sábado, 28 de maio de 2011

SÓ FAZEM MERDA!...


Soube agora que o douto e sapiente Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas decidiu autorizar a caça ao melro e, assim, de acordo com a sábia decisão destes “doutorecos” de gabinete e, anulando uma decisão com dezenas de anos, cada caçador poderá passar a abater diáriamente (!) nada mais nada menos de 40 (!) unidades destas nossas tão queridas e bonitas aves, nossas vizinhas de casas, hortas e jardins que, logo pela raiar da aurora, diariamente, nos acordam com o seu entusiástico e estridente canto matinal.

Tinha-os e ouvia-os no centro da cidade onde morava, tenho-os e ouço-os um pouco mais distante nas fronteiras da povoação e, em ambos os locais delicio-me agora pelas 5/6 da manhã com o seu canto no jardim público que agora me cerca a casa! E, na Beira Alta, pelas cinco da manhã, ouvir os melros cantarem nas árvores do quintal, é um luxo! Um luxo!

Agora, os inteligentes técnicos do Ministério da Agricultura, querem acabar com eles!...

Pelo que sei, a decisão é tão estúpida, tão estúpida que, até os próprios caçadores , inteligentemente, dela discordam…

Mas os técnicos do ministério argumentam que os melros comem os morangos e as cerejas e, portanto, segundo a sua sábia decisão, há que abatê-los.

Sábios “doutorecos”! Inteligentes rapazitos que, feitos em gabinete, construídos no “ar-condicionado”, criados sem o “ar”, o sol, o ambiente e a vivência da terra, das hortas, das culturas, das ervas, das árvores e arbustos da província que criou e formou os seus pais e avós, entendem que a verdade e a vida é o seu gabinete, a sua secretária, as suas estatísticas e os seus gráficos que recebem pela net.

Não conhecem a realidade! Não conhecem a vida real!

Só fazem merda!...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

"DESPACHADO"... DE FÉRIAS


Afinal e ao contrário das minhas previsões de quinta-feira passada, Catroga vai chegar ás eleições…


As hostes do PSD preocupadas com a diarreia verbal do senhor e os consequentes estragos que acarretava tal descarrilamento, trataram de o “despachar” de férias para o Brasil, para onde partiu imediatamente e em absoluto silêncio e de onde se diz que só voltará no dia do acto eleitoral, sem hipótese portanto de causar mais estragos… A não ser que algum jornalista o descubra e lhe coloque um microfone á frente…


Fala-se que, então, e se o PSD sair vencedor das eleições, que será convidado para ministro das Finanças. Pode ser que sim, pode ser que não… Acho eu.


Acredito que Passos Coelho e seus conselheiros até lá ponderarão bem essa decisão e se confirmarem Catroga penso, penso eu, mais tarde vão arrepender-se…


O PSD tem no seus quadros homens mais competentes e sobretudo mais sociáveis e “apresentáveis” para ocupar a importante pasta das Finanças e Catroga, acho eu e certamente não estarei sozinho, é demasiado truculento, incontrolável e tem demasiado anti-corpos na sociedade portuguesa.


Se nos lembrarmos que enquanto ministro de Cavaco, anos atrás, para penhorar algo do F.C. do Porto, não encontrou melhor no então Estádio das Antas que… as retretes… Está tudo dito.


(Cartoon de Henrique Monteiro)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

ELE CHEGA ÀS ELEIÇÕES?

“Em vez de andarem a discutir as grandes questões que podem mudar Portugal, andam a discutir – passe a expressão – pentelhos”, disse ontem o ex-ministro em directo na SIC. (in "Correio da Manhã" online.) Eu ouvi, fiquei de boca aberta de pasmo e interrogo-me: Será que ele chega á data das eleições? Possivelmente muita gente do PSD estará neste momento a fazer igual pergunta...

sábado, 7 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

HÁ 39 ANOS !!!


Grupo bonito, de gente boa – muito boa! – que me acompanhou e á noiva, no dia 6 de Maio de 1972, num dia/marco importante de nossas vidas!

Um casamento, em tempos idos, era sempre um marco importante na vida do pessoal, né?

Agora? Oh! Oh! Oh!

Aconteceu há 39 anos e, hoje, vendo a foto, conto os muitos familiares e amigos que ali estiveram e que já não pertencem ao número dos vivos… Um a um, somo mais de duas dezenas que, nestas quatro décadas nos deixaram nesta inexorável lei da vida!…

Pais, sogros, tios e alguns amigos mais velhos e outros até bem mais novos partiram e resta-nos a saudade, o recordar o seu belíssimo convívio e a sua linda e inesquecível amizade sempre bonita e sempre lembrada para todo o sempre!

É a sempre lembrada e nunca esquecida “lei da vida” e… ontem eles, amanhã nós… todos nascemos, vivemos e morremos...

Caramba! Para onde descambou o meu apontamento de hoje em que festejo o 39º aniversário de casamento...

Lembrar e recordar os já desaparecidos... Porra de mau gosto!...

Coisas da vida. Da vida de todos nós.

Entretanto: Oxalá festeje o 40º aniversário desta bela data com a mesma saúde que hoje julgo ter!

Depois quero contar...

(APARTE: Tentarei pesar então menos uns "quilitos" se... a gula e o prazer da mesa me deixarem... Um vício dum raio!...)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A AVÓ ADELAIDE E O S. FRANCISCO


Dias atrás, falando de “tabefe” ou “almece”, recordei aqui meus avós maternos, com uma breve referência ás suas vidas e ao carinho e sentimento que nos unia, numa comparação com idêntico carinho e amor que nutro pelo meu neto. Não só aqui, como por e-mail, no Facebook, por telefone e até pessoalmente, foram vários os testemunhos de amigos que se sentiram identificados com o tema e que quiseram manifestar-me o seu apreço pelo que escrevi. Agradeço-lhes a gentileza!

Hoje, se bem que não em sentido idêntico – um dia, mais tarde, abordarei sobre eles igual aspecto e sentimento… - e dado que se atinge o 1º Centenário da Lei da Separação Estado - Igreja, criada em Portugal em 2011 pela “batuta” de Afonso Costa – o “mata - frades”, como ficou conhecido -, volto a essa associação de ideias porque, com a efeméride desse acontecimento lembrei-me dos meus avós paternos. Isso: Por estranho que pareça, meu avô José Azevedo – de quem não tenho memória porque faleceu comigo criança… - e minha avó Adelaide Augusta, tiveram algo a ver na Chamusca não tanto com essa lei propriamente dita mas com as muitas convulsões e agitações politicas e sociais vividas, não exactamente no país naquela data mas mais exactamente naquela vila de Portugal onde moravam na data. Não que ambos fossem exactamente uns revolucionários – longe disso! – mas mais por força de um acontecimento ocorrido na Chamusca naquele agitado período e que haveria de marcar as pessoas e seus sentimentos religiosos durante muitos e muitos anos…

Não sei da história com todos os detalhes mas penso que os que conheço são suficientes para podermos avaliar quanto a ocorrência agitou o burgo e, mais que isso e no caso que aqui me interessa, para podermos avaliar quanto minha avó Adelaide era pessoa firme, de carácter e que sabia respeitar os compromissos assumidos.

Vamos então à narração do ocorrido:

Com o Regicídio em 1908 (morte do Rei D. Carlos e do Príncipe Real Luís Filipe) e a consequente Implantação da República em 1910 o país vivia em continuas convulsões político-sociais, a confusão era sempre muita e foi nessa época que, na Chamusca, que logicamente não ficaria a leste de tudo isso, foi determinado fechar igrejas e, mais que isso, tapar (emparedar) os santos nos altares e nichos dos templos. Aconteceu então com uma imagem de um S. Francisco – que penso ser S. Francisco de Assis… - que foi ordenado fecha-la de costa para o templo e criar uma parede no nicho para que não mais se visse. Assim foi ordenado e assim foi feito. Viraram a imagem de frente para o interior do nicho e criaram um parede em tijolo para a ocultar. E é aqui que entra nesta história o meu avô paterno, que devia ser coisa “fresca”… Acho eu…

Que combinam e fazem meu avô com mais um seu amigo - que posteriormente viria a ser seu compadre porque seu filho (Lourenço da Silva) casaria com minha tia (Celeste) -? Pois, nem mais nem menos, apenas isto: Pela calada da noite introduzem-se no interior da igreja, arrancam alguns tijolos da parede do nicho, retiram a imagem do santo, voltam a colocar os tijolos, restauram a parede e… dão “descaminho” ao S. Francisco. Põem o santo em parte incerta e estou a imaginá-los a esfregar a barriga de riso a ver a cena de, quando a agitação passasse e tudo voltasse ao normal e os crentes fossem com pompa e circunstância voltar a querer recolocar o S. Francisco para culto, virado para a frente, encontrassem o nicho vazio…
E não é que aconteceu mesmo assim? Disse-se que até meteu Banda de Música!... Foi a bronca das broncas, como é bem de imaginar e foi uma agitação dos diabos com a natural indignação dos crentes religiosos e a lógica investigação das autoridades...

Logo se apontaram dedos a uns quantos hereges e parece que meu avô e seu amigo e logicamente minha avó não se livraram de fortes apertos. Claro que negaram sempre a autoria de tal façanha e, não obstante o certo empenho das diversas entidades a verdade é que o tempo e os anos passaram e, embora sempre aqui ou ali os chamusquenses falassem do escândalo, a verdade é que o tempo foi fazendo esquecer o assunto, os anos foram voando e o assunto praticamente morreu sem que mais se soubesse do S. Francisco...

Morreu o assunto e morreram também os autores marotos daquele feito… Meu avô morreria por volta de 1945/50 (cerca de 30 anos depois) e o seu amigo, que eu cheguei a conhecer muito bem em Santarém, partiria uns bons pares de anos depois… E, do S Francisco, nada…

É aqui então que entra na história a minha saudosa avó Adelaide...

Por conversa que ao longo dos anos fomos tendo em família, desconfiamos que ela sabia onde estava o S. Francisco escondido... Ela negava sempre mas deduzimos que ela tinha assumido com o marido um compromisso de nunca desvendar o segredo… E, foi de palavra e, nunca quebrou essa jura! Só nos respondia sempre: “Ele um dia aparece!...” e dali não saía…

Passaram muitos anos e quis o destino que o desenlace se desse com ela ainda viva…

Seu genro Lourenço da Silva herdara do pai não só a casa na Chamusca onde vivia como uma outra ao lado e um amplo quintal contíguo a ambas. Anos depois resolveu desanexar o quintal das casas e vendê-lo para o comprador fazer um prédio para sua habitação. Contratou um empreiteiro de Albergaria dos Doze e, é a fazer as fundações desse prédio ou de seus anexos que, arrancando uma velha oliveira, escavam o solo e… - surpresa das surpresas! – encontram enterrada uma imagem de um santo!... Era o S. Francisco!... Era o S. Francisco que ali permaneceu “sepultado” meio século!

Pode imaginar-se a sensação de minha avó e a nossa própria reacção a interrogá-la: “Afinal, o S. Francisco estava aqui enterrado mesmo ao lado, debaixo da oliveira, você sabia e nada nos disse?...” Pelas suas reacções víamos que tinha uma promessa feita ao marido e cumpriu-a… Foi valente!

Foi valente, foi de carácter e, não fora por mais, só por isso mereceria todo o meu respeito e admiração.

EM TEMPO – Conheço pouco mais do resto da história relativamente ao destino do S. Francisco… Sei que, ou por isso ou por outro qualquer motivo, o empreiteiro e o dono do prédio (Francisco Monteiro, entretanto já falecido) travaram-se de razões e o empresário levou a imagem para sua casa de Albergaria dos Doze... Meteu tribunal, forte contenda e, pelo menos durante muitos anos, o S. Francisco não voltou á Chamusca e ao seu nicho na igreja… Hoje não sei onde está mas não me consta que esteja no seu devido lugar, de onde o meu atrevido avô e seu comparsa o retiraram há 100 anos atrás…

segunda-feira, 11 de abril de 2011

NÃO CONSIGO ENTENDER...


Sendo do conhecimento geral que estão a chegar os senhores de Bruxelas e do FMI que nos vão impor regras de conduta económico/financeira para os próximos anos e que, a fazer fé nas notícias, não andará muito longe de ficarmos a “pão e água” e sabendo por ter sido bastas vezes noticiado que o dr. Eduardo Catroga está há semanas a elaborar o Programa do Governo do PSD para apresentar na próxima campanha eleitoral, manifesto aqui a minha muita interrogação sobre que programa poderá estar a ser construído?...

Mais concretamente: Perante o dramático cenário que aí vem, com medidas que imaginamos mas não temos concretos números de valor e tamanho, como é possível construir um programa de governo minimamente assente em dados concretos, fiáveis e credíveis?

Não consigo entender…

domingo, 10 de abril de 2011

NOBRE "CAMBALHOTA"...


Perante a espectacular cambalhota hoje noticiada – leia-se: gigantesca traição aos seus eleitores !...– com a aceitação de Fernando Nobre, ex-candidato à Presidência da República, como cabeça de lista do PSD na lista por Lisboa, ainda que como independente e o já seu prometido cargo - leia-se “tacho”… - de Presidente da Assembleia da República – 2ª figura do Estado! -, confesso que gostava de ter observado a reacção de duas famosas figuras políticas no momento em que dela tiveram conhecimento…

Assim, imagino, deve ter acontecido com estes dois:

Mário Soares: Vomitou…

Manuel Alegre: Mijou… De tanto rir…

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O TABEFE E OS AVÓS


Vindo directamente da região da Vidigueira, bem no interior alentejano, a senhora da mercearia aqui do bairro voltou a arranjar-me mais uma porção de Tabefe - ou Almece - (no tempo da minha meninice na aldeia chamávamos-lhe “Atabefe” e “Almerce”… ) e eis uma boa razão para, ao saboreá-lo, me vir á memória mais uma vez os meus saudosos avós maternos (com a avó paterna convivi menos na minha idade de criança…) e, agora, aqui, por associação de ideias e sensações, vir também à questão o meu neto e toda a envolvência sentimental e familiar que ela encerra…

Os meus avós maternos – avó Maria (“Ti Maria Arroteadora”, como era conhecida e avô Gregório Alves) – eram gente da boa! Trabalhadores incansáveis, muito honestos e, embora os dois analfabetos, sabendo fazer contas de cabeça, não se deixavam enganar facilmente com as mesmas...

Vindos do concelho de Abrantes com as suas 4 filhas, moças jovens, bonitas e bem robustas para trabalhar no campo, pele fina da sua saudável juventude, embora tostada pelo sol da charneca, dos arrozais e das searas de sequeiro nos montes, elas eram para os pais forças extras e muitos importantes no arrotear da propriedade que os pais haviam tomado de renda ao senhorio, oficial da Marinha, que herdara a propriedade de seus pais e deles recebia anualmente a contrapartida da renda em dinheiro vivo e produtos das colheitas. Acontecia no final das mesmas, pelo S. Miguel, no término do mês de Setembro.

Arrotear e cultivar as terras bravias e depois semeá-las e tirar delas os produtos para o seu sustento e proveito, não era tarefa fácil mas, antes, muito dura e recordo bem de minha mãe contar que, ao nascer do sol, depois de calcorrearem ás escuras montes e vales, já elas - ela e as irmãs - estavam junto ao “pão” para o ceifar e atar, antes que o calor do sol o secasse e abrasasse, para depois ser carregado e levado para a eira. Era transportado em carros de bois e lembro-me do meu avô ter 3 juntas dos ditos (leia-se, em boa verdade, vacas…) que muito os ajudavam na labuta agrícola.

Porque nasci e fui mantido enquanto criança muito junto desta realidade, para além de guardar na memória muitas cenas deste quotidiano, cresceu em mim para com meus avós uma muita estima, um apreço e uma consideração grandes que me levou a sempre os estimar e até mimar, já nos seus últimos anos das suas vidas, com a maior estima e carinho. Eram pessoas excelentes de humildade, de sinceridade e beleza não só exterior mas, sobretudo interior!

Por isso e naturalmente pelo sangue que corria nas veias, nasceu e aumentou ao longo dos anos em mim um particular carinho e amor pelos meus dedicados avós e quero hoje prestar-lhes aqui uma pequena mas muito singela homenagem publicando sentidamente a sua foto como preito de reconhecimento, admiração e agradecimento pelo muito que por mim fizeram enquanto criança, pelo carinho e dedicação que me prestaram e que eu, já na sua velhice, tentei retribuir fazendo-lhe o melhor que sabia e podia para que tivessem um final de vida tão feliz e descansado quanto bem mereciam.

E é por isto e assim, como natural e normal associação de sentimentos e paixões, que quero agora registar um bem igual sentimento de particular amor e carinho que dia a dia, ano a ano, vou sentindo pelo meu único neto, num amor e carinho que sinto ser recíproco por também nele se notar com o passar dos anos, uma maior dedicação, um maior carinho pelos avós.

São sentimentos algo diferentes daqueles que sentimos pelos filhos e dou comigo a fazer e dedicar cuidados ao neto que não fazia ao filho… A idade, o calo da vida, as paixões já sentidas e passadas talvez levem a isso mas a verdade é que o que se sente pelos netos é muito diferente do que se sentiu e sente pelos filhos. Ouvia dizer isso, não tinha essa experiência mas, agora, confirmo como real.

E quando se passa como pelo hoje vivido aqui em casa quando o Rafael chega e, correndo para mim, abraçando-me pela cintura, onde ainda só dá a sua altura e, apertando-me me diz: “OLÁ, AVÔ LINDO!”, como fica um avô?

Uma delícia!

Um encanto!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

AMIGOS, "ISTO" NÃO É NADA!...


Depois da vitória da principal equipa de futebol do F.C. do Porto sobre o Benfica no Estádio da Luz , em Lisboa e na sequência da escala de agressividade, insultos, agressões, carros incendiados, ataques mútuos a dependências e até emboscadas e pancadaria dos últimos anos, tivemos ontem na Luz a cereja no topo do bolo com o Benfica a apagar a luz do relvado e a ligar a rega do mesmo para impedir os festejos dos novos campeões.

Tenho amigos dilectos e queridos em ambas as hostes de adeptos dos dois clubes e estimo e dedico igual amizade a todos eles mas tenho que lhes dizer que pretenso a uma esquadra – face a esta verdadeira guerra parece que este será o melhor termo para me expressar aqui… - que, felizmente, ao longo dos tempos, vem pautando a sua actuação por procedimentos muito diferentes destes.

Podem dizer-me os meus amigos que mais cedo ou mais tarde o Sporting também fará esta mesma triste figura - e ainda bem há poucos dias, embora no seu seio, uns quantos rapazolas tiveram mau perder nas eleições do clube e provocaram igualmente cenas bem triste... - e eu não poderei pôr isso em discussão mas, há um facto que, eu , aqui e agora, afirmo: Até hoje, a nivel de dirigentes e gente responsável da instiuição, nunca vi o meu Sporting actuar como vejo o F.C. Porto e o Benfica actuarem e, sobretudo, espero nunca poder ser testemunha de uma cena como a de ontem em que, uma clube visitado não respeita o vencedor e lhe apaga as luzes e liga a água da rega para impedir os naturais e lógicos festejos.

Acho isto inimaginável!...

Nunca vi o Sporting fazer uma cena destas e se eventualmente isso presenciar no futuro, aqui estarei para o condenar como mau perdedor, anti-desportivo e ter ao seu serviço dirigentes sem dignidade. Isso: Sem dignidade!

O que estamos a assistir, meus dedicados e bons amigos do Benfica e do F.C.Porto, não é nada!

Nada!

E os dirigentes dos dois clubes - os que devem ser e dar o exemplo! - que travem!

Travem enquanto é tempo...

Amanhã já será tarde...

segunda-feira, 28 de março de 2011

EFEMÉRIDE - O DIA EM QUE FUI À BRUXA!


Vivíamos o ano de 1971 – faz agora 40 anos! - e o seu mês de Março caminhava para o fim, com os meus 26 anos estava na idade da juventude em que se contesta tudo, se ambiciona ter influência e melhorar e mudar o mundo e, eu, escrevendo nos jornais, sendo muito conhecido no meio que me circundava, não fugia à regra…

O extinto e nosso velho “Jornal da Chamusca” tinha nascido um ano antes e eu pertencia aos seus quadros desde a 1ª hora. Tinha “carta branca” para escrever o que queria e sobre que queria e cheguei a fazer algumas reportagens talvez com algum interesse – uma, bem no interior da charneca do concelho da Chamusca, onde as pessoas viviam como que no sistema feudal, ficou-me na memória… - e por esse facto e também pelos muitos espectáculos e festivais que apresentei, em organização do jornal, este escriba era figura bem conhecida da região.

Foi neste quadro que tive conhecimento nesse mês de Março de 1971 que no interior da minha freguesia, num casal (povoado) perto do Chouto, tinha “caído”, vinda não sei donde, uma “benzedoura”, ou bruxa, como é mais vulgarmente conhecida.

Os seus “dons” depressa se espalharam pela zona e a freguesia à curandeira ia aumentando ao mesmo ritmo, ia eu sabendo depois, quanto os problemas que a senhora ia criando nos lares entre os esposos já que, segundo se dizia, ela apontava com frequência, ás queixas das “pacientes”, o motivo ter origem na existência de supostas amantes…

Claro que a situação começava a deteriorar-se nas respectivas casas e daí começar a falar-se em separações era um pequeno passo…

Foi neste quadro que este maluco rapaz de 26 anos, pensando que seria impossível conseguir uma entrevista para o jornal com clientes ou “benzedora”, resolveu actuar. Como fazer? Ora pois, isso mesmo: Ir solicitar uma “consulta” à prendada senhora...

Pensei no assunto e de imediato pu-lo em prática tendo o cuidado de tudo fazer com o maior sigilo para que a senhora, com a inesperada chegada da minha pessoa nada soubesse (só me esqueci – não há crime perfeito… - que as vizinhas dela conheciam-me e aconteceu que uma delas, enquanto eu estava na “consulta”, abeirou-se do João da Cruz Galucho – meu saudoso companheiro desta aventura! – que estava sorrateiramente dentro do meu automóvel com a missão de tirar fotos “à sucapa” – e interpelou-o “Que veio ele aqui fazer? Ele não é destas coisas… Veio para fazer barulho!...” Mas felizmente não passou disto e não lhe deu para ir interromper a “sessão” o que daria uma bronca bem complicada…

Pois então muni-me de um velho e pesado gravador portátil (no tempo não havia coisa mais pequena…) que tinha comprado cinco anos antes com o dinheirito que recebi da mobilização para a guerra (recebíamos assim como que um rebuçadito…) meti-o dentro de um velha pasta de cabedal do meu pai (pode ver-se na foto) e, depois de convencer o saudoso amigo João da Cruz e instruí-lo sobre o funcionamento da velhinha kodak, pedi-lhe que nunca saísse do carro e, dali, sem ser visto, captasse o que pudesse, se possível eu com a senhora, que atrairia para perto da viatura.

Não vou aqui descrever detalhadamente toda a sessão que me impressionou fortemente e me fez interrogar de como era possível alguém acreditar numa pobre daquelas, mulher profundamente inculta – rústica, analfabeta! – num português absolutamente arcaico e primitivo e, muito, muito ignorante.

Para que o meu trabalho produzisse o efeito que pretendia – escândalo e como que um choque nas pessoas que acreditavam naquilo – eu teria que apresentar á bruxa elementos falsos, para provar que ela não possuía qualquer dom fora do comum… Assim, para além de lhe fornecer um nome falso, disse-lhe que era Caixeiro Viajante, que era casado e que me dava muito mal com a minha mulher. Tudo ao contrário da realidade da minha vida e que as pessoas bem conheciam.

Jamais me esquecerei daquela cena! Sentado numa cadeira, com a pasta com o gravador no colo, uma mesa com velas acesas e cheia de fotos de homens, mulheres, crianças e sobretudo militares de camuflado vestido (no tribunal depois veria também alguns frascos com sapos, rãs, cobras, etc. mas ali não me recordo de os ter visto…), 2 ou 3 crianças de 6,7 anos a assistirem, ela com um prato com água onde deixava cair umas gotas de azeite e depois fazia a sua análise ao comportamento do azeite na água…

Rezava uns “Pai Nosso” e umas “Avé Maria” e dizia que o meu azeite se “escangalhava” todo e acabou por me “receitar”, coisa que logo me forneceu, um “pó d’atrair”. Isto mesmo: A senhora receitou-me “pó d’atrair” que deveria colocar aos pouquinhos debaixo do travesseiro na cama, espalhar também um pouquinho pelos lençóis e, em viagem, se escrevesse à esposa, deveria meter também dentro do envelope…

Depois da aventura e de imediato, logo ali a 500 metros parei o carro para comprovar se o gravador tinha gravado e, tinha. Saltei de entusiasmo e só não sabia se as fotos do João estariam bem, coisa que só se saberia depois da revelação (o digital nem se sonhava com ele…).

Depois, depois foi a bronca quando a reportagem saiu no “Jornal da Chamusca”! Algumas pessoas sentiram-se atraiçoadas, outras gozadas e, muitas, ofendidas. Essa não era a minha intenção, devo confessar, porque só pretendi demonstrar que tudo aquilo era uma trapalhada sem jeito, uma falta de cultura e até mesmo uma vigarice.

O jornal foi queimado na praça pública - imagine-se a cena!... - e o pobre do João da Cruz ainda sofreu algumas ofensas e numa das vezes teve de bater em retirada para não sofrer as consequências... Devo todavia confessar que a mim e a minha família nada nos aconteceu e ninguém me abordou fosse como fosse. Só fui a tribunal...

Passados uns dias da bronca sair no jornal, recebi uma convocatória e fui ao Tribunal da Golegã. Já lá tinham todos os objectos que a bruxa tinha para as suas práticas – foi lá que vi os tais frascos com os animaizinhos dentro – e limitei-me a confirmar a autoria da totalidade da reportagem e mandaram-me embora.

Da bruxa saberia posteriormente que foi convidada pelas autoridades a desaparecer dali e, possivelmente, deve ter montado “banca” noutra zona…

Agora que se completam 40 anos sobre esta aventura – foi uma aventura e não foi pequena!… - registo aqui a efeméride que na data provocou grande bronca na região.  

quinta-feira, 24 de março de 2011

OBRIGADO, ARTUR AGOSTINHO!


Um dia depois do funeral de Artur Agostinho e também um dia depois da queda do governo PS, depois da rejeição na Assembleia da República do seu PEC4 e do imediato pedido de demissão de Socrates, talvez fosse lógico pela sua importância que aqui abordasse este último facto mas, não o farei…

Estou farto destes políticos e destas politicas e não quero saber deles para nada. Que se lixem! Que se entendam! Que vão para o diabo que os carregue porque o que temos vindo a observar ao longo dos tempos é maus de mais. Muito mau.

Agora voltam a mandar os portugueses votar e, de mim, terão mais um enorme manguito… É absolutamente impressionante como estes gajos de bolsos e barriga cheia brincam com tudo isto, esquecem o português comum que, na sua grande maioria está pobre, triste e não encontra perspectivas e motivos de animo para o futuro.

Demasiado mau para ser verdade mas, é isso mesmo que temos nesta terra, neste país, aqui e agora…

E falo então desse excelente profissional da comunicação, desse homem bom, educado, cavalheiro e cidadão exemplar que se chamou Artur Agostinho cuja morte inesperada e por isso ainda mais sentida ocorreu dois dias atrás, depois de um internamento de oito dias em Santa Maria.

Artur Agostinho tinha sido distinguido no passado dia 28 de Dezembro pelo Presidente da República com a Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, facto que o deixou muito feliz segundo confessou e ninguém diria nessa data, ainda nem com 90 dias passados em que se apresentava com tanta vitalidade não obstante os seus 90 anos que hoje estaríamos a falar da sua partida do mundo dos vivos.

Porque era um homem que conhecia há muito – desde os meus 13 nos! - e porque acompanhei sempre com vivo interesse e muito apresso a sua excelente actividade profissional – para além dos excelentes relatos de futebol que fazia, dos belíssimos espectáculos que apresentava – os Serões para Trabalhadores, antes do 25 de Abril, era um trabalho prefeito! - recordo-me bem das suas magníficas reportagens aquando do Terramoto de Agadir, em Marrocos! – para além da sua irrepreensível vida pessoal de homem e pai de família, senti muito pesar pela morte de Artur Agostinho e quero aqui registar esse mesmo facto.

Tenho por hábito acompanhar num último adeus pessoal figuras públicas que ao longo da vida fui apreciando e admirando e a exemplo do que fiz com Joaquim Agostinho, Miguel Torga e Amália Rodrigues, deveria e queria estar hoje no funeral de Artur Agostinho mas, infelizmente, outros compromissos familiares graves aqui em casa impediram-me de estar no último adeus. Coisas e surpresas da vida que por vezes acontecem e que não podemos ou devemos contornar…

Fica então aqui a minha sincera e sentida homenagem a este homem bom, grande comunicador e excelente profissional!

Obrigado, Artur Agostinho!

Descanse em paz!

segunda-feira, 14 de março de 2011

JAPÃO - TRAGÉDIA IMENSA !


Horríveis, chocantes e terríveis são as imagens que nos têm chegado do Japão desde as primeiras horas da manhã de 11, dia em que um terramoto do grau 8,9 (!!!) abalou aquele país tendo-se seguido um marmoto (tsunami) com as imensas e dramáticas consequência de que temos vindo a receber notícias e que, forçosamente, para além do incalculável prejuízo, terá provocado muitos milhares de mortos. Milagre seria se assim não fosse…

As imagens são por demais chocantes e trágicas! Dizem-nos que o mar entrou pela terra ao longo de toda a costa, numa extensão de 2.000 Kms, tendo em certos casos avançado pela terra adentro 10 a 12 Kms e isso faz supor que a tragédia terá sido gigantesca e inimaginável.

Mas, o drama ainda poderá ser muito maior a partir do momento que se noticia que há centrais nucleares atingidas pelo tsunami e prestes a libertar radioactividade com todas a imensas e terríveis consequências que se adivinham – ou talvez nem dê para imaginar…

Os técnicos japoneses conscientes da enorme gravidade da situação tudo estão a fazer para evitar uma tragédia maior mas, na data em que escrevo, muitas dúvidas e interrogações se põem de natural preocupação sobre todo este imenso drama.

Volta a pôr-se em causa o nuclear e vejo com alguma surpresa que os seus defensores estão em silêncio…

Em silêncio absoluto.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A MUDANÇA E O CANSAÇO

É sabido como são cansativas as mudanças que por isso mesmo sempre são evitadas e só concretizadas quando mesmo necessárias.
 
No caso particular deste escriba ela tinha mesmo de acontecer e por isso houve que meter mãos à obra…

E que obra!…
 
Desde quinta-feira, 24, já no novo “barraco” ainda que sem toda a mudança concluída, devo confessar que não cumpri totalmente a minha missão porque, a 48 horas do seu término, “dei o berro”...

Francamente, confesso: Na sexta a coluna queixou-se em demasia e as dores forçaram-me ao ko. Não fora a prestimosa ajuda final de familiares e amigos e não sei como seria…

Tivemos o bom senso de entregar a uma empresa apropriada o maior volume dos tarecos mas, estupidamente, deixamos para nós as pequenas coisas, a tralha mais miúda, convencidos que seria fácil mas enganamo-nos redondamente. Redondamente.

E quanta tralha apareceu? Credo! 

Sexagenários e num casamento de quase 40 anos, vai-se juntando muita coisa e, depois, quando surgem estas situações, é que é o “cabo dos trabalhos” para fazer a mudança.
 
Mas, pronto, ela concretizou-se e deixamos para outro o cansaço das escadas e a “guerra” da falta de estacionamento que diariamente me atormentava na anterior residência.

Chegamos ao fim com a língua de fora e sobretudo com dores na coluna até mais não mas, agora, com calma e uns analgésicos de apoio, talvez tudo volte ao normal.

Tem de voltar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TABEFE


Há muito não comia e quase poderia dizer que já nem bem me recordava do sabor, tantos foram os anos passados e, agora mesmo, à merenda, matei saudades: Tabefe.

O tabefe, cujo sabor me fez recuar até á minha meninice, nos anos 50, quando este delicioso soro, fabricado magnificamente pela minha saudosa avó Maria, mãe de minha mãe, com leite de ovelha e cabra, bem me ajudou a criar.

Ia buscá-lo de bicicleta, com as pernitas enfiadas pelo meio do quadro da dita cuja ao Anafe do Meio, junto ao Chouto onde meus avós residiam porque aí arroteavam as terras e granjeavam as mesmas e a sua própria vida.

Chegado a casa juntava-lhe um pouco de açúcar e deliciava-me com o delicioso sabor do tabefe acabadinho de fazer. Uma maravilha!

Uma maravilha que agora revivi e voltarei a repetir em futuras compras, aqui na mercearia da rua.

Mercearia daquelas “á antiga”, que recebem as nossas encomendas, nos tratam com civilidade, gentileza e amizade. Sem os artificialismos e “por atacado” , como nas grandes superfícies que abundam e nos sufocam aqui na grande cidade e que detesto.

Detesto!

domingo, 23 de janeiro de 2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CHOUTO - APLAUSO PARA PRESIDENTE!


Palmas de forte aplauso para a decisão do meu conterrâneo e amigo João Gabriel Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia do Chouto (Chamusca), noticiada no semanário “O Mirante” desta semana que, preocupado e incomodado com a situação existente há já uns meses na minha aldeia e freguesia natal, sem médico para assistir ás maleitas de uma população maioritariamente idosa e por isso com muitos e variados achaques, teve a importante e feliz ideia de optar por contratar um médico privado para consultar os seus concidadãos.

Numa decisão muito louvável e que aplaudo com franco prazer, João Gabriel, ainda que eleito numa lista de comunistas, mandou ás urtigas a política e as suas ideologias e tratou de arranjar um médico privado para cuidar dos seus conterrâneos que o elegeram e por quem certamente sente um compreensível dever de apreço e servidão.

Aplausos! Aplausos mais que merecidos!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

COMENDADOR E SENHOR !


Recordo-me de ver amiudadas vezes Artur Agostinho nos finais da década de 50, na zona dos camarotes do antigo Estádio José de Alvalade quando ele, já jornalista relator famoso, aos microfones da então Emissora Nacional nos deliciava com os seus relatos de um entusiasmo, isenção e paixão particularmente impressionantes.
 
Eu era então um rapazito de frequentava com muito à-vontade não só aquela zona como todo o estádio, inclusive o relvado, por via do ”livre trânsito” que correspondia ás funções de director do meu padrinho de baptismo e recordo-me que olhava para Artur Agostinho com particular admiração.

Depois disso acompanhei como todos os portugueses as sua imensa e magnifica actividade não só na rádio, como nos jornais, no cinema, na publicidade e na televisão e recordo-me como, em reportagem sobre o terramoto em Agadir, deixava os ouvintes agarrados aos aparelhos a ouvir as suas empolgadas reportagens. Um verdadeiro espanto! Algo de fantástico e inolvidável! 

Tendo completado no passado dia de Natal os seus 90 anos de vida, Artur Agostinho viu hoje o Presidente da Republica Cavaco Silva atribuir-lhe a bonita Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada numa cerimónia muito expressiva, bem gratificante e muito justa!

Associo-me a esta belíssima homenagem e desejo a Artur Agostinho saúde e forças para prosseguir a sua magnífica carreira e a sua exemplar vida de jornalista, chefe de família e homem! 

Um exemplo! 

Um senhor!

sábado, 18 de dezembro de 2010

TI ROSA MARIA - 90 ANOS!


Vinda do mini-mercado encontrei-a na rua, de saco de rações á cabeça e, de chofre, perguntei-lhe:
- Posso tirar-lhe um retrato?
- Para quê? – respondeu, sorridente.
- Gostava de ficar com uma foto sua… – acrescentei…
- Quem é você? – quis saber.
Surpreendido, perguntei-lhe:
- Não me conhece?
- Não! Quer isso para pôr onde?...Como se

chama aquilo? (Fazia alusão a um filme que o Raul Caldeira, da Chamusca, em Outubro captou no telemóvel com Ti Rosa a entoar uma pequena canção dos seus tempos e que depois publicou na net…)
- Internet. Chama-se internet. - Digo-lhe, ao que me responde:
- Pois. “Sê” lá o que é…


Não me reconheceu de imediato mas, na verdade conhece-me desde criança e, á minha observação: “Tem um filho da minha idade…” , pondera uns breves instantes e pergunta:
- É filho do sr. Zé Azevedo, que Deus tem?...
- Afinal, sabe quem sou… - respondi.
- Estive aqui a pensar…
- A senhora está com 90 anos!
- Estou! Estou! – respondeu, segura!

Aconteceu há pouco no Chouto, minha aldeia natal, eram cinco da tarde, com uma temperatura gélida e um vento cortante que a todos afastava da rua.


Tia Rosa Maria Vital, de 90 anos (noventa anos!) necessitava de rações para os pintos e veio comprá-las ao mini- mercado, no outro extremo da aldeia, assim mesmo, sem preocupações maiores de agasalhos, como a foto documenta. Ligeira, despreocupada, nada constrangida pelas contingências climatéricas do dia.

Conversamos mais um pouquinho e lá partiu de saco á cabeça, hirta, direita, de passos curtos mas ligeiros, magnificamente ligeiros para os seus difíceis 90 anos de vida, dura e sofrida nas lides agrícolas e de dona de casa, marido boieiro de profissão e três filhos nascidos e criados.

Entrei para o carro de regresso a Lisboa e comprovei a temperatura exterior: Uns gélidos 6º (Seis graus!)!


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

HÁ 41 ANOS, UM DIA FELIZ!

Aconteceu exactamente há 41 anos, no dia 7 de Dezembro de 1969 e, forçosamente, terei sempre que recordar esta data que acabou por constituir uma das mais felizes da minha vida! 

Nesse dia embarquei em Luanda no paquete Império, iniciando a viagem de regresso a casa depois de ter terminado a minha participação na Guerra de Angola e, na véspera, tive o cuidado de fotografar o “bichinho” atracado ao cais esperando pelos pobres coitados que tinham sido obrigados durante mais de dois anos a dar, a perder e a arriscar as suas vidas em prol de uma causa que veio a verificar-se absolutamente perdida…

Fica a foto do paquete Império atracado no cais do porto de Luanda para me transportar durante uns dias até Lisboa, naqueles que seriam, seguramente, dos dias mais felizes da minha vida.