terça-feira, 18 de julho de 2017

TIO ZÉ E SEU INVEJÁVEL SENTIDO DE HUMOR


Gozando ainda Tio Zé “Pisco” de uma aparente boa saúde para a sua já provecta idade (91) e mexendo-se também com muito assinalável agilidade (trabalha e cultiva as terras quase como há 15 ou 20 anos atrás), adicionados esses importantes factores à personalidade de que é portador e ao seu invejável sentido de humor que em toda a sua existência sempre o caracterizou, talvez encontremos o segredo para a forma como vem vivendo e atravessando, aparentemente bem, a duríssima transe porque passa e que é, sem dúvida, a mais difícil e complicada da sua vida.

Já o escrevi aquando da partida brusca e sofrida da Tia Tina e repito-o: ocorrida a morte e sofrida a perda, há que de imediato reter todas as atenções nos que ficam e, se logo aí temos o idoso Tio Zé, seu fiel e dedicado companheiro dos últimos 62 anos das suas existências, é dele que nos temos de preocupar e é isso que, como assinalável relevo venho assistindo, quer primeiro dos seus filhos, quer depois de restantes familiares mais próximos.

A Bela e o Tó Zé (bem como o João e a Graça, genro e nora) têm sido absolutamente incansáveis para acompanhar e acarinhar o seu bom pai e eu sei que ele reconhece e aprecia tanta dedicação, tanta estima e tanto amor.
Tem sido um trabalho e uma dedicação impressionantes e que ele bem merece.

Acontece apenas, segundo a minha fraca análise, que o nosso Tio Zé está a atravessar benzinho apenas esta fase da “partida”, do falecimento, mas faltará muito possivelmente a não menos complicada fase da “falta” e, essa verificar-se-á provavelmente no frio e complicado Inverno beirão em que não terá o carinho e atenção da dedicada e velha companheira à lareira, a fazer a cama, a aquecer o quarto. E também não a terá com a mesa posta e a comidinha feita esperando-o à chegada das terras.

Ele já pondera isso mesmo quando diz e repete sem cessar:
- Agora vou para as terras, semeio, rego, cultivo, colho, vejo quem passa na estrada, converso na rua com um ou outro e distraio-me mas, chego a casa e… não há luz… Tenho a luz apagada...

Imagem realista de um homem que viveu 62 anos com uma mulher em que, os dois, eram a unha com a carne. Para onde ia um, ia o outro e, quando um se ausentava, o outro preocupava-se em saber do seu paradeiro. Quantas vezes ouvi a Tia Tina perguntar:
- Onde foi o Zé? Não esteve aqui?
E quantas outras vezes ele não me perguntava:
- A Tina, já foi para baixo?

Tudo perguntas, conversas e situações que marcaram uma época, tiveram um fim e que agora é urgente deixar para trás.E eu quero acreditar que Tio Zé as vai ultrapassar de forma mais ou menos satisfatória. A sua personalidade e o seu muito sentido de humor fazem-me prever isso.

A todo o momento tem e ele faz uso desse sentido de humor de forma invejável e até mesmo impressionante e estou em crer muito o ajuda a viver, como o daquela hora em que velava o corpo da sua amada companheira e, recebendo as condolências de um amigo que tarda em arranjar noiva e casar, com fina ironia lhe lembrou:
- Olha, tu não vais passar pelo que estou a passar!.

Um espanto! O Lelo, surpreendido, saiu da capela e veio segredar-me:
- Sabe o que ele me disse ao ouvido? Que eu não vou passar pelo que ele está a passar.

Este é o humor refinando e inteligente do sofrido Tio Zé que, todavia, não se fica por aqui, como é de calcular. 
Ainda há pouquinho, almoçando aqui comigo e com a Tense, quando conversávamos os três e indagávamos qual dos filhos, que se escalaram para, alternadamente, todas as noites virem jantar com ele e acompanhá-lo na noite viria hoje, ele, depois de nos dar essa informação, nos "atira" e nos deixa positivamente de boca aberta, a olhar um para o outro: 
- Eles têm medo que eu lá meta alguma gaja!…

Pouco faltou para cairmos das cadeiras, perdidos de riso…

Incrível! Incrível e invejável este fino humor do nosso Tio Zé!

NOTA - A foto que junto é da manhã do dia 16 deste mês quando, vindo de regar - "andei a regar os meus tomates", disse... -  e a exemplo de muitas outras vezes, Tio Zé passou para me cumprimentar e conversar um pouquinho antes de seguir para o almoço.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

PATUSCO MOMENTO



Imagem do sorridente amigo António Rainha, naquele que, para mim, considero dos mais patuscos momentos vividos no nosso recente convívio de “Jovens de Ontem” no meu Chouto natal.

Porque sorri ele e porquê patusco? 
Eu explico: Durante a minha estadia em Angola na guerra correspondi-me com dezenas de familiares e amigos e, como guardo tudo e mais alguma coisa, tenho ainda bem conservada toda essa correspondência travada. Entre ela estão muitos aerogramas, que era assim como que uma espécie de bilhetinho dobrado e que, fechado, como um envelope, circulava gratuitamente de e para as nossa tropas em campanha em África.

Um dos amigos com quem travei aerogramas foi com o António Rainha e guardo dele e de outros esses “bate estradas”, como também lhes chamávamos e resolvi levá-los para o nosso convívio. Esses do António Rainha e muitos outros de iguais amigos presentes no encontro.

Todos são muito interessantes, mais até e sobretudo para quem os subscreveu (“como foi bom agora recordar passagens da minha estadia na guerra de que já não me lembrava mais!...” – confessou-me o Tomé Dinis) mas, os mais patuscos e divertidos, sobretudo pela linguagem e franqueza expressa, são os do nosso Tónio Rainha. São, são!

Não divulgo aqui algumas das suas “prestimosas informações” sobre custos e aspectos do “material” – leia-se cor… - em uso no local na ocasião, por razões que se prendem com decoro na linguagem utilizada (eh! eh!) mas lá que ri com franco prazer e que, a ele, agora, também o fizeram sorrir com gosto, lá isso fizeram.

Fica aí o flagrante da imagem do seu sorrisinho maroto ao reler as divulgações que me fazia nos aerogramas 50 anos atrás.
   
A malta nova, a rapaziada jovem e os seus gozos de juventude, apesar de tudo despreocupada e descomprometida.

A guerra porque que passamos e que, não obstante ser guerra com perigos, dificuldades e mortes, também tinha os seus bocadinhos algo saborosos e patuscos. Sobretudo quando tentávamos esquecer a dor, o sofrimento e os sustos porque passávamos…

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A "DELICIOSA SACANICE" DE TIO ZÉ "PISCO"


Reedição do texto original publicado no ano de 2002 no Site da Intrépida (grupo de pescadores meus amigos do Brasil). 

Composição, ilustração e edição do amigo Ricardo Carneiro do grupo Intrépida. 

Como o Site foi extinto e na natural impossibilidade material de aqui fazer a sua reedição directa, optei por fotografar o texto editado em papel e assim poder aqui fazer uma nova publicação na net.








segunda-feira, 10 de julho de 2017

TRISTEZA, DOR E LUTO


Regresso hoje à base – leia-se: casa de habitação – depois de sexta, sábado e domingo particularmente difíceis, sofridos e bem doridos em Viseu primeiro, na sexta (7), com a morte no hospital local da nossa querida e já saudosa Tia Tina e também o velório em Fataunços; depois, no sábado (8), com o seu muito sentido funeral no cemitério da freguesia; e, depois o domingo, com a preocupação de filhos e familiares mais chegados com o bem-estar do nosso Tio Zé, agora sem a sua fiel e dedicada companheira de toda a vida.

Dias muito duros e particularmente sentidos por todos e preocupações mil agora com a vida física, psicológica e emocional do nosso Tio Zé… Não é, sem grande e difícil sofrimento, que se passa tão dramática fase da vida e os seus 91 anos exigem e justificam toda a nossa mais completa atenção.

Seguindo desde há muito a minha “máxima” que os mortos devem enterrar-se e todas as preocupações devem recair de imediato sobre os vivos, foi meu cuidado naquela hora tão dramática no parque de estacionamento do hospital de Viseu encontrar-me e saber do “estar” do amigo Tio Zé, em hora tão complicada. De imediato fiz questão de o procurar e verificar o seu estado e devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido – se é que o adjectivo aqui deve ser utilizado… - com a calma e a bonita serenidade que aparentou ao meu cumprimento/alento: calmo, de rosto fechado mas sereno encolheu-me os ombros, olhou-me e, em lamento, disse: 
- É isto… É assim… Que se há-de fazer? Custa muito mas… que fazer?

Fiquei, confesso, um pouco aliviado a ver a maneira com reagiu a tremendo infortúnio. No momento único da sua vida em que sabe que perdeu para todo o sempre a companheira amiga e dedicada de toda a vida, Tio Zé, numa postura serena e calma, talvez fosse naquela hora o mais sereno, o mais calmo e consciente de todos nós… Muito bonito, gratificante e grande exemplo para nós, mais novos, menos experientes, mais excitados e menos serenos. 

Tia Tina, a matriarca da família, deixa-nos o seu exemplo de vida de mulher de muito trabalho, enorme dedicação à família e aos amigos, esforçada em dose maior na criação dos filhos e até dos sobrinhos, sempre pronta a ajudar tudo e todos e com uma vida exemplar de dignidade e verticalidade que aqui importa e deve ser realçada!

Membro da sua família desde 1972, desde cedo me habituei a ver e encontrar na Tia Tina e no Tio Zé mãos e ombros amigos em que muitas vezes vi apoiarem-se tudo e todos mas, sobretudo e muito principalmente, filhos e familiares mais chegados. Tanto nele, quanto nela, sempre todos encontraram ali a ajuda, o apoio e o alento para vencerem obstáculos mais difíceis de transpor.

Não resisto mesmo em aqui deixar registada uma atitude de enorme verticalidade e coragem assumida pelo amigo casal quando, perante o gesto estúpido de uma acção em tribunal colocada por um irmão contra outro, no caso seus sobrinhos e em cuja umas das partes eu estava envolvido como réu - numa situação em que tinha absoluta e completa razão! - e perante a forma enviesada e errada como a justiça estava a analisar a situação, que levaria a que quem tinha razão seria condenado, Tia Tina e Tio Zé, postos ao corrente da situação e conhecendo muito bem a realidade e a verdade dos factos, aceitaram ser testemunhas de defesa de uma das partes (a minha) e, perante a sentença errada e estúpida e a eminência de a mesma passar a efectiva, não hesitaram a chamar a outra parte, “encostá-la à parede” e, corajosamente, sentenciarem ao outro seu sobrinho, autor na mal intencionada acção:
- Ou tu tiras imediatamente a acção do tribunal, ou nunca mais entras na nossa casa! 

Assim mesmo! Sem rodeios, cara a cara, com muita coragem e verticalidade, assumiram a defesa da verdade e da justiça e puseram-se claramente numa posição de defesa de um sobrinho contra o outro que a não merecia.
Pela verdade! Pela justiça! Com louvável e impressionante verticalidade! 

Por esta posição e pelas muitas e muitas provas de amizade e até caridade que, dignamente, ao longo de toda uma vida assumiram em prol de amigos e familiares e de que sou testemunha, tenho pela Tia Tina e Tio Zé a máxima estima e o maior carinho e, vê-la agora partir, é dor imensa e profunda. Muito profunda!

Que descanse em paz e que seja possível o nosso Tio Zé ultrapassar, o menos dorido possível, esta situação tão complicada e difícil da sua longa vida!

Ele merece!

Ele terá de a ultrapassar!

(Deixo duas fotos, distantes no tempo de apenas oito meses, onde  podemos comprovar como nesse curto período a imagem da nossa Tia Tina se deteriorou, sendo que esta, foi a última foto que lhe tirei.)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O MEMORÁVEL I GRANDE ENCONTRO DE JOVENS DE ONTEM!


Realizado no meu Chouto natal, no passado dia 24 de Junho - a que só hoje me refiro por absoluta indisponibilidade temporal e mental (viajei no dia seguinte para a Beira Alta, onde permaneci uns dias) –, o "I Grande Encontro de Jovens de Ontem" constituiu uma magnífica e inolvidável jornada de confraternização, amizade e convívio e, se antes senti prazer em organizar, hoje sinto muito orgulho em ter concretizado tão bonito evento! 

Foram muitos os velhos amigos – alguns de lágrima no olho e outros com os olhinhos bem humedecidos e brilhantes de emoção… - que na hora me agradeceram a realização e tive mesmo quem me confidenciasse que era um dia dos mais felizes da sua vida. Fiquei muito sensibilizado e… emocionado. Sim, também eu adorei tão bonita confraternização e emocionei-me igualmente por rever velhos companheiros de brincadeira e aventura dos tempos da infância e juventude, muitos deles que já não via há bem meio século!...

Na verdade, foram muito reconfortantes e emotivas as cenas vividas durante toda a reunião e, estou certo, ficaram para sempre sentidos e registados no intimo de todos os belíssimos episódios ocorridos desde os emotivos e surpreendentes cumprimentos e abraços às chegadas com a recepção nas instalações do Centro de Acolhimento, bem como as inúmeras vivências posteriores, durante e após almoço, já no recinto da Feira de S. Pedro, com imensas recordações de tempos passados e muita música que animou e encantou tudo e todos!

No tocante à música foi uma boa ocasião para a minha irmã Adília soltar a garganta e reviver – ela e todos nós! – os dias da sua meninice quando, então nos “degraus da junta” – leia-se: os 3 ou 4 degraus que davam acesso ao edifício da Junta de Freguesia, ali bem em frente à nossa porta de habitação onde fomos criados – cantava a plenos pulmões e recitava quadras e textos de cantorias com e para as amigas de infância. Bem me recordei disso quando espontâneamente se levantou da mesa e, dirigindo-se ao nosso primo Jorge Oliveira (acordeonista) a vi pegar no microfone e empurrar todos para a entoação das mais diversas e alegres canções do nosso antigamente. Foi contagiante e, com a prima Luísa que também muito bem canta e adora esse mundo das músicas, elas comandaram as hostes e transformaram a reunião em quase um arraial, já que tudo aderiu – até os presentes não inscritos antecipadamente do nosso encontro. Foi bonito, bonito de mais!

Mas, volto às anteriores emoções que todos sentimos nos nossos reencontros porque estou a lembrar-me de duas situações que vivi no momento e que achei bem gostosas…
Uma ocorreu com um velho e muito querido amigo que já não via há muitos anos e que, sem o reconhecer na altura, não obstante saber da sua inscrição para a reunião, o vi entrar no hall do edifício do Centro e logo ser fortemente saudado e abraçado por muitos dos presentes. O rapaz a todos sorria e abraçava e, quando às tantas se aproximou de mim, perguntou:
- Não me estás a reconhecer, pois não?
Não estava de facto - e sabia que ele ali compareceria… - mas, quando se aproximou com a sua estatura meã, o mesmo sorriso de há 50/60 anos e, sobretudo, o seu timbre da voz, tudo somado, fez-me ver ali o velho amigo de quem guardo significativas memórias, de forma que, quando se identificou, embora grande, foi uma meia surpresa:
- Sou o Dalael!

Caímos nos braços um do outro e o aperto foi forte e deveras saboroso! Tinha ali o velho amigo Dalael de quem guardo tão boas e amigas memórias! Adorei! (Uma dessas memórias, que retenho bem viva, prende-se quando o vi ser “picado” numa brincadeira amigável mas, pelo ocorrido perigosa, com o também nosso amigo Amável, na oficina de bicicletas do seu cunhado Zé Gouvelas… Estavamos só os três e o Amável na brincadeira, empunhando um pequeno canivete de curta folha, que os ribatejanos sempre usam no bolso, fez o gesto que queria espetar o Dalael. O Dalael tinha uma samarra vestida e eu lembro-me de ter visto a folha desaparecer na mão do Amável mas, como a samarra era de um tecido forte e espesso, achei que a folha da navalha tivesse recolhido para o interior da mão do Amável… Eis quando o Dalael  diz: 
- “Ó pá, já me picaste!”. 
Desabotoa a samarra e vejo o sangue a esguichar da barriga do pobre Dalael.  Eu tinha os meus 18 anitos e fiquei horrorizado! Que tinha acontecido? Por azar o Amável tinha enfiado a folha do canivete numa casa de um botão da samarra e, como por baixo só existia uma camisita, a picadela aconteceu. Foi um alvoroço na aldeia e lembro-me que estava marcado um baile para essa noite que só teve inicio depois do Dalael regressar do hospital da Chamusca onde recebeu o necessário curativo. Ainda agora voltamos a falar disso e o nosso amigo mostrou-me a pequena cicatriz que ainda guarda na barriga junto ao umbigo.)

O outro episódio que recordo aqui também, deu-se quando uma amiga de juventude, que igualmente já não via há muito tempo, me pergunta:
- Estás a conhecer-me?
Ela, de físico está muito idêntica, mas apresenta um rosto muito fresco para a idade o que é agradável de ver e eu reconhecia-a, se não no imediato, pelo menos com poucas hesitações:
- Dançamos tantas vezes, Estrela! - Respondi-lhe, ao que ela retorquiu:
- Pois foi. Nas matines. Eu também gostava muito das matinés!...
E os “gostos” e as recordações ficaram com cada um…

Bom e depois foi a visita às instalações do Centro que muitos não conheciam e que os deixou deveras surpreendidos e, desse convívio com os ali residentes, guardo também uma situação muito gratificante quando a Dª Arminda Pratas, viúva do saudoso amigo Ilídio Pratas, fez questão de, através de uma funcionária do Centro, pedir que me chamasse porque me queria abraçar. Sensibilizou-me particularmente e as “lanternas” humedeceram… Francamente. Ela conheceu-me desde sempre, casou, foi mãe e criou oito filhos e, agora, ainda de fresca cabeça e aparentando boa saúde, residente nas magníficas instalações do Centro de Acolhimento, fez questão de me abraçar. Muito bonito! Adorei e estou-lhe muito grato!


E ainda tenho de aqui registar duas outras situações muito, muito interessantes que se prendem com o desejo que exprimi atempadamente na convocatória para o Encontro, quando sugeri que, dentro do possível nos fizéssemos acompanhar de brinquedos e/ou objectos escolares do nosso tempo de infância. Eu, sem brinquedos, ou livros escolares daquele tempo, organizei três dossier (fotos antigas do Chouto; meus escritos antigos nos jornais sobre a terra; e outro de correspondência recebida no tempo em que estive na guerra) e levei e vi com prazer como foram apreciados mas, o máximo do prazer foi quando vimos a minha prima Fernanda Pratas apresentar-se com a velha e pequenina malinha de cartão da escola – uma verdadeira relíquia! – com a ardósia e os livros da primária dentro e, excelente também, foi quando vimos o Virgílio Antunes entrar na sala onde decorria o beberete empurrando o seu velhinho “carrinho de canas” com que tanto brincou enquanto criança. Maravilha! Maravilha de momentos estas duas situações!


Houve então na altura um beberete gentilmente oferecido pelo CASC – sempre atenciosos! - que todos apreciamos e, dali, depois do “retrato de família” tirado nas escadarias exteriores do edifício, rumamos para o recinto da Feira onde almoçamos e convivemos até às tantas. Eu saí, de volta a casa, já pelas 10 da noite.

Saí bem-disposto!

Saí satisfeito!

Em boa hora organizei este belíssimo encontro!

Em boa hora confraternizamos e recordamos tempos passados na aldeia!

Deixo o meu obrigado aos amigos que me proporcionaram este dia inolvidável!

Pode ser que para o ano haja mais…

(“Ornamento” as minhas palavras com umas quantas imagens registadas no convívio e, no meu Site, publico mais fotos e alguns vídeos feitos no acontecimento. Veja aqui: http://victor-azevedo.net/i-grande-encontro-de-jovens-de-ontem-no-chouto)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

RAFAEL - O CRAQUE!


O rapaz, embora estivesse confiante porque sabia as notas que tinha obtido nos testes durante o ano, ingenuamente, coitado, temia que viesse a registar um chumbo. Sentia-se que andava em stress aguardando pelas notas finais.

Hoje, finalmente, entrou em descompressão quando a mãe lhe telefonou informando que tinha sido classificado com quatros em 8 disciplinas e 3 em duas!

Estava aqui em casa connosco e gritou, gritou de alívio e veio a correr ter comigo gritando a plenos pulmões: 
- Avô, passei! Passei de ano! Calcula quantos 4 tive em 10 disciplinas?! 8 - oito! – quatros!

Estava felicíssimo o nosso Rafael e logo aceitou a minha proposta:
 - Vamos festejar com uma caracolada?
- Claro! – respondeu de imediato com vivo entusiasmo.

Deixo aí a imagem do momento. 

Todos os anos no Verão temos os nossos caracóis mas, este ano, deram um duplo prazer!

A ele e… ao avô.

sábado, 3 de junho de 2017

ARMANDO - UM AMIGO DE SEMPRE!



Quando, de surpresa, nos encontramos com um velho e dedicado amigo que já não víamos há muito; quando, com esse amigo conhecemos e vivemos significativos momentos passados em comum que mais não foram que acidentes de percurso e vicissitudes de vida; quando esse amigo ainda lúcido – super-lúcido! – e na posse de todas as suas muitas faculdades nos transmite a sua sábia experiência de vida do alto dos seus 85 de existência; quando o saber é muito e o encanto de o ouvir é saboroso e único - que se sente durante uma hora, que mais parece uns curtos minutos, em que se conversa, se recordam vidas passadas e experiências comuns?




Fica-se deliciado! Fica-se a desejar novo encontro, nova oportunidade, nova maravilha de momento!


Aconteceu hoje comigo quando, de inesperado, encontrei o meu velho e dedicado amigo Armando Varela de Oliveira no meu Chouto natal, numa tarde ventosa e desagradável mas super-amena e super-deliciosa para mim graças ao Armando, grande amigo de hoje, de outrora e de sempre!,


Foi muito bom! Foi mesmo muito bom!


Chegou ágil e lesto na sua velhinha bicicleta e ágil e lesto partiu.


Calmo, sabedor, simpático, educado e amigo!


Hoje, com sempre. 


domingo, 28 de maio de 2017

DEFERÊNCIA


Hoje o nosso “regresso à base” depois da comemoração no jantar de sexta, 26, das Bodas de Prata do Restaurante “3 Pipos”, em Tonda, Tondela, naquele que constituiu um honroso e inédito convite de um restaurante para celebração de tão significativa efeméride.

Na verdade, ao longo da minha vida tenho frequentado muitos e bons restaurantes e alguns deles com bem significativa e assídua presença, quando não diária e nunca algum havia tido comigo e Tense tão grande deferência. É verdade que somos clientes que há muito, apreciamos a comida e o serviço do 3 Pipos e, desde há talvez mais de duas décadas mas estávamos muito longe de esperar tão honroso convite. 

Os nossos amigos de Tonda, de entre a sua vastíssima clientela e para celebração das Bodas de Prata do restaurante, decidiram juntar 50 familiares, fornecedores e entidades oficiais e fizeram o favor de, nessa selecção, escolher 16 clientes amigos e incluir-nos nesse grupo dedicado e amigo. Foi uma deferência que muito apreciamos e agradecemos!

O jantar, terminado quando o dia seguinte já nascia, decorreu de forma muito, muito agradável e, servido com a eficiência a que a casa sempre nos habituou, foi uma jornada inolvidável de boa gastronomia e amigável convívio proporcionado pelos amigos António e João, sócios do restaurante e igual, ao fim e ao cabo, ao ambiente e bom gosto que aqueles amigos desde há muito nos habituaram. 

Presente desta vez, tivemos não na cozinha mas na sala e na mesa junto do seu esposo António e à sua família Dª Ju, a cozinheira única e fantástica do 3 Pipos, alma e corpo daquela casa que, em boa verdade a tem criado e construído, confeccionando pratos como só ela o sabe fazer!


Sendo cliente dedicado e amigo há talvez mais de 20 anos naturalmente assim irei continuar, frequentando com a possível assiduidade aquele que, tendo em atenção nos pratos servidos a qualidade, a quantidade, a variedade e o preço, considero o melhor restaurante português.

Para mim, o “3 Pipos” é único!



(Deixo aí uma foto com a valiosa equipa que faz do “3 Pipos” a maravilha que é – António e João, na retaguarda, deram o 1º plano aos seus colaboradores! -; a ementa com que nos brindaram neste grande jantar de aniversário e ainda uma outra foto com o fabuloso bacalhau que nos presentearam no jantar.)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

ACHIGÃ - NO REINO DA "BAGUNÇA"...


Chegou-me na semana anterior à Páscoa a notícia/boato de que este ano não tínhamos Defeso na pesca e, em boa verdade, a informação não me surpreendeu em absoluto porque lembrei-me de uma ou outra nota que fui lendo aqui na net e em revista da especialidade mas importava confirmá-la, né?

E aí começou a “bagunça”… Contactei sabedores do mundo da pesca desportiva que me garantiram que não havia qualquer alteração e que por isso o Defeso se mantinha; contactei amigos em que uns diziam “sim”, outros “não” e outros que de nada sabiam; mandei e-mail para o ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) que “manda” no assunto e, daí, ainda estou esperando uma resposta e, por fim, telefonei para a autoridade (GNR) que fiscaliza a pesca de águas interiores e que confirmaram que faltava regulamentação necessária para manter o Defeso e que assim eu podia pescar.

Foi perante esta “bagunça” – em que se fala inclusive em futuras coimas para quem libertar o que pesca, porque se pretende exterminar e dizimar os achigãs, as carpas e mais uns quantos predadores, numa intenção que é em absoluto contrária do que temos tido até aqui… - mas, fazendo fé na informação dada pela GNR, que mandei o Defeso às urtigas e parti para me divertir no meu desporto preferido.

Aconteceu na passada segunda-feira, dia 24 e fui exactamente para o mesmo local onde, em Julho de 2013 "atasquei” na areia a “carroça” e onde jamais tinha ferrado um “bichinho”. Água difícil aquela e bichos esquisitos aqueles… 

De manhã cedo estive na represa onde antes bastante me tenho divertido mas, a pobre, segundo me informaram, dias antes tinha sido visitada por uns quantos sabedores do fim do Defeso “a tempo e horas” e que “limparam” uns quantos bons exemplares e, de onde se tira e não põe… falta.

Parti então para ver como estava a “tal” onde me tinha “encravado” e, surpresa das surpresas, logo à chegada ferrei um bom peixinho que, pesado, atingiu o bonito total de 1,3 kgs. Fotografado que foi, porque o merecia e como já passava do meio-dia, parti para o almoço bem disposto, como é bom de imaginar.

Venho de almoçar e, logo, logo de novo nos primeiros lançamentos, outro! Outro “menino” igual ao da manhã e que, pesado, atingiu o mesmo 1,3 kgs. Foi também fotografado e, animado, voltei à minha “trabalheira” que prometia…

Prometia mas… falhou. Um, dois, três, muitos lançamentos aqui e mais ali; mudança de amostras, técnicas diferentes e, nada, nada de nada.

Eram quatro da tarde, estava um calor “abafado”, assim como que a anunciar trovoadas e… já chegava. Dois bonitos achigãs e estava satisfeito. Arrumei a tralha e regressei a casa.

Mas regressei super-satisfeito, como é bem de supor! Não é todos os dias, nos tempos que correm, que se fazem pescarias assim.

Veremos se será um bom augúrio para o tempos seguintes…

Deixo aí uma brincadeira que compus no Photoshop com os dois “meninos”, para publicação no meu site e para mostrar aos amigos e também duas imagens retiradas do “Expresso” de 22 deste mês onde constatamos que os “entendidos” querem mesmo acabar com os achigãs. Nem me apetece comentar mais por agora tamanha imbecilidade...


quinta-feira, 20 de abril de 2017

O RAPAZ TEM "QUEDA"!...


Chegado de uma viagem de 300 kms, no regresso de férias da Beira Alta
e "papadinho" o almoço retemperador, o nosso Rafael, meu neto de 11 anos
incompletos, a frequentar o 5º ano de escolaridade, abordou-me pedindo
uma folha de papel "com linhas", dizendo que ia fazer uma "composição".

Sentou-se à mesa na sala e, pouco depois, tinha o trabalho concluído.

Li, reli e, de "boca aberta", pasmei!...

Sabia do seu jeitinho para a escrita mas desconhecia tanta habilidade e tamanha criatividade!...

Na forja um futuro escritor?

Quem sabe?

Seria liiiindo!

(Fica aí a sua "composição. Para que conste!...)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

1967 - LESTE DE ANGOLA - VICISSITUDES DE UMA GUERRA (FORÇADA)... (2)

Quando o abastecimento por coluna terrestre ou avião Noratlas tardava, a tropa destacada naquele “fim de mundo” recebia a visita de uma pequena aeronave que lhe levava o sempre ansiado e saudado correio da distante família, da querida namorada ou do amigo ausente.

Era dia de festa – de grande festa! – e “todo o mundo” se juntava à porta da secretaria, onde o grande saco azul escuro era aberto, cada qual aguardando com viva ansiedade ouvir chamar pelo seu nome uma, duas, três e mais vezes para receber outras tantas cartinhas ou os aerogramas (“bate-estradas”, como lhes chamávamos) com notícias dos ente queridos no tão distante “puto”, como era então denominado pela tropa o pequeno rectângulo português na Europa.

Quem recebia uma correspondência ficava feliz – e se fossem 3 ou 4, isso nem se fala… Ficava eufórico! – mas, quem nada recebia, sentia na verdade uma grande tristeza. Virava costas, triste, desalentado e melancólico… “Danada de vida”, praguejava… Coisa que logo passava – tinha de passar!... – indo ao bar mamando rapidamente uma Cuca ou uma Nocal fresquinha. Uma, quando não duas!...

Era assim a vida de um jovem militar no muito distante e inóspito leste angolano quando tentava matar saudades dos seus e da vida na aldeia, na vila ou na cidade que deixara para trás forçado e contrariado. E assim se perderam mais de 2 anos de juventude…

Sem proveito e sem utilidade…

E eu voltei… E estou aqui para contar. Outros, infelizmente, não…

(Na 1ª foto, de minha autoria, vemos o pequenino aeroplano que naquele dia nos deixava o correio (o saco, levado na direcção da secretaria, segue aí à esquerda ás costas de um militar) e, na 2ª foto, deixo a imagem dos então famosos aerogramas, um excelente meio de comunicação que o governo criou na altura para que os militares e seus familiares comunicassem por escrito sem despesas. Os aerogramas eram distribuídos gratuitamente e seguiam sem custos.)


quinta-feira, 6 de abril de 2017

1967 LESTE DE ANGOLA - VICISSITUDES DE UMA GUERRA (FORÇADA)... (1)


Numa das fotos imagem de parte das viaturas de transporte dos militares, no total de cerca de 400, do meu Batalhão de Artilharia que, idos de Vila Teixeira de Sousa e depois de um dia de viagem por picada em péssimo estado, chegaram ao Cazombo (Leste de Angola) para iniciarem a sua Comissão de Serviço – como então airosamente se chamava à guerra forçada… - de 2 anos de árdua e arriscada vida.



Esclareço que a viagem Luanda / Cazombo / Lumbala (onde a minha Companhia ficou instalada), demorou 5 dias (!), tendo o trajecto sido percorrido desta forma: Luanda/Nova Lisboa, 1 dia de camioneta; Nova Lisboa/Teixeira de Sousa, 2 dias de comboio; Teixeira de Sousa/Cazombo, 1 dia de camioneta; Cazombo/Lumbala, 1 dia de camioneta.

Em Lumbala o abastecimento era esporadicamente feito por camionetas e camiões integradas e protegidas por forte coluna militar e, mais regularmente, por avião Noratlas (na outra foto na pista térrea de Lumbala) que nos levava mantimentos mais frescos (ou menos velhos e degradados…). ( A “talhe de foice” devo acrescentar que, em Lumbala, a rapaziada de 20 e poucos anos de idade, só via uma – uma! – mulher branca!... A esposa – muito magrinha! - do Chefe de Posto, autoridade civil portuguesa naquele “fim do mundo”.)

Vendo hoje estas imagens, recordando e sentindo na pele, como senti, tais condições e tal sacrifício, interrogo-me se teríamos agora em Portugal um militar – um só, que fosse! - que estivesse disposto a sujeitar-se a tais condições, a tais sacrifícios e… a tal risco de vida!?...

segunda-feira, 13 de março de 2017

MEMÓRIA DE ALGUÉM MUITO QUERIDO


"Parabéns!!! Hoje é o teu dia avô.
Hoje farias mais um aninho.
Hoje estarias ali sentado, naquele cadeirão vermelho na varanda, a minha espera. Hoje, eu ia chegar, e correr para o teu colo. Hoje ias dizer à minha mãe mais de 20 vezes: "deixa estar a miúda. Deixa a fazer o que quer." E como eu adorava estar contigo, meu querido avô. E como tu adoravas estar comigo 
Que saudades de te ver. Te ouvir. Imensuráveis!
És e serás sempre, a referência para mim, daquilo que deve ser a conduta e os princípios de um homem do Bem. Bondoso!
Desde que nos deixaste, não conheci nenhum outro como tu. Foste único. És único. Serás único, sempre.
Obrigada por me acompanhares, SEMPRE. Obrigada por ainda hoje, continuares a "pegar-me ao colo", como fazias quando eu era pequenina.
Não digo, "estejas onde estiveres", porque eu sei, eu sinto, estás sempre aqui, ao pé de mim 
Um abracinho grande, daqueles nossos meu amor. Vou amar-te para sempre 

Lembras-te dos chocolates da Regina, que sempre tinhas para mim?? (Foste tu que me viciaste em chocolate). Passaram 38 anos desde que me deixas-te e continuam a ser os meus preferidos."

Foi com estas bonitas palavras, publicadas hoje do Facebook, que a minha sobrinha e afilhada Suzana resolveu assinalar a passagem do 102º aniversário natalício do meu muito saudoso pai e não vejo necessidade de acrescentar mais nada.
O texto da Suzana diz bem do carinho e da saudade enorme que sentimos pela partida, tão prematura do homem bom, sério e amigo que foi o meu pai.
Que descanse em paz!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

SENTENÇA LIDA: ÁLCOOL ZERO!


Depois de Eco Doppler, Electrocardiograma, vários Ecocardiogramas, várias análises, uns tantos médicos, consultórios e hospitais e ainda uma Fisioterapeuta, hoje foi a TAC (chato para raio beber aquela água toda!) e o resultado vai sair e, tendo já a sentença de álcool zero, vamos ver o que a esclarecedora TAC – ou talvez não… - nos irá dizer…

Até aos 71 nunca tinha ido ao médico e, agora, para infelicidade minha, mais parece que estou a tirar um curso intensivo deste mundo de doenças, médicos, hospitais, exames e análises e no mais que possivelmente vai seguir-se…

O Dom Fígado está queixar-se de forma bem expressiva – dizem os exames porque, eu, fisicamente, nada sinto! - e isso deixa-me francamente preocupado…

Veremos o que vai dar…

Aguardemos o que aí vem…

Bom não será.

Terei de estar preparado para tudo. 

Não tenho outra alternativa.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A VELHA FONTE


Rua acima, quantos cântaros cheiinhos, num equilíbrio difícil e algo inimaginável para os dias de hoje, carregados à cabeça das moçoilas solteirinhas, livres e felizes de outros tempos?

Quantos litros de água, pura e cristalina, levados para casa para refrescar gargantas sedentas por dias de labuta demasiado esforçada de Sol a Sol e nunca rejeitada?

E quantas “conversinhas” a meia voz de namoradinhos que aqui se cruzavam e, sedentos de paixão, alimentavam seus sonhos e seus anseios?

Quantas propostas atrevidas e quantos sorrisos marotos?

Quantas certezas concretizadas?

E quantos sonhos desfeitos?..
.
Oh velhinha fonte da minha aldeia que tantos segredos ontem guardaste e tantos sonhos hoje encerras para todo o sempre!...


sábado, 7 de janeiro de 2017

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

AMIGOS EM BODAS DE DIAMANTE!


Particularmente bonito e muito significativo o dia de ontem!

Satisfazendo o gratificante convite do amigo Fernando Barreto e sua esposa Gracinda estive com a Tense no jantar comemorativo das Bodas de Diamante do seu casamento ocorrido no já distante ano de 1956. Realizou-se agora a boda em Almeirim, no restaurante Moinho de Vento e compareceram 90 pessoas entre familiares e amigos.


Tanto Fernando Barreto, quanto a sua esposa Gracinda, são uns bons amigos por quem tenho grande estima e dedicação. Foi o meu 1º chefe de escritório na antiga Fabrica de Papel de Santa Maria de Ulme quando comecei a trabalhar com os meus 17 aninhos e, depois de chegar da guerra e terminar a tropa, foi ele que me arranjou o emprego em Lisboa na Sociedades Reunidas Reis, com escritório em plena Praça do Rossio.

Para além disso, nutro por ele ainda um especial carinho por mais dois motivos que também nunca esquecerei: Quando resolvi marcar o meu casamento para a Ermida do Senhor do Bonfim, na Chamusca, esquecemo-nos, tanto eu quanto a noiva, de mandar limpar e ornamentar de flores a capela e foi a Dª Gracinda que resolveu por sua iniciativa pôr as suas empregadas a limpar e a colocar flores na igrejinha, que estava linda. E, como se isto não fosse mais que suficiente para me mostrar grato pela dedicação destes amigos, ainda lhes coube um outro gesto que ficará para sempre gratificante na minha memória: Quando velávamos o corpo do meu pai, na noite de Natal de 1978, na Igreja da Misericórdia na Chamusca, foram eles que, num gesto de muita estima e amizade, foram fazer-nos companhia naquela noite muito fria e, para nossa admiração e apreço, fizeram acompanhar-se de um prato de fritos de Natal. Foram magníficos e foi lindo! Muito lindo! Coisa que jamais se apagará da minha memória!

Festejaram agora o 60º aniversário do seu feliz casamento e tiveram a gentileza de nos convidar para esse festejo. Fomos logicamente com imenso gosto e apreciamos muito tão carinhoso convívio. Levamos umas prendinhas como é lógico e eu aproveitei uma bonecada alegre aqui da net e fiz um cartãozinho para as identificar. Deixo-o também aqui, assim como uma foto onde podemos ver os nossos dedicados amigos quando partiam o bolo de aniversário.

E que o Sr. Fernando Barreto e Dª Gracinda tenham muita saúde e felicidade, que bem merecem!


sábado, 26 de novembro de 2016

MORREU FIDEL CASTRO!

Com 90 anos morreu ontem Fidel Castro, figura controversa mas sem dúvida figura marcante do século XX.

Para uns herói, para outros assassino, toda a sua vida foi profundamente agitada e controversa. Destacando-se o seu abandono de uma vida económica e socialmente estável para combater de armas em punho por Cuba contra o poderio norte americano e a sua aliança à então URSS – em que a crise dos mísseis russos na ilha e a quase iminente guerra nuclear foi um gravíssimo episódio – muito o ajudou a sustentar no poder. 

Com a queda e o desfazer da URRS, Fidel e a sua ilha sofreram muitíssimo e o bloqueio económico declarado e mantido pelos EUA mais agravou as já difíceis condições de vida dos cubanos.

Dez anos atrás, sofrendo de graves problemas de saúde, deixou o poder a seu irmão Raul e manteve-se na rectaguarda em bom recato, embora talvez com a inevitável influência na governação.

A história dirá toda a verdade sobre Fidel e ficar-se-á então a saber toda a verdade sobre a mão de ferro com que conduziu toda a sua governação autoritária.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

LEMBRANDO O "BATATINHAS".


“Batatinhas miudinhas / Semeadas a granel / Meu amor come poucochinhas / Deixa o resto p’ro farnel”.

Era esta a quadra que o “Batatinhas”, um pobre e miserável homem que, conjuntamente com sua mãe, visitava e permanecia por uns meses no meu Chouto natal, declamava com elevada frequência sempre que com alguém conversava e a que a notícia do recorte do “Correio do Ribatejo” de 16/11/1963 anexo se refere.

Estendiam um fraco e sujíssimo pano debaixo da oliveira à direita que vemos na foto junta, no local onde agora temos o Parque Infantil e, era debaixo dele que, tanto o "Batatinhas" quanto a mãe dormiam de Verão e de Inverno estivesse calor, frio ou chuva. (Num aparte lembro-me que por vezes ele tentava ter relações sexuais com a mãe e a gritaria dela, rejeitando, era sempre bem audível…)

Tinham um fontanário bem perto mas não se lavavam minimamente e por isso os seus corpos “ofereciam” um odor bastante desagradável que se sentia a boa distância. Raramente pediam esmola de porta em porta pela aldeia mas, quando o faziam, era sempre de mão dada por ela ser cega profunda, numa condição que ainda mais agravava a situação. Fisicamente eram muito pequeninos e, de passinho curto e arrastado, iam então de porta em porta pedindo a esmola que tão preciosa lhes era.

 Faziam-no todavia escassas vezes e viviam sobretudo da ajuda dos vizinhos que mais próximo residiam. Bastas vezes meus pais, que os tinham naquelas miseráveis condições ali mesmo em frente da porta, lhes mataram a fome, coisa que bem recordo por ser demasiado frequente, mas também a família "Gouvelas" e a de Mestre Arlindo Texugo e de Mestre Acácio Varela muito os ajudaram. E o “Batatinhas”, porque mentalmente muito doente, infelizmente não era tão simpático quanto isso…

Vinham periodicamente para a nossa aldeia, ali permaneciam uns meses e ausentavam-se durante outros bons períodos para logo retornarem… Até que um dia foram e… não mais apareceram… Constou-nos mais tarde que tinham falecido para os lados de Paço-dos-Negros