segunda-feira, 1 de agosto de 2016

PROF. MONIZ PEREIRA - PARTIU UM SENHOR...

Final do dia muito triste o de ontem com a bruta e fria notícia da morte do prof. Mário Moniz Pereira.

É verdade que já tinha 95 anos de idade e também adivinhavamos que a sua saúde seria algo precária mas, como sabemos, a morte de alguém que estimamos sempre na hora nos surpreende.

Um homem íntegro e ímpar na vida e sobretudo no atletismo e no desporto português, a ele ficamos a dever os vários campeões olímpicos e mundiais que fabricou no seu Sporting e que doou ao nosso país com brilhantes e inesquecíveis comportamentos em tantas provas nacionais e internacionais!

“Senhor atletismo” e “fazedor de campeões” lhe chamaram e, em boa verdade, os títulos estão bem aplicados.

Saíram das suas mãos campeões de atletismo como Manuel de Oliveira, Aniceto Simões, Armando Aldegalega, Carlos Lopes, Fernando Mamede, os irmãos Castros e, tantos, tantos outros que não atingiram tal estrelado mas tiveram comportamento brilhante nas pistas portuguesas e internacionais em muitas e diversas ocasiões.

Para além disto o prof. Moniz Pereira foi um mestre de elevadíssimo valor não só neste campo mas igualmente no campo musical. Criou canções e musicas para Amália e muitos outros artistas nacionais que ainda hoje são recordadas e famosas. Era, efectivamente, um homem de rara sensibilidade!

Mas tem uma faceta da vida deste nosso professor de que sou testemunha e que aqui quero e devo registar por a mesma demonstrar bem a sua integridade e a sua honestidade de procedimentos que sabemos ser de toda uma vida que dedicou ao atletismo e ao Sporting Clube de Portugal. Acho que devo contar, porque acho que é sempre bom sabermos e conhecermos com quem convivemos.

Tentando ser conciso, conto, então:
Estavamos em 1984 no mês de Setembro e o país e naturalmente o Sporting e Moniz Pereira ainda festejavam o saboroso e inédito triunfo de Carlos Lopes na Maratona de Los Angeles no mês anterior. O ambiente era de euforia e logicamente o Sporting tentava reforçar cada vez mais a sua hegemonia nacional no confronto directo com o rival Benfica.
Na data eu tinha na Chamusca – e tenho ainda, felizmente! – um jovem afilhado de 18 anos (a quem infelizmente nunca dispensei a atenção merecida… Mas isso são contas doutro “rosário” pessoal que ele conhece bem e que um dia deverei aqui abordar …) que se destacava com muito êxito no atletismo, primeiro como Juvenil e nessa data já na categoria de Júnior, como Campeão Nacional em diversas categorias que praticava. Mas o Vítor Malaquias, de seu nome, sobressaía sobretudo no Salto em Altura, de que era Campeão Nacional no seu escalão!

Acontece então que o seu treinador, sendo benfiquista e conhecendo o valor do atleta, o tenta colocar no clube do seu coração.

Eu sou alertado para a situação – já não me recordo bem por quem… - e, de imediato, contacto o Vítor e o pai Chico Pedro com quem tinha e tenho excelente relacionamento e falo-lhes na hipótese de ouvirmos o interesse do nosso Sporting (eu sabia que tanto o Vítor quanto o pai eram grandes adeptos do clube de Alvalade) na contratação do jovem Vítor.

Lembro-me que ficaram admirados com a minha sugestão – talvez não acreditassem… - mas deram-me “carta-branca” para avançar.

Abordei então com brevidade o professor Moniz Pereira que era a alma forte do atletismo leonino, numa abordagem que me foi fácil, não só porque ele era pessoa extremamente afável e acessível, mas também porque lhe falei da minha “costela” leonina por influência do meu padrinho António Cerqueira, entretanto falecido, durante muitos anos dirigente da casa e também da minha madrinha Ricardina que, na data, ainda era viva e por vezes frequentava Alvalade e que ele bem conhecia. Isso também facilitou o contacto, acho…

O professor conhecia de nome, muito bem, o jovem Vítor Malaquias e logo se manifestou interessado no contacto ficando ali acertado que, para evitar mais deslocações do Vítor e do pai a Lisboa, no dia que tivessem marcada a entrevista no Benfica, viriam um pouco mais cedo para Lisboa e passariam por Alvalade para falarem com ele. E assim aconteceu…

No dia aprazado o Vítor, o pai Chico Pedro e eu estávamos à porta do velhinho Estádio de Alvalade onde fomos recebidos muito bem pelo nosso professor no seu gabinete.

A entrevista decorreu muito bem, como seria de esperar e recordo-me que o que mais me admirou de imediato foi como Moniz Pereira conhecia de memória, sem consultar qualquer apontamento, todas as marcas do Vítor Malaquias nas diversas disciplinas de atletismo que praticava. Se a memória não me falha, só tinha dúvida numa qualquer que pediu ao Vítor para o esclarecer… Confesso que fiquei admirado!

O professor manifestou todo o interesse no ingresso do atleta no Sporting, apresentou-lhe as condições que o clube lhe poderia oferecer (pagamento de deslocações, alojamento e equipamentos e ainda um subsídio que, todavia, que me lembre, não quantificou ali. Eu não me recordo que ele tenha referido o seu valor… Um dia deste hei-de perguntar ao Vítor ou ao Chico…)

E que aconteceu depois? Bem, aí o meu maior espanto, num espanto que atesta bem a honestidade de processos e o desportivismo de Moniz Pereira, um verdadeiro senhor, com todas as letras!...

Quando seria de esperar que colocasse à frente do atleta e do pai um contrato para assinarem (na época, a disputa e o “roubo” de atletas entre Sporting e Benfica e vice- versa era o “pão nosso de cada dia”…) Moniz Pereira remata assim:
“Ouviram as condições do Sporting. Vão à entrevista com o Benfica, ouçam o que eles vos oferecem e depois façam a vossa opção. O Sporting está interessado mas devem ouvir o Benfica porque a ele vêm destinados.”

Assim, desta maneira frontal, honesta e 100% desportiva, procedeu o grande prof. Mário Moniz Pereira! Um grande senhor! Nunca mais esqueci esta sua decisão!

Resta acrescentar que o Vítor e o Chico foram à entrevista no Benfica – eu aí já não os acompanhei, como é óbvio… - onde creio que também esteve o seu treinador da Chamusca - e regressaram a Alvalade onde assinaram um contrato e o campeão Vítor Malaquias passou a ser atleta do Sporting Clube de Portugal!

(Para além da lógica imagem do já saudoso prof. Moniz Pereira, deixo também uns recortes do  “Jornal da Chamusca” da época onde a notícia da transferência é dada em 1ª página e onde Vítor Malaquias dá conta da minha influência no seu inesperado “desvio” da Luz para Alvalade. Fiquei satisfeito e feliz com o sucesso da minha intervenção no caso, claro! E não era de ficar?...)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

BREXIT - TERRAMOTO POLÍTICO NA EUROPA

Quando, hoje logo de manhã – e ainda não eram 8 horas… - liguei a tv e ouvi os resultados do referendo no Reino Unido, fiquei meio atónito com o que era noticiado…

Fiquei eu e acredito que, a essa hora, também estariam assim milhões de pessoas em todo o mundo: Tínhamo-nos deitado com projecções a dar a vitória à derrota do Brexit e acordamos com este volte-face verdadeiramente surpreendente…

Logo avaliei que estávamos na presença de um verdadeiro e incrível terramoto político e de certo não me enganei…  Hoje, por todo o dia, jornais, rádios, tvs e redes sociais não falam de outra coisa e, ninguém, absolutamente ninguém, consegue prever o que vai acontecer…

As interrogações são imensas e é impossível encontrar agora respostas certas – ou no mínimo aproximadas  - para elas:

Que vai acontecer à União Europeia?

Que vai acontecer ao Reino Unido?

Vão seguir-se outros referendos na Irlanda e na Escócia?

E será que vão querer-se outros referendos noutros estados europeus?

E como vão ficar os nossos concidadãos emigrados no até agora Reino Unido?

Interrogações, muitas interrogações para as quais ninguém, ninguém hoje tem resposta.

Não há resposta hoje e previsivelmente não haverá tão cedo… Acho que levará anos a encerrar-se este dossier de consequências inimagináveis…

Hoje, um dia histórico para a Europa e, certamente, um verdadeiro terramoto político/social  para o velho continente!

sexta-feira, 17 de junho de 2016

NO 90º ANIVERSÁRIO DE UM BOM AMIGO!

Fui ontem a Vouzela e voltei, percorrendo assim 600 kms em poucas horas, mas custou-me tanto como se tivesse conduzido… 6 kms…

Tio Zé “Pisco” festejava o seu 90º aniversário e, estar presente junto dele, naquele dia e naquela hora, era para mim um ponto de honra e coisa absolutamente obrigatória.

Independentemente da muita amizade que nos une – perguntava-me outro dia o filho Tó Zé: “O que é que você fez ao meu pai, que ele adora-o?..." – tenho  recebido do tio Zé provas inquestionáveis e inesquecíveis de muita estima que nunca esquecerei. Provas de uma grande honradez que muito tenho apreciado, como aquela de ser minha testemunha e ter exercido forte pressão sobre um seu sobrinho, numa velhacaria que me fizeram e, não fora ele e tia Tina, sua honrada esposa, eu teria perdido na barra do tribunal, numa clara injustiça, como tantas outras em que a mesma nos nossos tribunais é pródiga… Foi assim, exactamente: "Ou tu tiras a acção do tribunal, ou nunca mais entras na nossa casa!". 

Tio Zé e tia Tina foram sérios, honrados e firmes e esse meu agradecimento e consideração serão sempre grandes e eternos!

Pois, tio Zé atingiu com saúde e força física e, sobretudo, elevada lucidez, os 90 anos de vida! 90 anos de muito trabalho e dura luta pela vida em terra e em anos de pouca ou nenhuma  abundância mas que ele venceu com a muito prestimosa ajuda de tia Tina, sua fiel e dilecta companheira de toda uma longa, muito esforçada mas também bonita vida! 

De surpresa e apenas com a colaboração dos seus filhos, eu e a Hortense, sua sobrinha direita, metemo-nos no carro e aparecemos de surpresa no restaurante em Vouzela onde ele se aprestava para almoçar com alguns familiares mais chegados residentes na zona e foi sua – dele e da tia Tina – a muita alegria por nos ver irromper restaurante adentro. 

Aconteceu então uma hora muito bonita e gratificante que aqui deixo registada com algumas fotos cedidas pelo genro João Dias, captadas na hora.

E que o nosso muito dedicado amigo festeje mais um, mais outro e ainda muitos mais outros com a mesma saúde, a mesma força física e o mesmo espírito de hoje, para seu belo e saudável proveito e para nossa grande alegria!

terça-feira, 17 de maio de 2016

A ABERTURA DA MINHA PESQUINHA


Ontem, 16/5, no Alentejo, na Abertura da Época Oficial da temporada 2016/17 da minha pesquinha ao Achigã aconteceu, como sempre, um dia totalmente ocupado desde bem cedinho – sete da matina! - e vivido na sua totalidade até ao final do dia, quando o sol já se punha.
Ainda que os achigãs, esquisitos com os “alimentos artificias” que lhe propus na ponta da linha se mostrassem hostis - embora os avistasse grandes e felizes nas calmas águas da barragem… - e mesmo que as ariscas gazelas, javalis, texugos, saca-rabos, lebres e perdizes selvagens não tivessem aparecido desta vez - mas onde ainda um fugidio coelho bravo se deixou ver… - prazer e glória imensa num dia diferente de contacto ameno, sossegado e muito agradável com o ar puro e as coisas simples e belas da Natureza que, felizmente, ainda encontramos em pequenos e recônditos lugares no nosso Portugal.
Mas, como era previsível na Primavera e, este ano sobretudo com estas estranhas e inesperadas chuvas destes últimos 15 dias de Maio, os campos estão soberbos de flores e verdura silvestre. Lindos! Lindos! Uma maravilha! Uma delícia para os olhos!
Imagens que captei e registos que aqui deixo para a posteridade e que, mais tarde sempre me encantará rever, aí ficam!
Entretanto, no meio do dia, num intervalo para o sempre apetecível almoço, o aconchego (?) do estômago com as deliciosas e espectaculares “Favas com Chouriço”, de seu nome na zona, com uma saladinha de alface a condizer e o tradicional tintinho, servidas no restaurante “Paraíso da Mata”, ali pertinho da vila de Lavre (Montemor o Novo).
Belezas e maravilhas simples e desinteressadas de um dia habitual - ou em excepção, no tocante à pescaria… - ( pescadores e caçadores sempre serão uns mentirosos…) que, continuamente me dá muito prazer e até mesmo muita saúde para os dias futuros.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

VIVA O 25 DE ABRIL!



Na figura de Salgueiro Maia saúdo e agradeço a todos os militares que tornaram possível o 25 de Abril que pôs fim a um regime totalitário, acabou com uma guerra estúpida e inútil e tornou possível a instalação de um regime democrático em Portugal!

Ainda que mais nada se tivesse concretizado e não obstante os muitos erros de percurso, de que a apressada e má descolonização é um exemplo, só por ter sido posto fim às guerras de Angola, Guiné e Moçambique, onde se finaram para sempre muitos dos nossos jovens, valeu a pena!

Obrigado!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

SECA?

Alarmado – não exagero: alarmado! – notei-o com enorme surpresa quando, no dia 5 de Março, quase a atingirmos o final do Inverno e, quando chegado junto de uma das pequenas represas que costumo frequentar na minha pesquinha, encontrei a água “lá em baixo”. Quase a atingirmos o início da Primavera e quando seria suposto, pelo normal de outras épocas nesta data, termos as represas cheias, com a água mesmo a sair pelo “ladrão”,  ali faltavam, seguramente, pelo menos 2 metros de água… Coisa absolutamente preocupante, quando não dramática…

Passou mais de um mês e, quando se esperaria que, por força do ditado popular “Abril águas mil!”, temos que a escassez de água da chuva continua e, agora mesmo, vejo num canal de televisão uma reportagem feita no Alentejo com o significativo título “seca”…

Não sei se será exagero titularmos de seca o que temos vindo a observar no país de Coimbra para Sul ao longo do Inverno mas a verdade é que, para Norte tem chovido o normal, quando não em excesso e, aqui para Sul, a falta da bendita chuva tem sido uma realidade preocupante.

Eu fiquei triste e preocupado nesse dia 5 de Março e tirei mesmo uma foto da situação da barragem, cuja imagem aqui deixo.

Será que a coisa vai melhorar no que resta de Abril e mesmo em Maio? Oxalá porque, se isso não acontecer esta pequena massa de água não aguentará todo o Verão… E os “meus” achigãs desaparecerão…

Nem quero pensar…

terça-feira, 12 de abril de 2016

EM CHOQUE

Confesso que estou triste e fortemente impressionado, se não mesmo em estado de choque, com a notícia que acabo de conhecer…

Esse amigo, aí em segundo na foto, de nome Roque, (o 1º é o velho amigo JP (João Pereira), brasuca muito amigo que em Setembro de 2010 me ofereceu uma desejosa e não mais esquecida pescaria na Amazónia a que, por motivos que gravemente me preocupavam na época, tive de renunciar…) sofreu um gravíssimo acidente em Novembro passado, de que só agora tive conhecimento e que o deixou sem visão.

Dramático e muito triste drama para um homem de bem com a vida, social e economicamente que, com João Pereira e respectivas esposas, aqui esteve em Portugal um ano atrás. Viajamos os dois de Lisboa a Reguengos de Monsaraz no meu carro onde, eles e suas esposas e eu próprio a seu convite, visitamos a Adega do Esporão onde almoçamos.

Vítima de um muito estúpido acidente, o amigo Roque ficou cego e, eu, nem quero acreditar nesta tão triste notícia agora vinda do nosso amigo comum João Pereira. E que estúpido acidente foi esse?

Roque tinha há muitos anos uma cabeça de veado fixada numa parede de uma sua sala na casa de habitação como eventual troféu de caça, penso eu  e, por muito estranho pareça, a cabeça do bicho, depois de tantos anos ali pendurada, caiu encima dele e, um dos chifres do veado perfurou e sacou um dos olhos do Roque e, incrivelmente, atingiu também o outro olho, ferindo o seu nervo optico de forma irremediável e o nosso Roque ficou cego para sempre.

Dá para acreditar em tão estúpido acidente?

Confesso que estou impressionado e muito triste!

Que o Roque tenha “estofo” para suportar tamanho drama!

quinta-feira, 24 de março de 2016

COMO ENTENDER?...

Eu, que até tenho criação e formação católica e que, com esta idade, já tenho visto muitas atitudes estranhas e bastantes incongruências na minha vida, confesso que não consigo entender o que vi agora assistindo a um Bispo da Igreja Católica a apresentar, com pompa e circunstância, num hotel de Lisboa, o lançamento de um livro dito autobiográfico de um cidadão que foi condenado em tribunal e está a cumprir pena de 6 anos de prisão por abuso sexual de menores… Friso bem: a cumprir pena por abuso sexual de menores!

Que razão? Que motivo? Que fundamento?

Certamente será por manifesta incapacidade mental, intelectual, religiosa e civilizacional da minha parte mas, que fazer?

Não entendo…


terça-feira, 15 de março de 2016

NA MINHA PESQUINHA, O SUCESSO TOTAL!

Sai de casa cedo, pelas 7,15 horas, não tanto pela pressa de pescar porque sabia que, como a manhã estava demasiado fresca os achigãs não estariam ainda activos mas apenas para não sentir os efeitos da “hora de ponta” no trânsito na entrada de Lisboa.

O dia estava bonito com algum Sol embora ainda fraco de intensidade mas com uma leve neblina e a espectativa era muito grande, confesso. Já me tem acontecido partir para a pesca com idêntica expectativa mas, desta vez, tinha uma convicção bem mais forte porque assente nos dois dias anteriores em que a minha pesquinha produziu bons efeitos: no sábado (5) tinha ferrado um de 800 grs. e deixado escapar dois de igual porte e na vez seguinte (sábado, 12), para além dos outros dois que se safaram, consegui ferrar três, sendo idênticos, com um deles já a pesar 850 grs.

O entusiasmo foi tanto que logo pensei em pedir dispensa de ir buscar o Rafael ao colégio ontem (segunda-feira) e assim aproveitar o derradeiro dia antes da entrada do Defeso para ver de conseguia fisgar mais uns bons exemplares no mesmo local. A água estava excelente de limpeza (via-se o fundo, com nitidez, a 3 ou 4 metros da margem) e os peixes andavam bastante activos à caça ou tratando da sua desova. Prometia, pois…

Cheguei então junto da pequena represa - infelizmente ainda muito longe de estar cheia, não obstante estarmos no final do Inverno, nada chuvoso a sul do Tejo… - por volta das 9 da manhã, percorridos que foram, com calma, os 106 kms que a distam da minha residência e, depois de comer um peça de fruta, logo parti para junto da água para tentar a minha sorte. Mas aconteceu como já esperava: nada. Nada de nada! As águas, de temperatura ainda muito baixa por causa do muito frio da noite, não convidavam os achigãs a saír do fundo onde tinham  águas menos gélidas.

Fui almoçar, naquele que é para mim também um belo e saboroso momento destas jornadas piscatórias por terras e ares alentejanos!  Desta vez escolhi um delicioso Pernil Assado no Forno, com batata frita, arroz e uma fresquinha salada de alface como acompanhamento. Comi metade de um queijinho de ovelha seco e “reguei” tudo com os habituais 7,5 l. de tintinho da Península de Setúbal. Tudo com nota máxima de sabor, qualidade e satisfação!

Eis-me então de novo a caminho da represa, não sem que antes ainda visse um casalinho de perdizes nos terrenos anexos à estrada de terra. Mas, noutras ocasiões, também já tenho visto coelhos, saca-rabos e até texugos e javalis… E até gazelas! Sim, gazelas selvagens, numa ocasião única que me deixou tanto de entusiasmado, quanto de admirado!...

E, chegado de novo à actividade piscatória do meu encanto, como previa tudo então foi diferente, para muito melhor! O Sol, nas horas decorridas, tinha tornado a temperatura ambiente e as águas com temperatura bem mais amenas e logo vi e senti que os amigos peixinhos já andavam por ali bem mais activos.

Se, de manhã, andei de um lado para o outro, dei a volta à barragem e mudei várias vezes de amostra e nem sinal deles, agora, era totalmente diferente… Escolhi  uma amostra “Rapala” verde, de 9 cms, flutuante, que me pareceu a mais adequada e foi um “ver se te avias”: êxito total!

Das duas e meia, às cinco e meia, ferrei 5 bons exemplares, com cerca de 800 grs. cada, sendo que um deles, o maior, já pesou 1,1 kg! E pelo meio, um a um ainda os vim trazer ao jipe e fotografei e filmei! Maluco por este vício, só estou bem funcionando assim, fotografando e filmando, para mais tarde recordar…

Bom, mas pelo meio, ainda aconteceu que um “grandolas” me quebrou a linha e levou a mostra!... (E eu que, de manhã, olhando para um pedaço no extremo da linha mais deteriorado, havia pensado em substitui-la mas, como era o último dia antes do Defeso, achei que só em Maio, na abertura, deveria cortar aquele pedaço da linha… Mandam os cadernos de bom pescador que nunca se deve facilitar mas… o quê? É sempre o mesmo…) E para além desse “grandinho” mais três se foram… Com tantos anos a ferrar achigãs, ainda me acontece isto…

Bem, o achigã quebrou a linha e levou-me a boa amostra e eu fiquei danado, claro… Mas foi por pouco tempo… Passados uns instantes vejo-a a flutuar com o pedaço da linha! O bicho tinha conseguido “cuspi-la” e, como é flutuante, veio ao de cima. Foi a minha sorte! Lancei-lhe depois uma nova amostra e consegui recuperá-la e assim, do mal, o menos… Foi-se o peixe mas ficou a amostra.

Contados então, no final do dia e já com algum cansaço, foram assim 5 (cinco!) os belos exemplares que consegui neste derradeiro dia de pesca antes do Defeso! Bom! Muito bom!
Para os três dias de pesca fiz uns pequenos trabalhos no Photoshop que aqui deixo como testemunho e para mais tarde recordar.

Agora resta-me contar dia-a-dia os 60 em que vigorará o Defeso e a 16 de Maio lá retornarei com a ansiedade e o entusiasmo de sempre! O ambiente bonito e puro, o ar bom de respirar, os animais selvagens, o contacto com a Natureza e a própria pesca que me ocupa e desanuvia a mente preocupada e até perturbada, é algo de que não prescindo e que me tem feito muito bem nestes últimos anos. Veremos então se assim poderei continuar e quando verei chegar ao fim este calvário que me criaram… 

segunda-feira, 7 de março de 2016

A MINHA PESQUINHA PROMETE!

Ontem não tive ocasião para escrever sobre o dia da minha pesquinha no dia anterior, sábado,  5 e faço-o hoje, neste interminável e desagradável Inverno, felizmente perto do fim em que dias de chuva e frio, aborrecidos e chatos, não me deixaram partir para matar saudades da minha pesquinha.

Vigiava há vários dias na net as previsões dos “manda chuva” e, não obstante elas me indicarem que teríamos nuvens e chuva fraca, teria de avançar na mesma. O vício mandava e o ver o tempo possível de pesca a encurtar, também… O Defeso aproximava-se, só restaria mais um sábado (12) e, para além disso, tinha imensa curiosidade em observar como estávamos de volume de águas, passado quase um Inverno infelizmente com chuvas pouco intensas a Sul do país.

Choveu sem grande intensidade no Ribatejo e no Alentejo mas, mesmo assim, no passado mês de Fevereiro tivemos alguns dias de precipitação considerável e estava confiante que teria as represas onde costumo pescar cheias. Mas, puro engano…

Chegado ao local, depois de uma viagem com vidros fechados por causa do frio e debaixo de alguma chuvinha fraca e, em que, não fora o vício e mais apeteceria voltar para casa, eis a 1ª surpresa: a pequena represa está longe de estar cheia… Faltam, seguramente, pelo menos 2 metros de altura de água para que isso suceda. Uma tristeza e a convicção de que, se não chover algo de jeito em Março e Abril, ela não aguentará o Verão e, forçosamente, secará… Lamentavelmente…

De manhã, a pesquinha foi “zero”, um “zerinho” bem grande, redondo e chato. Não senti e, sobretudo não vi, um único bichinho naquelas águas. Nem achigãs, nem percas, nada de nada. Dir-se-ia que, por ali, não existia viva alma…  Uma tristeza!...
Fui para o jipe, passei uma vista de olhos pelas notícias principais do “Expresso”, voltei por mais um pouco a tentar a minha sorte mudando de amostra mas… nada. Ali, como em tempos dizia o velho e saudoso companheiro de pesca Carvalho, “eles” estavam “arrecadados”. Feliz expressão que não mais esquecerei.

Fui para o almoço, debaixo de mais um pouco de chuva e ali me queixei ao Fernando: “Fernando, como dizia o velho Carvalho: estão arrecadados!” e, tive como resposta: “É. As águas ainda estão muito frias!”.

Seria para não voltar mas, pescador que é pescador, não teme mau tempo e vai. Voltei, pois e em boa hora o fiz... Fui de novo para o “paredão”, zona mais protegida do vento frio e onde o Sol colocava a água com temperatura mais amena (a cabecinha e a experiência sempre servem para alguma coisa) e, ali estavam eles: Um, de 800 grs que, de peito cheio que nem um perú, logo fui pesar, fotografar e guardar na caixa térmica e de novo retornei, esperançado que a “coisa” continuasse… E continuou mesmo, embora de forma não tão feliz: logo de seguida outro, ainda mais pesado e maior mas que todavia se soltou já bem perto de mim e, logo depois, deu dois sofridos e ofendidos saltos na água e, pouco depois, mais outro que igualmente se foi… Afinal, depois da hora do almoço, os “rapazinhos” deixaram de estar arrecadados…

Satisfeito com as emoções deste 1º dia de pesquinha de 2016, fui de novo um pouquinho para o jipe e, escassos minutos volvidos, vejo chegar um carro branco com dois presumíveis pescadores… Pergunta-me um: “Então, não dão nada?” E, eu desalentado: “Nada! Nadinha! As águas ainda estão muito frias.”

Pescador é mentiroso, né? É isso que se diz…

Afinal, esse que comigo falou não fez mais que meia dúzia de lançamentos e logo partiu ao encontro do companheiro que havia subido a encosta… E eu intrigado… Regressaram alguns momentos depois, ambos com as mãos cheias de… espargos silvestres.

Também vou procura-los e colhê-los no próximo sábado em que conto lá voltar – agora, presumivelmente, já com bem melhor tempo… - para o derradeiro dia da minha pesquinha antes do Defeso, esse danado que começa a 15 e só termina no outro 15, mas de Maio.

Um verdadeiro sacrifício – e suplício! – até lá.

sexta-feira, 4 de março de 2016

EM MARÇO DE 1971, NO CHOUTO DE OUTROS TEMPOS




Hoje recordo este que, seguramente, foi um dos maiores escândalos da minha freguesia natal na época contemporânea:
Há 45 anos, quando da saída para a rua da edição de Março de 1971 do “Jornal da Chamusca”, provoquei um dos maiores “balburdios” na aldeia e na freguesia!
Passo a contar:
Tínhamos então no Casal do Geraldo uma bruxa – ou benzedoura, como então também se lhes chamava – que, na época, estava a agitar as mentes menos esclarecidas do burgo pelo que o então jovem repórter do jornal local – eu tinha na data os 26 anos em que sempre se tenta mudar o mundo… - entendeu por bem agitar as águas e mandar uma pedrada no charco. Recordo-me que na agitação social da aldeia já nalguns casos se falava em divórcios de casais com muitos anos de consórcio e as consequências para esses, para filhos e até, nalguns caos, para netos, seriam graves e inevitáveis. E, o jovem repórter, de sangue na guelra, achou que tinha que agitar as águas e mudar as coisas…
Arranjei como cúmplice corajoso o falecido e meu muito saudoso amigo João da Cruz Galucho que, “pendura” dentro do carro, tinha a missão de, com a minha velhinha “Kodak” escondida, que lhe ensinei a manejar, sacar as fotos possíveis, atraída que fosse por mim a senhora para a rua e aí ele deveria disparar a maquininha. Tudo resultou em pleno.
Não foi fácil e corri algum risco - depressa aliviado porque a senhora não reconheceu o solteirinho ali apresentado como “caixeiro viajante” supostamente casado que andava em difícil relacionamento com a sua esposa… - e, depois de cerca de meia hora de “consulta”, com gravador de voz previamente ligado escondido numa velha pasta de couro ciosamente conservada encima do colo na consulta, onde depois foi depositado um prato com água e uns pingos de azeite que se “escangalhava todo”… - nas palavras da pobre senhora “benzedoura”, saí e o João da Cruz registou as fotos na rua. Pleno êxito na operação, pois!
Trouxe então um género de “pó de talco”, a que a senhora chamou de “pó d’atrair”, que tinha de juntar aos poucos nas cartas que fosse escrevendo à “esposa” e, em casa, também teria se colocar debaixo da almofada da cama sem que “ela” desse por isso…
Quando o jornal saiu no final de Março de 71 foi o escândalo dos escândalos! Houve mesmo um “auto de fé” com vários exemplares a serem queimados no largo da aldeia e o nosso saudoso João da Cruz na ocasião teve mesmo que meter pernas ao caminho e recolher-se em casa para não ser incomodado fisicamente… Mas, ele era, seguramente, o menos culpado… Eu, sim, fui o obreiro daquela “maldade”. Honra seja feita e se diga entretanto que, a mim, grande responsável daquela arriscada façanha, ninguém da terra incomodou. Foram simpáticos e amigos.
Na verdade, culpado era e foi este vosso amigo que, preocupado com o ambiente então existente na freguesia, quis mandar uma pedrada no charco e mostrar a muitos conterrâneos que andavam profundamente enganados e errados e, a senhora – que por sinal era bastante inculta e ignorante, coitada… -, era prematuramente informada por colaboradores/as locais que a informavam de quem iria na vez seguinte à “consulta” e aí ela sabia o que devia “armar” com a suposta padecente. Como na minha vez foi apanhada de surpresa e de mim nada sabia, foi o desmascarar de uma farsa que provocou o escândalo.
Confesso entretanto que, hoje, passados este 45 anos, não sei se teria coragem para arriscar tanto como então o fiz…
Como remate final digo que o escândalo chegou ao Ministério Público e fui chamado a tribunal – Tribunal da Golegã – onde já encontrei em cima de uma grande mesa todos os frascos com cobras, sapos e lagartos em álcool e as muitas fotos molduradas de então militares da freguesia na guerra de África, objectos que tinha visto no local da “consulta”, e no tribunal limitei-me a confirmar tudo o descrito na reportagem do jornal, tendo conhecimento posterior que a senhora foi “recambiada” para um outro qualquer lugar, creio que mais a Sul onde, presumivelmente, continuou a dar os seus “aconselhamentos”…

(Texto e foto publicados na página do Chouto no Facebook)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

MAIS VELHARIAS, MAIS RECORDAÇÕES


Esta imagem, agora copiada da net, traz-me recordações que desejo partilhar:


Meu falecido pai era um verdadeiro enfermeiro da aldeia e a ele recorriam muitos ou talvez mesmo todos os padecentes que necessitavam de alguns cuidados médicos. Era vulgar os doentes, indo à Chamusca ao médico dr. Cumbre ou à “farmácia do Joaquim Cabeça”, estes recomendarem que, depois na terra, procurassem o Zé Azevedo para lhes “dar” as injecções ou para lhes “mudar” os pensos, no caso de feridas. Muito vulgar e, diria mesmo: quase obrigatório.

(A propósito quero recordar aqui, porque me lembro muitíssimo bem que, na época – e falo das décadas de 40/50 do século passado – era muito fácil ocorrerem fortes e valentes rixas não só entre residentes na aldeia como, principalmente, entre habitantes do Chouto e forasteiros de localidades vizinhas. Acontecia com pessoas de Ulme mas, muito principalmente, com gente vinda da Parreira. Era rara a escaramuça que não resultava em murro, pontapé e pedrada e, lembro-me bem porque, sendo eu criança, as cenas sempre me impressionavam, o desenlace acabava por envolver e terminar também muitas vezes em fortes pauladas porque os cajados de pastores, boieiros e eventualmente até lavradores, na época frequentadores das tabernas, entravam em acção e, daí às cabeças partidas e muitas outras feridas, era coisa inevitável e de breves segundos.


Muitas destas sofridas vítimas iam parar às mãos do Zé Azevedo e é daí que guardo na memória essas imagens que então tanto me impressionavam e que, possivelmente, não mais esquecerei. Lembro-me de ver meu pai com uma “gilette” rapar um pouco o cabelo em redor de uma ferida aberta na cabeça de um sofredor que levara forte paulada, água oxigenada e mercúrio-cromo. E também usava, noutros casos um pó, algo de nome “sulfamida”, produto então muito utilizado para cicatrizar rapidamente as feridas.)

Bom, mas comecei a divagar para outro lado e esqueci-me da razão da publicação desta imagem agora apanhada na net…
O que vemos é concretamente uma caixa de seringas: a dita cuja e as suas agulhas com que se infiltravam os medicamentos. No recipiente maior eram colocadas a seringa e a respectiva agulha aconselhada para a injecção; ali se vertia um pouco de álcool e se lançava o fogo para as desinfectar. Extinto o fogo e desinfectadas as ditas, a agulha era aplicada na extremidade da seringa, aspirado o liquido do medicamento e infiltrado no doente, quase sempre numa nádega.

Meu pai “deu” seguramente muitos milhares de injecções a residentes na freguesia e lembro-me especialmente de um senhor de nome José Ferreira, marido de dona Maria Augusta, ambos já falecidos há muito e pais dos meus amigos (Fernando, Diamantino, Álvaro, etc.) ainda hoje felizmente vivos e gozando de boa saúde. O seu pai José Ferreira sofria e sofreu durante vários anos de tuberculose e as injecções eram obrigatórias para combater a contaminação de que sofria. Uma vida de sofrimento a dele e uma verdadeira militância de meu pai, neste e em muitos outros casos idênticos e até piores com doentes graves e em fase terminal de vida, de que bem guardo memória.

Vidas passadas de outro Chouto passado…

Alonguei-me – o habitual… - mas pode ser que alguém aprecie estas velharias…

domingo, 24 de janeiro de 2016

PROF. MARCELO REBELO DE SOUSA, NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA!


E aí temos hoje Marcelo Rebelo de Sousa eleito Presidente da República de Portugal, concretizando assim o que foi possivelmente o desejo de toda uma vida. Não sei se foi exactamente isso em todos os dias da sua vida mas, que o foi seguramente nos últimos anos, disso julgo não ter dúvidas…

O dr. Marcelo Rebelo de Sousa, professor de direito, jornalista, político e comentador político é sobejamente conhecido em todo o país e era logicamente o mais que potencial vencedor desta contenda eleitoral.

Venceu e venceu bem, com maioria, logo à 1ª volta e deixou a léguas a concorrência. Concorrência que afinal era unicamente corporizada e muito leve em Sampaio da Nóvoa, outro professor universitário credenciado mas sem experiência política e sofrendo do desconhecimento do homem da rua sobre a sua pessoa. Para além disso, o ex-reitor da Universidade de Lisboa ainda sofreu da falta de votos dos militantes socialistas de um PS dividido pelos maçons da velha guarda (Almeida Santos, Manuel Alegre , Vera Jardim, João Soares, Jorge Coelho, etc) que, não gostando de Nóvoa, trataram de inventar e fabricar uma candidata fraca, fraca (Maria de Belém) que, para candidata só tinha o apelido e que ainda por cima deixaram que na derradeira semana da Campanha Eleitoral saísse a lista dos nomes dos “deputados fantasma” que recorreram para o Tribunal Constitucional na questão das Subvenções Vitalícias e em cujo grupo constava Maria de Belém. A juntar à fraquíssima campanha, foi a cereja no topo do bolo para que este percurso de Maria de Belém e dos seus amigos maçons, dessa ala que a empurraram para a candidatura, transformasse tudo num verdadeiro desastre…

Marcelo, fez uma campanha única e inédita, sozinho, sem bandeiras e apoios partidários ou arruadas, visitou pastelarias, centros de dia, farmácias, cafés, restaurantes e realizou uma ou outra sessão em pequenas salas, sempre com o apoio de gente da direita, do clero e certamente da sempre discreta mas actuante Opus Dei. Recusou a ajuda de um PSD envergonhado que, pela boca do seu líder, antes lhe havia chamado “cata-vento” e de um CDS, sem candidato próprio e “pendurado” no sucesso pessoal de um Marcelo que, com calma, dia-a-dia, foi percorrendo de carro uma boa parte do país. Venceu, como se esperava e, goste-se ou não do professor e das suas ideias, há que reconhecer que era o melhor preparado para o cargo e venceu naturalmente.

Dos restantes candidatos pouco há que falar, para além de destacar o bom resultado de Marisa Matias, do Bloco de Esquerda (virou moda votar no BE e a juventude contribui muito) e salientar a grande votação no “Tino de Rans”, o calceteiro simpático e inteligente que mereceu o voto de muita gente (foi delicioso ver e ouvir agora na TV o telefonema dele para Marcelo felicitando-o por, logo a seguir a ele que, naturalmente venceu na sua aldeia nortenha, “você foi o mais votado. Ficou em 2º lugar.). Por fim, salientar um facto que considero inédito: que me recordo é a 1ª vez que numas eleições vejo o PCP reconhecer a derrota! Inédito!


E pronto. Em Março Marcelo Rebelo de Sousa tomará posse e partirá para a sua dourada reforma um Cavaco Silva, sem chama, sem cultura, sem jeito, sem nada e que não deixa saudades. A ninguém. Infelizmente.

domingo, 10 de janeiro de 2016

UM BONITA PÉROLA DO MEU BAÚ DE VELHARIAS


Por considerar uma verdadeira ternura a forma como a manas se apresentam vestidas e perfiladas, deixo hoje aqui esta deliciosa foto que terá sido tirada por volta de 1940 numa Feira de S. Pedro do meu Chouto natal e que nos mostra os meus avós maternos Maria do Rosário e Gregório Alves e as suas 4 filhas, Maria (minha mãe), Beatriz, Domingas e Luísa.

Infelizmente, desta minha querida família, linda de interior e exterior, honrada, trabalhadora e de caracter, um a um quase todos já partiram e só temos connosco nesta data entre nós a 2ª menina da esquerda, a minha doce e amiga tia Beatriz.
Todas as outras três irmãs e ainda primeiramente os meus queridos e saudosos avós, já partiram há muito. 
Acho uma delícia a forma como as manas se apresentam vestidas e interrogo-me se, nos dias de hoje, tal seria possível?
Pergunto e respondo: é evidente que não.

domingo, 6 de dezembro de 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

ACHIGÃ - FIM DA ÉPOCA 2015


Neste tão prolongado “Verão de S. Martinho” eu, que andava a vigiar na net as previsões dos “manda chuva”, vi que a partir de sábado (21) as temperaturas começavam a descer e, pedindo dispensa para não ir buscar o Rafael ao colégio nessa tarde de ontem, decidi avançar para uma derradeira visita aos achigãs neste 2015 quase no seu final.

Sai de casa por volta das sete e meia, com o dia a clarear e, pouco depois das nove estava junto da pequena represa. Viagem boa mas não tão agradável quanto o desejado: o danado do denso nevoeiro em pelo menos 80 % do percurso, impediu que a coisa fosse mais agradável. Mas, com mais cuidado e redobrada atenção, correu tudo bem.
À chegada senti o natural friozinho da época do interior do Ribatejo/Alentejo (o local fica na fronteira das duas províncias) e pesquei usando um velho blusãozito que sempre me acompanha nestas épocas desde há muitos anos (nem já o consigo apertar na barriguinha (?) – consequência dos muitos “cozidos” e “feijoadas” ao longo dos anos “mamados”!...) mas que, por volta das 11 horas larguei e guardei no jipe.
Por experiência sabia que nada ferraria naquela manhã – água e ambiente exterior frio e a pouca convicção que, nesta coisa da pesca também conta… - fui mais porque queria dar um saltinho depois de almoço, com o piso já mais seco, até um pequeno charco onde tinha esperança – se não tivesse secado pela falta das chuvas… - de ferrar um ou mais achigãs.
De facto de manhã nada vi ou ferrei e, pelo meio-dia, parti para ver do almoço... No percurso tive uma pequena surpresa: vi umas quantas ovelhas que, tendo furado a cerca, andavam pela estrada comendo bolotas dos sobreiros das bermas… Pensava eu que as ovelhas só comiam ervas e arbustos e desconhecia, ou pelo menos não me ocorria, que também comiam bolotas. Ignorância, né? Fotografei para aqui deixar.
Depois, no restaurante, uma nova, feliz e saborosa novidade: enquanto olhava a lista dos pratos o amigo Fernando, sonda-me:
- Tenho aí um petisco diferente mas se calhar o sr. Azevedo não gosta?...
- O quê? Eu gosto de tudo! - pergunto, curioso.
- Uma sopa de “couves com feijão” que é acompanhada por “petingas fritas”!
- O quê? Venha! Venha já, Fernando! – peço-lhe de imediato, perante o seu espanto.
Um espanto! Um espanto de petisquinho! Num restaurante que frequento há muitos anos, sempre que ali vou para a pesca e onde sempre são servidos os tradicionais mas bem confeccionados e saborosos pratos à base de porco e carneiro, o amigo Fernando neste dia – oh, maravilha das maravilhas! – resolveu inovar e presentear os clientes com as saborosas e únicas “couves com feijão” e as “petingas fritas”!
Um almoço 5 estrelas! De verdade! Ah! As “petingas” e as couves foram regadas com um “jarrinho” (7,5 l) de “Ermelinda”, da região do Sado... “Nadaram” bem as ditas cujas!... Deixo aí a “prova” fotográfica da maravilha ingerida e degustada!
Bem, depois foi então o partir para o “tal” buraquinho, pequeno charco que até nem tinha bem a certeza se não estaria sêco, face à tão grande falta de chuva. O percurso não foi o mais curto para evitar o atravessar da ribeira que, embora ainda leve pouca água, tem o fundo muito arenoso e podia ficar ali atascado com o jipe. Seria o fim da aventura face à distância que, a pé, teria de percorrer para pedir ajuda… (Coisa de carro de 2/3 minutos mas, indo a pé de mau caminho e a subir, nunca demoraria menos de uma hora… Só um maluco pela pesca, como eu, ali vai sozinho…)
Fiz então a volta bem mais acima pela outra herdade onde, para atravessar a ribeira não há perigo porque o fundo da dita está “cimentado” e passa-se com facilidade mas corria e corri o risco de depois o trajecto ser mais difícil, como foi, mas menos sujeito a “atascanso”.
Cheguei ao local e a primeira preocupação foi verificar se ainda havia água… Ainda estava a fazer a manobra de estacionar o jipe e já olhava para o fundo do vale/declive para comprovar…Tinha!!! Tinha ainda água por ali! Uma pequenina poça, mas tinha!
Desci e por ali me entretive cerca de 2 horas. E foi bem agradável confesso, para fecho da época da minha pesquinha! Para além dos diversos pequenos que libertei para crescerem, ferrei um exemplar maneiro e safou-se um outro mais pesado. Esse não quis e assim crescerá até ao próximo Verão…
Fica também aí a foto do baby e a esperança/desejo e também a convicção de que, se voltar a chover dentro de 2/3 semanas e se depois o Inverno for tão generoso e chuvoso quanto o habitual, os bichinhos reproduzir-se-ão e crescerão dentro do habitual e, em Março, daqui a 5 meses, ali poderei voltar a divertir-me.
Assim a saúde e a vida futura me permitam!...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

E, AFINAL, CAIRAM!...

E, afinal, verifico que os passos dados quando, excepcionalmente, fui votar a 4 de Outubro passado com o único objectivo de ajudar a fazer cair o governo Passos/Portas, valeram a pena: o governo não caiu naquele dia mas caiu hoje na Assembleia da República com os votos conjuntos da maioria de esquerda PS/BE/PCP!

É verdade que não acredito na solução dos acordos destes partidos mas, ver ir embora gente que me/nos tratou abaixo de cão, com tanta sobranceria e indignidade (“emigrem”, “piegas”, “desemprego pode ser uma boa oportunidade para mudar de vida”, etc, etc) para além dos cortes efectuados em ordenados e pensões e do enorme aumento de impostos feitos e apresentados sem um mínimo de sensibilidade e até educação – e se mais cortes não foram feitos, foi porque o Tribunal Constitucional não deixou… - só pode dar um enorme alívio verificar que esta gente foi finalmente corrida.
Agora ainda falta saber a decisão do actual inquilino de Belém de onde, em boa verdade, tudo de pode esperar… Mas a sua margem de manobra é escassa e não indigitar o PS para formar governo só provocaria ainda maior crise.
Quanto a esse eventual governo resultante desses acordos agora feitos entre o PS e os BE e PCP, assinados em separado e assim meio ás escondidas, confesso que espero pouco. Direi mais: muito pouco!
Deixo as imagens “oficiais” das assinaturas dos acordos (os jornalistas não assistiram), assinaturas feitas à pressa, em pé e até por cima de cadeiras, numa coisa que, direi, atamancada; nunca reuniram nem assinaram a três; e o PS governará sozinho, com o apoio parlamentar dos outros.
É frágil, muito frágil. Oxalá me engane…

domingo, 8 de novembro de 2015

SEREI XENÓFOBO?

Ontem, juntamente com esta foto, que retirei da net, publiquei este pequeno apontamento na minha página do Facebook e, hoje, repito-o aqui, numa opinião que alguns considerarão xenófoba mas que não me incomoda minimamente:

Apoio e aplaudo a melhor recepção possível aos sofridos refugiados, fugidos da guerra e lamento e sinto todo o seu imenso drama mas, que me desculpem a intolerância, porque dela não consigo fugir, comigo a decidir, a essa "coisa" de preto, aí no centro da imagem, convidava-a a retornar à sua terra...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

E... "OS 71" (SETE - UM) CHEGARAM!...


E aqui estou com os meus 71 (setenta e um)! 

Gosto desta idade e destes algarismos por me fazer lembrar os 7-1 que o meu Sporting aplicou ao Benfica há uns bons pares de anos e que eu tive o privilégio de saborear ao vivo.
Pois então, soma mais um ano este septuagenário!
Foi um dia de aniversário idêntico aos muitos outros que já passaram
Vinda de Crescido/Vouzela de manhã e jantar com a família mais chegada.
Outros se seguirão, quero acreditar e oxalá a chatice que há cinco anos me acompanha dia e noite, todos os dias, vá passando e assim alivie a minha cabeça que, desde então, dia-a-dia, hora-a-hora me apoquenta e preocupa. Face aos cinco anos passados uma das faces do problema já foi ultrapassada, com muito dinheiro gasto e muitas preocupações e noites sem dormir mas, ainda falta a outra face do mesmo problema e, essa, talvez demore ainda mais uns bons tempos… Veremos o que aí vem… Porque eu não duvido que a chatice chegará. Seria excelente se me enganasse.
De resto, quanto à saúde, penso que a coisa vai correndo sem preocupações de maior. Pés e pernas inchadas e uns quilos a mais, coisas de há muitos anos e a que já me habituei… Mas terei de futuramente preocupar-me mais um pouco com esses “detalhes”… Sim, porque já não sou propriamente uma criança…
Deixo aí para a posteridade uma foto do pessoal à mesa e o já tradicional retrato com o Rafael, coisa que se repete há já nove anos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CAVACO, O FRAQUINHO (AINDA) "INQUILINO DE BELÉM"


O "Inquilino de Belém", indigitando hoje a coligação PSD/CDS para formar governo, fez acertadamente o que deveria fazer mas, depois...
Bem, depois, perdeu uma excelente ocasião de ficar calado.
E... eis o perfeito "acordeonista" para manter o "baile armado"!...
Escrevi isto na minha página do Facebook e agora pouco mais acrescentarei para além de lamentar que tenhamos como Presidente da República uma figura tão fraca, tão fraquinha.
O homem, prestes a terminar o seu segundo mandato, vai sair com a popularidade no mais baixo que se viu num presidente, exactamente porque é muito fraco intelectual e politicamente e, mais que isso, nunca conseguiu despir a camisola do seu partido.
Indigitou e bem, quanto a mim, Passos Coelho para formar governo mas, logo depois, não resistiu a catalogar os votos dos portugueses de 1ª e 2ª e borrou a pintura. Borrou e de que maneira.
Para além de não o poder nem dever fazer até se esqueceu que, formado este novo governo e rejeitado como provavelmente será pela maioria de votos dos partidos da esquerda, ele terá certamente de convidar o 2º partido mais votado, o PS, para formar governo e, obtendo este o apoio parlamentar dos partidos mais à sua esquerda, esses mesmos que agora Cavaco “diabolizou” no seu discurso, terá de dar posse a um governo que claramente não será do seu agrado, engolindo assim uma carrada de sapos.
Presidente muito, muito fraco. Tanto que nem merece foto a acompanhar este apontamento…

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

ELEIÇÕES - ESTÁ O BAILE ARMADO!...

O povo é um rebanho e as campanhas bem ou mal feitas têm muita influência nesse mesmo povo e na consequente votação que faz e assim aconteceu ontem nas Eleições Legislativas com a surpreendente vitória da Coligação no governo há 4 anos PSD/CDS.

Eu, que não votava há tantos anos que já nem me lembro, indignado e ofendido pela actuação destes ditos governantes achei que me cumpria exercer o meu voto exactamente para ajudar a derrubá-los. Não que eu gostasse do PS, da sua política e da sua actuação mas sobretudo porque achava que era a única força provável de lhes infligir uma derrota e os fazer sair corridos pela indecência do seu comportamento. Bem me enganei…
Reconheço que a campanha dos socialistas foi má e difícil e, por outro lado, os senhores da coligação fizeram uma campanha inteligente e profissional. Li que foi orientada por um brasileiro que contrataram. A do PS foi um desastre. Amadora, cheia de erros e muito pouco interessante.
Ver uns gajos destes que durante 4 anos aplicaram nos portugueses uma receita duríssima e sobretudo absolutamente insensível de cortes, supressões, despedimentos, fechos de milhares de coisas públicas e, encontra-los ontem como vencedores, custa a entender. Custa mas, é assim mesmo. É verdade que perderam a maioria - valha-nos isso!... -  mas...  ganharam.
Ganharam mas, pela primeira vez temos em Portugal uma maioria de votação e deputados de esquerda. Coisa absolutamente inédita e por isso, ou me engano muito, ou a coisa vai complicar-se … Vai, vai!...
Porque temos em Belém uma figura sem categoria e porque estes resultados eleitorais vêm baralhar muitíssimo a vida política e governativa portuguesa, titulei este apontamento de “Está o baile armado”…

Está, está! Veremos o que vai seguir-se...