domingo, 4 de outubro de 2015

RAFAEL, CAMPEÃO NO 2º DIA DE PESCA!


Bom e bonito o dia de ontem! Daqueles que ficam na memória e apetece repetir! 
Pela 2ª vez levei o Rafael à pesca e pela 2ª vez ele gostou. No regresso disse mesmo que gostou ainda mais do que da 1ª vez!
Peguei-o com o pai pelas 7,30 da manhã e pelas 9 horas estávamos junto à barragem a 106 kms. Comeu-se uma pequena bucha e lá fomos à nossa tarefa…
Ferrar as pequenas e malucas percas era o objectivo e, usando o clássico asticô, a empreitada não se apresentava difícil. As percas são malucas e atiram-se ao isco sem o menor receio. A dificuldade em as sacar só está na sensibilidade e prática para as ferrar no momento ideal. É dessa prática que o Rafael ainda necessita para ser mais eficaz na sua captura mas, mesmo assim, imagine-se que conseguiu sacar a maior de todas que ontem saiu da água! Quando regressamos ao carro para seguirmos para o almoço pesámo-la e marcou 200 grs! 200 grs numa perca já é muito bom e, é justo dizê-lo, foi ele que lançou, ferrou e a retirou da água sem a mais pequena ajuda! Depois, durante o dia, na brincadeira perguntava-lhe como tinha feito (?) a que ele respondia: “Não digo!” Ah! Ah!
De manhã pescamos um total de 0,5 kg e na parte da tarde mais 0,750 kgs mas aí já fui eu que, pegando na cana e depois de as ferrar, a passava ao pequeno pescador que as tirava para fora. Por vezes deixava folgar a linha e… lá iam elas. Mas deu para ir treinando bastante. O seu maior problema, que este ano já é menor, ainda está no receio de segurar o peixe vivo e a mexer-se para o retirar do anzol. Mas, verdade se diga, este ano a coisa já melhorou muito. Bastante, mesmo!
Para o ano, no Verão, quero ver se o levo pelo menos duas vezes porque esta actividade, com a ida para o campo e o contacto com a natureza e as suas envolvências é muito necessária e importante no seu crescimento.
Foi este um excelente dia na minha existência e quero repeti-lo mais vezes! Não tem preço o imenso prazer que proporciona levar e ensinar um neto neste bom desporto que é a pesca lúdica!
Como no passado ano, hoje fizemos a fritadela para o almoço da família e, o peixe maior, claro, foi para o pescador campeão!
Deixo aí algumas fotos que documentam e ilustram com foi belo este dia vivido com o Rafael e o Nuno na pesca realizada na fronteira entre o Ribatejo e o Alentejo, no concelho de Coruche.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

DUAS GERAÇÕES - DOIS MUNDOS!


Eles, o André (5), o Manuel (6), o Rafael (9) e a Tia Tina (89!) são, neste clique que registei no dia 19, na festa de casamento da Sílvia e do Mateus, a imagem fiel da nova, algo estranha e bem complexa vivência do nosso actual dia-a-dia.
Eles, os meninos, no apaixonante e de certa forma místico mundo virtual que, acredito, será a sua futura vivência diária e, ela, muito lúcida e ainda ágil de movimentos físicos e mentais, não obstante os quase 90 anos de idade que se seguem de uma vida terrena e bem real, desconhecedora  dessas “geringonças” virtuais e dessas modernices que não entende e nem lhe interessam. Bastou-lhe, chegou-lhe e cansou-a bem as couves, os nabos, os feijões, os “cachos”, as maçãs, o milho e mais não sei o quê e ainda as ervas para o gado que retirou das terras das diversas e pequenas quelhas ao longo dos anos trabalhadas e cultivadas de sol-a-sol na sua fria Beira Alta a fizeram chegar rija e valente q.b. aos dias de hoje.
Deles se espera tudo, neste novo mundo virtual mas igualmente real! Tão moderno, promissor e empolgante mas… também cada vez mais estranho e até algo inóspito!
Ela, já viveu quase um século, saudável e seguro; eles, um dia saberão…
(E vamos acreditar e desejar que, um dia, com 89 anos, com estes papéis invertidos, eles possam registar uma foto idêntica, vendo uns sobrinhos clicando em qualquer outra  “geringonça” moderna, que eu hoje nem imagino qual seja e se sintam igualmente bem “reais”, terrenos e felizes!)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

VELHOS TEMPOS


Vinda do Brasil vi agora no Facebook esta bonita foto e veio-me à memória, num recuo de muitos anos, quando as mulheres do meu Chouto natal lavavam a roupa no ribeiro que ali passa. Faziam-no junto às duas pontes que o atravessam na aldeia a Sul e, pôr a roupa a corar, era um costume também muito habitual na época. 

 Lavar a roupa nos ribeiros e regatos era habitual à maior parte das populações das vilas e aldeias de Portugal. Não havia tanques públicos e muito menos particular
es e de máquina de lavar roupa só em sonhos e restavam estes locais para se proceder à lavagem das roupas…

As mulheres entravam nos regatos, ficavam com água pelos joelhos e esfregavam as peças de vestuário em grandes pedras estrategicamente ali colocadas. Muitas, se não a totalidade delas, usavam então o corar da roupa que, ensaboada e estendida encima das ervas das margens corava ao Sol.


 Imagem velha do meu memorial de criança que esta foto agora fez com que recuasse no tempo…

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

OS 89 NÃO LHE PESAM!


Ele não verga! Felizmente!
Tio Zé Pisco, beirão de rija tempera, com os seus 89 anos é o nosso patriarca de família e estimamo-lo muito, como é natural.
Simpático, educado e senhor de um fino e permanente humor, ontem apareceu aqui queixando-se um pouco da garganta e, a Tia Tina, sua companheira de sempre e de todas as horas, na ida à farmácia para se abastecer dos seus obrigatórios remédios, pegou também uns comprimidos para combater a dor de garganta do amado esposo.
Chegada a casa logo, apressada, desejou que o seu Zé engolisse as duas drageias recomendadas mas… o azar ou o desajeito dos seus já longos 88, em vez dos dois comprimidos para a dor de garganta, enganou-se e deu ao submisso Tio Zé, dois dos seus para… o colesterol…
Passado um pouco Tio Zé apareceu-me aqui e contou-me o episódio e, naturalmente, manifestei-me preocupado ao que o bom do tio me respondeu: “Não faz mal. Eles eram tão pequeninos…”
Iniciado à noite o tratamento devido ficou logo bom, segundo disse agora que aqui me apareceu com um bonito e bom presente de figos pingo-de-mel, coisa que muito apreciei! Tio Zé tem muita e variada fruta nas suas quelhas e sabe tratar devidamente dela!
Contou-me então: “São muito docinhos! Comi agora alguns, fresquinhos, depois do almoço e rematei-os com um belo bagaço que caiu muito bem!”
Assim mesmo! Sem mais, nem menos... Valente! E os 89 não lhe pesam… Maravilha!
Muita saúde e longa vida para o nosso Tio Zé!

terça-feira, 7 de julho de 2015

MARIA BARROSO


No dia em que é noticiada a morte da Drª Maria Barroso, de 90 anos, mulher guerreira pela democracia e pela liberdade antes e depois de 25 de Abril de 1974, humanista e pacifista de forte personalidade, companheira fiel e dedicada de Mário Soares, quero deixar aqui apenas uma palavra sentida e reconhecida:

OBRIGADO!

terça-feira, 30 de junho de 2015

GRÉCIA - UM DIQUE PROTRECTOR


Hoje uso a chamada “tesoura e cola” porque, muito melhor que a minha escrita, é o pensamento do Prof. Viriato Soromenho Marques publicado no “Diário de Notícias também de hoje:

O ponto de não retorno talvez já tenha sido transposto. A entropia está em marcha. Portugal está agora na linha da frente da crise europeia. Como estava previsto no relatório da UBS, de setembro de 2011, sobre as graves consequências da eventual saída da Grécia da zona euro. Ou no relatório da Fundação Bertelsmann, de setembro de 2012, que vinculava a saída da Grécia à queda de Portugal, e a custos astronómicos para toda a zona euro, incluindo a Alemanha. Durante cinco anos a Grécia funcionou no dominó disfuncional da zona euro como um dique protetor perante as fragilidades de Portugal. Um governo português, formado por pessoas medianamente inteligentes e patrióticas, teria apoiado, mesmo que moderadamente, qualquer governo grego, fosse ele do Syriza ou de qualquer outro partido. Deveria fazê-lo por razões jurídicas e morais, mas também por puro egoísmo político. A Grécia era um dique protetor do interesse nacional. Infelizmente, o governo de Passos Coelho e o seu eco de Belém fizeram tudo para humilhar, enfraquecer e fragilizar Atenas. Agora, só um milagre poderia evitar que o dique grego se desmorone. Os nossos juros estão a subir, a desvalorização do euro significará desequilíbrio externo e perda do valor do aforro. Os "cofres cheios" vão começar a ser esvaziados. Quando mais precisávamos de estadistas, limitamo-nos a ter em Portugal os veteranos que utilizaram a malha larga da política partidária para se promover. Nos tempos de fartura, isso seria suportável. Pelo contrário, nos dias excecionais, como os que estamos a viver, tanta incompetência pode ser mortal para a sustentabilidade do Estado. Se ao menos houvesse o decoro de permanecer em silêncio.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

TAMBÉM O OCEANÁRIO? E PORQUÊ?


Na febre imensa deste governo de vender tudo e tudo trocar por patacos, segundo leio no “Expresso”, segue-se agora o Oceanário de Lisboa, obra importante e belíssima construída por ocasião da Expo 98.
(Há também quem diga que não será vendido mas concessionado mas, como se sabe, na prática é quase o mesmo…)
Segundo leio, o Oceanário dá mais de um milhão de euros de receita por ano e por isso há que despachar, a exemplo do que se tem feito com outras empresas que dão lucro.
Mas, se dão lucro, porque se vendem? Mistério…
Pergunto: Será que o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém escapam?

domingo, 19 de abril de 2015

A MORTE E O DRAMA IMENSO DOS IMIGRANTES AFRICANOS NO MEDITERRÂNEO


Lamentável, repugnante e revoltante como todo o Mundo - com a louvável excepção do Papa Francisco!... - permanece mudo e quedo perante este drama imenso, indigno e aviltante!

Numa Europa dominada e controlada pela ambição do neocolonialismo alemão e num resto do mundo mais preocupado com o seu umbigo e também e sobretudo com o poderoso negócio e consumo do armamento, não há tempo nem vontade de pôr fim a este
drama imenso.

Indigno de um mundo supostamente civilizado!


Indigno dos nossos dias!


Para onde caminhamos? 


Quem põe mão nisto?

sexta-feira, 13 de março de 2015

UM CENTENÁRIO MUITO ESPECIAL


Meu saudoso pai se fosse vivo festejaria hoje o seu centenário de nascimento e realmente estaríamos a celebrar uma data muito especial mas, dada a sua brusca partida muito cedo do nosso convívio, quis o destino que assim não acontecesse.

Deixou-nos com 61 anos de vida e fez-nos uma imensa e inquestionável falta quando ainda dele tanto esperávamos  e precisávamos. Não exactamente no campo material – longe disso - mas, sobretudo, no de chefe, de moral e respeitável exemplo, com que sempre fez questão de pautar a sua vida e disso fazia ponto de honra.

Para mais e ainda que isso não fosse minimamente necessário, partiu em quadra e data marcante da nossa vida colectiva, querendo o destino que dias antes e respondendo a meu convite para, com minha mãe, passarem o Natal connosco em Lisboa – para o que poderiam contar com o meu transporte – escreveu-me um postal, que guardo religiosamente, dando conta dessa impossibilidade dadas as obrigações diárias que tinham de acompanhamento aos muitos animais de que dispunham na aldeia.

E afinal a hora terrível para ele e para nós aconteceu a 24 de Dezembro de 1978, com funeral no dia 25 e, assim, passamos a Noite de Consoada e o dia de Natal acompanhando em choro os seus restos mortais. E desta forma foi possível estarmos juntos na Quadra Natalícia… Triste, muito triste ironia!…

Amigo maior que tive em toda a minha vida, guardarei até aos restos dos meus dias toda a sua imensa memória de homem integro, honrado, sério, amigo de todos e, principalmente, muito amigo do seu amigo como nunca conheci pessoa igual.

Fazia amigos com facilidade e que muito o consideravam e estava sempre disponível para ouvir e ajudar todo o semelhante tendo um carinho especial com os amigos dedicados.

Dele soube um dia que, sendo procurado por um amigo que lhe rogava o empréstimo de uma determinada verba para satisfazer um compromisso e não podendo valer-lhe, dada a avultada quantia não hesitou e, recorrendo a um outro seu amigo, que calculava poderia dispor desse valor, fez um pedido de empréstimo e satisfazendo assim o primeiro amigo necessitado. 
E, embora não sendo enfermeiro de profissão, quantos milhares de injecções e curativos médicos, muitos realizados nas residências dos próprios doentes e sempre totalmente grátis, não fez ao longo da sua vida? Seguramente vários milhares na aldeia e até fora dela, em povoados vizinhos.
 
De entre as várias fotos que do meu querido pai guardo e pensando exactamente na forma como estimava os amigos, escolhi esta que aqui deixo onde o vemos chamuscando um porco que criou especialmente para matar festejando a minha vinda da guerra em Dezembro de 1969 (a foto é do mês seguinte, dias após) e para cuja matança convidou familiares e amigos de estimação. Vê-mo-lo aí, para além de minha irmã que lhes levara o tradicional “mata-bicho (passas de figos com aguardente) com 3 dos muitos que estimava (Acácio Varela, Juvenal (encoberto) e José Dinis).

Hoje não festejamos o centenário de nascimento de José Azevedo mas recordo com imortal saudade a sua figura de pai, homem integro, honrado e de muito caracter, que passou pela sua curta vida deixando um rasto de bem, de amizade, de muita dedicação aos seus familiares e amigos que para sempre dele se recordarão.

Com profunda saudade e imensa gratidão de filho, aqui ficam os meus desejos que para sempre descanse em paz! 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A RÁDIO DO NOSSO ENCANTO


Celebrando-se hoje o Dia Mundial da Rádio e, apaixonado como sempre fui pela comunicação social, não poderia deixar de aqui referir o evento e, a propósito disso, lembrar dois dos aparelhos de rádio que me foram particularmente queridos durante a vida.
Um é este de que deixo aqui a imagem e que era o aparelho de casa dos meus pais, que acompanhou toda a minha juventude e que ainda hoje guardo com particular cuidado. Julgo que o meu pai comprou-o na década de 50, talvez perto do seu final e que, como no Chouto não havia ainda energia electrica e embora já viesse preparado para ela, era alimentado com a energia de um grande e pesadona bateria de camioneta, colocada numa robusta caixa de madeira para seu transporte quando ia periodicamente a carregar à Chamusca. Funcionava e funciona a válvulas e depois de ligado tem que se aguardar uns momentos até que elas aqueçam. Não sei se este será o termo mais adequado mas lembro-me que era assim que diziamos… Lembro-me de aos domingos à noite e sempre a prejudicar o meu sono, porque na segunda cedo teria de “apanhar” a camioneta para ir para a Chamusca e Torres Novas para os estudos, de ouvido colado ao rádio, para não incomodar os meus pais que já dormiam, ouvir por volta das 10 da noite um programa desportivo na Emissora Nacional que nos dava conta dos resultados dos jogos de futebol e respectivas classificações. Um vício de me manter actualizado que ainda hoje mantenho mas agora na TV ou, mais recentemente, na net.
O rádio, como se vê muito bonito, era a estrela lá de casa e recordo-me também do meu pai o colocar na janela, em altos berros que se faziam ouvir em toda aldeia, aos sábados à noite em que a então Emissora Nacional transmitia em directo um espectaculo então muito famoso que dava pelo nome de “Serão para Trabalhadores”. Recordo-me que o principal locutor/apresentador era Artur Agostinho que aproveitava para contar umas quantas anedotas que as pessoas muito apreciavam.
Viveu e reinou o aparelho sempre lá em casa, primeiro com a força da bateria e depois de 1972 já com a energia electrica, que chegou à aldeia em Junho desse ano. Hoje guardo-o com o natural carinho e apreço e estimo-o assim como se de uma joia se tratasse.
O outro aparelho porque nutro particular apreço é um pequeno transístor que curiosamente agora não encontrei para fotografar – guardo-o tão bem que nem me recordo onde o coloquei com a recente mudança de casa… - e que me acompanhou durante toda a minha guerra de Angola. Não me recordo onde o comprei mas julgo que foi em Luanda, quando lá cheguei…
E porque tenho apreço pelo pequeno aparelho? Ora, porque foi nele que ouvi sempre as retardadas notícias que nos chegavam no Leste e depois no Norte e recordo-me sobretudo de acompanhar nele com vivo interesse as notícias sobre a caída de Salazar da cadeira e depois a tomada de posse de Marcello Caetano e do seu discurso. Ouvi isso quando estava em Lumbala, lá bem interior, junto à fronteira com a Zambia. Depois e ainda com mais destaque, recordo-me de ouvir a empolgante reportagem da chegada do homem à Lua. Ainda hoje não perdoo à guerra e ao regime de então o ter-me impedido de seguir em directo pela televisão tão importante acontecimento, como muitos milhões de pessoas o fizeram em todo o mundo.
Recordo-me que estava no Norte de Angola a cerca de 70/80 kms de Luanda, na Fazenda Lifune e, deitado na cama, de madrugada, ouvi empolgado toda a odisseia numa transmissão da Rádio Eclésia, de Luanda, que recebia a reportagem da Rádio Renascença, aqui de Lisboa, cujos locutores viam na tv e relatavam. Foi de tal maneira emocionante que nunca mais esqueci.
De manhã, quando cheguei junto aos soldados para o pequeno-almoço, lembro-me que lhes contei o que tinha ocorrido nessa madrugada e alguns deles não acreditaram no feito. Acharam que era aldrabice dos americanos…
Sendo estas algumas das minhas ligações/recordações com a Rádio, não são todavia as únicas… Não são, não!... Tenho algo ainda bem especial da minha juventude, que nunca desvendei – nem os meus pais alguma vez souberam!... – mas, como o texto já vai extenso, ficará para uma próxima oportunidade.
Algo que, a concretizar-se naquela data, bem poderia ter alterado todo o meu percurso de vida… Daqui a uns dias conto aqui...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

VIVER (E MORRER) NESTE MUNDO DE MUITOS LOUCOS

E aqui estamos de novo na Europa com o terror, a morte e o medo a atingir tudo e todos depois do ataque terrorista de ontem em Paris ao semanário satírico “Charlie Hebdo” e do assassínio hoje de uma mulher polícia numa rua e que aparenta ter relacionamento entre si.

Islamitas ou membros da Al Qaeda são fanáticos os autores desta barbárie horrorosa que atenta nitidamente contra a forma de vida no Ocidente e que por isso importa condenar veementemente. Diz-se que os cartoonistas do semanário se puseram a jeito, o que em parte é verdade mas entendo que nada justifica tamanha carnificina, tamanho horror.
Acho que é forçoso que os dirigentes europeus revejam esse lírico Tratado de Shengen, feito anos atrás como se o mundo fosse constituído por santos e anjos quando, como todos bem sabemos, na prática não é nada assim. Sabemos que há tráfico de armas dentro da Europa e a livre circulação de pessoas sem controle, sendo bonita, só facilita a movimentação de criminosos e terroristas que assim circulam e vivem como bem lhes apetece e desejam.
Meses atrás um cidadão romeno assassinou no Algarve a sua companheira de igual nacionalidade e levou o cadáver de automóvel até à Roménia onde depois aí foi descoberto e preso. Noticiou-se que alguém foi alertado pelo cheio vindo do carro. Percorreu o homem 5.000 kms de Portugal à Roménia com um cadáver sem ser incomodado em todo o trajecto! Dá para acreditar?
Se assim se consegue passar de uns países para outros sem ser incomodado, quanto mais fácil será passar gente criminosa, armas e explosivos?
E, nesta Europa descontrolada e mais preocupada com os números da economia e dos défices sem pensar no bem-estar real e diário dos seus cidadãos, vive-se e convive-se assim com o crime, o horror e a morte. E isto até quando?
Hoje toda a imprensa mundial reagiu com vigor e determinação aos cobardes crimes praticados em Paris e em Portugal também isso mesmo aconteceu. Destaco nos nossos jornais a magnifica criatividade dos diários “I” e “Diário de Notícias” que estiveram muito bem reservando toda a sua 1ª página para dois cartoons de muito imaginação e valor! Fiz sobre eles um pequeno trabalho que publico no meu site pessoal e que também aqui deixo por me parecer oportuno.

domingo, 21 de dezembro de 2014

CENTRO DE ACOLHIMENTO - UMA PÉROLA NO CHOUTO!


Não obstante já ter passado um dia sobre a minha visita ao meu Chouto e particularmente ao seu Centro de Acolhimento Social onde se realizava a sua Festa de Natal, devo confessar que ainda escrevo debaixo da excelente impressão e sobretudo da forte emoção sentida depois da minha estada e da magnífica vivência experimentada naquelas breves horas que ali permaneci.
Temos ali, no pobre e humilde mas muito limpo e bonito Chouto, uma obra de muito valor que muito me impressionou, embora eu já bem soubesse que tínhamos ali algo de muito prestimoso e válido.
É, pois, ainda muito impressionado com o que vi no tocante ás magníficas instalações - de que deixo aqui duas esclarecedoras fotos - e ao ambiente ali vivido que redijo este apontamento e, só por isso já seria uma boa razão para este meu escrito mas, é sobretudo – muito sobretudo por isso! – pela emoção que sinto por, conhecendo muitas daquelas pessoas, muita daquela gente ali instalada e frequentadora do Centro e vendo como são bem tratados e por sentir como são felizes, esses velhos conterrâneos amigos e conhecidos, que mais me impele a aqui deixar as minhas impressões sobre tudo o que vi ontem no Chouto.
E é por conhecer aqueles velhos e humildes conterrâneos que em muitos casos viveram toda uma vida rural, cavando – cavando! - e retirando da terra com o seu árduo trabalho o parco sustento, muitas vezes numa dura e dramática sobrevivência, vivendo em casas muito humildes, muitas de piso de cimento e até de chão térreo, de telha vã, quentes no Verão e sem aquecimento nos frios Invernos da região para além da pobre lareira e das fracas mantas na cama, sem água canalizada e instalações sanitárias, é por os ver agora tão bem instalados que me emociono fortemente. Muito fortemente! Sinto o seu sentir; aprecio a sua estima e agradecimento pela forma como são tratados; aprecio a sua gratidão pelo carinho e dedicação que ali recebem, agora que se lhes apresenta o Inverno da vida.
E, numa época em que frequentemente a comunicação social nos confronta com notícias de situações tão condenáveis neste campo da assistência social com lares degradados, má assistência aos idosos quando não até de maus tratos e abandono em muitos outros casos, constatar que numa terra tão pequenina e pobre como o Chouto foi possível criar e manter uma realidade tão bonita e importante como o é o seu Centro de Acolhimento Social, merece todo o meu aplauso e justifica estas minhas palavras que são também de homenagem e agradecimento a quem a torna possível! Homens e mulheres, filhos e amigos da terra, gente competente, dedicada e prestável que não regateia esforços e inteligência, querer e crer para tornar possível tão louvável realidade! Bem hajam!
Bem hajam porque, graças a todos eles, o Centro de Acolhimento Social do Chouto é hoje uma bonita e valiosa pérola na aldeia!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

SEM PESCA, PESCADOR SOFRE...


É, sem dúvida, o meu desporto preferido! É, francamente, a minha distração favorita!  

Pela pesca e, sobretudo, pela pesca ao achigã, troco tudo. Gosto também muito de ver um bom jogo de futebol, do meu Sporting ou da selecção portuguesa mas, se puser isso em equação e, isso já tem acontecido, opto nitidamente pela pesca em detrimento do futebol.
A adrenalina da pesca, do sentir o peixe pesando e puxando na outra ponta da linha; a emoção de imaginar e depois ver o porte do peixinho; o ar puro; o contacto com a natureza; o observar a vegetação, a floresta, as culturas, as aves e os animais selvagens, é algo que não troco por nada. Na pesca o tempo passa sem darmos por isso e, ainda que tenhamos muitas preocupações, ali, elas são esquecidas e, não raras vezes quando olhamos para o relógio, ficamos muito surpreendidos por já terem passado uma, duas e mais horas…
Mas, a pesca do achigã, sobretudo em Portugal, tem esta vicissitude do prazo em que não podemos pescar por causa do clima que no país se faz sentir… É verdade que o “defeso” de 2 meses até é relativamente curto e suporta-se mas, a esse período temos que somar a parte final do Outono e sobretudo todo o Inverno o que, somado ao tempo do “defeso”, eleva para cerca de 6 meses em que a pesca não é agradável e apropriada. Com o frio as águas arrefecem muito e os peixes procuram as águas mais profundas, menos frias e deixam de frequentar zonas menos acessíveis a pescadores de margem como eu. Para além disso, como que hibernam, ficam quietos e deixam de se alimentar. O achigã funciona dessa forma, tem esse metabolismo e a isso temos de nos adaptar.
Foi por tudo isto que, quando a 28 de Outubro, no final do dia, findei a minha pesquinha, achei que seria o meu encerramento deste ano e criei esse bonequinho que acompanha este escrito. Ainda tinha o mês de Novembro pela frente mas não seria previsível que a chuva e o frio que surgiriam inevitavelmente permitissem que continuasse… E assim foi, na verdade. Neste Novembro não tivemos frio mas a chuva não nos largou…
Resta-nos aguardar pelos dias de finais de Fevereiro e ir até 14 de Março na esperança que então tenhamos uns diazinhos de melhor tempo para, antes do “defeso” então, finalmente, matarmos o vício…
Chegados agora a Dezembro, prestes a ver findar o ano e, num balanço final tenho de reconhecer que o mesmo, em termos de pescarias, não foi famoso. Logo na abertura tive a inconcebível “nega” no acesso ao local onde tantas e bonitas jornadas de pesca vivi, embora nesse mesmo dia tenha ferrado dois bons exemplares que até acabaram por ser os maiores que pesquei durante todo o ano. Verdade que fui pouco à pesca mas, as vezes que fui, a coisa não foi famosa, não.
Mas o 2014 ficou marcado por ter levado a pescar pela primeira vez o Rafael, num belo dia de Julho, numa situação que me agradou sobremaneira e ainda mais por ver como ele apreciou. Pena que não tivéssemos oportunidade de repetir como ele desejava mas quero crer que em 2015 lá voltará… Fica aí uma foto como recordação desse belíssimo dia que muito desejo que se repita..
Entretanto devo confessar que nas minhas derradeiras idas, já em Outubro, as coisas melhoraram substancialmente exactamente porque optei por usar vinis e mais concretamente os senkos como amostras…
Os achigãs são enganados magistralmente por esses tubos de vinil e eu, que já há muitos anos os conhecia, como que me tinha esquecido deles…E como lamento isso…
Recordo-me que foi há cerca de 10 anos que o amigo Ventura da Silva, em Vila Franca, com quem muitas vezes conversava sobre a nossa paixão da pesca do achigã me apresentou o senko como a grande novidade do momento, me ensinou a fazer a montagem num anzol “pescoço de cavalo” e me aconselhou a colocar um chumbo bala como peso. Eu logo usei essa “arma” umas vezes mas confesso que nunca vi resultados extraordinários… Só uma vez um grandão esteve para ser ferrado e ele puxou de um lado e eu do outro e fiquei com metade do senko no anzol… Aí fiquei entusiasmado e como tinha o telemóvel no bolso logo gravei a imagem que aí agora deixo…
Mas, depois disso, nada de especial mais aconteceu e, ao longo dos anos, até parece que me esqueci dos senkos e, só agora, no início de Outubro, lendo na net um escrito de Herminio Rodrigues, que passa por ser um craque na pesca do achigã e que sei também ser amigo do sr. Ventura, falando nessa amostra, ensinava também a fazer a montagem mas aconselhava a não usar o peso – o chumbo bala. Aí eu achei que ele era bem capaz de ter razão e penso que talvez o chumbo produza melhores resultados ao nosso amigo Ventura porque ele pesca de barco e há necessidade da amostra ir mais ao fundo. Para quem pesca de margem e portanto em águas menos profundas o peso não se justifica e a amostra descendo naturalmente na horizontal e não na vertical, engana muito melhor os bichos. Eu fiquei disso convencido nas derradeiras vezes que fui à pesca e só lamento que o Novembro, extremamente chuvoso me impedisse de visitar os achigãs… Agora resta-me esperar por melhores dias, talvez lá para finais de Fevereiro de 2015…
Até lá resta-me contar os dias, sonhando com novas e belíssimas idas à pesca…

terça-feira, 25 de novembro de 2014

GRANDE BOMBA!


É mesmo uma grande bomba!
Coisa nunca vista nesta terra!
Era inevitável ou, no mínimo perfeitamente previsível: Socrates ficou dentro!
Já o tinha aqui escrito como hipótese porque não seria de imaginar que um juiz que detém à chegada ao aeroporto um ex-Primeiro-Ministo não tivesse que, como resultado e sustentado em fortes fundamentos resultantes de investigações antes efectuadas, optar por medidas mais leves para reter o político. Pareceu-me lógica a decisão.
Para nós, “zé da rua” que, de concreto só conhecemos o “diz-se, diz-se” e o que sai na comunicação social - com relevo para aquela invulgar detenção do motorista de Socrates que, a fazer fé no que escrevem alguns jornais, levava malas cheias de dinheiro para Paris… - a decisão até era mais ou menos esperada. E se calhar até José Socrates igual detenção já esperasse por informação antes soprada e tanto mais que os seus mais próximos supostos “colaboradores” já estavam detidos…
E agora? Agora seguir-se-á a natural e inevitável batalha jurídica e, se bem conheço o “animal político” que é o socialista, a coisa vai ser dura. Ele venderá muito cara a derrota e a luta vai ser violenta, forte e demorada. E, vamos lá, reconheçamos e recordemos: já temos visto anteriores processos de detenções bem mediáticos darem em... nada... A ver vamos... Vai ser interessante seguir mais este...
Entretanto e para além de acompanhar o desenrolar dessa cena temos a forte curiosidade de observar as consequências de tudo isto não só para o Partido Socialista, vendo como reagirá a tão forte abanão mas ainda também veremos como utilizarão ou não  as restantes forças partidárias este inédito e surpreendente acontecimento…
Numa primeira impressão acho que eles reagirão assim como que na espectativa e não farão muitas ondas nem provocarão os socialistas – até porque se lembrarão que… também têm telhados de vidro… - mas, lá mais para a frente e à medida que se aproximem as eleições de 2015, os ataques virão.

Virão, certamente. É a minha previsão…
Que não costuma falhar…

sábado, 22 de novembro de 2014

BOMBA! GRANDE BOMBA!


A bomba, como eu lhe chamei no Facebook, mesmo mesmo encima do acontecimento antes da meia noite, quando descobri a notícia, é mesmo uma grande bomba de verdade porque acho que a coisa é MUITO grave qualquer que seja o resultado que saia das medidas cautelares. Muito grave!

As autoridades terão de estar muito bem fundamentadas e cientes que não falharam na sua decisão de deterem Sócrates no aeroporto quando chegava de Paris ontem mesmo, mesmo, ao final do dia. Se isso é gravíssimo, gravíssimo será se as medidas cautelares que lhe aplicarem forem leves...

Se isso acontecer, o caso ainda mais se complicará... Acho eu...

Vou aguardar...

domingo, 16 de novembro de 2014

SAUDADES...


Saudades - muitas saudades! - dessas deliciosas e inesquecíveis azeitonas novas do Chouto, retalhadas e preparadas divinamente pela minha saudosa mãe!...

As últimas, há já uns anos, colhidas pela vizinha Maria Antónia, preparadas pela minha mãe e comidas com sal grosso "ás mãos cheias", bebendo uns tintinhos no "Zé Jaquim"!... 

Quanta saudade!!!...

(Foto junta "roubada" à minha conterrânea Ana Rita Simões.)

domingo, 2 de novembro de 2014

SEPTAGENÁRIO


E hoje aqui estou carregando já os meus 70 (setenta!) aninhos!
E na verdade, devo confessar, já começam a pesar alguma coisinha. Também é verdade e devo reconhece-lo com prazer que a saúde não me tem faltado mas, confesso, neste último ano passado já surgiu uma ou outra maleita… Já, já… As articulações começaram a queixar-se e artroses e mesmo o chato aço úrico – desconfio… - já por aqui apareceram. Uma gaita!... Uma gaita, mas… cá vamos andando.
A celebração foi idêntica às dos anos anteriores: refeição com a família mais chegada, uns momentos amigos de confraternização, muita vez acrescentados pelas muitas felicitações telefónicas que foram chegando e a coisa passou-se. Desta vez, como o dia no calendário bateu num domingo, tivemos um almocinho num restaurante aqui da cidade que decorreu muito bem. Escolhi para mim uma “dieta”… Exactamente uma "Cataplana de Pampo", que estava exemplarmente confeccionada e que degustei com elevado prazer.
Pena que o danado do problema que me criaram quatro anos atrás continue a incomodar-me o dia-a-dia e sobretudo as noites e noites… Pena que ainda não esteja terminado e resolvido da melhor forma mas, como não está nas minhas mãos soluciona-lo, terei que suportar todas estas muitas contrariedades e preocupações tentando evitar que me provoque os mínimos danos na saúde. É o que faço hoje e tenho procurado fazer durante todo este já longo tempo decorrido. Oxalá consiga levar o barco a bom porto! Oxalá!...

Para “ornamentar” este meu apontamento junto uma imagem da deliciosa “Cataplana de Pampo” que muito apreciei e a já tradicional foto com o meu neto, numa tradição que já é feita pela oitava vez. Também o Rafael já vai somando os aninhos…

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A GENTE OUVE CADA COISA...


Hoje, ao fim da tarde, aguardava a saída do meu neto do colégio, no fim de um dia de aulas e ouvia o noticiário da TSF. As notícias não eram muito “frescas” e a principal era mesmo já conhecida desde o início da tarde: tinha sido atribuído o Prémio Nobel da Medicina ao casal norueguês Edvard Moser e May-Britt Moser e ao anglo-americano John O’Keefe, pelas suas descobertas de células que constituem um sistema de posicionamento no cérebro.

Notícia bonita e importante a que o noticiário algo mais acrescentava dizendo que, Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, se regozijava com a notícia exactamente porque, segundo ele, o casal norueguês tinha usufruído de uma bolsa da UE para as suas investigações mas, acrescentava o locutor de serviço nas notícias e cito de memória “nem todos ficaram satisfeitos com esta atribuição” porque, segundo afirmou, uns grupos noruegueses de defesa dos animais manifestaram a sua discordância pela atribuição deste Nobel porque, para os estudos e para as experiências os neurocientistas da Noruega tinham sacrificado ratos. Eles tinham feito os estudos nos cérebros de… ratos…
Não tenho muito mais a acrescentar, né?
Recordo-me que há já uns anos na velha casa da aldeia tinha um danado de um rato que nos incomodava e preocupava e, o nosso tio Zé sabendo, descansou-me: “deixe que eu trago uma ratoeira que comprei há dias e ele cai nela!…” E, caiu mesmo, nessa primeira noite! No dia seguinte o desgraçado ali estava “enforcado” quando tentava abocanhar o bocado do queijo…
Na altura eu andava pelo Fotolog e publicava muitas fotos, que ainda lá estão, com textos/legenda alusivos e, como antes, sobre um qualquer nascimento publiquei uma foto e escrevi num hino e homenagem à vida, para o que me havia de dar tirando uma fotografia ao rato “enforcado” na ratoeira ? Numa evidente decisão de mau gosto, que reconheço mas, não pensando nisso e num contraponto à outra do nascimento de uma vida, vá de escrever sobre a morte e consequente extinção da vida.
O que é que eu fiz? Caiu-me  “o carmo e a trindade” encima com uma carrada enorme de chamados amigos dos animais a chamarem-me de tudo, tudo e a tratarem-me abaixo de… rato… Foi o fim do mundo!... O que eles e elas me chamaram… Está ainda aí na net, no Fotolog…
Houve quem me desejasse que morresse enforcado e teve até uma senhora que me deixou muito preocupado porque, profetizou ela, na próxima reencarnação eu serei um…  rato e morrerei enforcado numa ratoeira…
Tive noites que nem dormi com esta profecia…
Desta vez são os neurocientistas condenados porque sacrificaram ratos nos seus importantes estudos. Enfim…

sábado, 20 de setembro de 2014

ANTÓNIO BENTO DEIXOU-NOS HÁ 32 ANOS!


Completando-se hoje 32 anos sobre o falecimento do apaixonado chamusquense, grande pacifista e meu saudoso amigo António Bento, fundador, director e corpo e alma grande do extinto “Jornal da Chamusca”, recordo esta efeméride e deixo uma foto da sobre-capa do jornal publicado em Setembro de 1982, sobre-capa que elaborei e fiz publicar então, com dor, é verdade, mas também com paixão e amizade, como preito e homenagem àquele que, sem dúvida, foi um amigo e dos melhores filhos que a Chamusca teve!
32 anos são passados mas a sua memória permanece! Que descanse em paz, na paz que sempre sentiu, viveu, incentivou e divulgou em toda a sua vida!

EM TEMPO - Já depois de redigido este pequeno apontamento constatei que o amigo Bento não faleceu a 20/9 mas a 21, com os 32 anos a serem considerados então amanhã. Errei porque, dias atrás revisitei em vídeo uma homenagem que lhe foi prestada na Chamusca, no Cine-Teatro, organizada pelo também muito amigo e saudoso Joaquim Cardador e para a qual fui convidado e estive presente com o maior prazer e que, por uma questão de calendário, realizou-se a 20 de Setembro de 1992 lembrando o 10º aniversário da sua morte. Essa data de 20, que tenho na lombada da cassete VHS confundiu-me na hora de redigir e publicar este apontamento e daí o erro.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BARBÁRIE


E, quando hoje passa o 13º aniversário sobre o incrível ataque às Torres Gémeas que provocou  o número inimaginável de 3.000 mortos indefesos e inocentes e que, inevitavelmente, mudou o Mundo e a História contemporânea e passado que está como que “esquecida” a Al Qaeda e Ossama bin Laden, eis que surge-nos o chamado Estado Islâmico, com a atrocidade e a barbárie que as muitas mortes e horríveis execuções por degolação a net e outros meios de comunicação a toda a hora nos mostram, fazendo entrar pela nossa casa adentro imagens impressionantes de agressividade e maldade humanas.
Amante da harmonia, da concórdia e da paz, estas imagens causam-me viva e horripilante impressão e nem sei como seres humanos têm sangue frio e coragem e são capazes de tamanhos horrores!...
Tempos idos, coisas e cenas do género eram enviadas em fotos ou vídeos para as agencias noticiosas e para jornais e tvs que as filtravam e só publicavam consoante os seus critérios deontológicos e, desta forma, não chegavam aos lares dos cidadãos indefesos e desprevenidos mas, hoje, com a net, tudo mudou… Gente sabedora e experiente, formada no Ocidente, conhecedora dos avanços da técnica da comunicação, aproveita a internet e, no preciso instante, entra nos computadores dos cidadãos de todo o mundo e mostra os horrores e a morte admissíveis e condenáveis.
É a net e o nosso mundo actual com todo o seu progresso e espantoso avanço da técnica de comunicação, com todas as suas virtudes e todos os seus muitos males e defeitos!
É o Mundo que herdamos e que criamos e mantemos e que doamos aos nossos descendentes.

domingo, 10 de agosto de 2014

ÓDIO DE MORTE


Quase podemos dizer que se mais depressa o Papa Francisco tomasse a bela iniciativa que tomou e que aqui registei em Junho último e mais depressa a guerra, o horror e a morte voltariam aquelas martirizadas terras do Médio Oriente.
Trata-se de um ódio de morte que dura desde que no final da guerra 1940/44 os homens encontraram aquela solução para o povo judeu e que logo se viu que não daria certo...
Homens e políticos experientes que tiveram a sabedoria e a coragem para acabar com aquele tenebroso conflito mundial, não foram capazes de encontrar melhor solução para aquele enorme problema e acabaram por criar um novo conflito que, ao longo destas sete décadas, tanta dor e morte tem provocado.
Não me sinto minimamente abalizado para condenar ou apoiar qualquer uma das partes e entendo as posições dos israelitas e dos palestinianos, julgando que ambos têm razão e culpas neste interminável conflito. Custa-me aceitar a muita dor e morte que Israel tem provocado na Faixa de Gaza mas também acredito que a Palestina e sobretudo o Hamas, no intuito de melhor se defender, faz das mulheres e crianças escudos que os de Israel não respeitam provocando assim situações e cenas horríveis que a comunicação social todos os dias nos mostra.
Neste enorme drama que não sabemos como e quando terminará, se é que terá fim, quem sofre são os mais fracos e indefesos, as mulheres e as crianças de parte a parte mas sobretudo na Palestina porque mais fracos, que morrem ou ficam feridas e que vêm os seus bens ser arrasados e destruídos.
Um odio de morte que nos horroriza e a que há que pôr termo.

domingo, 13 de julho de 2014

DIA LIIIIIIINDO!


Há muito que o nosso Rafael tinha manifestado desejo de me acompanhar à pesca no Alentejo mas só agora isso aconteceu... 

Não o levei no ano passado porque achei que ele ainda precisava de mais uns mezinhos de idade para se iniciar nessas lides e, este ano, com ele já com oito de idade, deixei passar o mês de Maio e também o Junho que esteve mau climatéricamente falando… O Maio teria sempre de evitar para ele... Primeiro, por causa dos fenos, dos pólens e das danadas das alergias onde os espirros e os olhos nos chateiam que se fartam e, depois, porque naquela data também encontramos as arreliadoras e inconvenientes pequenas carraças que nos sobem pelas roupas e pelo corpo…
Agora, passadas as trovoadas e as consequentes chuvas que amolecem as ervas e fazem desaparecer as carraças – para onde vão elas?, não sei… - achei que era a data ideal para satisfazer o desejo do netinho e assim o iniciar neste desporto lindo que há muitos anos pratico.
Dias antes do marcado para a pescaria comprei o necessário material adequado para ele utilizar: Uma cana leve, telescópica, para usar com linha directa porque o carreto agora está fora de causa, uns pequenos anzois, o isco (asticôt) etc, etc. Achei que para o iniciar e entusiasmar temos nas represas alentejanas as pequenas e malucas percas que se atiram aos iscos e aos anzóis doidamente e assim adquiri o material necessário para isso.
Ele queria ir à pesca sozinho com o avô mas, isso, embora fosse possível, não era muito aconselhável e o pai também fez parte da equipa. Não sabia muito da "faina" piscatória mas sempre ajudava a controlar o seu nervoso e a sua ansiedade...
Os 3 não partimos tão cedo quanto o aconselhável para pescadores mas não o quis molestar muito logo no inicio da prática e por isso saímos pouco depois das 7 da matina. Para alguém que, naquele sábado, não fora a pesca provavelmente nunca se levantaria da cama se não depois das nove/dez, já foi algum sacrifício…
No percurso, de pouco mais de 100 kms, foi a tradicional pergunta, cem vezes repetida: “Ainda falta muito?” e ainda a sua divulgação/confissão: "Avô, hoje vou ter um dia excelente!: De dia tenho a pesca e, à noite, vou jantar com os pais e uns amigos num restaurante!”. Achei uma delícia!
Chegados ao local da pesca, uma pequena represa situada numa Herdade na fronteira do Ribatejo com o Alto Alentejo, recebeu então ali as primeiras lições, primeiro do material que iria usar e, depois, da forma como o utilizar eficazmente para produzir resultados. Foi muito curioso e interessante observar as suas diversas reacções à vista de utensílios que naturalmente desconhecia… Cana, linha, anzol, chumbo, isco, etc.
Depois, foram os ensinamentos sobre a técnica a usar nos lançamentos, nas ferragens do peixe, etc, etc. e, com paciência e muito gosto, fui explicando, demostrando e ajudando, numa tarefa tão deliciosa quanto gratificante! Uma maravilha! Uma maravilha de bocadinho do dia e... da vida! Delicioso!
O Rafael foi aprendendo com relativa facilidade e o problema maior, que afinal me parece ser generalizado e, portanto normal nas crianças “meninos da cidade”, tem a ver com o segurar com a mão o peixinho vivo e agitado saído da água e a querer libertar-se... Habituadas a verem os peixes vivos nos aquários ou mortos nas bancas das peixarias, faz-lhes impressão senti-los vivos nas mãos… Coisa lógica. Natural. Uma pequena dificuldade que o nosso Rafael ultrapassará com o hábito ao longo do tempo. Logicamente. Naturalmente.
De resto tudo bem e, o nosso amigo que, a meio da manhã, à medida que ia sacando das águas pequenas percas, teve a franqueza de me confessar: “Avô, afinal isto é divertido!.”, no final da jornada, quando regressávamos a casa, à minha pergunta “Então, Rafael, preciso saber: A experiência é para repetir?” respondeu-me de imediato e bem alto, lá do banco de trás: “Ah! SIM! SIM!”
Para ornamentar esta minha gratificante narrativa deixo três fotos que me parece se justificam. Numa vemo-lo recebendo ensinamentos do avô; noutra ele expressando um "Fixe!" e o seu prazer pela tarefa; e, na última, as percas da sua pescaria já fritinhas e que serviram de aperitivo no almoço da família, hoje aqui em casa!
Por fim, será desnecessário aqui manifestar o muito prazer que senti neste dia único e liiiiindo, né?

Pois... Na verdade, foi um dia lindo, liiiindo!

domingo, 6 de julho de 2014

CORTIÇA - O SUOR E A DOR NA SUA ORIGEM!


Encostados ao balcão do pequeno pavilhão na Feira de S. Pedro, oito dias atrás, conversávamos e íamos “molhando a palavra” e refrescando-nos com umas “imperiais” loirinhas e bem fresquinhas. 

A conversa era ligeira e falávamos da feira em que estávamos e dos muitos e velhos amigos que ali sempre vamos encontrando e reencontrando como é hábito neste evento anual na nossa terra natal quando, no intervalo de mais uma fresquinha golada da loira cervejinha o amigo me desabafa: “pois… é tudo muito bom e bonito mas o diabo é que amanhã, logo bem cedo, já andarei de novo à roda dos sobreiros!...”
Fiquei assim a saber que o meu amigo, homem multifacetado nos trabalhos agrícolas, andava agora na tiragem da cortiça, num trabalho bem especializado, só ao dispor de alguns mais experimentados e também de boas posses físicas dado que é necessária força e sabedoria para o executar. Para além disso e porque a tiragem da cortiça só pode ser feita nesta época do ano em que o Verão nos traz o muito calor, a empreitada torna-se difícil, se não mesmo violenta porque feita ao sol, exigindo esforço físico considerável e em zonas habitualmente muito secas e portanto onde o calor mais incomoda.
Nascido e criado em zona de sobreiros e frequentador também no Alentejo, por via da pesca, de locais com muitos montados, tenho seguido praticamente todos os anos esta labuta e, com curiosidade vou acompanhando o valor dos salários que os proprietários dos montados vão pagando aos trabalhadores. Trabalho especializado e duro é sempre mais bem pago que o vulgar trabalho agrícola e, segundo informação do amigo com quem conversava, neste ano e na zona onde laborava, o valor da jorna era de 70 euros aos homens e 35 às mulheres. Ambos com pagamento “a seco”, portanto sem comida nem bebida.
O valor pago aos homens foi considerado pelo meu interlocutor de “jeitoso” mas outro tanto não acha, coisa que eu subscrevo, quanto ao auferido pelas mulheres já que nos parece demasiado escasso face ao muito esforço e à considerável força física que elas têm de despender para pegarem e transportarem à cabeça as grandes e pesadas pranchas de cortiça que, caídas junto aos sobreiros, depois de sacadas das árvores, há que leva-las até junto dos tractores ou camionetas - e iça-las para a carga! - que depois as transportarão até ao Monte da herdade onde serão empilhadas e guardadas até à sua venda e ida para a fábrica transformadora. É necessária, não tenhamos dúvida, muita força muscular - muita força muscular! - e ter ainda uma boa coluna vertebral!... As mulheres, acho, estão a ser muito mal pagas para este esforçado trabalho mas, muitas delas, coitadas, precisando e achando que aos 70 euros dos maridos juntarão os seus 35, totalizando assim um valor já considerável que levarão para casa, que amealharão e que os ajudará a passar melhor os difíceis dias de Inverno de menos trabalho que aí vem, são forçados a este grande esforço e sacrifício físico. É a vida muito dura das gentes do campo! É a vida muito dura de quem precisa!
Como disse, nas minhas andanças na pesca do achigã durante o Verão, encontro-me muitas vezes com estes trabalhos e, aqui ou ali vou captando com a máquina as diversas situações que me parecem mais interessantes. É o caso das duas fotos que aqui deixo vendo-se numa a extracção da cortiça e as difíceis condições com que o trabalho se executa e, na outra, uma pilha que achei interessante fotografar porque aí podemos comprovar como especializado e até artista foi esse trabalhador que conseguiu “sacar” do sobreiro, parece que com um simples e único corte de alto a baixo, a sua “samarra”... Bonito!