sábado, 11 de novembro de 2017

INACREDITÁVEL!


Caramba, acho mesmo que Isto está tudo louco! 

Então não é que, ontem, para pós-encerramento do famoso Web Summit, (que reuniu em Lisboa durante dias milhares de grandes investidores), aquela gente não teve a ideia de realizar um banquete, parece que para 200 convidados super-vips, exactamente na Nave Central do…do…Panteão Nacional???

Isso mesmo: No Panteão Nacional! No lugar, Monumento Nacional, onde se guardam os restos mortais das nossas maiores figuras.

Ali, rodeados pelos túmulos dos nossos antepassados famosos que, por valores assinaláveis se destacaram na História de Portugal, à luz das velas, aqueles tipos banquetearam-se certamente felizes e contentes!

Mas isto é coisa que se entenda? Mas isto é coisa que se aceite? Mas isto é coisa de gente de juízo perfeito?

Acho o feito tão inacreditável, tão inimaginável e tão vergonhoso que me custa comentar mais para evitar ser mal educado… Embora eles não merecessem outra coisa.

Entendo apenas que devo criticar quem teve a louca decisão de aprovar tal evento, com também devo lamentar – e fico-me por aqui – quem decidiu aceitar a participação num banquete em local tão lúgubre…

Vergonhoso!

Muito vergonhoso!!!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

CORAÇÃO BATE, BATE APRESSSADO!...


Pois a danada da roda continua a girar em sentido inverso ao desejado e tarda a entrar no sentido correcto…

Hoje foi detectada uma danada de uma arritmia e foram horas de internamento para a máquina voltar ao ritmo normal.

Mas. graças à minha dilecta sobrinha Filipa, que reuniu carradas de gente e máquinas à minha volta nos Cuidados Intensivos, passadas horas tudo voltava à batida normal. 

Não senti nada de nada, nem antes nem depois mas as máquinas e os números marcaram devidamente e chegaram a alarmar.

Conforme a trapalhada chegou, sem avisar, assim partiu, espontaneamente.

Veremos agora se não surgem mais quaisquer complicações até quarta-feira, dia da cirurgia…

Porra! Já basta o que basta!...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

"PEÇA DAS ISCAS" SOFRE!


Marcada está a entrada em Curry Cabral para o próximo dia 14, para intervenção dia 15, na “peça das iscas” deste septuagenário.

Por laparoscopia, os homens e a ciência, com a cirurgia necessária usarão da sua sabedoria e tentarão que, uns dias depois, tudo volte ao normal nesta velha carcaça.

Ainda que outro dia o operador me tenha alertado de que a intervenção na figadeira não é “trigo limpo, farinha amparo”, eu acredito que será mesmo “trigo limpo”!

Assim o espero…

Assim será!



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

HOJE, "UNS" DORIDOS 73...


Na verdade, doridos e bem doridos!...

Depois do edema nas pernas e da preocupante cirurgia ao fígado de que aguardo intervenção, hoje de manhã tive a opinião da médica que me fazia as ecografias às mãos, aos joelhos e pernas, que sofro de artroses e daí as muitas dores  e as dificuldades que há meses venho sentindo em mover-me.

Só não entendo porque, sofridamente, durante meses, tive que “calcorrear” Medicina Interna, Ortopedia, Urologia e só, este último especialista finalmente me mandou consultar Reumatologia… Andei, coxo e com imensas dificuldades de especialista para especialista para, agora, esta derradeira médica – assim o espero!... - mandar fazer carradas de exames – só análises a sangue e urina foram 32! – mais raio x e ecografias. (Até andei um dia inteirinho a mijar para um "tupperware"... rsrs)

Falta agora o veredicto final da médica de reumatologia mas penso que deve andar mesmo pelas artroses o seu diagnóstico. 

Assim, a juntar a isso, tenho o edema e sobretudo a preocupação pela remoção do nódulo na figadeira. E foi assim que hoje passei o meu 73º aniversário natalício.

Por tudo isto este ano não fui à Beira Alta, no que tive muita pena e terminei o dia juntando a família mais chegada no tradicional jantar de que deixo uma imagem, bem como a já habitual foto com o Rafael. 

E, agora, resta-me aguardar e desejar que o próximo aniversário seja vivido e comemorado com mais calma, menos ansiedade e sobretudo maior tranquilidade. 

Veremos então se o pior está passado ou se outras preocupações entretanto surgirão…

sábado, 28 de outubro de 2017

PÉROLA BONITA DO MEU BAÚ DE VELHARIAS!


Por considerar uma verdadeira ternura a forma como a manas se apresentam vestidas e perfiladas, deixem que vos mostre esta deliciosa foto que terá sido tirada por volta de 1940 numa Feira de S. Pedro do meu Chouto natal e que nos mostra os meus avós maternos Maria do Rosário e Gregório Alves e as suas 4 filhas, Maria (minha mãe), Beatriz, Domingas e Luísa.

Infelizmente, desta querida família - linda de interior e exterior! -, honrada, trabalhadora e de caracter, um a um todos já partiram e, agora, resta-nos as recordações da sua honesta e bonita vivência e as muitas saudades que ficam na nossa memória para todo o sempre.
Vindos da zona de S. Facundo (Abrantes), terra de sua naturalidade, fixaram-se por volta desse ano de 1940 nos Anafes do meu Chouto e aí arrendaram um dos casais e seus terrenos envolventes, com montes e vales para arrotear e cultivar.

Dia a dia, mês a mês, ano a ano, ao sol abrasador, ao frio e à chuva dos invernos agrestes, avô Gregório e avó Maria (“ti Maria Arroteadora”, como ficou conhecida) e suas quatro filhas, jovens moças de boa e saudável força braçal e física, saudáveis e bonitas, muito arrotearam, muito semearam, muito cavaram, muito ceifaram, muito labutaram de sol a sol, como então era uso obrigatório na duríssima vida agrícola de outros tempos. “Saiamos ainda escuro e quando o dia clareava já nós estávamos ao pé do “pão” para o ceifar e atar, antes que o calor abrasasse!” – bastas vezes me contou a minha saudosa mãe…

Chegados ao S. Miguel (final de Setembro), era a muitas vezes terrível tarefa de arranjar dinheiro e géneros colhidos para pagar a renda ao senhorio. E quantas vezes o dinheiro era escasso e os géneros eram mínimos para isso?...

Vida difícil! Muito difícil!

Nesta sua belíssima foto que publico e de que gosto particularmente, pela ternura e pelo cariz familiar que encerra, acho uma delícia a forma como as manas se apresentam vestidas e interrogo-me se, nos dias de hoje, tal conjunto seria possível realizar?

terça-feira, 24 de outubro de 2017

"TRIGO LIMPO, FARINHA AMPARO"


Ontem, consulta/entrevista com o médico que muito provavelmente me irá operar no Hospital Curry Cabral.

Pôs-me ao corrente da minha situação clínica e alertou-me para os riscos e gravidade que a cirurgia encerra, entendendo eu que, como o pessoal já sabe dos riscos da tradicional e velha cirurgia de “faca na barriga”, não se fique convencido que o novo método, por furos, não acarreta iguais riscos. Foi assim que entendi as suas palavras quando, alertando-me para idênticos problemas que eventualmente possam surgir e numa linguagem assim mais terra-a-terra, usou a expressão “isto não é trigo limpo, farinha amparo”. 

Gostei do trato e do seu pragmatismo que, embora porventura institucional, tem toda a razão de ser e por isso acho que se justifica. Quando se parte para uma situação destas há que estar ciente dos riscos que se corre.

A alternativa a esta cirurgia seria uns tratamentos mais ou menos paliativos e que mais não tinham que porventura aliviar e nunca erradicar o mal. 

Assim, há que avançar e acreditar na ciência e na sabedoria e experiência dos médicos, ciente que a garantia de sucesso não existe em 100%, como nunca existirá nos nossos tempos, mas que, se tudo correr bem, o mal será debelado se não na totalidade, pelo menos em grande percentagem.

Há que acreditar! 

Vou em frente!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

SENTENÇA LIDA...


E, agora, vai seguir-se, nesta velha carcaça – ou melhor: na “peça das iscas”… - uma Laparoscopia que é assim como que uma “ida à faca” mas feita noutros moldes mais eficientes e menos dolorosos – assim o espero… -  e mais modernos, coisa que a evolução dos conhecimentos em medicina felizmente já permite. 

Pretende-se retirar um “apêndice” (nódulo) de 4 cms que abusivamente o fígado deixou criar, a que se seguirá a análise do tecido e a consequente “sentença”… 

Ao que me informam o pós-operatório da laparoscopia é menos doloroso e mais rápido que a velha conhecida “faca” que cortava e abria as entranhas do doente . O médico disse-me que são 2/3 dias de recuperação mas eu parto preparado para mais outros tantos, no mínimo.

E, aqui estou eu, que há um ano atrás nunca tinha ido ao médico e, agora, neste período decorrido, tenho tirado um verdadeiro curso intensivo dessas andanças…

Mas avanço tranquilo, ciente que estou em boas mãos e apenas apreensivo quanto aos resultados finais dos exames. Como tenho andado nestes últimos meses, com inchaços e dores, é que não interessa mesmo. Perdi muita qualidade de vida – muita mesmo! - e há que inverter o percurso.

Quanto aos resultados finais dos exames cá estarei, segundo o espero, para os receber, que não sou nem mais nem menos que outros…

É a vida.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

HORAS DE GRANDE AFLIÇÃO!


Noite totalmente em claro.

A 300 kms de distância não dá para ir à cama e muito menos fechar olho.

Aldeia sem luz e entregue ao seu destino evacuada e com casas a arder no centro do povoado.

Preocupação imensa! 

Tudo queimado em redor e o inferno em tudo o que é sítio por toda a Beira Alta.

Tomara que passe mais uma hora para, com o dia a nascer, os destemidos que resistiram me contarem das consequência deste inferno e dos incalculáveis prejuízos sofridos por todos.

(A foto que anexo foi publicada no Facebook por um habitante de Figueiredo das Donas, aldeia vizinha de onde se via, segundo ele, Crescido a arder...)

EM TEMPO - O texto acima foi escrito às 6 da manhã, depois de uma noite em claro, com momentos de grande ansiedade e angústia. Nascido o dia e avaliados os estragos em Crescido, foi possível aliviar sobremaneira a ansiedade porque recebendo notícias de que na aldeia só uma casa devoluta ardeu, no que ás habitações diz respeito. Mas em seu redor e "beijadas" que foram as casas na sua estremadura, tudo foi queimado, tudo é negro, tudo é cinzas. Desgraça tamanha mas que, convenhamos, podia ter sido terrivelmente muito pior... Mas o susto foi tremendo! Tremendo!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

HÁ 50 ANOS, A GUERRA!


Não vou dizer, como é habitual, que “parece que foi ontem” porque, na realidade, não parece isso mas, também constatar que já passaram 50 anos sobre a minha partida para a guerra colonial, na verdade também me deixa a pensar como o tempo voa…

Foi no dia 11 de Outubro de 1967 que, embarcando no paquete Niassa, este rapaz, ingénuo e purinho, verdinho, verdinho para enfrentar uma guerra de guerrilha daquelas, avançou com mais uns milhares de outros igualmente ingénuos e impreparados rapazes na flor da idade e que, qual “carne para canhão”, tiveram de deixar pais, irmãos, namoradas e, quando não, noivas, esposas e filhos e, forçados, verem-se envolvidos em problemas tamanhos de sobrevivência radical e… mortal.

No meu caso particular, anjinho e terrivelmente impreparado, não obstante os cursos intensivos recebidos na “recruta” e depois na “especialidade” e depois transmitidos aos soldados aquando da formação do batalhão, embarquei a 11/10 e, dois meses e meio depois, lá bem no “cu de judas”, no distante e inóspito Leste de Angola, já estava a “ouvi-las” num violento ataque ao aquartelamento onde estava instalado chefiando uma curta secção de 10 homens. Valeu-nos os fuzileiros, tropa muito especializada e experiente que igualmente ali estava instalada por nos encontramos muito junto ao Rio Zambeze que eles patrulhavam muito assiduamente.

No dia 25 de Dezembro, dia de Natal, pelas 20 horas, já noite serrada, vinha a pé para as nossas instalações na companhia de um fuzileiro desde a mercearia de um branco ali estabelecido, onde tínhamos bebido umas cervejinhas quando, subitamente, o ataque foi desencadeado ali a 20, 30 metros de nós. As primeiras vinham terrivelmente ajustadas e só não nos atingiram por enorme sorte. Mas o fuzo ficou apenas com o gargalo da garrafa de bagaço que trazia na mão… Eu não fui molestado felizmente e, depois das primeiras balas bem ajustadas e como eram tracejantes, lembro-me bem de as ver passar por cima em grande quantidade que nem estrelas cadentes…

Depois, bem, depois foram mais dois anos de sacrifícios, sustos, medos, fome e sede – onde não faltou outro ataque inimigo, igualmente sem consequências de maior naquelas terras, naqueles mundos que nada nos diziam e que nos eram tão adversos.

Mas felizmente regressei inteirinho e, como bem sabemos, muitos milhares de jovens, como eu forçados a lutarem e a defenderem as suas vidas, não tiveram essa sorte e perderam o melhor deles próprios, as suas jovens e promissoras vidas.

E, face ao posteriormente ocorrido, não podemos deixar de nos interrogar: e para quê? 

Para quê?...




(Deixo as imagens do local onde sofri o “baptismo de fogo”, mapa de parte de Angola onde se vê a localização de Chilombo, pequeno lugarejo onde se deu a ocorrência e um rascunho do Relatório do ataque que fiz ao Comando.)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

RECORDAÇÃO DA GUERRA COLONIAL (5)





MENINOS DE OLHOS TRISTES E PREOCUPADOS...
... EM DATA E AMBIENTE DE GUERRA...

ANGOLA (Leste)
GUERRA COLONIAL / 1968


Nestas três crianças que brincavam com... nada, porque nada tinham para brincar... encontrei uns olhitos tristes e preocupados...

E poderia ser de outra forma?...

Na sua frente tinham um homem estranho, branco, vestido de uma esquisita roupa de ramagens verdes e castanhas (camuflado), com uma espingarda numa mão e na outra um estranho objecto que colocou na frente dos olhos e fez um esquisito clic...

Acredito que se interrogassem: que nos irá fazer?...

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

E PASSOS COELHO "JÁ ERA"...

Pronto, Passos Coelho já se foi. 

Aconteceu ontem, finalmente, como resultado dos péssimos resultados nas Eleições Autárquicas.

Nunca gostei da sua actuação como primeiro-ministro e considero um alívio deixar de o ouvir diariamente e quase hora a hora nas tvs mesmo agora, depois de há 2 anos ter sido posto de lado pela chamada “geringonça”.

Não esqueço que herdou um país em pré bancarrota mas, até nisso, para pôr a mão no pote, para utilizar uma sua expressão na época, foi mais que mau. Disse que conhecia perfeitamente a situação do país, prometeu mundos e fundos para vencer e, sentado em S. Bento, fez tudo, tudo ao contrário do antes prometido.

E como o fez? E com que insensibilidade o fez? Quem não se lembra da forma fria, distante, desapegada e insensível com que anunciava cortes, cortes e mais cortes?

E que cortes e a quem? Pois exactamente em 1º lugar aos reformados e pensionistas que não tinham defesa e contestação possível. Foi mau de mais! Foi um horror!

Até feriados foram retirados… E nunca se entendeu por quê e para quê?…

E quando nos mandou emigrar? E quando nos mandou empobrecer? E quando nos disse que vivíamos acima das nossas possibilidades?

Mau, muito mau!

Ultrapassado que foi pela “geringonça” continuou com a sua teimosia e a sua burrice: “vem aí o diabo!” foi porventura a que ficou mais famosa. 

E o diabo que não veio; e os números económico/financeiros oficiais que dia a dia surgiram melhores… E o Passos Coelho que teimava em anunciar o pior que estava para chegar…

Burro teimoso, fez com que o governo PS, apoiado no parlamento por comunistas e bloquistas, vivesse 2 anos sem oposição, enquanto o PSD dia a dia mais ia afundando nas sondagens e no país real.

Foi-se. Foi-se e, a mim e a muitos milhares de portugueses, não deixa saudades.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

RECORDAÇÃO DA GUERRA COLONIAL (4)



CRIANÇA, IRMÃ E QUASE MÃE...
EM DATA E AMBIENTE DE GUERRA...

ANGOLA (Leste)
GUERRA COLONIAL / 1968

Na falta da mãe, eventualmente na lavra e do pai, à pesca, à caça ou a conversar com os amigos (os homens, para além disso pouco mais faziam, sendo as mulheres que se ocupavam da lavra, da casa, da comida e das crianças), o pequeno filho ficou ao cuidado da irmã, um pouco mais velha e um pouco mais crescida, que o carrega às costas num esforço que se avalia face à corpulência do pequeno irmão...

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

INCONGRUÊNCIAS À PORTUGUESA


Então, em Portugal a coisa funciona assim:

Você quer legalizar a sua vidinha como Arrumador de Carros na via pública do seu município?

Fácil:  Preenche a documentação que a autarquia lhe apresenta e junta-lhe o indispensável Certificado de Registo Criminal, comprovativo que o amigo tem a folha limpinha e é pessoa em que se pode confiar.

Tendo tudo certinho a autorização é assinada talvez pelo Presidente da Câmara Municipal ou por alguém em sua delegação.

Mas, pergunto eu:

E o processo para o mesmo sr. Presidente de Câmara ser eleito e poder assinar esse despacho, funciona em moldes idênticos?

Pois, aí é que está o interessante da questão.

Um cidadão, para concorrer nas eleições a uma autarquia, não tem de juntar à documentação o seu Registo Criminal.

Assim, pode ter cadastro criminal – pode até já ter estado preso!... -,que nada disso conta, porque o Certificado respectivo não lhe é exigido!...

Assim, temos em Portugal esta incrível incongruência:

Para se ser um Arrumador de Carros tem de se ter a “folha limpa” mas, para se ser Presidente de Câmara, até ex-presidiário serve...

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

"GOTA" ESVAZIADA?


Parece que sim. Segundo a médica, de medicina interna, em hospital privado, que me vem observando desde há meses e consultada de novo na passada semana, é isso: não tenho ácido úrico.

- Não sofre de ácido úrico! Quem foi que lhe disse isso? – perguntou.
E, desajeitadamente, como sempre, eu lá me desembrulhei da enrascada:
- Doutora, coisas do povo, por causa das dores nos pés e do dedo inchado na mão.
- Não tem nada disso – reafirmou.

Então, para combater os inchaços, receitou-me uns comprimidos diuréticos que só me fazem mijar de 20 em 20 minutos e mais nada. E já “emborquei” 9
E as dores continuam...

Mas receitou-me também para justificar um acertado diagnóstico – acho a senhora bem ponderada e sabedora! – uma carrada de análises e exames em cuja fase agora estou.

Na quarta, uma picada, que correu muito bem, para recolha de sangue para um monte de análises e, hoje, de novo no privado, um RaioX e uma Angiotac que correu mal. A pequena que me picou errou qualquer coisa e, mudando da esquerda para a direita, foi assim como que uma de “picar chouriços”… Doeu que se fartou, esta trapalhada. 

E, para terminar em beleza o seu trabalho, para proteger a borrada da picada mal feita aplicou-me no braço esquerdo este bonito penso que mostro na foto. Eu, curioso e desajeitado, juro que fazia melhor.

E ela ainda perguntava:
- Está a doer?...
Ora merda! Doía e bem, caramba!...

Bom, mas terminou e agora ainda ficam a faltar os exames ao coração.

Até ao fim do mês espero ter resultados de tudo isto.

Veremos então aí se a ansiedade termina ou se, pelo contrário, avoluma e vira preocupação…

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

RECORDAÇÃO DA GUERRA COLONIAL (3)





MULHER , AGRICULTORA E MÃE…
EM AMBIENTE DE GUERRA…

ANGOLA (Leste)
GUERRA COLONIAL / 1968

Esta mulher, que há 49 anos e em plena guerra, ao fim do dia carregava o filho ao colo e, à cabeça, o cesto com milho e mandioca que colhera na modesta lavra que cultivava para sua subsistência e da família, dirigia-se descalça e a pé para a sua modesta palhota de residência (no leste de Angola chamada de “quimbo”), aproveitando o trajecto para dar a mamada à sua pequena cria.

Mesmo assim, graciosamente, acedeu a fazer uma paragem para fixar a objectiva do militar, armado de G3 ao ombro, que registaria a sua bonita e serena figura.

domingo, 3 de setembro de 2017

RECORDAÇÃO DA GUERRA COLONIAL (2)




MEDO, ANGÚSTIA E DRAMA…
… EM DATA E AMBIENTE DE GUERRA…

ANGOLA (Leste)

GUERRA COLONIAL / 1968

Companheiras e acompanhantes de guerrilheiros mortos e/ou feitos prisioneiros pela tropas portuguesas (confesso já não recordar, tantos foram os casos vividos…), estas mulheres têm estampado nos rostos o susto, o medo e a ansiedade pelo futuro que as espera… A si e aos seus…


 As crianças, maiores vítimas inocentes de todas as guerras, essas, aqui, olham meio assustadas/meio ignorantes e dormem ou sugam o parco mas certamente delicioso leite materno…


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

"OÁSIS" NO MUNDO?


Hoje, neste Portugal do século XXI, quando pegamos e desfolhamos um jornal diário - quando não logo na sua capa, em grandes caracteres… -, encontramos e horrorizamo-nos com as muitas notícias de assaltos, roubos, agressões, sequestros e até mortes de vitimas de tanta violência. (Ultimamente, pobres e indefesos idosos, isolados no interior do país, têm sido particular vitimas dessas violências, com algumas a resultar em crimes mortais enquanto os desgraçados agressores se satisfazem com o roubos de escassas meia dúzia de euros…)

Hoje, neste Portugal do Século XXI, assistimos mesmo à criação de programas de televisão nos mais diversos canais, com horas e horas de emissão, ligações em directo, entrevistas, reconstituições de cenas passadas – algumas delas eventualmente mais ou menos macabras… - e tudo serve para supostamente nos esclarecer, quando não alarmar.
E, na verdade, conscientemente, temos de reconhecer que, este Portugal do Século XXI, não é mais o Portugal calmo, ordeiro e pacífico que nos viu nascer e onde crescemos e vivemos nos tempos passados. 

Hoje, por via de muitos fenómenos, a que não é estranha certamente a abertura de fronteiras terrestres, marítimas e aéreas, o português comum, não só nas grandes urbes como mesmo nos pequenos povoados do interior, não vive mais descansado e em sossego, como no antigamente... Infelizmente.

Pensava nisto tudo quando descia uma rua de uma pequena aldeia beirã que visito regularmente e, constatando que estava num pequeno oásis neste mundo hostil de roubos e assaltos, via as chaves por fora nas portas em plena via pública que atravessa a povoação. 

Ali, para além da deliciosa broa de milho, que o padeiro diariamente ao romper da aurora deixa pendurada em saco porta a porta e onde ninguém mexe para além do seu destinatário, também as chaves ficam de fora, despreocupadas e livres. Ali, ao dispor de qualquer passante, forasteiro ou não, que resolva entrar. Para o bem e para o mal…

Com o objectivo de aqui as registar, resolvi fotografar três situações de habitações quase contíguas, de entre vários que é possível constatar e, quando na ocasião expressei a um residente da aldeia o meu desejo de escrever e mostrar no meu blogue a beleza livre destas cenas, logo fui alertado:
- Mas, vai referir o nome da nossa aldeia?
Sosseguei-o, como é bom de ver: 
- Claro que não, meu caro! Fique descansado.

Assim, ficará só para nós e para os demais residentes da povoação a manutenção deste autêntico “oásis”, deste verdadeiro paraíso.

No nosso Portugal do Século XXI.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

RECORDAÇÃO DA GUERRA COLONIAL (1)




NUMA DATA E NUM AMBIENTE DE GUERRA...
A NATURALIDADE, A TERNURA, A PAZ!...

ANGOLA (Leste)

GUERRA COLONIAL / 1968

As tropas portuguesas tinham liquidado um guerrilheiro e levaram o cadáver (qual troféu de caça) para ser visto pela população que vivia junto ao nosso quartel.


Os nativos, curiosos, abeiraram-se para ver mas, eu, embevecido pela imagem que vislumbrei ali bem ao lado, decidi virar a objectiva e, em vez da macabra cena do cadáver, antes quis registar este momento de ternura, de vida e de paz. 


terça-feira, 22 de agosto de 2017

HABITUAÇÃO DE NETO


Vitima, pela 1ª vez na vida e já há uns bons pares de dias, desta danada “gota” que me atinge quase todo o lado esquerdo da “carcaça”, desde a mão e dedos até ao pé, com larga carga no joelho, muito dorido e inchado, desço lenta e pausadamente a difícil escada (os antepassados eram certamente gente de grandes pernas para construírem degraus tão altos!... ), descida que pelo interior da casa nos conduz até à sala de jogos.

Primeiro o pé esquerdo, cuja perna inchada não dobra e que me dói para caramba e, logo de seguida, o pé e perna direita no mesmo degrau. 

Assim, dorido e lentamente, desço degrau a degrau quando oiço o desafio do meu Rafael que, atrás de mim, amável e cortês, esperando pacientemente que eu avance, vai descendo também de vagar:

- Avô, que tal agora uma partidinha de matrecos?

- Está bem – aceitei, com paciência de avô… - mas, deixa-me descansar só um pouquinho porque o avô está doente.

- DOENTE??? – interroga-me, surpreso, de imediato – Olha, olha! Ainda nunca te vi doente!

- Pois não Rafael, mas é bom que te vás habituando. O “caruncho” está chegando…

Na realidade, felizmente, o netinho ainda não viu este avô de cama, internado ou em tratamento, cuidando de qualquer maleita mais complicada mas, em boa verdade, a coisa vai mudando…

E esta merda chegou tão depressa!...

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

QUASE, QUASE LOCUTOR!...

Grande apaixonado por tudo o que é comunicação social – comecei a escrever, ou melhor, a fazer “arremedos" de notícias relativas à minha terra, tinha os meus verdinhos 15 anos de idade – um dia sonhei e decidi tentar a possibilidade de entrar na rádio como locutor.

Porque tinha receio que as pessoas à minha volta considerassem demasiada presunção aquela ambição, não disse nada a ninguém e tratei de tudo no maior dos sigilos. Ainda hoje muito poucas pessoas do meu relacionamento conhecerão esta faceta da minha vida… Sé é que as há...

Entrei então em contacto com a Rádio Ribatejo que, a par da oficial Emissora Nacional, era na época a estação mais ouvida na região e foi marcada a prestação da necessária prova.

No dia aprazado, vestido com o habitual fatinho e gravata que, com os meus 21 anos sempre usava na época (era empregado de escritório na Fábrica de Papel de Ulme) e pedida aí a dispensa de trabalho usando uma qualquer mentira, saí de casa no Chouto sem contar nadinha à família e, montado na frágil motoreta que usava para me deslocar (nas subidas mais acentuadas, para vencer o percurso, tinha de a auxiliar com os pedais!...) avancei para Santarém que dista cerca de 40 kms.

Lembro-me que atravessavamos o Outono e o dia estava meio encoberto mas sem prometer chuva mas, aí tive logo uma má surpresa: a meio do trajecto, talvez por volta de Vale de Cavalos, largou-se mesmo a chover. Uma danada de uma chuva miudinha (a “molha-tolos”) e recordo-me que na Estrada do Campo, entre Alpiarça e a Tapada, tive mesmo que encostar e abrigar-me debaixo da copa de uma árvore. Mas eu tinha hora marcada para a entrevista/prova e tive mesmo de avançar à chuva para Santarém…

Cheguei junto aos estúdios da Rádio Ribatejo, que funcionavam numa avenida que dá acesso às Portas do Sol, que nem um pintainho saído de um lago…

Deixei a motoreta no passeio em frente (na época ninguém roubava nada!) e segui para a prova.

Fui recebido pelo Capitão Jaime Varela Santos, pessoa muito educada e cavalheira, que foi o fundador e era o corpo e a alma da Rádio Ribatejo na altura. Pedi-lhe desculpa pelo meu deplorável aspecto que ele bem entendeu e relevou.

Avançamos então para a prova conduzida por ele próprio. Lembro-me que consistiu na leitura de texto/noticiário feito em português, francês e inglês e também na leitura de um ou dois anúncios. Por fim seguiu-se uma entrevista, feita por ele, que envolvia assuntos de cultura geral e regional.

Terminada a minha prestação, ouvi com agrado o veredito do capº Varela Santos:
- Esteve bem e quero que volte. A sua voz é modelável.(Naquele tempo dava-se muito importância à voz, ao seu timbre, à sua colocação. Hoje, até já ouvimos e vemos gagos a fazer apresentações de programas na rádio e na televisão…)

- A sua voz é modelável.
Falou assim o capº., usando exactamente esta expressão que jamais esqueci e que me deixou feliz até mais não.

Bom, mas depois aconteceu que, nas curvas da vida, tudo se foi…

Dois meses passados sobre esta carta assentei praça, na tropa, claro, nas Caldas da Rainha porque, por azar, puseram-me em Infantaria. Se me tivessem dado Cavalaria estaria aqui um locutor… Assentaria praça em Santarém e a minha frequência/formação de rádio seria certamente uma realidade.

Mas o que aconteceu foi bem mais diferente: Depois de Caldas, Tavira e depois, durante mais ano e meio até embarcar para a guerra, estive colocado em Abrantes.

50 anos atrás, sem as facilidades de transporte, estradas e comunicações que hoje temos e passados quase 4 anos da tropa, com namoro, casamento e residência em Lisboa, esfumou-se todo o projecto e morreu o locutor. Que, na verdade, nem chegou a nascer...

Hoje sinto pena e reconheço que, avançando nele, teria vivido uma vida totalmente diferente da que vivi mas, em boa verdade, teria feito na vida o que sempre gostei e me apaixonou e apaixona ainda hoje: a comunicação social a rádio e a tv (e agora a net) mas, também muito a escrita, os jornais, as revistas, os livros.

Teria de certeza sido uma vida muito e muito diferente da vivida mas, nas encruzilhadas das vidas, muitas vezes seguimos pelos caminhos que menos esperamos e queremos.

Foi o que me aconteceu.

E, agora já é tarde para recomeçar…

NOTA - Nas minhas velharias, para além da cópia da carta que anexo, ainda não encontrei qualquer outro documento ou registo que me fale desta prova para locutor, pelo que é o único que aqui posso deixar. 
É uma cópia de uma carta que enviei ao Cap. Varela Santos de felicitações pela passagem do 15º aniversário da Rádio Ribatejo e onde faço alusão ao “meu grande desejo de iniciar a minha preparação para locutor”.

Enfim… as coisas que a gente sonha quando é jovem…