo sofrendo as exigências da minha Tia Beatriz, algo arisca e agitada, que dele sempre muito exigia - ”Chico, vai buscar aquilo!”, “Chico, põe ali!”, “Chico, vai lá!” - Tio Chico sempre obedecia, sem um queixume, sem uma zanga, numa gentileza e educação que a todos impressionava!

Propriamente com os meus pais o relacionamento também foi sempre bom e, sobretudo após a morte de meu pai, a assistência que meu Tio Chico prestou a minha dorida e solitária mãe foi muito importante e sempre lhe manifestei a minha gratidão por isso! Para além das suas visitas frequentes – viajava com minha tia na motorizada desde o Gaviãozinho de Cima ao Chouto – ele tratava do quintal, cavando e plantando ao gosto da cunhada – “mana”, como ele chamava a minha mãe –, podava as árvores e tratava da latada de uma videira ali existente ao tempo. Depois tínhamos também como convívio os aniversários da minha mãe que sempre os convidava. Comíamos uns bolos, umas farófias, que minha mãe fazia magistralmente e bebíamos uns copinhos de tinto antes dele ter sofrido o 1º AVC. Depois disso ele só bebia uns sumos que a minha mãe sempre tinha o cuidado de comprar.

Guardo para o fim o narrar de um episódio que atesta o caracter e hombridade do já saudoso Tio Chico: Há já mais de uma dezena de anos atrás levei-o em viajem à Beira Alta, viajem que ele muito apreciou. No decorrer dessa jornada ele manifestou-me o quanto o confundia uma determinada ocorrência havida na família tempos atrás e questionou-me da razão da mesma. Achei inteligente da sua parte o levantar dessa questão e, por entender a sua preocupação, bem justa e oportuna, tive então o gosto de o esclarecer dos bastidores dessa ocorrência que vi que não o surpreendeu muito, devo dizer, mas pedi-lhe que aquela confidência não saísse de nós dois porque não havia necessidade de levantar mais poeira no assunto e dor na família. Pedi-lhe sobretudo que nem à sua mulher contasse porque, pelos mesmos motivos, o assunto era passado e estava encerrado.

Agora, morto que está o Tio Chico, é justo aqui escrever que tenho a absoluta certeza que ele cumpriu o meu pedido e levou o segredo para a cova! Nem à Tia Beatriz ele contou, conforme lhe tinha pedido! Se isso tivesse acontecido, ela não se conteria e, mais cedo ou mais tarde abordar-me-ia sobre o caso. Não resistiria.

Homem de palavra o Tio Chico! Honra à sua pessoa!

Que descanse em paz

EM TEMPO – A foto que acompanha este apontamento foi tirada junto à porta de sua casa no Gaviãozinho de Cima, no dia 1 de Maio de 2010, ocasião em que registei também em vídeo uma pequena conversa tida com ele e cuja gravação tive agora oportunidade de oferecer ao seu filho Manuel, para copiar para os restantes irmãos, Suzete e António, se assim o entender.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

DEUS, SEGUNDO ESPINOZA

Recebi hoje por e-mail e achei de interesse fazer aqui a sua publicação:

As palavras abaixo são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em
Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos
grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia
Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de
família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo
bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em pleno Século
XVII.



DEUS SEGUNDO SPINOZA (falando com você )

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que
Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo
construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas
praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo
mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu
amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver
comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem,
no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me
irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te
enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te
culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês
que eu poderia criar um lugar para queimar
a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da
eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são
artimanhas para te manipular, para te controlar,
que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única
coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,
que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem
um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há
pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um
conselho. Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de
existir. Assim, se não há nada,
terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste
comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste,
se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero
que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas
tua filhinha, quando acaricias
teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas
relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o
jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te
ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que
precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que
estou, batendo em ti.

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.

sábado, 21 de janeiro de 2012

EMOÇÃO A RECORDAR ANTÓNIO BENTO!...


Belíssima jornada na tarde de hoje na Chamusca onde na sua Biblioteca evocamos a vida e a obra do meu saudoso amigo António Bento, grande bairrista e chamusquense, para além de apaixonado humanista e pacifista!

Estive na sessão com gratificante convite da directora da Biblioteca que também teve a amabilidade de me convidar para lugar de destaque onde, para além da dita directora, tive a ladear-me a filha Deolinda do evocado António Bento e Sérgio Carrinho, presidente da Câmara Municipal da Chamusca, também ele grande amigo do homenageado e seu ex-colega de trabalho.

O convite foi-me formulado porque tive o privilégio de durante dúzia e meia de anos ter acompanhado e privado com António Bento em muitas das sua iniciativas em prol da Chamusca, a grande paixão daquele nosso saudoso amigo. Desde a fundação do seu “Jornal da Chamusca”, até à realização dos espectáculos “Bate Papo”, passando por festivais de folclore, almoços de convívio, Jogos Florais, homenagens a destacadas figuras do universo chamusquense, em quase tudo, se não em tudo, colaborei com António Bento, numa gratificante actividade que muito me marcou e de que muito me orgulho!

Mas, hoje, no início da minha evocação, a emoção sentida por ali estar a expor publicamente a minha vivência naquela gratificante colaboração com António Bento, quase me travou a voz e estive mesmo a milímetros de colapsar na oratória... Logo eu que, por força dessa colaboração anos atrás, tive tanta ocasião de publicamente me expressar perante vastas assistências sem dificuldades de maior... Mas, hoje, o evocar ali a belíssima vida e obra do saudoso amigo, ia-me pregando a partida...

Na sessão evocativa optei por salientar no homenageado o cidadão e a pessoa, destacando na sua vida o chamusquense, apaixonado pela sua Chamusca e também a sua imensa e impressionante modéstia em tudo o que fazia e, finalmente, o humanista e pacifista que António Bento foi e de que me deu tantas e excelentes lições, para além do seu valioso exemplo de vida tão prematuramente arrancada do nosso convívio!

Senti que a assistência viveu e gostou da sessão evocativa e por isso acho que a mesma foi muito gratificante, deixando aqui o meu aplauso à direcção da Biblioteca pela iniciativa a que junto, no meu caso pessoal um particular agradecimento não só pelo convite e pela amiga recepção como ainda pela visita guiada à Biblioteca que me proporcionaram na pessoa da Directora Paula Ribeiro e do Vereador Francisco Matias!



E, depois aconteceu...

Bem, depois ainda aconteceu que, para além desta bela evocação, a jornada na tarde de hoje na Chamusca fosse ainda mais gostosa porque, todo este acontecimento foi assim como que envolvido – foi “o antes” da sessão e “o depois” dela e... entrou pela noite! - por um outro não menos saboroso mas... agora aqui já falando do valente estômago deste vosso craque... Na verdade e nascido de uma conversa aqui na net quando, tempos atrás disse ao meu familiar e amigo Rui Martinho que sentia saudades de saborear um bom tintinho com o seu pai Manuel João e ele me respondeu que ia “pensar nisso”, o Rui não perdeu muito tempo e, aproveitando esta minha ida à Chamusca, tratou de marcar na acolhedora tertúlia dos pais um suculento e delicioso almoço magnificamente confeccionado pela sua mãe e minha prima Teresa e ao qual teve a gentileza de associar mais uns quantos amigos nossos conterrâneos. Foi um completo e gostosíssimo Cozido à Portuguesa, de grão, à boa maneira ribatejana, com todas as carninhas do saboroso e adulto bácoro, onde pude encontrar também o delicioso chouriço da região e também, para minha delícia, onde a famosa morcela de arroz marcou honrosa presença! As carnes do dito, com um leve sabor a sal, como manda quem sabe da ciência e tudo regadinho com um bom tintinho da zona de Palmela!

Foi então “o antes” e “o depois” da sessão evocativa - e que entrou mesmo pela noite adentro! -, num magnífico convívio que me encantou e que aqui devo agradecer mais uma vez à Teresa, ao Manuel João e ao Rui bem como aos restantes amigos que me proporcionaram tão caloroso acolhimento! É sempre magnífico visitar a Chamusca e, quando se é assim recebido, tudo acontece num verdadeiro encanto!

Deixo aí, para além da capa da brochura alusiva da sessão evocativa de António Bento, duas imagens do acontecimento, sendo que a primeira é da autoria do amigo Luis Dias e a outra minha com a elegante presença de um trio de bons apreciadores do saboroso Cozido! Nela estou acompanhado pelo Rui Martinho e pelo Raul Caldeira. No meu site publicarei um vídeo com imagens que captei na sessão com a actuação do grupo coral Juntanima, da Junta de Freguesia da Chamusca, dirigido por José Pinhal, que encerrou a homenagem a António Bento.



domingo, 25 de dezembro de 2011

NO NATAL DO DESALENTO, O ENCANTO DO MENINO!


Não tivéssemos assistido e vivido com prazer ao entusiasmo do nosso pequeno Rafael nesta noite, não só a receber e a abrir as prendas mas, sobretudo, à sua alegria e encanto na recepção ao Pai Natal – guardo ainda no ouvido a sua vozita gritando de entusiasmo ao vídeo de porta “Quem éééé???”, na chamada de campainha do velho das barbas brancas e, depois, à sua corrida aos saltos para o receber nos elevadores... – e estaríamos possivelmente num Natal, talvez dos mais tristes e preocupantes das nossas vidas...

Na verdade e embora no meu caso pessoal seja pouco provável vir a passar outro tão triste como o de há 33 anos quando aconteceu a morte e funeral de meu pai, este é sem dúvida um Natal celebrado em Portugal com muito desalento e muita preocupação, face á crise económica-financeira que atinge um grande parte de todos nós nesta terra e nesta Europa tão mal governada e orientada nesse tocante económico e financeiro.

Aconteceu felizmente que o bacalhau, os fritos, os doces e o cabrito ainda não faltaram na nossa mesa, embora este ano, como já no anterior, as prendas tenham sido só reservadas para as crianças mas, na realidade esteve connosco também à mesa nas conversas as dificuldades na vivência social, a crise e sobretudo as preocupações sobre o futuro que nos espera já que os governantes não sabem dizer-nos quando atingimos o fundo e começamos a erguer-nos, depois de todo este cortejo de cortes nos nossos proveitos anuais, que tanto nos prejudicam e penalizam...

Na nossa família o terrível desemprego, que tanto aflige milhares de lares portugueses, felizmente ainda não bateu á porta mas, logicamente, nada nos garante que de um dia para o outro ele aí não possa aparecer e então muito pior e mais difícil será o caminho a percorrer e a vida a suportar. Oxalá que isso nunca aconteça!

Neste quadro é portanto impossível passarmos com mais prazer esta bonita quadra e resta-nos por isso ver e viver com os mais miúdos a sua alegria e encanto e esquecer-nos nesses momentos das dificuldades e preocupações de nossas vidas...

As crianças, na sua bonita inocência e encanto, devem de viver alheadas destes problemas para que cresçam felizes e saudáveis, esperando nós que venham a ter um futuro bem mais fácil e risonho que o nosso!

Deixo aí as imagens da feliz e inesquecível recepção, aqui em casa, do meu neto ao Pai Natal (o tio Helder, que ele não reconheceu...) numa foto, acima, retirada do vídeo/clip que também deixo abaixo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1640 - QUE INDEPENDÊNCIA HOJE?...


Criado para comemoração da chamada Restauração da Independência de Portugal, resultante da revolta de 1640 que expulsou do país o chamado domínio dos Filipes, espanhóis que dominaram Portugal durante 60 anos, este feriado era na realidade vivido com entusiasmo nos tempos idos e eu próprio bem recordo que, por tudo o que era cidades, vilas e até aldeias da nossa terra, as bandas de música saírem para a rua logo ao nascer do dia e percorrerem grandes trajectos tocando o que, se não estou em erro, era o chamado Hino de Maria da Fonte. Era bonito e entusiasmava as gentes e recordava o que foi então a ocupação de Portugal pelos nossos vizinhos espanhóis, criando então uma rivalidade que ainda hoje persiste.

Nos últimos anos, a tradição dessa comemoração caiu em desuso, o feriado manteve-se mas, a acreditar nas notícias que nos têm chegado, tudo aponta para que hoje tenhamos gozado pela derradeira vez o Feriado do 1º de Dezembro.

A sugestão dos patrões à troika que nos governa para supressão de alguns feriados e até da inimaginável decisão de acrescentar mais meia hora diária de trabalho para todo o mundo laboral, foi aceite e “recomendada” ao governo (as aspas não estão aí inadvertidamente...) e, assim, este 1º de Dezembro, dia da Independência, não mais se comemorará.

Afinal e em boa verdade, temos de convir friamente que na realidade vivida hoje em Portugal, independência é coisa que não temos nesta terra. Económica e se calhar até politicamente, vivemos dependentes do estrangeiro, quais pedintes falidos da Europa e do Mundo.

De mão estendida a tudo e a todos por essa Europa fora e até a muitos outros países do globo, mandados pela chamada troika que nos facultou dinheiro para não morrermos à fome, somos tudo menos independentes e, na verdade, ainda que o feriado não comemorasse essa independência, o governo achou que havia que deveria de ser eliminado para não fazer confusões ao povo...

domingo, 27 de novembro de 2011

FADO, PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE!


Penso que em boa verdade todos já esperávamos pela decisão hoje tomada pela UNESCO, na sua reunião na Indonésia, de considerar o nosso fado Património Cultural Imaterial da Humanidade.

O fado que, como se julga saber, nasceu no século XIX nas tabernas, ruas e vielas de Alfama, em Lisboa, começando por ser coisa de bêbados e prostitutas, coisa da ralé, como então era conhecida essa faixa da sociedade lisboeta, foi-se transformando, evoluiu e surgiu Amália Rodrigues, já no século passado, que lhe deu projecção mundial. Sobreviveu á época revolucionária do chamado PREC em 1975, em que os esquerdistas da política quase o mataram por o considerarem obra do Estado Novo caído com o 25 de Abril – lembro-me que na altura era raríssimo passar um fado nas rádios e até saudei num escrito, no jornal onde então escrevia, porque alguém passou um fadinho de Amália numa qualquer estação… – e, chegou aos nossos dias com muita progessão mundial graças a vozes, para além de Amália, de Carlos do Carmo, Mariza (a nova cara internacional do fado português!), Ana Moura, Camané e muitos outros que felizmente foram despontando e o cantaram aqui e no estrangeiro.

Hoje o fado está bem no coração e na mentalidade e cultura do povo português e esta grande distinção cai muito bem aos portugueses, não duvido.

Entretanto, põe-se a pergunta: E agora, o que muda?

Temo que muito pouco, infelizmente, dado o desânimo, o desalento em que vive a sociedade portuguesa, acredito que esta notável nomeação não será festejada e celebrada como deveria de ser…

O povo está pobre, muitos têm fome, todos estão desanimados e há muita descrença no futuro…

Temos o fado Património Imaterial da Humanidade! Pronto. Fica assim e pode ser que algum dia o comemoremos e disso tiremos proveito. Pode ser...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

67 !!! UM A UM, OS ANOS VOU CONTANDO!...

É isso: Um a um, eles vão contando e… já somam 67!

O festejo de hoje, deste 67º aniversário, foi idêntico aos anteriores e, assim, como habitualmente foi festejado em família, com a pequena/grande alteração de, por força da intervenção cirúrgica da Tense não termos feito a tradicional deslocação à Beira Alta e daí não ter celebrado o aniversário com os familiares ali residentes. Ficamos então por um restaurante na área de residência.

Como habitual a refeição decorreu lindamente mas, este ano, por via da imensa crise económica que a todos apoquenta, á mesa, nas conversas, no lugar das antes trocas de ideias sobre férias, fins-de-semana, futebol, política, etc., etc., tivemos a crise, as dificuldades económicas, o euro, a “troika”e a srª Merkel que mandam em nós como se sua quinta fossemos – e se calhar até somos… - e o âmbito nas nossas conversas é e foi este...

Afinal, o âmbito e o ambiente vivido em muitas e muitas conversas de milhões de portugueses profundamente descrentes, desanimados e até mesmo angustiados, com a vida que os incompetentes políticos ao longo dos anos lhe criaram.

O Dr. Medina Carreira andou durante anos a dizer-nos e a alertar-nos que estávamos num caminho errado, que nos aproximávamos no precipício e, usando a sua palavras “íamos bater na parede”, acontecendo aí os cortes nos ordenados e até nas pensões…

Chamavam-lhe pessimista - quando não mesmo de maluco… - e, a realidade, nua e crua aí está.

Temos um país falido, pedinte, angustiado e, o pior, o pior é que temos a sensação de que o pior ainda está para chegar…