domingo, 19 de abril de 2015
A MORTE E O DRAMA IMENSO DOS IMIGRANTES AFRICANOS NO MEDITERRÂNEO
Lamentável, repugnante e revoltante como todo o Mundo - com a louvável excepção do Papa Francisco!... - permanece mudo e quedo perante este drama imenso, indigno e aviltante!
Numa Europa dominada e controlada pela ambição do neocolonialismo alemão e num resto do mundo mais preocupado com o seu umbigo e também e sobretudo com o poderoso negócio e consumo do armamento, não há tempo nem vontade de pôr fim a este drama imenso.
Indigno de um mundo supostamente civilizado!
Indigno dos nossos dias!
Para onde caminhamos?
Quem põe mão nisto?
sexta-feira, 13 de março de 2015
UM CENTENÁRIO MUITO ESPECIAL
Meu saudoso pai se fosse vivo festejaria hoje o seu centenário de nascimento e realmente estaríamos a celebrar uma data muito especial mas, dada a sua brusca partida muito cedo do nosso convívio, quis o destino que assim não acontecesse.
Deixou-nos com 61 anos de vida e fez-nos uma imensa e inquestionável falta quando ainda dele tanto esperávamos e precisávamos. Não exactamente no campo material – longe disso - mas, sobretudo, no de chefe, de moral e respeitável exemplo, com que sempre fez questão de pautar a sua vida e disso fazia ponto de honra.
Para mais e ainda que isso não fosse minimamente necessário, partiu em quadra e data marcante da nossa vida colectiva, querendo o destino que dias antes e respondendo a meu convite para, com minha mãe, passarem o Natal connosco em Lisboa – para o que poderiam contar com o meu transporte – escreveu-me um postal, que guardo religiosamente, dando conta dessa impossibilidade dadas as obrigações diárias que tinham de acompanhamento aos muitos animais de que dispunham na aldeia.
E afinal a hora terrível para ele e para nós aconteceu a 24 de Dezembro de 1978, com funeral no dia 25 e, assim, passamos a Noite de Consoada e o dia de Natal acompanhando em choro os seus restos mortais. E desta forma foi possível estarmos juntos na Quadra Natalícia… Triste, muito triste ironia!…
Amigo maior que tive em toda a minha vida, guardarei até aos restos dos meus dias toda a sua imensa memória de homem integro, honrado, sério, amigo de todos e, principalmente, muito amigo do seu amigo como nunca conheci pessoa igual.
Fazia amigos com facilidade e que muito o consideravam e estava sempre disponível para ouvir e ajudar todo o semelhante tendo um carinho especial com os amigos dedicados.
Dele soube um dia que, sendo procurado por um amigo que lhe rogava o empréstimo de uma determinada verba para satisfazer um compromisso e não podendo valer-lhe, dada a avultada quantia não hesitou e, recorrendo a um outro seu amigo, que calculava poderia dispor desse valor, fez um pedido de empréstimo e satisfazendo assim o primeiro amigo necessitado.
E, embora não sendo enfermeiro de profissão, quantos milhares de injecções e curativos médicos, muitos realizados nas residências dos próprios doentes e sempre totalmente grátis, não fez ao longo da sua vida? Seguramente vários milhares na aldeia e até fora dela, em povoados vizinhos.
De entre as várias fotos que do meu querido pai guardo e pensando exactamente na forma como estimava os amigos, escolhi esta que aqui deixo onde o vemos chamuscando um porco que criou especialmente para matar festejando a minha vinda da guerra em Dezembro de 1969 (a foto é do mês seguinte, dias após) e para cuja matança convidou familiares e amigos de estimação. Vê-mo-lo aí, para além de minha irmã que lhes levara o tradicional “mata-bicho (passas de figos com aguardente) com 3 dos muitos que estimava (Acácio Varela, Juvenal (encoberto) e José Dinis).
Hoje não festejamos o centenário de nascimento de José Azevedo mas recordo com imortal saudade a sua figura de pai, homem integro, honrado e de muito caracter, que passou pela sua curta vida deixando um rasto de bem, de amizade, de muita dedicação aos seus familiares e amigos que para sempre dele se recordarão.
Com profunda saudade e imensa gratidão de filho, aqui ficam os meus desejos que para sempre descanse em paz!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
A RÁDIO DO NOSSO ENCANTO
Celebrando-se hoje o Dia Mundial da
Rádio e, apaixonado como sempre fui pela comunicação social, não poderia deixar
de aqui referir o evento e, a propósito disso, lembrar dois dos aparelhos de
rádio que me foram particularmente queridos durante a vida.
Um é este de que deixo aqui a imagem e
que era o aparelho de casa dos meus pais, que acompanhou toda a minha juventude
e que ainda hoje guardo com particular cuidado. Julgo que o meu pai comprou-o
na década de 50, talvez perto do seu final e que, como no Chouto não havia
ainda energia electrica e embora já viesse preparado para ela, era alimentado
com a energia de um grande e pesadona bateria de camioneta, colocada numa
robusta caixa de madeira para seu transporte quando ia periodicamente a
carregar à Chamusca. Funcionava e funciona a válvulas e depois de ligado tem
que se aguardar uns momentos até que elas aqueçam. Não sei se este será o termo
mais adequado mas lembro-me que era assim que diziamos… Lembro-me de aos
domingos à noite e sempre a prejudicar o meu sono, porque na segunda cedo teria
de “apanhar” a camioneta para ir para a Chamusca e Torres Novas para os
estudos, de ouvido colado ao rádio, para não incomodar os meus pais que já
dormiam, ouvir por volta das 10 da noite um programa desportivo na Emissora
Nacional que nos dava conta dos resultados dos jogos de futebol e respectivas classificações.
Um vício de me manter actualizado que ainda hoje mantenho mas agora na TV ou,
mais recentemente, na net.
O rádio, como se vê muito bonito, era
a estrela lá de casa e recordo-me também do meu pai o colocar na janela, em
altos berros que se faziam ouvir em toda aldeia, aos sábados à noite em que a
então Emissora Nacional transmitia em directo um espectaculo então muito famoso
que dava pelo nome de “Serão para Trabalhadores”. Recordo-me que o principal
locutor/apresentador era Artur Agostinho que aproveitava para contar umas
quantas anedotas que as pessoas muito apreciavam.
Viveu e reinou o aparelho sempre lá em
casa, primeiro com a força da bateria e depois de 1972 já com a energia
electrica, que chegou à aldeia em Junho desse ano. Hoje guardo-o com o natural
carinho e apreço e estimo-o assim como se de uma joia se tratasse.
O outro aparelho porque nutro
particular apreço é um pequeno transístor que curiosamente agora não encontrei
para fotografar – guardo-o tão bem que nem me recordo onde o coloquei com a
recente mudança de casa… - e que me acompanhou durante toda a minha guerra de
Angola. Não me recordo onde o comprei mas julgo que foi em Luanda, quando lá
cheguei…
E porque tenho apreço pelo pequeno aparelho?
Ora, porque foi nele que ouvi sempre as retardadas notícias que nos chegavam no
Leste e depois no Norte e recordo-me sobretudo de acompanhar nele com vivo
interesse as notícias sobre a caída de Salazar da cadeira e depois a tomada de
posse de Marcello Caetano e do seu discurso. Ouvi isso quando estava em
Lumbala, lá bem interior, junto à fronteira com a Zambia. Depois e ainda com
mais destaque, recordo-me de ouvir a empolgante reportagem da chegada do homem
à Lua. Ainda hoje não perdoo à guerra e ao regime de então o ter-me impedido de
seguir em directo pela televisão tão importante acontecimento, como muitos
milhões de pessoas o fizeram em todo o mundo.
Recordo-me que estava no Norte de
Angola a cerca de 70/80 kms de Luanda, na Fazenda Lifune e, deitado na cama,
de madrugada, ouvi empolgado toda a odisseia numa transmissão da Rádio Eclésia,
de Luanda, que recebia a reportagem da Rádio Renascença, aqui de Lisboa, cujos locutores
viam na tv e relatavam. Foi de tal maneira emocionante que nunca mais esqueci.
De manhã, quando cheguei junto aos
soldados para o pequeno-almoço, lembro-me que lhes contei o que tinha ocorrido nessa
madrugada e alguns deles não acreditaram no feito. Acharam que era aldrabice
dos americanos…
Sendo estas algumas das minhas
ligações/recordações com a Rádio, não são todavia as únicas… Não são, não!... Tenho
algo ainda bem especial da minha juventude, que nunca desvendei – nem os meus
pais alguma vez souberam!... – mas, como o texto já vai extenso, ficará para
uma próxima oportunidade.
Algo que, a concretizar-se naquela
data, bem poderia ter alterado todo o meu percurso de vida… Daqui a uns dias
conto aqui...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
VIVER (E MORRER) NESTE MUNDO DE MUITOS LOUCOS
E aqui estamos de novo na Europa com o
terror, a morte e o medo a atingir tudo e todos depois do ataque terrorista de
ontem em Paris ao semanário satírico “Charlie Hebdo” e do assassínio hoje de
uma mulher polícia numa rua e que aparenta ter relacionamento entre si.
Islamitas ou membros da Al Qaeda são
fanáticos os autores desta barbárie horrorosa que atenta nitidamente contra a
forma de vida no Ocidente e que por isso importa condenar veementemente. Diz-se
que os cartoonistas do semanário se puseram a jeito, o que em parte é verdade
mas entendo que nada justifica tamanha carnificina, tamanho horror.
Acho que é forçoso que os dirigentes
europeus revejam esse lírico Tratado de Shengen, feito anos atrás como se o
mundo fosse constituído por santos e anjos quando, como todos bem sabemos, na
prática não é nada assim. Sabemos que há tráfico de armas dentro da Europa e a
livre circulação de pessoas sem controle, sendo bonita, só facilita a
movimentação de criminosos e terroristas que assim circulam e vivem como bem
lhes apetece e desejam.
Meses atrás um cidadão romeno
assassinou no Algarve a sua companheira de igual nacionalidade e levou o
cadáver de automóvel até à Roménia onde depois aí foi descoberto e preso.
Noticiou-se que alguém foi alertado pelo cheio vindo do carro. Percorreu o
homem 5.000 kms de Portugal à Roménia com um cadáver sem ser incomodado em todo
o trajecto! Dá para acreditar?
Se assim se consegue passar de uns
países para outros sem ser incomodado, quanto mais fácil será passar gente
criminosa, armas e explosivos?
E, nesta Europa descontrolada e mais
preocupada com os números da economia e dos défices sem pensar no bem-estar real
e diário dos seus cidadãos, vive-se e convive-se assim com o crime, o horror e
a morte. E isto até quando?
Hoje toda a imprensa mundial reagiu
com vigor e determinação aos cobardes crimes praticados em Paris e em Portugal também
isso mesmo aconteceu. Destaco nos nossos jornais a magnifica criatividade dos diários
“I” e “Diário de Notícias” que estiveram muito bem reservando toda a sua 1ª
página para dois cartoons de muito imaginação e valor! Fiz sobre eles um
pequeno trabalho que publico no meu site pessoal e que também aqui deixo por me
parecer oportuno.
domingo, 21 de dezembro de 2014
CENTRO DE ACOLHIMENTO - UMA PÉROLA NO CHOUTO!
Não
obstante já ter passado um dia sobre a minha visita ao meu Chouto e
particularmente ao seu Centro de Acolhimento Social onde se realizava a sua
Festa de Natal, devo confessar que ainda escrevo debaixo da excelente impressão
e sobretudo da forte emoção sentida depois da minha estada e da magnífica
vivência experimentada naquelas breves horas que ali permaneci.
É,
pois, ainda muito impressionado com o que vi no tocante ás magníficas
instalações - de que deixo aqui duas esclarecedoras fotos - e ao ambiente ali
vivido que redijo este apontamento e, só por isso já seria uma boa razão para
este meu escrito mas, é sobretudo – muito sobretudo por isso! – pela emoção que
sinto por, conhecendo muitas daquelas pessoas, muita daquela gente ali
instalada e frequentadora do Centro e vendo como são bem tratados e por
sentir como são felizes, esses velhos conterrâneos amigos e conhecidos, que mais
me impele a aqui deixar as minhas impressões sobre tudo o que vi ontem no
Chouto.
E,
numa época em que frequentemente a comunicação social nos confronta com
notícias de situações tão condenáveis neste campo da assistência social com
lares degradados, má assistência aos idosos quando não até de maus tratos e
abandono em muitos outros casos, constatar que numa terra tão pequenina e pobre
como o Chouto foi possível criar e manter uma realidade tão bonita e importante
como o é o seu Centro de Acolhimento Social, merece todo o meu aplauso e
justifica estas minhas palavras que são também de homenagem e agradecimento a
quem a torna possível! Homens e mulheres, filhos e amigos da terra, gente competente, dedicada
e prestável que não regateia esforços e inteligência, querer e crer para tornar
possível tão louvável realidade! Bem hajam!
Bem
hajam porque, graças a todos eles, o Centro de Acolhimento Social do Chouto é hoje
uma bonita e valiosa pérola na aldeia!
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
SEM PESCA, PESCADOR SOFRE...
É,
sem dúvida, o meu desporto preferido! É, francamente, a minha distração
favorita!
Pela
pesca e, sobretudo, pela pesca ao achigã, troco tudo. Gosto também muito de ver
um bom jogo de futebol, do meu Sporting ou da selecção portuguesa mas, se puser
isso em equação e, isso já tem acontecido, opto nitidamente pela pesca em
detrimento do futebol.
A
adrenalina da pesca, do sentir o peixe pesando e puxando na outra ponta da
linha; a emoção de imaginar e depois ver o porte do peixinho; o ar puro; o contacto com a
natureza; o observar a vegetação, a floresta, as culturas, as aves e os animais
selvagens, é algo que não troco por nada. Na pesca o tempo passa sem darmos por
isso e, ainda que tenhamos muitas preocupações, ali, elas são esquecidas e, não
raras vezes quando olhamos para o relógio, ficamos muito surpreendidos por já
terem passado uma, duas e mais horas…
Mas,
a pesca do achigã, sobretudo em Portugal, tem esta vicissitude do prazo em que
não podemos pescar por causa do clima que no país se faz sentir… É verdade que
o “defeso” de 2 meses até é relativamente curto e suporta-se mas, a esse
período temos que somar a parte final do Outono e sobretudo todo o Inverno o
que, somado ao tempo do “defeso”, eleva para cerca de 6 meses em que a pesca
não é agradável e apropriada. Com o frio as águas arrefecem muito e os peixes
procuram as águas mais profundas, menos frias e deixam de frequentar zonas
menos acessíveis a pescadores de margem como eu. Para além disso, como que
hibernam, ficam quietos e deixam de se alimentar. O achigã funciona dessa forma,
tem esse metabolismo e a isso temos de nos adaptar.
Foi
por tudo isto que, quando a 28 de Outubro, no final do dia, findei a minha
pesquinha, achei que seria o meu encerramento deste ano e criei esse bonequinho
que acompanha este escrito. Ainda tinha o mês de Novembro pela frente mas não
seria previsível que a chuva e o frio que surgiriam inevitavelmente permitissem
que continuasse… E assim foi, na verdade. Neste Novembro não tivemos frio mas a
chuva não nos largou…
Resta-nos
aguardar pelos dias de finais de Fevereiro e ir até 14 de Março na esperança
que então tenhamos uns diazinhos de melhor tempo para, antes do “defeso” então,
finalmente, matarmos o vício…
Chegados
agora a Dezembro, prestes a ver findar o ano e, num balanço final tenho de
reconhecer que o mesmo, em termos de pescarias, não foi famoso. Logo na
abertura tive a inconcebível “nega” no acesso ao local onde tantas e bonitas
jornadas de pesca vivi, embora nesse mesmo dia tenha ferrado dois bons
exemplares que até acabaram por ser os maiores que pesquei durante todo o ano.
Verdade que fui pouco à pesca mas, as vezes que fui, a coisa não foi famosa,
não.
Entretanto
devo confessar que nas minhas derradeiras idas, já em Outubro, as coisas
melhoraram substancialmente exactamente porque optei por usar vinis e mais
concretamente os senkos como amostras…
Os
achigãs são enganados magistralmente por esses tubos de vinil e eu, que já há
muitos anos os conhecia, como que me tinha esquecido deles…E como lamento isso…
Recordo-me
que foi há cerca de 10 anos que o amigo Ventura da Silva, em Vila Franca, com
quem muitas vezes conversava sobre a nossa paixão da pesca do achigã me
apresentou o senko como a grande novidade do momento, me ensinou a fazer a
montagem num anzol “pescoço de cavalo” e me aconselhou a colocar um chumbo bala
como peso. Eu logo usei essa “arma” umas vezes mas confesso que nunca vi
resultados extraordinários… Só uma vez um grandão esteve para ser ferrado e ele
puxou de um lado e eu do outro e fiquei com metade do senko no anzol… Aí fiquei
entusiasmado e como tinha o telemóvel no bolso logo gravei a imagem que aí
agora deixo…
Mas,
depois disso, nada de especial mais aconteceu e, ao longo dos anos, até parece
que me esqueci dos senkos e, só agora, no início de Outubro, lendo na net um
escrito de Herminio Rodrigues, que passa por ser um craque na pesca do achigã e
que sei também ser amigo do sr. Ventura, falando nessa amostra, ensinava também
a fazer a montagem mas aconselhava a não usar o peso – o chumbo bala. Aí eu
achei que ele era bem capaz de ter razão e penso que talvez o chumbo produza
melhores resultados ao nosso amigo Ventura porque ele pesca de barco e há
necessidade da amostra ir mais ao fundo. Para quem pesca de margem e portanto
em águas menos profundas o peso não se justifica e a amostra descendo
naturalmente na horizontal e não na vertical, engana muito melhor os bichos. Eu
fiquei disso convencido nas derradeiras vezes que fui à pesca e só lamento que
o Novembro, extremamente chuvoso me impedisse de visitar os achigãs… Agora
resta-me esperar por melhores dias, talvez lá para finais de Fevereiro de 2015…
Até
lá resta-me contar os dias, sonhando com novas e belíssimas idas à pesca…
terça-feira, 25 de novembro de 2014
GRANDE BOMBA!
É mesmo uma grande bomba!
Coisa nunca vista nesta terra!
Era inevitável ou, no mínimo perfeitamente previsível:
Socrates ficou dentro!

Já o tinha aqui escrito como hipótese porque não seria de
imaginar que um juiz que detém à chegada ao aeroporto um ex-Primeiro-Ministo
não tivesse que, como resultado e sustentado em fortes fundamentos resultantes
de investigações antes efectuadas, optar por medidas mais leves para reter o
político. Pareceu-me lógica a decisão.
Para nós, “zé da rua” que, de concreto só conhecemos o “diz-se, diz-se”
e o que sai na comunicação social - com relevo para aquela invulgar detenção do
motorista de Socrates que, a fazer fé no que escrevem alguns jornais, levava
malas cheias de dinheiro para Paris… - a decisão até era mais ou menos
esperada. E se calhar até José Socrates igual detenção já esperasse por
informação antes soprada e tanto mais que os seus mais próximos supostos “colaboradores”
já estavam detidos…
E agora? Agora seguir-se-á a natural e inevitável batalha jurídica
e, se bem conheço o “animal político” que é o socialista, a coisa vai ser dura.
Ele venderá muito cara a derrota e a luta vai ser violenta, forte e demorada. E, vamos lá, reconheçamos e recordemos: já temos visto anteriores processos de detenções bem mediáticos darem em... nada... A ver vamos... Vai ser interessante seguir mais este...
Entretanto e para além de acompanhar o desenrolar dessa cena
temos a forte curiosidade de observar as consequências de tudo isto não só para
o Partido Socialista, vendo como reagirá a tão forte abanão mas ainda também
veremos como utilizarão ou não as
restantes forças partidárias este inédito e surpreendente acontecimento…
Numa primeira impressão acho que eles reagirão assim como
que na espectativa e não farão muitas ondas nem provocarão os socialistas –
até porque se lembrarão que… também têm telhados de vidro… - mas, lá mais para
a frente e à medida que se aproximem as eleições de 2015, os ataques virão.
Virão, certamente. É a minha previsão…
Que não costuma falhar…
sábado, 22 de novembro de 2014
BOMBA! GRANDE BOMBA!

A bomba, como eu lhe chamei no Facebook, mesmo mesmo encima do acontecimento antes da meia noite, quando descobri a notícia, é mesmo uma grande bomba de verdade porque acho que a coisa é MUITO grave qualquer que seja o resultado que saia das medidas cautelares. Muito grave!
As autoridades terão de estar muito bem fundamentadas e cientes que não falharam na sua decisão de deterem Sócrates no aeroporto quando chegava de Paris ontem mesmo, mesmo, ao final do dia. Se isso é gravíssimo, gravíssimo será se as medidas cautelares que lhe aplicarem forem leves...
Se isso acontecer, o caso ainda mais se complicará... Acho eu...
Vou aguardar...
domingo, 16 de novembro de 2014
SAUDADES...

Saudades - muitas saudades! - dessas deliciosas e inesquecíveis azeitonas novas do Chouto, retalhadas e preparadas divinamente pela minha saudosa mãe!...
As últimas, há já uns anos, colhidas pela vizinha Maria Antónia, preparadas pela minha mãe e comidas com sal grosso "ás mãos cheias", bebendo uns tintinhos no "Zé Jaquim"!...
Quanta saudade!!!...
(Foto junta "roubada" à minha conterrânea Ana Rita Simões.)
domingo, 2 de novembro de 2014
SEPTAGENÁRIO
E
hoje aqui estou carregando já os meus 70 (setenta!) aninhos!
A
celebração foi idêntica às dos anos anteriores: refeição com a família mais
chegada, uns momentos amigos de confraternização, muita vez acrescentados pelas
muitas felicitações telefónicas que foram chegando e a coisa passou-se. Desta
vez, como o dia no calendário bateu num domingo, tivemos um almocinho num
restaurante aqui da cidade que decorreu muito bem. Escolhi para mim uma “dieta”…
Exactamente uma "Cataplana de Pampo", que estava exemplarmente confeccionada e
que degustei com elevado prazer.
Para
“ornamentar” este meu apontamento junto uma imagem da deliciosa “Cataplana de
Pampo” que muito apreciei e a já tradicional foto com o meu neto, numa tradição
que já é feita pela oitava vez. Também o Rafael já vai somando os aninhos…
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
A GENTE OUVE CADA COISA...
Hoje,
ao fim da tarde, aguardava a saída do meu neto do colégio, no fim de um dia de
aulas e ouvia o noticiário da TSF. As notícias não eram muito “frescas” e a
principal era mesmo já conhecida desde o início da tarde: tinha sido atribuído o
Prémio Nobel da Medicina ao casal norueguês Edvard Moser e May-Britt Moser e ao
anglo-americano John O’Keefe, pelas
suas descobertas de células que constituem um sistema de posicionamento no
cérebro.
Notícia
bonita e importante a que o noticiário algo mais acrescentava dizendo que,
Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, se regozijava com a notícia
exactamente porque, segundo ele, o casal norueguês tinha usufruído de uma bolsa
da UE para as suas investigações mas, acrescentava o locutor de serviço nas
notícias e cito de memória “nem todos ficaram satisfeitos com esta atribuição”
porque, segundo afirmou, uns grupos noruegueses de defesa dos animais
manifestaram a sua discordância pela atribuição deste Nobel porque, para os
estudos e para as experiências os neurocientistas da Noruega tinham sacrificado
ratos. Eles tinham feito os estudos nos cérebros de… ratos…
Não
tenho muito mais a acrescentar, né?
Recordo-me
que há já uns anos na velha casa da aldeia tinha um danado de um rato que nos
incomodava e preocupava e, o nosso tio Zé sabendo, descansou-me: “deixe que eu trago
uma ratoeira que comprei há dias e ele cai nela!…” E, caiu mesmo, nessa
primeira noite! No dia seguinte o desgraçado ali estava “enforcado” quando
tentava abocanhar o bocado do queijo…
Na
altura eu andava pelo Fotolog e publicava muitas fotos, que ainda lá estão, com
textos/legenda alusivos e, como antes, sobre um qualquer nascimento publiquei
uma foto e escrevi num hino e homenagem à vida, para o que me havia de dar
tirando uma fotografia ao rato “enforcado” na ratoeira ? Numa evidente decisão
de mau gosto, que reconheço mas, não pensando nisso e num contraponto à outra
do nascimento de uma vida, vá de escrever sobre a morte e consequente extinção
da vida.
O
que é que eu fiz? Caiu-me “o carmo e a
trindade” encima com uma carrada enorme de chamados amigos dos animais a
chamarem-me de tudo, tudo e a tratarem-me abaixo de… rato… Foi o fim do
mundo!... O que eles e elas me chamaram… Está ainda aí na net, no Fotolog…
Houve
quem me desejasse que morresse enforcado e teve até uma senhora que me deixou
muito preocupado porque, profetizou ela, na próxima reencarnação eu serei um… rato e morrerei enforcado numa ratoeira…
Tive
noites que nem dormi com esta profecia…
Desta
vez são os neurocientistas condenados porque sacrificaram ratos nos seus
importantes estudos. Enfim…
sábado, 20 de setembro de 2014
ANTÓNIO BENTO DEIXOU-NOS HÁ 32 ANOS!
Completando-se hoje 32 anos sobre o
falecimento do apaixonado chamusquense, grande pacifista e meu saudoso amigo
António Bento, fundador, director e corpo e alma grande do extinto “Jornal da Chamusca”,
recordo esta efeméride e deixo uma foto da sobre-capa do jornal publicado em
Setembro de 1982, sobre-capa que elaborei e fiz publicar então, com dor, é
verdade, mas também com paixão e amizade, como preito e homenagem àquele que,
sem dúvida, foi um amigo e dos melhores filhos que a Chamusca teve!
32 anos são passados mas a sua memória
permanece! Que descanse em paz, na paz que sempre sentiu, viveu, incentivou e
divulgou em toda a sua vida!
EM TEMPO - Já depois de redigido este pequeno apontamento constatei que o amigo Bento não faleceu a 20/9 mas a 21, com os 32 anos a serem considerados então amanhã. Errei porque, dias atrás revisitei em vídeo uma homenagem que lhe foi prestada na Chamusca, no Cine-Teatro, organizada pelo também muito amigo e saudoso Joaquim Cardador e para a qual fui convidado e estive presente com o maior prazer e que, por uma questão de calendário, realizou-se a 20 de Setembro de 1992 lembrando o 10º aniversário da sua morte. Essa data de 20, que tenho na lombada da cassete VHS confundiu-me na hora de redigir e publicar este apontamento e daí o erro.
EM TEMPO - Já depois de redigido este pequeno apontamento constatei que o amigo Bento não faleceu a 20/9 mas a 21, com os 32 anos a serem considerados então amanhã. Errei porque, dias atrás revisitei em vídeo uma homenagem que lhe foi prestada na Chamusca, no Cine-Teatro, organizada pelo também muito amigo e saudoso Joaquim Cardador e para a qual fui convidado e estive presente com o maior prazer e que, por uma questão de calendário, realizou-se a 20 de Setembro de 1992 lembrando o 10º aniversário da sua morte. Essa data de 20, que tenho na lombada da cassete VHS confundiu-me na hora de redigir e publicar este apontamento e daí o erro.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
BARBÁRIE
E, quando hoje passa o 13º aniversário sobre o incrível
ataque às Torres Gémeas que provocou o
número inimaginável de 3.000 mortos indefesos e inocentes e que, inevitavelmente,
mudou o Mundo e a História contemporânea e passado que está como que “esquecida”
a Al Qaeda e Ossama bin Laden, eis que surge-nos o chamado Estado Islâmico, com
a atrocidade e a barbárie que as muitas mortes e horríveis execuções por degolação
a net e outros meios de comunicação a toda a hora nos mostram, fazendo entrar
pela nossa casa adentro imagens impressionantes de agressividade e maldade
humanas.
Amante da harmonia, da concórdia e da paz, estas imagens
causam-me viva e horripilante impressão e nem sei como seres humanos têm sangue
frio e coragem e são capazes de tamanhos horrores!...
Tempos idos, coisas e cenas do género eram enviadas em fotos
ou vídeos para as agencias noticiosas e para jornais e tvs que as filtravam e
só publicavam consoante os seus critérios deontológicos e, desta forma, não
chegavam aos lares dos cidadãos indefesos e desprevenidos mas, hoje, com a net,
tudo mudou… Gente sabedora e experiente, formada no Ocidente, conhecedora dos
avanços da técnica da comunicação, aproveita a internet e, no preciso instante,
entra nos computadores dos cidadãos de todo o mundo e mostra os horrores e a
morte admissíveis e condenáveis.
É a net e o nosso mundo actual com todo o seu progresso e
espantoso avanço da técnica de comunicação, com todas as suas virtudes e todos
os seus muitos males e defeitos!
É o Mundo que herdamos e que criamos e mantemos e que doamos
aos nossos descendentes.
domingo, 10 de agosto de 2014
ÓDIO DE MORTE
Quase podemos dizer que se mais depressa o Papa Francisco
tomasse a bela iniciativa que tomou e que aqui registei em Junho último e mais
depressa a guerra, o horror e a morte voltariam aquelas martirizadas terras do
Médio Oriente.
Trata-se de um ódio de morte que dura desde que no final da
guerra 1940/44 os homens encontraram aquela solução para o povo judeu e que logo
se viu que não daria certo...
Homens e políticos experientes que tiveram a sabedoria e a coragem
para acabar com aquele tenebroso conflito mundial, não foram capazes de
encontrar melhor solução para aquele enorme problema e acabaram por criar um
novo conflito que, ao longo destas sete décadas, tanta dor e morte tem
provocado.
Não me sinto minimamente abalizado para condenar ou apoiar
qualquer uma das partes e entendo as posições dos israelitas e dos
palestinianos, julgando que ambos têm razão e culpas neste interminável
conflito. Custa-me aceitar a muita dor e morte que Israel tem provocado na
Faixa de Gaza mas também acredito que a Palestina e sobretudo o Hamas, no
intuito de melhor se defender, faz das mulheres e crianças escudos que os de
Israel não respeitam provocando assim situações e cenas horríveis que a
comunicação social todos os dias nos mostra.
Neste enorme drama que não sabemos como e quando terminará,
se é que terá fim, quem sofre são os mais fracos e indefesos, as mulheres e as
crianças de parte a parte mas sobretudo na Palestina porque mais fracos, que
morrem ou ficam feridas e que vêm os seus bens ser arrasados e destruídos.
Um odio de morte que nos horroriza e a que há que pôr termo.
domingo, 13 de julho de 2014
DIA LIIIIIIINDO!
Há muito que o nosso Rafael tinha manifestado desejo de me acompanhar à pesca no Alentejo mas só agora isso aconteceu...
Não o levei no ano passado porque
achei que ele ainda precisava de mais uns mezinhos de idade para se iniciar nessas
lides e, este ano, com ele já com oito de idade, deixei passar o mês de Maio e também o
Junho que esteve mau climatéricamente falando… O Maio teria sempre de evitar para ele... Primeiro,
por causa dos fenos, dos pólens e das danadas das alergias onde os espirros e
os olhos nos chateiam que se fartam e, depois, porque naquela data também
encontramos as arreliadoras e inconvenientes pequenas carraças que nos sobem
pelas roupas e pelo corpo…
Dias antes do marcado para a pescaria
comprei o necessário material adequado para ele utilizar: Uma cana leve, telescópica,
para usar com linha directa porque o carreto agora está fora de causa, uns
pequenos anzois, o isco (asticôt) etc, etc. Achei que para o iniciar e entusiasmar
temos nas represas alentejanas as pequenas e malucas percas que se atiram aos iscos
e aos anzóis doidamente e assim adquiri o material necessário para isso.
Ele queria ir à pesca sozinho com o
avô mas, isso, embora fosse possível, não era muito aconselhável e o pai também
fez parte da equipa. Não sabia muito da "faina" piscatória mas sempre ajudava a controlar o seu nervoso e a sua ansiedade...
Os 3 não partimos tão cedo quanto o
aconselhável para pescadores mas não o quis molestar muito logo no inicio da
prática e por isso saímos pouco depois das 7 da matina. Para alguém que, naquele sábado, não fora a pesca provavelmente
nunca se levantaria da cama se não depois das nove/dez, já foi algum sacrifício…
No percurso, de pouco mais de 100 kms,
foi a tradicional pergunta, cem vezes repetida: “Ainda falta muito?” e ainda a sua
divulgação/confissão: "Avô, hoje vou ter um dia excelente!: De dia tenho a pesca
e, à noite, vou jantar com os pais e uns amigos num restaurante!”. Achei uma delícia!
Chegados ao local da pesca, uma
pequena represa situada numa Herdade na fronteira do Ribatejo com o Alto Alentejo,
recebeu então ali as primeiras lições, primeiro do material que iria usar e, depois,
da forma como o utilizar eficazmente para produzir resultados. Foi muito
curioso e interessante observar as suas diversas reacções à vista de utensílios que naturalmente
desconhecia… Cana, linha, anzol, chumbo, isco, etc.
Depois, foram os ensinamentos sobre a técnica
a usar nos lançamentos, nas ferragens do peixe, etc, etc. e, com paciência e muito
gosto, fui explicando, demostrando e ajudando, numa tarefa tão deliciosa quanto
gratificante! Uma maravilha! Uma maravilha de bocadinho do dia e... da vida! Delicioso!
O Rafael foi aprendendo com relativa
facilidade e o problema maior, que afinal me parece ser generalizado e, portanto normal
nas crianças “meninos da cidade”, tem a ver com o segurar com a mão o peixinho vivo
e agitado saído da água e a querer libertar-se... Habituadas a verem os peixes vivos nos aquários ou mortos
nas bancas das peixarias, faz-lhes impressão senti-los vivos nas mãos… Coisa lógica. Natural. Uma
pequena dificuldade que o nosso Rafael ultrapassará com o hábito ao longo do tempo. Logicamente. Naturalmente.
Para ornamentar esta minha
gratificante narrativa deixo três fotos que me parece se justificam. Numa vemo-lo
recebendo ensinamentos do avô; noutra ele expressando um "Fixe!" e o seu prazer pela tarefa;
e, na última, as percas da sua pescaria já fritinhas e que serviram de aperitivo
no almoço da família, hoje aqui em casa!
Por fim, será desnecessário aqui manifestar
o muito prazer que senti neste dia único e liiiiindo, né?
Pois... Na verdade, foi um dia lindo, liiiindo!
Pois... Na verdade, foi um dia lindo, liiiindo!
domingo, 6 de julho de 2014
CORTIÇA - O SUOR E A DOR NA SUA ORIGEM!
Encostados ao balcão do pequeno
pavilhão na Feira de S. Pedro, oito dias atrás, conversávamos e íamos “molhando
a palavra” e refrescando-nos com umas “imperiais” loirinhas e bem fresquinhas.
A conversa era ligeira e falávamos da
feira em que estávamos e dos muitos e velhos amigos que ali sempre vamos
encontrando e reencontrando como é hábito neste evento anual na nossa terra
natal quando, no intervalo de mais uma fresquinha golada da loira cervejinha o amigo me
desabafa: “pois… é tudo muito bom e bonito mas o diabo é que amanhã, logo bem cedo,
já andarei de novo à roda dos sobreiros!...”
Fiquei assim a saber que o meu amigo,
homem multifacetado nos trabalhos agrícolas, andava agora na tiragem da
cortiça, num trabalho bem especializado, só ao dispor de alguns mais
experimentados e também de boas posses físicas dado que é necessária força e
sabedoria para o executar. Para além disso e porque a tiragem da cortiça só
pode ser feita nesta época do ano em que o Verão nos traz o muito calor, a
empreitada torna-se difícil, se não mesmo violenta porque feita ao sol,
exigindo esforço físico considerável e em zonas habitualmente muito secas e
portanto onde o calor mais incomoda.
Nascido e criado em zona de sobreiros
e frequentador também no Alentejo, por via da pesca, de locais com muitos
montados, tenho seguido praticamente todos os anos esta labuta e, com
curiosidade vou acompanhando o valor dos salários que os proprietários dos
montados vão pagando aos trabalhadores. Trabalho especializado e duro é sempre
mais bem pago que o vulgar trabalho agrícola e, segundo informação do amigo
com quem conversava, neste ano e na zona onde laborava, o valor da jorna era de
70 euros aos homens e 35 às mulheres. Ambos com pagamento “a seco”, portanto
sem comida nem bebida.

O valor pago aos homens foi
considerado pelo meu interlocutor de “jeitoso” mas outro tanto não acha, coisa que
eu subscrevo, quanto ao auferido pelas mulheres já que nos parece demasiado escasso face ao muito esforço e à considerável força física que elas têm de despender
para pegarem e transportarem à cabeça as grandes e pesadas pranchas de cortiça
que, caídas junto aos sobreiros, depois de sacadas das árvores, há que
leva-las até junto dos tractores ou camionetas - e iça-las para a carga! - que depois as transportarão até ao Monte da herdade onde serão empilhadas e guardadas até à sua venda e ida
para a fábrica transformadora. É necessária, não tenhamos dúvida, muita força muscular - muita força muscular! - e ter ainda uma boa coluna vertebral!... As mulheres, acho, estão a ser muito mal pagas para este
esforçado trabalho mas, muitas delas, coitadas, precisando e achando que aos 70
euros dos maridos juntarão os seus 35, totalizando assim um valor já considerável
que levarão para casa, que amealharão e que os ajudará a passar melhor os difíceis dias de Inverno
de menos trabalho que aí vem, são forçados a este grande esforço e sacrifício físico. É a vida muito dura das gentes do campo! É a vida muito dura
de quem precisa!
Como disse, nas minhas andanças na
pesca do achigã durante o Verão, encontro-me muitas vezes com estes trabalhos e,
aqui ou ali vou captando com a máquina as diversas situações que me parecem
mais interessantes. É o caso das duas fotos que aqui deixo vendo-se numa a extracção
da cortiça e as difíceis condições com que o trabalho se executa e, na outra, uma
pilha que achei interessante fotografar porque aí podemos comprovar como
especializado e até artista foi esse trabalhador que conseguiu “sacar” do
sobreiro, parece que com um simples e único corte de alto a baixo, a sua “samarra”... Bonito!
segunda-feira, 9 de junho de 2014
PAPA FRANCISCO - A REZA E O GESTO

Merecedora dos maiores
aplausos, a magnifica iniciativa do Papa Francisco tendente a construir a paz
no Médio Oriente!
Finalmente a Igreja Católica tem um chefe que, olhando para o Mundo e seus
imensos problemas, não se limita a orações e boas intenções e sai do Vaticano,
põe os pés ao caminho e promove encontros e reuniões com o objectivo de
ultrapassar dificuldades e resolver problemas.
Levar ao Vaticano os
chefes de Israel e da Autoridade Palestiniana, como ontem aconteceu, conviver
com eles e pô-los a falar e a actuar em conjunto, de que a imagem da plantação
da oliveira é um exemplo notável, merece os maiores aplausos de todos os que
repudiam a guerra e querem a paz!
Um aplauso muito vibrante para o Papa Francisco e o meu desejo que o seu
magnífico esforço produza os belos resultados que ele e todos os amantes da paz
ambicionam!
terça-feira, 20 de maio de 2014
"GUARDADO ESTÁ O BOCADO..."
Tenho a convicção, convicção que, em boa verdade é mesmo uma certeza, que fiz tudo bem. Não criei atritos - não criei qualquer problema! - e cheguei até ao último dia em que a entrada na herdade me foi concedida sempre, sempre com um excelente relacionamento com o Encarregado que me facultava a passagem e até com os demais funcionários e trabalhadores da propriedade. E, mesmo agora que o acesso me foi vedado, o nosso contacto telefónico ficou em excelente estado porque sempre fui muito bem tratado e sempre tratei tudo e todos o melhor que sabia e podia.
O argumento que há vários anos muitas
vezes me foi apresentado: “O patrão não quer carros dentro da herdade mas ele
sabe de si e você é uma excepção, sem problema”, foi esse mesmo argumento que
agora voltou a ser utilizado mas em sentido contrário, dado pelo telefone no
sábado, 17, pela manhã, depois de na véspera me mandar avançar: “Desculpe!
Desenrasque-se por outro lado. Ele não quer carros cá dentro e eu não abro
excepção para si. Desculpe!”
Claro que desculpo e despedi-me do
amigo com toda a cortesia que ele sempre mereceu. Só que, desta vez, não esteve
tão bem assim…
Como era habitual telefonei-lhe de
véspera pedindo para me abrir o cadeado e, ao seu reparo de que andavam lá com
máquinas, tive o cuidado de contrapor: “Mas, se houver problema, não vou. Veja
lá…” E logo ouvi a resposta amiga do outro lado:” Não, não. Venha! Venha!”
Foi então o que fiz na manhã seguinte
(sábado passado) e, quando bati no cadeado fechado liguei… Liguei e obtive a já
mencionada “nega” que, aí sim, me surpreendeu.
Claro que sempre entendi que, quem
frequenta a favor um determinado espaço por cortesia de outrem, sempre tem de
estar preparado para um dia essa benesse acabar e, francamente, eu estava
preparado para que um dia isso acontecesse mas o que não esperava é que isso
surgisse escassas horas depois de me terem mandado avançar… Para isso não
estava preparado.
Despedi-me com cortesia que o convívio
com o amigo bem justificava – e esse favor lhe ficarei para sempre a dever!...
- mas não minto se disser que senti assim como que um murrozinho no estômago… O
que o amigo Pedro disse no sábado de manhã pelo telefone, bem poderia ter dito
na sexta, quando lhe liguei e me mandou ir…
Parti então para “outra” mas de manhã
a coisa já não correu bem… Tem-se como certo que para fazer boa pescaria o
pescador tem de estar calmo e confiante e eu não estava. Não estava, não.
Desanimado por ter perdido um excelente local de pesca onde durante muitos anos
me diverti muitíssimo e, sobretudo, da forma como a recusa aconteceu, deixou-me
um pouco ferido…
Depois do almoço e embora a horas
impróprias, segundo os “cadernos” para a pesca do achigã, resolvi visitar uma
pequena charca que conheço bem no meio do mato, rodeada por pinheiros e
sobreiros, sem a mais leve poluição na água e onde praticamente ninguém vai.
Nunca ali encontrei um pescador e só ali pode ir um ou outro maluco, como eu. Na
verdade, sozinho, só um louco ali vai. (Se surgir algum problema na viatura,
com o difícil acesso, isolado, sem rede de telemóvel, será sempre obrigatório
andar a penates bem mais de uma hora e atravessar uma ribeira a vau para pedir
ajuda… Por isso só ali vou de manhã ou a meio do dia. Nunca pela tarde
adiante.)
Há 4 anos pesquei ali um excelente
achigã com mais de 1 kg e, embora tenha pouco peixe, como não regista qualquer
pesca, eles vão crescendo e com algum “descanso” de um ano ou dois de intervalo,
não é difícil depois encontrar um ou outro peixinho jeitoso naquela “reserva”.
Foi o que aconteceu agora…
Mas o achigã é um bicho de estranho
comportamento e, dia-a-dia estes bichos surpreendem-nos. Sabemos que os
maiores não costumam andar juntos em cardume ou coisa no género e ali eu vi 3
juntos. Três. Três apenas e únicos! Nem mais um peixe vi, menor ou maior.
Incrível!
Tentei então fisgar um dos simpáticos
e… tive engenho e sorte para enganar 2 deles e iniciei assim muito bem a época
de 2014! O 3º fica para outra altura, se ele então quiser… Mas haverá
certamente mais alguns por ali… Julgo eu…
Fica aí a “obrigatória” foto que gosto
de tirar com estes belos peixinhos e, depois da emoção desagradável da manhã em
que não pude pescar como desejava, fez-se então jus ao conhecido ditado popular
que nos garante que “guardado está o bocado para quem o há de comer”.
Foi o que aconteceu comigo na
“abertura” deste ano.
Prosseguirei enquanto me deixarem e
puder.
domingo, 13 de abril de 2014
UF!!!... O RAPAZ OBROU!...
A cena ocorreu há já uns bons pares de
anos mas nunca mais a esqueci não obstante o tempo decorrido e tenho-a ainda
bem viva na minha memória.
Eu, nessa distante data, era
Assistente do "Circulo de Leitores", tinha quatro centenas de sócios do Circulo
que visitava assiduamente e, francamente, tinha com todos uma excelente
convivência. Aconteceu que, à porta de um desses apartamentos e enquanto era
atendido pela dona de casa, veio lá de dentro uma simpática idosa, que depois
soube ser sua mãe e que, simpaticamente, me saudou com um amável “boa noite!”
a que, naturalmente respondi retribuindo com idêntica saudação de “boa noite,
minha senhora!” e ainda acrescentei :
- Como está?
A simpática senhora, toda de negro vestida, confessou-me então:
- Mal, senhor. Mal! O senhor, obra bem? - perguntou-me de chofre.
Admirado com a franca confissão
da senhora e não menos com o patusco termo utilizado, respondi-lhe assim mais ou menos laconicamente, rápido e de mansinho:
- Obro.
E, aí, a sofrida idosa rematou:
- Eu não… Eu obro muito mal, senhor!…
As vezes que hoje este rapaz se
lembrou deste curioso e invulgar dialogo não mais esquecido!?...
Depois de uma terrível noite de cólicas
e mais cólicas, motivadas por 8 dias sem obrar – isso mesmo, como a senhora me
ensinou: sem obrar!..eheh.- eis que o rapazinho, aflito até mais não, corre a pedir
auxílio pela 1ª vez a um hospital.
Pouco tempo depois da chegada é-lhe
colocada na chamada "Triagem" uma pulseira de cor amarela e depois foi o pior e afinal o único
e chato contratempo: muito tempo de espera!...Mais de 2 horas com o menino quase sempre
de pé, girando de um lado para o outro porque, sentado, as cólicas eram ainda mais
danadas... (Teve quem não aguentasse e, um jovem, muito sofredor de algo num pulso, resolveu não esperar mais e... foi-se... Depois foi toda a manhã a ouvir chamar pelo seu nome, para se dirigir ao gabinete x...)
Passada essa demora, tudo correu de
forma excelente e com andamento muito bom e sempre com atento e competente
atendimento. Diagnóstico cuidado por médico-cirurgião (Dr. Nuno Pignatelli) "está carregado de fezes!", análises de sangue e urina, clister e onde, de forma
solicita e sempre muito simpática, nem uma fralda faltou recebido o clister, para o curto trajecto a fazer até aos sanitários. Tudo
bastante bom e, logo, logo em pouco tempo o rapazinho obrava a “carga” e "ressuscitava" – coisa que
demorou talvez bem perto de meia hora! eheh – e surgia como novo junto da
família que o aguardava.
Ufff! Mas foi uma danada de uma
aflição, pá!... Não quero voltar a sentir tal coisa!...
No balanço final, só dois senões do
serviço – Serviço Nacional de Saúde - do Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca,
na Amadora: O largo tempo de espera que o desgraçado do padecente, com terríveis
cólicas intestinais, teve de aguentar e ainda, meus senhores, o incrível volume do som
da aparelhagem ouvida em toda aquela zona das Urgências, chamando e indicando, segundo a segundo, minuto a minuto,
os necessários serviços aos doentes! Um barulho incrível, meus amigos! Mais parece que estamos numa
estação da C.P.. com os altifalantes anunciando as chegadas e partidas dos
comboios… Para quê tanto barulho, que incomoda e fere os ouvidos dos sofridos
doentes? Não entendi...
Ah! Já me esquecia: Paguei, logo “à cabeça” - para não esquecer... -,
a “simpática” “taxa moderadora”: €18,05!
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