sexta-feira, 4 de março de 2016

EM MARÇO DE 1971, NO CHOUTO DE OUTROS TEMPOS




Hoje recordo este que, seguramente, foi um dos maiores escândalos da minha freguesia natal na época contemporânea:
Há 45 anos, quando da saída para a rua da edição de Março de 1971 do “Jornal da Chamusca”, provoquei um dos maiores “balburdios” na aldeia e na freguesia!
Passo a contar:
Tínhamos então no Casal do Geraldo uma bruxa – ou benzedoura, como então também se lhes chamava – que, na época, estava a agitar as mentes menos esclarecidas do burgo pelo que o então jovem repórter do jornal local – eu tinha na data os 26 anos em que sempre se tenta mudar o mundo… - entendeu por bem agitar as águas e mandar uma pedrada no charco. Recordo-me que na agitação social da aldeia já nalguns casos se falava em divórcios de casais com muitos anos de consórcio e as consequências para esses, para filhos e até, nalguns caos, para netos, seriam graves e inevitáveis. E, o jovem repórter, de sangue na guelra, achou que tinha que agitar as águas e mudar as coisas…
Arranjei como cúmplice corajoso o falecido e meu muito saudoso amigo João da Cruz Galucho que, “pendura” dentro do carro, tinha a missão de, com a minha velhinha “Kodak” escondida, que lhe ensinei a manejar, sacar as fotos possíveis, atraída que fosse por mim a senhora para a rua e aí ele deveria disparar a maquininha. Tudo resultou em pleno.
Não foi fácil e corri algum risco - depressa aliviado porque a senhora não reconheceu o solteirinho ali apresentado como “caixeiro viajante” supostamente casado que andava em difícil relacionamento com a sua esposa… - e, depois de cerca de meia hora de “consulta”, com gravador de voz previamente ligado escondido numa velha pasta de couro ciosamente conservada encima do colo na consulta, onde depois foi depositado um prato com água e uns pingos de azeite que se “escangalhava todo”… - nas palavras da pobre senhora “benzedoura”, saí e o João da Cruz registou as fotos na rua. Pleno êxito na operação, pois!
Trouxe então um género de “pó de talco”, a que a senhora chamou de “pó d’atrair”, que tinha de juntar aos poucos nas cartas que fosse escrevendo à “esposa” e, em casa, também teria se colocar debaixo da almofada da cama sem que “ela” desse por isso…
Quando o jornal saiu no final de Março de 71 foi o escândalo dos escândalos! Houve mesmo um “auto de fé” com vários exemplares a serem queimados no largo da aldeia e o nosso saudoso João da Cruz na ocasião teve mesmo que meter pernas ao caminho e recolher-se em casa para não ser incomodado fisicamente… Mas, ele era, seguramente, o menos culpado… Eu, sim, fui o obreiro daquela “maldade”. Honra seja feita e se diga entretanto que, a mim, grande responsável daquela arriscada façanha, ninguém da terra incomodou. Foram simpáticos e amigos.
Na verdade, culpado era e foi este vosso amigo que, preocupado com o ambiente então existente na freguesia, quis mandar uma pedrada no charco e mostrar a muitos conterrâneos que andavam profundamente enganados e errados e, a senhora – que por sinal era bastante inculta e ignorante, coitada… -, era prematuramente informada por colaboradores/as locais que a informavam de quem iria na vez seguinte à “consulta” e aí ela sabia o que devia “armar” com a suposta padecente. Como na minha vez foi apanhada de surpresa e de mim nada sabia, foi o desmascarar de uma farsa que provocou o escândalo.
Confesso entretanto que, hoje, passados este 45 anos, não sei se teria coragem para arriscar tanto como então o fiz…
Como remate final digo que o escândalo chegou ao Ministério Público e fui chamado a tribunal – Tribunal da Golegã – onde já encontrei em cima de uma grande mesa todos os frascos com cobras, sapos e lagartos em álcool e as muitas fotos molduradas de então militares da freguesia na guerra de África, objectos que tinha visto no local da “consulta”, e no tribunal limitei-me a confirmar tudo o descrito na reportagem do jornal, tendo conhecimento posterior que a senhora foi “recambiada” para um outro qualquer lugar, creio que mais a Sul onde, presumivelmente, continuou a dar os seus “aconselhamentos”…

(Texto e foto publicados na página do Chouto no Facebook)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

MAIS VELHARIAS, MAIS RECORDAÇÕES


Esta imagem, agora copiada da net, traz-me recordações que desejo partilhar:


Meu falecido pai era um verdadeiro enfermeiro da aldeia e a ele recorriam muitos ou talvez mesmo todos os padecentes que necessitavam de alguns cuidados médicos. Era vulgar os doentes, indo à Chamusca ao médico dr. Cumbre ou à “farmácia do Joaquim Cabeça”, estes recomendarem que, depois na terra, procurassem o Zé Azevedo para lhes “dar” as injecções ou para lhes “mudar” os pensos, no caso de feridas. Muito vulgar e, diria mesmo: quase obrigatório.

(A propósito quero recordar aqui, porque me lembro muitíssimo bem que, na época – e falo das décadas de 40/50 do século passado – era muito fácil ocorrerem fortes e valentes rixas não só entre residentes na aldeia como, principalmente, entre habitantes do Chouto e forasteiros de localidades vizinhas. Acontecia com pessoas de Ulme mas, muito principalmente, com gente vinda da Parreira. Era rara a escaramuça que não resultava em murro, pontapé e pedrada e, lembro-me bem porque, sendo eu criança, as cenas sempre me impressionavam, o desenlace acabava por envolver e terminar também muitas vezes em fortes pauladas porque os cajados de pastores, boieiros e eventualmente até lavradores, na época frequentadores das tabernas, entravam em acção e, daí às cabeças partidas e muitas outras feridas, era coisa inevitável e de breves segundos.


Muitas destas sofridas vítimas iam parar às mãos do Zé Azevedo e é daí que guardo na memória essas imagens que então tanto me impressionavam e que, possivelmente, não mais esquecerei. Lembro-me de ver meu pai com uma “gilette” rapar um pouco o cabelo em redor de uma ferida aberta na cabeça de um sofredor que levara forte paulada, água oxigenada e mercúrio-cromo. E também usava, noutros casos um pó, algo de nome “sulfamida”, produto então muito utilizado para cicatrizar rapidamente as feridas.)

Bom, mas comecei a divagar para outro lado e esqueci-me da razão da publicação desta imagem agora apanhada na net…
O que vemos é concretamente uma caixa de seringas: a dita cuja e as suas agulhas com que se infiltravam os medicamentos. No recipiente maior eram colocadas a seringa e a respectiva agulha aconselhada para a injecção; ali se vertia um pouco de álcool e se lançava o fogo para as desinfectar. Extinto o fogo e desinfectadas as ditas, a agulha era aplicada na extremidade da seringa, aspirado o liquido do medicamento e infiltrado no doente, quase sempre numa nádega.

Meu pai “deu” seguramente muitos milhares de injecções a residentes na freguesia e lembro-me especialmente de um senhor de nome José Ferreira, marido de dona Maria Augusta, ambos já falecidos há muito e pais dos meus amigos (Fernando, Diamantino, Álvaro, etc.) ainda hoje felizmente vivos e gozando de boa saúde. O seu pai José Ferreira sofria e sofreu durante vários anos de tuberculose e as injecções eram obrigatórias para combater a contaminação de que sofria. Uma vida de sofrimento a dele e uma verdadeira militância de meu pai, neste e em muitos outros casos idênticos e até piores com doentes graves e em fase terminal de vida, de que bem guardo memória.

Vidas passadas de outro Chouto passado…

Alonguei-me – o habitual… - mas pode ser que alguém aprecie estas velharias…

domingo, 24 de janeiro de 2016

PROF. MARCELO REBELO DE SOUSA, NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA!


E aí temos hoje Marcelo Rebelo de Sousa eleito Presidente da República de Portugal, concretizando assim o que foi possivelmente o desejo de toda uma vida. Não sei se foi exactamente isso em todos os dias da sua vida mas, que o foi seguramente nos últimos anos, disso julgo não ter dúvidas…

O dr. Marcelo Rebelo de Sousa, professor de direito, jornalista, político e comentador político é sobejamente conhecido em todo o país e era logicamente o mais que potencial vencedor desta contenda eleitoral.

Venceu e venceu bem, com maioria, logo à 1ª volta e deixou a léguas a concorrência. Concorrência que afinal era unicamente corporizada e muito leve em Sampaio da Nóvoa, outro professor universitário credenciado mas sem experiência política e sofrendo do desconhecimento do homem da rua sobre a sua pessoa. Para além disso, o ex-reitor da Universidade de Lisboa ainda sofreu da falta de votos dos militantes socialistas de um PS dividido pelos maçons da velha guarda (Almeida Santos, Manuel Alegre , Vera Jardim, João Soares, Jorge Coelho, etc) que, não gostando de Nóvoa, trataram de inventar e fabricar uma candidata fraca, fraca (Maria de Belém) que, para candidata só tinha o apelido e que ainda por cima deixaram que na derradeira semana da Campanha Eleitoral saísse a lista dos nomes dos “deputados fantasma” que recorreram para o Tribunal Constitucional na questão das Subvenções Vitalícias e em cujo grupo constava Maria de Belém. A juntar à fraquíssima campanha, foi a cereja no topo do bolo para que este percurso de Maria de Belém e dos seus amigos maçons, dessa ala que a empurraram para a candidatura, transformasse tudo num verdadeiro desastre…

Marcelo, fez uma campanha única e inédita, sozinho, sem bandeiras e apoios partidários ou arruadas, visitou pastelarias, centros de dia, farmácias, cafés, restaurantes e realizou uma ou outra sessão em pequenas salas, sempre com o apoio de gente da direita, do clero e certamente da sempre discreta mas actuante Opus Dei. Recusou a ajuda de um PSD envergonhado que, pela boca do seu líder, antes lhe havia chamado “cata-vento” e de um CDS, sem candidato próprio e “pendurado” no sucesso pessoal de um Marcelo que, com calma, dia-a-dia, foi percorrendo de carro uma boa parte do país. Venceu, como se esperava e, goste-se ou não do professor e das suas ideias, há que reconhecer que era o melhor preparado para o cargo e venceu naturalmente.

Dos restantes candidatos pouco há que falar, para além de destacar o bom resultado de Marisa Matias, do Bloco de Esquerda (virou moda votar no BE e a juventude contribui muito) e salientar a grande votação no “Tino de Rans”, o calceteiro simpático e inteligente que mereceu o voto de muita gente (foi delicioso ver e ouvir agora na TV o telefonema dele para Marcelo felicitando-o por, logo a seguir a ele que, naturalmente venceu na sua aldeia nortenha, “você foi o mais votado. Ficou em 2º lugar.). Por fim, salientar um facto que considero inédito: que me recordo é a 1ª vez que numas eleições vejo o PCP reconhecer a derrota! Inédito!


E pronto. Em Março Marcelo Rebelo de Sousa tomará posse e partirá para a sua dourada reforma um Cavaco Silva, sem chama, sem cultura, sem jeito, sem nada e que não deixa saudades. A ninguém. Infelizmente.

domingo, 10 de janeiro de 2016

UM BONITA PÉROLA DO MEU BAÚ DE VELHARIAS


Por considerar uma verdadeira ternura a forma como a manas se apresentam vestidas e perfiladas, deixo hoje aqui esta deliciosa foto que terá sido tirada por volta de 1940 numa Feira de S. Pedro do meu Chouto natal e que nos mostra os meus avós maternos Maria do Rosário e Gregório Alves e as suas 4 filhas, Maria (minha mãe), Beatriz, Domingas e Luísa.

Infelizmente, desta minha querida família, linda de interior e exterior, honrada, trabalhadora e de caracter, um a um quase todos já partiram e só temos connosco nesta data entre nós a 2ª menina da esquerda, a minha doce e amiga tia Beatriz.
Todas as outras três irmãs e ainda primeiramente os meus queridos e saudosos avós, já partiram há muito. 
Acho uma delícia a forma como as manas se apresentam vestidas e interrogo-me se, nos dias de hoje, tal seria possível?
Pergunto e respondo: é evidente que não.

domingo, 6 de dezembro de 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

ACHIGÃ - FIM DA ÉPOCA 2015


Neste tão prolongado “Verão de S. Martinho” eu, que andava a vigiar na net as previsões dos “manda chuva”, vi que a partir de sábado (21) as temperaturas começavam a descer e, pedindo dispensa para não ir buscar o Rafael ao colégio nessa tarde de ontem, decidi avançar para uma derradeira visita aos achigãs neste 2015 quase no seu final.

Sai de casa por volta das sete e meia, com o dia a clarear e, pouco depois das nove estava junto da pequena represa. Viagem boa mas não tão agradável quanto o desejado: o danado do denso nevoeiro em pelo menos 80 % do percurso, impediu que a coisa fosse mais agradável. Mas, com mais cuidado e redobrada atenção, correu tudo bem.
À chegada senti o natural friozinho da época do interior do Ribatejo/Alentejo (o local fica na fronteira das duas províncias) e pesquei usando um velho blusãozito que sempre me acompanha nestas épocas desde há muitos anos (nem já o consigo apertar na barriguinha (?) – consequência dos muitos “cozidos” e “feijoadas” ao longo dos anos “mamados”!...) mas que, por volta das 11 horas larguei e guardei no jipe.
Por experiência sabia que nada ferraria naquela manhã – água e ambiente exterior frio e a pouca convicção que, nesta coisa da pesca também conta… - fui mais porque queria dar um saltinho depois de almoço, com o piso já mais seco, até um pequeno charco onde tinha esperança – se não tivesse secado pela falta das chuvas… - de ferrar um ou mais achigãs.
De facto de manhã nada vi ou ferrei e, pelo meio-dia, parti para ver do almoço... No percurso tive uma pequena surpresa: vi umas quantas ovelhas que, tendo furado a cerca, andavam pela estrada comendo bolotas dos sobreiros das bermas… Pensava eu que as ovelhas só comiam ervas e arbustos e desconhecia, ou pelo menos não me ocorria, que também comiam bolotas. Ignorância, né? Fotografei para aqui deixar.
Depois, no restaurante, uma nova, feliz e saborosa novidade: enquanto olhava a lista dos pratos o amigo Fernando, sonda-me:
- Tenho aí um petisco diferente mas se calhar o sr. Azevedo não gosta?...
- O quê? Eu gosto de tudo! - pergunto, curioso.
- Uma sopa de “couves com feijão” que é acompanhada por “petingas fritas”!
- O quê? Venha! Venha já, Fernando! – peço-lhe de imediato, perante o seu espanto.
Um espanto! Um espanto de petisquinho! Num restaurante que frequento há muitos anos, sempre que ali vou para a pesca e onde sempre são servidos os tradicionais mas bem confeccionados e saborosos pratos à base de porco e carneiro, o amigo Fernando neste dia – oh, maravilha das maravilhas! – resolveu inovar e presentear os clientes com as saborosas e únicas “couves com feijão” e as “petingas fritas”!
Um almoço 5 estrelas! De verdade! Ah! As “petingas” e as couves foram regadas com um “jarrinho” (7,5 l) de “Ermelinda”, da região do Sado... “Nadaram” bem as ditas cujas!... Deixo aí a “prova” fotográfica da maravilha ingerida e degustada!
Bem, depois foi então o partir para o “tal” buraquinho, pequeno charco que até nem tinha bem a certeza se não estaria sêco, face à tão grande falta de chuva. O percurso não foi o mais curto para evitar o atravessar da ribeira que, embora ainda leve pouca água, tem o fundo muito arenoso e podia ficar ali atascado com o jipe. Seria o fim da aventura face à distância que, a pé, teria de percorrer para pedir ajuda… (Coisa de carro de 2/3 minutos mas, indo a pé de mau caminho e a subir, nunca demoraria menos de uma hora… Só um maluco pela pesca, como eu, ali vai sozinho…)
Fiz então a volta bem mais acima pela outra herdade onde, para atravessar a ribeira não há perigo porque o fundo da dita está “cimentado” e passa-se com facilidade mas corria e corri o risco de depois o trajecto ser mais difícil, como foi, mas menos sujeito a “atascanso”.
Cheguei ao local e a primeira preocupação foi verificar se ainda havia água… Ainda estava a fazer a manobra de estacionar o jipe e já olhava para o fundo do vale/declive para comprovar…Tinha!!! Tinha ainda água por ali! Uma pequenina poça, mas tinha!
Desci e por ali me entretive cerca de 2 horas. E foi bem agradável confesso, para fecho da época da minha pesquinha! Para além dos diversos pequenos que libertei para crescerem, ferrei um exemplar maneiro e safou-se um outro mais pesado. Esse não quis e assim crescerá até ao próximo Verão…
Fica também aí a foto do baby e a esperança/desejo e também a convicção de que, se voltar a chover dentro de 2/3 semanas e se depois o Inverno for tão generoso e chuvoso quanto o habitual, os bichinhos reproduzir-se-ão e crescerão dentro do habitual e, em Março, daqui a 5 meses, ali poderei voltar a divertir-me.
Assim a saúde e a vida futura me permitam!...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

E, AFINAL, CAIRAM!...

E, afinal, verifico que os passos dados quando, excepcionalmente, fui votar a 4 de Outubro passado com o único objectivo de ajudar a fazer cair o governo Passos/Portas, valeram a pena: o governo não caiu naquele dia mas caiu hoje na Assembleia da República com os votos conjuntos da maioria de esquerda PS/BE/PCP!

É verdade que não acredito na solução dos acordos destes partidos mas, ver ir embora gente que me/nos tratou abaixo de cão, com tanta sobranceria e indignidade (“emigrem”, “piegas”, “desemprego pode ser uma boa oportunidade para mudar de vida”, etc, etc) para além dos cortes efectuados em ordenados e pensões e do enorme aumento de impostos feitos e apresentados sem um mínimo de sensibilidade e até educação – e se mais cortes não foram feitos, foi porque o Tribunal Constitucional não deixou… - só pode dar um enorme alívio verificar que esta gente foi finalmente corrida.
Agora ainda falta saber a decisão do actual inquilino de Belém de onde, em boa verdade, tudo de pode esperar… Mas a sua margem de manobra é escassa e não indigitar o PS para formar governo só provocaria ainda maior crise.
Quanto a esse eventual governo resultante desses acordos agora feitos entre o PS e os BE e PCP, assinados em separado e assim meio ás escondidas, confesso que espero pouco. Direi mais: muito pouco!
Deixo as imagens “oficiais” das assinaturas dos acordos (os jornalistas não assistiram), assinaturas feitas à pressa, em pé e até por cima de cadeiras, numa coisa que, direi, atamancada; nunca reuniram nem assinaram a três; e o PS governará sozinho, com o apoio parlamentar dos outros.
É frágil, muito frágil. Oxalá me engane…

domingo, 8 de novembro de 2015

SEREI XENÓFOBO?

Ontem, juntamente com esta foto, que retirei da net, publiquei este pequeno apontamento na minha página do Facebook e, hoje, repito-o aqui, numa opinião que alguns considerarão xenófoba mas que não me incomoda minimamente:

Apoio e aplaudo a melhor recepção possível aos sofridos refugiados, fugidos da guerra e lamento e sinto todo o seu imenso drama mas, que me desculpem a intolerância, porque dela não consigo fugir, comigo a decidir, a essa "coisa" de preto, aí no centro da imagem, convidava-a a retornar à sua terra...

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

E... "OS 71" (SETE - UM) CHEGARAM!...


E aqui estou com os meus 71 (setenta e um)! 

Gosto desta idade e destes algarismos por me fazer lembrar os 7-1 que o meu Sporting aplicou ao Benfica há uns bons pares de anos e que eu tive o privilégio de saborear ao vivo.
Pois então, soma mais um ano este septuagenário!
Foi um dia de aniversário idêntico aos muitos outros que já passaram
Vinda de Crescido/Vouzela de manhã e jantar com a família mais chegada.
Outros se seguirão, quero acreditar e oxalá a chatice que há cinco anos me acompanha dia e noite, todos os dias, vá passando e assim alivie a minha cabeça que, desde então, dia-a-dia, hora-a-hora me apoquenta e preocupa. Face aos cinco anos passados uma das faces do problema já foi ultrapassada, com muito dinheiro gasto e muitas preocupações e noites sem dormir mas, ainda falta a outra face do mesmo problema e, essa, talvez demore ainda mais uns bons tempos… Veremos o que aí vem… Porque eu não duvido que a chatice chegará. Seria excelente se me enganasse.
De resto, quanto à saúde, penso que a coisa vai correndo sem preocupações de maior. Pés e pernas inchadas e uns quilos a mais, coisas de há muitos anos e a que já me habituei… Mas terei de futuramente preocupar-me mais um pouco com esses “detalhes”… Sim, porque já não sou propriamente uma criança…
Deixo aí para a posteridade uma foto do pessoal à mesa e o já tradicional retrato com o Rafael, coisa que se repete há já nove anos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CAVACO, O FRAQUINHO (AINDA) "INQUILINO DE BELÉM"


O "Inquilino de Belém", indigitando hoje a coligação PSD/CDS para formar governo, fez acertadamente o que deveria fazer mas, depois...
Bem, depois, perdeu uma excelente ocasião de ficar calado.
E... eis o perfeito "acordeonista" para manter o "baile armado"!...
Escrevi isto na minha página do Facebook e agora pouco mais acrescentarei para além de lamentar que tenhamos como Presidente da República uma figura tão fraca, tão fraquinha.
O homem, prestes a terminar o seu segundo mandato, vai sair com a popularidade no mais baixo que se viu num presidente, exactamente porque é muito fraco intelectual e politicamente e, mais que isso, nunca conseguiu despir a camisola do seu partido.
Indigitou e bem, quanto a mim, Passos Coelho para formar governo mas, logo depois, não resistiu a catalogar os votos dos portugueses de 1ª e 2ª e borrou a pintura. Borrou e de que maneira.
Para além de não o poder nem dever fazer até se esqueceu que, formado este novo governo e rejeitado como provavelmente será pela maioria de votos dos partidos da esquerda, ele terá certamente de convidar o 2º partido mais votado, o PS, para formar governo e, obtendo este o apoio parlamentar dos partidos mais à sua esquerda, esses mesmos que agora Cavaco “diabolizou” no seu discurso, terá de dar posse a um governo que claramente não será do seu agrado, engolindo assim uma carrada de sapos.
Presidente muito, muito fraco. Tanto que nem merece foto a acompanhar este apontamento…

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

ELEIÇÕES - ESTÁ O BAILE ARMADO!...

O povo é um rebanho e as campanhas bem ou mal feitas têm muita influência nesse mesmo povo e na consequente votação que faz e assim aconteceu ontem nas Eleições Legislativas com a surpreendente vitória da Coligação no governo há 4 anos PSD/CDS.

Eu, que não votava há tantos anos que já nem me lembro, indignado e ofendido pela actuação destes ditos governantes achei que me cumpria exercer o meu voto exactamente para ajudar a derrubá-los. Não que eu gostasse do PS, da sua política e da sua actuação mas sobretudo porque achava que era a única força provável de lhes infligir uma derrota e os fazer sair corridos pela indecência do seu comportamento. Bem me enganei…
Reconheço que a campanha dos socialistas foi má e difícil e, por outro lado, os senhores da coligação fizeram uma campanha inteligente e profissional. Li que foi orientada por um brasileiro que contrataram. A do PS foi um desastre. Amadora, cheia de erros e muito pouco interessante.
Ver uns gajos destes que durante 4 anos aplicaram nos portugueses uma receita duríssima e sobretudo absolutamente insensível de cortes, supressões, despedimentos, fechos de milhares de coisas públicas e, encontra-los ontem como vencedores, custa a entender. Custa mas, é assim mesmo. É verdade que perderam a maioria - valha-nos isso!... -  mas...  ganharam.
Ganharam mas, pela primeira vez temos em Portugal uma maioria de votação e deputados de esquerda. Coisa absolutamente inédita e por isso, ou me engano muito, ou a coisa vai complicar-se … Vai, vai!...
Porque temos em Belém uma figura sem categoria e porque estes resultados eleitorais vêm baralhar muitíssimo a vida política e governativa portuguesa, titulei este apontamento de “Está o baile armado”…

Está, está! Veremos o que vai seguir-se...

domingo, 4 de outubro de 2015

RAFAEL, CAMPEÃO NO 2º DIA DE PESCA!


Bom e bonito o dia de ontem! Daqueles que ficam na memória e apetece repetir! 
Pela 2ª vez levei o Rafael à pesca e pela 2ª vez ele gostou. No regresso disse mesmo que gostou ainda mais do que da 1ª vez!
Peguei-o com o pai pelas 7,30 da manhã e pelas 9 horas estávamos junto à barragem a 106 kms. Comeu-se uma pequena bucha e lá fomos à nossa tarefa…
Ferrar as pequenas e malucas percas era o objectivo e, usando o clássico asticô, a empreitada não se apresentava difícil. As percas são malucas e atiram-se ao isco sem o menor receio. A dificuldade em as sacar só está na sensibilidade e prática para as ferrar no momento ideal. É dessa prática que o Rafael ainda necessita para ser mais eficaz na sua captura mas, mesmo assim, imagine-se que conseguiu sacar a maior de todas que ontem saiu da água! Quando regressamos ao carro para seguirmos para o almoço pesámo-la e marcou 200 grs! 200 grs numa perca já é muito bom e, é justo dizê-lo, foi ele que lançou, ferrou e a retirou da água sem a mais pequena ajuda! Depois, durante o dia, na brincadeira perguntava-lhe como tinha feito (?) a que ele respondia: “Não digo!” Ah! Ah!
De manhã pescamos um total de 0,5 kg e na parte da tarde mais 0,750 kgs mas aí já fui eu que, pegando na cana e depois de as ferrar, a passava ao pequeno pescador que as tirava para fora. Por vezes deixava folgar a linha e… lá iam elas. Mas deu para ir treinando bastante. O seu maior problema, que este ano já é menor, ainda está no receio de segurar o peixe vivo e a mexer-se para o retirar do anzol. Mas, verdade se diga, este ano a coisa já melhorou muito. Bastante, mesmo!
Para o ano, no Verão, quero ver se o levo pelo menos duas vezes porque esta actividade, com a ida para o campo e o contacto com a natureza e as suas envolvências é muito necessária e importante no seu crescimento.
Foi este um excelente dia na minha existência e quero repeti-lo mais vezes! Não tem preço o imenso prazer que proporciona levar e ensinar um neto neste bom desporto que é a pesca lúdica!
Como no passado ano, hoje fizemos a fritadela para o almoço da família e, o peixe maior, claro, foi para o pescador campeão!
Deixo aí algumas fotos que documentam e ilustram com foi belo este dia vivido com o Rafael e o Nuno na pesca realizada na fronteira entre o Ribatejo e o Alentejo, no concelho de Coruche.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

DUAS GERAÇÕES - DOIS MUNDOS!


Eles, o André (5), o Manuel (6), o Rafael (9) e a Tia Tina (89!) são, neste clique que registei no dia 19, na festa de casamento da Sílvia e do Mateus, a imagem fiel da nova, algo estranha e bem complexa vivência do nosso actual dia-a-dia.
Eles, os meninos, no apaixonante e de certa forma místico mundo virtual que, acredito, será a sua futura vivência diária e, ela, muito lúcida e ainda ágil de movimentos físicos e mentais, não obstante os quase 90 anos de idade que se seguem de uma vida terrena e bem real, desconhecedora  dessas “geringonças” virtuais e dessas modernices que não entende e nem lhe interessam. Bastou-lhe, chegou-lhe e cansou-a bem as couves, os nabos, os feijões, os “cachos”, as maçãs, o milho e mais não sei o quê e ainda as ervas para o gado que retirou das terras das diversas e pequenas quelhas ao longo dos anos trabalhadas e cultivadas de sol-a-sol na sua fria Beira Alta a fizeram chegar rija e valente q.b. aos dias de hoje.
Deles se espera tudo, neste novo mundo virtual mas igualmente real! Tão moderno, promissor e empolgante mas… também cada vez mais estranho e até algo inóspito!
Ela, já viveu quase um século, saudável e seguro; eles, um dia saberão…
(E vamos acreditar e desejar que, um dia, com 89 anos, com estes papéis invertidos, eles possam registar uma foto idêntica, vendo uns sobrinhos clicando em qualquer outra  “geringonça” moderna, que eu hoje nem imagino qual seja e se sintam igualmente bem “reais”, terrenos e felizes!)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

VELHOS TEMPOS


Vinda do Brasil vi agora no Facebook esta bonita foto e veio-me à memória, num recuo de muitos anos, quando as mulheres do meu Chouto natal lavavam a roupa no ribeiro que ali passa. Faziam-no junto às duas pontes que o atravessam na aldeia a Sul e, pôr a roupa a corar, era um costume também muito habitual na época. 

 Lavar a roupa nos ribeiros e regatos era habitual à maior parte das populações das vilas e aldeias de Portugal. Não havia tanques públicos e muito menos particular
es e de máquina de lavar roupa só em sonhos e restavam estes locais para se proceder à lavagem das roupas…

As mulheres entravam nos regatos, ficavam com água pelos joelhos e esfregavam as peças de vestuário em grandes pedras estrategicamente ali colocadas. Muitas, se não a totalidade delas, usavam então o corar da roupa que, ensaboada e estendida encima das ervas das margens corava ao Sol.


 Imagem velha do meu memorial de criança que esta foto agora fez com que recuasse no tempo…

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

OS 89 NÃO LHE PESAM!


Ele não verga! Felizmente!
Tio Zé Pisco, beirão de rija tempera, com os seus 89 anos é o nosso patriarca de família e estimamo-lo muito, como é natural.
Simpático, educado e senhor de um fino e permanente humor, ontem apareceu aqui queixando-se um pouco da garganta e, a Tia Tina, sua companheira de sempre e de todas as horas, na ida à farmácia para se abastecer dos seus obrigatórios remédios, pegou também uns comprimidos para combater a dor de garganta do amado esposo.
Chegada a casa logo, apressada, desejou que o seu Zé engolisse as duas drageias recomendadas mas… o azar ou o desajeito dos seus já longos 88, em vez dos dois comprimidos para a dor de garganta, enganou-se e deu ao submisso Tio Zé, dois dos seus para… o colesterol…
Passado um pouco Tio Zé apareceu-me aqui e contou-me o episódio e, naturalmente, manifestei-me preocupado ao que o bom do tio me respondeu: “Não faz mal. Eles eram tão pequeninos…”
Iniciado à noite o tratamento devido ficou logo bom, segundo disse agora que aqui me apareceu com um bonito e bom presente de figos pingo-de-mel, coisa que muito apreciei! Tio Zé tem muita e variada fruta nas suas quelhas e sabe tratar devidamente dela!
Contou-me então: “São muito docinhos! Comi agora alguns, fresquinhos, depois do almoço e rematei-os com um belo bagaço que caiu muito bem!”
Assim mesmo! Sem mais, nem menos... Valente! E os 89 não lhe pesam… Maravilha!
Muita saúde e longa vida para o nosso Tio Zé!

terça-feira, 7 de julho de 2015

MARIA BARROSO


No dia em que é noticiada a morte da Drª Maria Barroso, de 90 anos, mulher guerreira pela democracia e pela liberdade antes e depois de 25 de Abril de 1974, humanista e pacifista de forte personalidade, companheira fiel e dedicada de Mário Soares, quero deixar aqui apenas uma palavra sentida e reconhecida:

OBRIGADO!

terça-feira, 30 de junho de 2015

GRÉCIA - UM DIQUE PROTRECTOR


Hoje uso a chamada “tesoura e cola” porque, muito melhor que a minha escrita, é o pensamento do Prof. Viriato Soromenho Marques publicado no “Diário de Notícias também de hoje:

O ponto de não retorno talvez já tenha sido transposto. A entropia está em marcha. Portugal está agora na linha da frente da crise europeia. Como estava previsto no relatório da UBS, de setembro de 2011, sobre as graves consequências da eventual saída da Grécia da zona euro. Ou no relatório da Fundação Bertelsmann, de setembro de 2012, que vinculava a saída da Grécia à queda de Portugal, e a custos astronómicos para toda a zona euro, incluindo a Alemanha. Durante cinco anos a Grécia funcionou no dominó disfuncional da zona euro como um dique protetor perante as fragilidades de Portugal. Um governo português, formado por pessoas medianamente inteligentes e patrióticas, teria apoiado, mesmo que moderadamente, qualquer governo grego, fosse ele do Syriza ou de qualquer outro partido. Deveria fazê-lo por razões jurídicas e morais, mas também por puro egoísmo político. A Grécia era um dique protetor do interesse nacional. Infelizmente, o governo de Passos Coelho e o seu eco de Belém fizeram tudo para humilhar, enfraquecer e fragilizar Atenas. Agora, só um milagre poderia evitar que o dique grego se desmorone. Os nossos juros estão a subir, a desvalorização do euro significará desequilíbrio externo e perda do valor do aforro. Os "cofres cheios" vão começar a ser esvaziados. Quando mais precisávamos de estadistas, limitamo-nos a ter em Portugal os veteranos que utilizaram a malha larga da política partidária para se promover. Nos tempos de fartura, isso seria suportável. Pelo contrário, nos dias excecionais, como os que estamos a viver, tanta incompetência pode ser mortal para a sustentabilidade do Estado. Se ao menos houvesse o decoro de permanecer em silêncio.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

TAMBÉM O OCEANÁRIO? E PORQUÊ?


Na febre imensa deste governo de vender tudo e tudo trocar por patacos, segundo leio no “Expresso”, segue-se agora o Oceanário de Lisboa, obra importante e belíssima construída por ocasião da Expo 98.
(Há também quem diga que não será vendido mas concessionado mas, como se sabe, na prática é quase o mesmo…)
Segundo leio, o Oceanário dá mais de um milhão de euros de receita por ano e por isso há que despachar, a exemplo do que se tem feito com outras empresas que dão lucro.
Mas, se dão lucro, porque se vendem? Mistério…
Pergunto: Será que o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém escapam?

domingo, 19 de abril de 2015

A MORTE E O DRAMA IMENSO DOS IMIGRANTES AFRICANOS NO MEDITERRÂNEO


Lamentável, repugnante e revoltante como todo o Mundo - com a louvável excepção do Papa Francisco!... - permanece mudo e quedo perante este drama imenso, indigno e aviltante!

Numa Europa dominada e controlada pela ambição do neocolonialismo alemão e num resto do mundo mais preocupado com o seu umbigo e também e sobretudo com o poderoso negócio e consumo do armamento, não há tempo nem vontade de pôr fim a este
drama imenso.

Indigno de um mundo supostamente civilizado!


Indigno dos nossos dias!


Para onde caminhamos? 


Quem põe mão nisto?

sexta-feira, 13 de março de 2015

UM CENTENÁRIO MUITO ESPECIAL


Meu saudoso pai se fosse vivo festejaria hoje o seu centenário de nascimento e realmente estaríamos a celebrar uma data muito especial mas, dada a sua brusca partida muito cedo do nosso convívio, quis o destino que assim não acontecesse.

Deixou-nos com 61 anos de vida e fez-nos uma imensa e inquestionável falta quando ainda dele tanto esperávamos  e precisávamos. Não exactamente no campo material – longe disso - mas, sobretudo, no de chefe, de moral e respeitável exemplo, com que sempre fez questão de pautar a sua vida e disso fazia ponto de honra.

Para mais e ainda que isso não fosse minimamente necessário, partiu em quadra e data marcante da nossa vida colectiva, querendo o destino que dias antes e respondendo a meu convite para, com minha mãe, passarem o Natal connosco em Lisboa – para o que poderiam contar com o meu transporte – escreveu-me um postal, que guardo religiosamente, dando conta dessa impossibilidade dadas as obrigações diárias que tinham de acompanhamento aos muitos animais de que dispunham na aldeia.

E afinal a hora terrível para ele e para nós aconteceu a 24 de Dezembro de 1978, com funeral no dia 25 e, assim, passamos a Noite de Consoada e o dia de Natal acompanhando em choro os seus restos mortais. E desta forma foi possível estarmos juntos na Quadra Natalícia… Triste, muito triste ironia!…

Amigo maior que tive em toda a minha vida, guardarei até aos restos dos meus dias toda a sua imensa memória de homem integro, honrado, sério, amigo de todos e, principalmente, muito amigo do seu amigo como nunca conheci pessoa igual.

Fazia amigos com facilidade e que muito o consideravam e estava sempre disponível para ouvir e ajudar todo o semelhante tendo um carinho especial com os amigos dedicados.

Dele soube um dia que, sendo procurado por um amigo que lhe rogava o empréstimo de uma determinada verba para satisfazer um compromisso e não podendo valer-lhe, dada a avultada quantia não hesitou e, recorrendo a um outro seu amigo, que calculava poderia dispor desse valor, fez um pedido de empréstimo e satisfazendo assim o primeiro amigo necessitado. 
E, embora não sendo enfermeiro de profissão, quantos milhares de injecções e curativos médicos, muitos realizados nas residências dos próprios doentes e sempre totalmente grátis, não fez ao longo da sua vida? Seguramente vários milhares na aldeia e até fora dela, em povoados vizinhos.
 
De entre as várias fotos que do meu querido pai guardo e pensando exactamente na forma como estimava os amigos, escolhi esta que aqui deixo onde o vemos chamuscando um porco que criou especialmente para matar festejando a minha vinda da guerra em Dezembro de 1969 (a foto é do mês seguinte, dias após) e para cuja matança convidou familiares e amigos de estimação. Vê-mo-lo aí, para além de minha irmã que lhes levara o tradicional “mata-bicho (passas de figos com aguardente) com 3 dos muitos que estimava (Acácio Varela, Juvenal (encoberto) e José Dinis).

Hoje não festejamos o centenário de nascimento de José Azevedo mas recordo com imortal saudade a sua figura de pai, homem integro, honrado e de muito caracter, que passou pela sua curta vida deixando um rasto de bem, de amizade, de muita dedicação aos seus familiares e amigos que para sempre dele se recordarão.

Com profunda saudade e imensa gratidão de filho, aqui ficam os meus desejos que para sempre descanse em paz! 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A RÁDIO DO NOSSO ENCANTO


Celebrando-se hoje o Dia Mundial da Rádio e, apaixonado como sempre fui pela comunicação social, não poderia deixar de aqui referir o evento e, a propósito disso, lembrar dois dos aparelhos de rádio que me foram particularmente queridos durante a vida.
Um é este de que deixo aqui a imagem e que era o aparelho de casa dos meus pais, que acompanhou toda a minha juventude e que ainda hoje guardo com particular cuidado. Julgo que o meu pai comprou-o na década de 50, talvez perto do seu final e que, como no Chouto não havia ainda energia electrica e embora já viesse preparado para ela, era alimentado com a energia de um grande e pesadona bateria de camioneta, colocada numa robusta caixa de madeira para seu transporte quando ia periodicamente a carregar à Chamusca. Funcionava e funciona a válvulas e depois de ligado tem que se aguardar uns momentos até que elas aqueçam. Não sei se este será o termo mais adequado mas lembro-me que era assim que diziamos… Lembro-me de aos domingos à noite e sempre a prejudicar o meu sono, porque na segunda cedo teria de “apanhar” a camioneta para ir para a Chamusca e Torres Novas para os estudos, de ouvido colado ao rádio, para não incomodar os meus pais que já dormiam, ouvir por volta das 10 da noite um programa desportivo na Emissora Nacional que nos dava conta dos resultados dos jogos de futebol e respectivas classificações. Um vício de me manter actualizado que ainda hoje mantenho mas agora na TV ou, mais recentemente, na net.
O rádio, como se vê muito bonito, era a estrela lá de casa e recordo-me também do meu pai o colocar na janela, em altos berros que se faziam ouvir em toda aldeia, aos sábados à noite em que a então Emissora Nacional transmitia em directo um espectaculo então muito famoso que dava pelo nome de “Serão para Trabalhadores”. Recordo-me que o principal locutor/apresentador era Artur Agostinho que aproveitava para contar umas quantas anedotas que as pessoas muito apreciavam.
Viveu e reinou o aparelho sempre lá em casa, primeiro com a força da bateria e depois de 1972 já com a energia electrica, que chegou à aldeia em Junho desse ano. Hoje guardo-o com o natural carinho e apreço e estimo-o assim como se de uma joia se tratasse.
O outro aparelho porque nutro particular apreço é um pequeno transístor que curiosamente agora não encontrei para fotografar – guardo-o tão bem que nem me recordo onde o coloquei com a recente mudança de casa… - e que me acompanhou durante toda a minha guerra de Angola. Não me recordo onde o comprei mas julgo que foi em Luanda, quando lá cheguei…
E porque tenho apreço pelo pequeno aparelho? Ora, porque foi nele que ouvi sempre as retardadas notícias que nos chegavam no Leste e depois no Norte e recordo-me sobretudo de acompanhar nele com vivo interesse as notícias sobre a caída de Salazar da cadeira e depois a tomada de posse de Marcello Caetano e do seu discurso. Ouvi isso quando estava em Lumbala, lá bem interior, junto à fronteira com a Zambia. Depois e ainda com mais destaque, recordo-me de ouvir a empolgante reportagem da chegada do homem à Lua. Ainda hoje não perdoo à guerra e ao regime de então o ter-me impedido de seguir em directo pela televisão tão importante acontecimento, como muitos milhões de pessoas o fizeram em todo o mundo.
Recordo-me que estava no Norte de Angola a cerca de 70/80 kms de Luanda, na Fazenda Lifune e, deitado na cama, de madrugada, ouvi empolgado toda a odisseia numa transmissão da Rádio Eclésia, de Luanda, que recebia a reportagem da Rádio Renascença, aqui de Lisboa, cujos locutores viam na tv e relatavam. Foi de tal maneira emocionante que nunca mais esqueci.
De manhã, quando cheguei junto aos soldados para o pequeno-almoço, lembro-me que lhes contei o que tinha ocorrido nessa madrugada e alguns deles não acreditaram no feito. Acharam que era aldrabice dos americanos…
Sendo estas algumas das minhas ligações/recordações com a Rádio, não são todavia as únicas… Não são, não!... Tenho algo ainda bem especial da minha juventude, que nunca desvendei – nem os meus pais alguma vez souberam!... – mas, como o texto já vai extenso, ficará para uma próxima oportunidade.
Algo que, a concretizar-se naquela data, bem poderia ter alterado todo o meu percurso de vida… Daqui a uns dias conto aqui...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

VIVER (E MORRER) NESTE MUNDO DE MUITOS LOUCOS

E aqui estamos de novo na Europa com o terror, a morte e o medo a atingir tudo e todos depois do ataque terrorista de ontem em Paris ao semanário satírico “Charlie Hebdo” e do assassínio hoje de uma mulher polícia numa rua e que aparenta ter relacionamento entre si.

Islamitas ou membros da Al Qaeda são fanáticos os autores desta barbárie horrorosa que atenta nitidamente contra a forma de vida no Ocidente e que por isso importa condenar veementemente. Diz-se que os cartoonistas do semanário se puseram a jeito, o que em parte é verdade mas entendo que nada justifica tamanha carnificina, tamanho horror.
Acho que é forçoso que os dirigentes europeus revejam esse lírico Tratado de Shengen, feito anos atrás como se o mundo fosse constituído por santos e anjos quando, como todos bem sabemos, na prática não é nada assim. Sabemos que há tráfico de armas dentro da Europa e a livre circulação de pessoas sem controle, sendo bonita, só facilita a movimentação de criminosos e terroristas que assim circulam e vivem como bem lhes apetece e desejam.
Meses atrás um cidadão romeno assassinou no Algarve a sua companheira de igual nacionalidade e levou o cadáver de automóvel até à Roménia onde depois aí foi descoberto e preso. Noticiou-se que alguém foi alertado pelo cheio vindo do carro. Percorreu o homem 5.000 kms de Portugal à Roménia com um cadáver sem ser incomodado em todo o trajecto! Dá para acreditar?
Se assim se consegue passar de uns países para outros sem ser incomodado, quanto mais fácil será passar gente criminosa, armas e explosivos?
E, nesta Europa descontrolada e mais preocupada com os números da economia e dos défices sem pensar no bem-estar real e diário dos seus cidadãos, vive-se e convive-se assim com o crime, o horror e a morte. E isto até quando?
Hoje toda a imprensa mundial reagiu com vigor e determinação aos cobardes crimes praticados em Paris e em Portugal também isso mesmo aconteceu. Destaco nos nossos jornais a magnifica criatividade dos diários “I” e “Diário de Notícias” que estiveram muito bem reservando toda a sua 1ª página para dois cartoons de muito imaginação e valor! Fiz sobre eles um pequeno trabalho que publico no meu site pessoal e que também aqui deixo por me parecer oportuno.

domingo, 21 de dezembro de 2014

CENTRO DE ACOLHIMENTO - UMA PÉROLA NO CHOUTO!


Não obstante já ter passado um dia sobre a minha visita ao meu Chouto e particularmente ao seu Centro de Acolhimento Social onde se realizava a sua Festa de Natal, devo confessar que ainda escrevo debaixo da excelente impressão e sobretudo da forte emoção sentida depois da minha estada e da magnífica vivência experimentada naquelas breves horas que ali permaneci.
Temos ali, no pobre e humilde mas muito limpo e bonito Chouto, uma obra de muito valor que muito me impressionou, embora eu já bem soubesse que tínhamos ali algo de muito prestimoso e válido.
É, pois, ainda muito impressionado com o que vi no tocante ás magníficas instalações - de que deixo aqui duas esclarecedoras fotos - e ao ambiente ali vivido que redijo este apontamento e, só por isso já seria uma boa razão para este meu escrito mas, é sobretudo – muito sobretudo por isso! – pela emoção que sinto por, conhecendo muitas daquelas pessoas, muita daquela gente ali instalada e frequentadora do Centro e vendo como são bem tratados e por sentir como são felizes, esses velhos conterrâneos amigos e conhecidos, que mais me impele a aqui deixar as minhas impressões sobre tudo o que vi ontem no Chouto.
E é por conhecer aqueles velhos e humildes conterrâneos que em muitos casos viveram toda uma vida rural, cavando – cavando! - e retirando da terra com o seu árduo trabalho o parco sustento, muitas vezes numa dura e dramática sobrevivência, vivendo em casas muito humildes, muitas de piso de cimento e até de chão térreo, de telha vã, quentes no Verão e sem aquecimento nos frios Invernos da região para além da pobre lareira e das fracas mantas na cama, sem água canalizada e instalações sanitárias, é por os ver agora tão bem instalados que me emociono fortemente. Muito fortemente! Sinto o seu sentir; aprecio a sua estima e agradecimento pela forma como são tratados; aprecio a sua gratidão pelo carinho e dedicação que ali recebem, agora que se lhes apresenta o Inverno da vida.
E, numa época em que frequentemente a comunicação social nos confronta com notícias de situações tão condenáveis neste campo da assistência social com lares degradados, má assistência aos idosos quando não até de maus tratos e abandono em muitos outros casos, constatar que numa terra tão pequenina e pobre como o Chouto foi possível criar e manter uma realidade tão bonita e importante como o é o seu Centro de Acolhimento Social, merece todo o meu aplauso e justifica estas minhas palavras que são também de homenagem e agradecimento a quem a torna possível! Homens e mulheres, filhos e amigos da terra, gente competente, dedicada e prestável que não regateia esforços e inteligência, querer e crer para tornar possível tão louvável realidade! Bem hajam!
Bem hajam porque, graças a todos eles, o Centro de Acolhimento Social do Chouto é hoje uma bonita e valiosa pérola na aldeia!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

SEM PESCA, PESCADOR SOFRE...


É, sem dúvida, o meu desporto preferido! É, francamente, a minha distração favorita!  

Pela pesca e, sobretudo, pela pesca ao achigã, troco tudo. Gosto também muito de ver um bom jogo de futebol, do meu Sporting ou da selecção portuguesa mas, se puser isso em equação e, isso já tem acontecido, opto nitidamente pela pesca em detrimento do futebol.
A adrenalina da pesca, do sentir o peixe pesando e puxando na outra ponta da linha; a emoção de imaginar e depois ver o porte do peixinho; o ar puro; o contacto com a natureza; o observar a vegetação, a floresta, as culturas, as aves e os animais selvagens, é algo que não troco por nada. Na pesca o tempo passa sem darmos por isso e, ainda que tenhamos muitas preocupações, ali, elas são esquecidas e, não raras vezes quando olhamos para o relógio, ficamos muito surpreendidos por já terem passado uma, duas e mais horas…
Mas, a pesca do achigã, sobretudo em Portugal, tem esta vicissitude do prazo em que não podemos pescar por causa do clima que no país se faz sentir… É verdade que o “defeso” de 2 meses até é relativamente curto e suporta-se mas, a esse período temos que somar a parte final do Outono e sobretudo todo o Inverno o que, somado ao tempo do “defeso”, eleva para cerca de 6 meses em que a pesca não é agradável e apropriada. Com o frio as águas arrefecem muito e os peixes procuram as águas mais profundas, menos frias e deixam de frequentar zonas menos acessíveis a pescadores de margem como eu. Para além disso, como que hibernam, ficam quietos e deixam de se alimentar. O achigã funciona dessa forma, tem esse metabolismo e a isso temos de nos adaptar.
Foi por tudo isto que, quando a 28 de Outubro, no final do dia, findei a minha pesquinha, achei que seria o meu encerramento deste ano e criei esse bonequinho que acompanha este escrito. Ainda tinha o mês de Novembro pela frente mas não seria previsível que a chuva e o frio que surgiriam inevitavelmente permitissem que continuasse… E assim foi, na verdade. Neste Novembro não tivemos frio mas a chuva não nos largou…
Resta-nos aguardar pelos dias de finais de Fevereiro e ir até 14 de Março na esperança que então tenhamos uns diazinhos de melhor tempo para, antes do “defeso” então, finalmente, matarmos o vício…
Chegados agora a Dezembro, prestes a ver findar o ano e, num balanço final tenho de reconhecer que o mesmo, em termos de pescarias, não foi famoso. Logo na abertura tive a inconcebível “nega” no acesso ao local onde tantas e bonitas jornadas de pesca vivi, embora nesse mesmo dia tenha ferrado dois bons exemplares que até acabaram por ser os maiores que pesquei durante todo o ano. Verdade que fui pouco à pesca mas, as vezes que fui, a coisa não foi famosa, não.
Mas o 2014 ficou marcado por ter levado a pescar pela primeira vez o Rafael, num belo dia de Julho, numa situação que me agradou sobremaneira e ainda mais por ver como ele apreciou. Pena que não tivéssemos oportunidade de repetir como ele desejava mas quero crer que em 2015 lá voltará… Fica aí uma foto como recordação desse belíssimo dia que muito desejo que se repita..
Entretanto devo confessar que nas minhas derradeiras idas, já em Outubro, as coisas melhoraram substancialmente exactamente porque optei por usar vinis e mais concretamente os senkos como amostras…
Os achigãs são enganados magistralmente por esses tubos de vinil e eu, que já há muitos anos os conhecia, como que me tinha esquecido deles…E como lamento isso…
Recordo-me que foi há cerca de 10 anos que o amigo Ventura da Silva, em Vila Franca, com quem muitas vezes conversava sobre a nossa paixão da pesca do achigã me apresentou o senko como a grande novidade do momento, me ensinou a fazer a montagem num anzol “pescoço de cavalo” e me aconselhou a colocar um chumbo bala como peso. Eu logo usei essa “arma” umas vezes mas confesso que nunca vi resultados extraordinários… Só uma vez um grandão esteve para ser ferrado e ele puxou de um lado e eu do outro e fiquei com metade do senko no anzol… Aí fiquei entusiasmado e como tinha o telemóvel no bolso logo gravei a imagem que aí agora deixo…
Mas, depois disso, nada de especial mais aconteceu e, ao longo dos anos, até parece que me esqueci dos senkos e, só agora, no início de Outubro, lendo na net um escrito de Herminio Rodrigues, que passa por ser um craque na pesca do achigã e que sei também ser amigo do sr. Ventura, falando nessa amostra, ensinava também a fazer a montagem mas aconselhava a não usar o peso – o chumbo bala. Aí eu achei que ele era bem capaz de ter razão e penso que talvez o chumbo produza melhores resultados ao nosso amigo Ventura porque ele pesca de barco e há necessidade da amostra ir mais ao fundo. Para quem pesca de margem e portanto em águas menos profundas o peso não se justifica e a amostra descendo naturalmente na horizontal e não na vertical, engana muito melhor os bichos. Eu fiquei disso convencido nas derradeiras vezes que fui à pesca e só lamento que o Novembro, extremamente chuvoso me impedisse de visitar os achigãs… Agora resta-me esperar por melhores dias, talvez lá para finais de Fevereiro de 2015…
Até lá resta-me contar os dias, sonhando com novas e belíssimas idas à pesca…