segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A MUDANÇA E O CANSAÇO

É sabido como são cansativas as mudanças que por isso mesmo sempre são evitadas e só concretizadas quando mesmo necessárias.
 
No caso particular deste escriba ela tinha mesmo de acontecer e por isso houve que meter mãos à obra…

E que obra!…
 
Desde quinta-feira, 24, já no novo “barraco” ainda que sem toda a mudança concluída, devo confessar que não cumpri totalmente a minha missão porque, a 48 horas do seu término, “dei o berro”...

Francamente, confesso: Na sexta a coluna queixou-se em demasia e as dores forçaram-me ao ko. Não fora a prestimosa ajuda final de familiares e amigos e não sei como seria…

Tivemos o bom senso de entregar a uma empresa apropriada o maior volume dos tarecos mas, estupidamente, deixamos para nós as pequenas coisas, a tralha mais miúda, convencidos que seria fácil mas enganamo-nos redondamente. Redondamente.

E quanta tralha apareceu? Credo! 

Sexagenários e num casamento de quase 40 anos, vai-se juntando muita coisa e, depois, quando surgem estas situações, é que é o “cabo dos trabalhos” para fazer a mudança.
 
Mas, pronto, ela concretizou-se e deixamos para outro o cansaço das escadas e a “guerra” da falta de estacionamento que diariamente me atormentava na anterior residência.

Chegamos ao fim com a língua de fora e sobretudo com dores na coluna até mais não mas, agora, com calma e uns analgésicos de apoio, talvez tudo volte ao normal.

Tem de voltar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

TABEFE


Há muito não comia e quase poderia dizer que já nem bem me recordava do sabor, tantos foram os anos passados e, agora mesmo, à merenda, matei saudades: Tabefe.

O tabefe, cujo sabor me fez recuar até á minha meninice, nos anos 50, quando este delicioso soro, fabricado magnificamente pela minha saudosa avó Maria, mãe de minha mãe, com leite de ovelha e cabra, bem me ajudou a criar.

Ia buscá-lo de bicicleta, com as pernitas enfiadas pelo meio do quadro da dita cuja ao Anafe do Meio, junto ao Chouto onde meus avós residiam porque aí arroteavam as terras e granjeavam as mesmas e a sua própria vida.

Chegado a casa juntava-lhe um pouco de açúcar e deliciava-me com o delicioso sabor do tabefe acabadinho de fazer. Uma maravilha!

Uma maravilha que agora revivi e voltarei a repetir em futuras compras, aqui na mercearia da rua.

Mercearia daquelas “á antiga”, que recebem as nossas encomendas, nos tratam com civilidade, gentileza e amizade. Sem os artificialismos e “por atacado” , como nas grandes superfícies que abundam e nos sufocam aqui na grande cidade e que detesto.

Detesto!

domingo, 23 de janeiro de 2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CHOUTO - APLAUSO PARA PRESIDENTE!


Palmas de forte aplauso para a decisão do meu conterrâneo e amigo João Gabriel Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia do Chouto (Chamusca), noticiada no semanário “O Mirante” desta semana que, preocupado e incomodado com a situação existente há já uns meses na minha aldeia e freguesia natal, sem médico para assistir ás maleitas de uma população maioritariamente idosa e por isso com muitos e variados achaques, teve a importante e feliz ideia de optar por contratar um médico privado para consultar os seus concidadãos.

Numa decisão muito louvável e que aplaudo com franco prazer, João Gabriel, ainda que eleito numa lista de comunistas, mandou ás urtigas a política e as suas ideologias e tratou de arranjar um médico privado para cuidar dos seus conterrâneos que o elegeram e por quem certamente sente um compreensível dever de apreço e servidão.

Aplausos! Aplausos mais que merecidos!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

COMENDADOR E SENHOR !


Recordo-me de ver amiudadas vezes Artur Agostinho nos finais da década de 50, na zona dos camarotes do antigo Estádio José de Alvalade quando ele, já jornalista relator famoso, aos microfones da então Emissora Nacional nos deliciava com os seus relatos de um entusiasmo, isenção e paixão particularmente impressionantes.
 
Eu era então um rapazito de frequentava com muito à-vontade não só aquela zona como todo o estádio, inclusive o relvado, por via do ”livre trânsito” que correspondia ás funções de director do meu padrinho de baptismo e recordo-me que olhava para Artur Agostinho com particular admiração.

Depois disso acompanhei como todos os portugueses as sua imensa e magnifica actividade não só na rádio, como nos jornais, no cinema, na publicidade e na televisão e recordo-me como, em reportagem sobre o terramoto em Agadir, deixava os ouvintes agarrados aos aparelhos a ouvir as suas empolgadas reportagens. Um verdadeiro espanto! Algo de fantástico e inolvidável! 

Tendo completado no passado dia de Natal os seus 90 anos de vida, Artur Agostinho viu hoje o Presidente da Republica Cavaco Silva atribuir-lhe a bonita Comenda da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada numa cerimónia muito expressiva, bem gratificante e muito justa!

Associo-me a esta belíssima homenagem e desejo a Artur Agostinho saúde e forças para prosseguir a sua magnífica carreira e a sua exemplar vida de jornalista, chefe de família e homem! 

Um exemplo! 

Um senhor!

sábado, 18 de dezembro de 2010

TI ROSA MARIA - 90 ANOS!


Vinda do mini-mercado encontrei-a na rua, de saco de rações á cabeça e, de chofre, perguntei-lhe:
- Posso tirar-lhe um retrato?
- Para quê? – respondeu, sorridente.
- Gostava de ficar com uma foto sua… – acrescentei…
- Quem é você? – quis saber.
Surpreendido, perguntei-lhe:
- Não me conhece?
- Não! Quer isso para pôr onde?...Como se

chama aquilo? (Fazia alusão a um filme que o Raul Caldeira, da Chamusca, em Outubro captou no telemóvel com Ti Rosa a entoar uma pequena canção dos seus tempos e que depois publicou na net…)
- Internet. Chama-se internet. - Digo-lhe, ao que me responde:
- Pois. “Sê” lá o que é…


Não me reconheceu de imediato mas, na verdade conhece-me desde criança e, á minha observação: “Tem um filho da minha idade…” , pondera uns breves instantes e pergunta:
- É filho do sr. Zé Azevedo, que Deus tem?...
- Afinal, sabe quem sou… - respondi.
- Estive aqui a pensar…
- A senhora está com 90 anos!
- Estou! Estou! – respondeu, segura!

Aconteceu há pouco no Chouto, minha aldeia natal, eram cinco da tarde, com uma temperatura gélida e um vento cortante que a todos afastava da rua.


Tia Rosa Maria Vital, de 90 anos (noventa anos!) necessitava de rações para os pintos e veio comprá-las ao mini- mercado, no outro extremo da aldeia, assim mesmo, sem preocupações maiores de agasalhos, como a foto documenta. Ligeira, despreocupada, nada constrangida pelas contingências climatéricas do dia.

Conversamos mais um pouquinho e lá partiu de saco á cabeça, hirta, direita, de passos curtos mas ligeiros, magnificamente ligeiros para os seus difíceis 90 anos de vida, dura e sofrida nas lides agrícolas e de dona de casa, marido boieiro de profissão e três filhos nascidos e criados.

Entrei para o carro de regresso a Lisboa e comprovei a temperatura exterior: Uns gélidos 6º (Seis graus!)!


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

HÁ 41 ANOS, UM DIA FELIZ!

Aconteceu exactamente há 41 anos, no dia 7 de Dezembro de 1969 e, forçosamente, terei sempre que recordar esta data que acabou por constituir uma das mais felizes da minha vida! 

Nesse dia embarquei em Luanda no paquete Império, iniciando a viagem de regresso a casa depois de ter terminado a minha participação na Guerra de Angola e, na véspera, tive o cuidado de fotografar o “bichinho” atracado ao cais esperando pelos pobres coitados que tinham sido obrigados durante mais de dois anos a dar, a perder e a arriscar as suas vidas em prol de uma causa que veio a verificar-se absolutamente perdida…

Fica a foto do paquete Império atracado no cais do porto de Luanda para me transportar durante uns dias até Lisboa, naqueles que seriam, seguramente, dos dias mais felizes da minha vida.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

E... "MEIA/MEIA" CHEGOU!...


E aí estão os 66 de vida, felizmente com saúde, celebrados há pouco num jantar em família!

Começam a pesar um pouco mas, como a saúde não acusa esse peso, a coisa leva-se por enquanto sem esforço de maior… Na verdade, a saúde é sempre o principal nas nossas vidas mas quando a temos raramente lhe damos valor… Eu procuro dar-lhe esse relevo, sobretudo quando vejo á minha volta familiares e amigos que vêm sofrendo contratempos mais ou menos importantes. Logo, logo, posso ter grave “macacoa” – deixa-me bater 3 vezes na madeira… - mas, até á data, a “máquina” vem funcionando em pleno, felizmente! Uns quantos quilos a mais são o grande perigo mas, a chatice é que não consigo conciliar os tintos, os queijos, os cozidos, as feijoadas e… etc., etc., com a necessidade de perder peso…

Se tintos e queijo emagrecessem, eu era um palito!... Assim… É uma chatice!...

Bom, deixemos a vicissitudes dos vícios de boca de velho comilão e voltemos à recordação do jantar de aniversário para deixar uma foto que, como já é tradicional tirei com o Rafael que, agora já com 4 anos e meio, está cada vez mais vivo, reguila e simpático. Ou não fosse meu neto…

E pronto. Para o ano espero que haja mais!...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

GRATIFICANTE


Apaixonado desde muito novo por tudo o que é comunicação social comecei pelos jornais, fiz apresentações e animações de espectáculos ao vivo, tentei a rádio – novidade que poucos saberão… - mas, foi na verdade na imprensa, ao longo dos tempos que mais desenvolvi essa minha paixão.

Primeiro – ainda cachopo… - foram pequenas notícias da minha pequena aldeia natal e, depois, com suposta mais emancipação e mais um pouco de maturidade, saíram as opiniões pessoais, os comentários político/sociais, as impressões de um jovem cheio de ideias, ambições, o querer mudar o mundo, a coisa própria dos rapazes dos anos 60/70 do século passado, quando o Mundo fervia …

Os anos passaram e, assim, o “calo” trouxe mais calma e, “às tantas”, sem saber ligar um simples computador, descubro que chegou a internet…

Foi o “pasmo dos pasmos”!... Eu, que noticiava, opinava, criava e adorava comunicar, descobria que tinha ali tudo, tudo á minha mão!!!

“Oh, maravilha das maravilhas!...” como sempre vemos num nosso bem conhecido filme do cinema nacional, quando o surdo ouve pelo o funil…!

Assim, como que por artes mágicas – salvé quem inventou esta fabulosa net! – temos aqui tudo juntinho: a notícia, a opinião, a criação e a comunicação!

E, aos meus quase 60 anos de vida, surgia o meu mundo!!!

Criei e mantenho o Site Pessoal e o Blogue para além de vários outros espaços virtuais e, sobretudo no Site e no Blogue, onde noticio e comento vivências da família, dos amigos e ainda do mundo que me cerca e, graças aos seus conteúdos, sempre autênticos e francos – porque é a minha maneira de ser e disso faço questão! - sinto que tenho criado muitos amigos que me premeiam com comentários que sempre muito me sensibilizam e bastas vezes me surpreendem.

É-me muito sensibilizante conviver virtual e pessoalmente (a minha viagem ao Brasil é disso um excelente exemplo!) com tantos e tantos cidadãos conhecidos e desconhecidos e estou grato á gentileza de todos eles que, ao longo dos tempos têm tido a amabilidade de me receber assim e comigo conviverem tal como sou, sinto e vivo!

Das muitas mensagens que recebo nestes meus espaços quero hoje aqui destacar esta hoje chegada de Maria Gonçalves, pessoa que não tenho o prazer de conhecer e que teve a virtude de muito me sensibilizar, não pelos elogios feitos que considero exagerados mas sobretudo por comprovar que Maria Gonçalves, de forma absolutamente perfeita, inteligente e acredito que autêntica soube interpretar correctamente o meu Site Pessoal!

Maria Gonçalves soube ler, ver e interpretar fielmente e com impressionante certeza, a razão, o conteúdo e o motivo do meu Site! Agradeço-lhe por isso e espero que volte mais vezes aos meus conteúdos na net!

Deixo aqui o seu gratificante comentário que muito agradeço!:


Vítor! No seu Site começa por dizer que é ele pessoal, desinteressado e eventualmente interessante!
Ora, com todo o gosto e com a devida vénia, quero afirmar, alto e bom som o seguinte:
Que o seu site é, afinal de contas, um site público, por que nos dá a honra de partilhar connosco maravilhosas imagens e acontecimentos;
Que é um site interessado, porque nos mostra uma pessoa continuamente interessada na busca de conhecimentos, de saberes e de sabores, que são preciosos a uma comunidade;
Que, é acima de tudo, um site obviamente interessante (e não eventualmente), porque nos deleita continuamente com toda uma belíssima e continuada linguagem imagética.
Para todos os que se revêem nos locais e tradições, constitui, assim e acima de tudo, um legado para que o que escreve e mostra não caia na lei do esquecimento.
Parabéns, Vítor, pelo dinamismo e empenho de que o seu site encerra!


domingo, 24 de outubro de 2010

A NOSSA JUSTIÇA


O homem chegou atrasado à audiência e, em pleno tribunal, frente á juíza, não se conteve: Pegou no papel onde escreveu quadras em verso durante a viagem e leu ali mesmo, assim, a justificação do seu atraso…

Insólito mas verdadeiro.

Aconteceu num tribunal português, a dar a real imagem da nossa justiça e dos nossos tribunais, quando um procurador chegou atrasado e perante o pasmo de todos leu as quadras – muito “mal amanhadas” , com erros e em péssimo português, acho eu… - que a sua veia poética ditara para o papel...

Os comboios já vão cheios
muitos se levantam cedo
nas mulheres aprecio os seios
mas têm outro enredo

Vejo brancos e pretos
nacionais e estrangeiros
alguns vivem em guetos
outros em lugares foleiros

Adoro levantar cedo
e ter a obrigação cumprida
dos falsos tenho medo
são o pior que há na vida

São sete e pouco da manhã
viajo de Metro para o trabalho
fi-lo ontem, farei-o amanhã
só sou aquilo que valho


Ouvi na rádio em gozo tudo isto e li em vários jornais as 10 quadras do lírico mas o “Expresso” de ontem só destaca quatro que aqui deixo com a devida vénia. Certamente serão as melhores...penso eu...

Assim vão os tribunais nesta terra!...

Assim vai a Justiça em Portugal!...

E mais não digo...

sábado, 23 de outubro de 2010

HOJE, DE NOVO AS ORIGENS…


Primeiro, antes de sair de casa, a surpresa de encontrar no Facebook uma mensagem de um velho conterrâneo da vizinha Ulme, a viver em Cabo Verde, de nome Francisco Carapinha - de quem já não me lembrava, confesso! - e que sob o titulo “Era uma vez o Jornal da Chamusca”, teve a bondade de me contactar:

Caro Vitor,

O que é feito de si?
Lá vão os tempos em que havia o "Jornal da Chamusca" para se escrever umas coisitas.Ainda era um "puto", para aí com uns 14 anos, levado para o Jornal pelo António Jorge para correspondente de Ulme, quando uma vez, os saudosos Cardador e Ant.º Bento, à porta da minha casa, me diziam:"Sabe, foi assim que o Victor Azevedo começou".Não sei se foi assim ou não, mas o Victor já era "figura" do Jornal e este era o maior incentivo que me podiam dar.Penso que nunca nos conhecemos, pessoalmente claro, mas só a ideia de vir a ser um "novel" Victor Azevedo, dava-me incentivo para mês a mês lá ir colocando umas prosas no Jornal da Chamusca que, infelizmente, julgo que acabou.
Durou parte da minha adolescência...Depois, aconteceu-me o mesmo que aos gatos recém-nascidos: vão abrindo os olhos.
Francisco Carapinha

Depois foi a viagem até ao velho Chouto e a constatação que cada vez mais é terrivelmente evidente a sua queda, a sua velhice, a sua morte. A morte do “meu” Chouto…
Em termos pessoais, em cada viagem encontro e convivo com menos velhos amigos de infância e adolescência. Uns porque morrem, outros porque ficam retidos em casa, outros ainda porque estão em lares ou em casa de filhos na cidade distante, o Chouto, o meu Chouto natal cada vez mais é o meu saudoso Chouto que me viu nascer e crescer.

Doloroso, confesso! Muito doloroso!

Para além disso e vitima da assassina política de sucessivos governos deste país, o Chouto está a sofrer do mesmo mal de muitas e muitas povoações do interior e tem cada vez menos gente porque, cada vez mais lhe retiram motivos de fixação para os jovens em idade de trabalho e formação de família.

Esta semana, soube hoje, teve pela última vez a visita de um médico e, segundo se diz, a farmácia, sem a presença de médico, vai também fechar portas… (Isto numa freguesia de gente maioritariamente envelhecida!) A escola primária este ano ainda tem as portas abertas por feliz e muito habilidosa negociação do presidente da Câmara da Chamusca com o Ministério da Educação mas, para o ano, é de crer que não terá habilidosa negociação que lhe valha…

Numa aldeia que está muito bonita e dela deixo aí uma imagem mas onde antes tínhamos, que me lembre: 3 alfaiates, 3 sapateiros, 2 barbeiros, uma Sociedade Recreativa com bailes semanais, um Grupo Desportivo com semanal actividade, hoje não temos absolutamente nada, nada disso…

Tudo acabou!...

Um a um - antes de mim, muitos e, muitos outros depois de mim... - a aldeia e a freguesia foi ficando vazia, cada vez com mais idosos, cada vez com mais casas vazias...

E, agora, custa ver esta decadência!...

Custa ver esta morte!...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

NOTÍCIA TRISTE

Hoje, logo de manhã, uma notícia triste: A “Vida Ribatejana” suspendeu a sua publicação o que, na realidade, nua e crua, quer dizer que acabou… Findou. Morreu. Mais uma instituição – sublinho: Instituição! – que sucumbiu, caiu e morreu, não suportando toda esta imensa crise económico/social que nos absorve, abafa e mata nos tempos que vivemos. Sinto particularmente esta morte porque foi na “Vida Ribatejana” que comecei a escrever – “escrever”, disse… Qual escrever?... – quando tinha apenas 15 anos de idade e Fausto Nunes Dias, fundador e director do jornal aceitou as minhas correspondências da minha aldeia natal, com as irreverências, anseios e reivindicações próprias de um rapaz “reguila” que tentava “guerrear” e contestar o poder local então instituído e... sem saber escrever, sem saber pensar devidamente, o que aquela gente da redacção me aturou… Lembro-me que na redacção do jornal davam então umas quantas voltas aos textos e lá publicavam o que lhes parecia melhor… Eu, no sábado seguinte, quando chegava o correio – na data tínhamos correio ao sábado – um luxo de antigamente!... – esperava pelo “Zé Matroco”, o homem que trazia a mala da Chamusca e procurava sofregamente o que me publicavam no jornal... Dá para imaginar ?...

Fica aí o cartão, de 13/8/1960, em frente e verso, onde Fausto Dias aceita a minha colaboração como correspondente do jornal "na importante e formosa freguesia que é o Chouto", relíquia que guardo com o justificado cuidado. Anos mais tarde convivi pessoalmente em Lisboa com Custódio Marques Montargil que, sob o pseudónimo de” Zé do Areal” muito escreveu na “Vida Ribatejana” sobre a Chamusca – ele tinha um estabelecimento na zona do Saldanha, em Lisboa e chegamos a almoçar ali, no Monte Carlo… – e recordo-me que apoiei-o francamente na sua inteligente iniciativa de atribuir o nome de Isidro dos Reis á Ponte da Chamusca para matar a “guerra” da denominação Ponte da Chamusca/Ponte da Golegã que em tempos existia. Zé do Areal lançou um “abaixo assinado” para atribuir á ponte o nome de Isidro dos reis e... a polémica acabou… Não mais se falou na… Ponte da Golegã… E como Isidro dos Reis era da Chamusca… Pois, agora, a “Vida Ribatejana”, depois de 93 anos de vida muito bonita, útil e valiosa em prol do Ribatejo, sua região e suas gentes, fechou as portas. Tudo o que ali se fez pelo Ribatejo e suas gentes acabou e, certamente, ninguém mais falará disso. Coisa do passado que, lamentavelmente, nada conta nos dias que correm… “Passa á frente!... Coisa velha não conta!...” – assim se entende, assim se pensa nos tempos malucos que se vivem. Estou triste! Muito triste! Acho até que morreu um pedaço de mim mesmo… Francamente.

sábado, 2 de outubro de 2010

DESCARAMENTO


Depois do governo português finalmente querer “pegar de caras” a enorme crise porque passamos e, num dramático e drástico pacote, anunciar um novo” imposto financeiro” a incidir sobre os bancos, ouvir hoje o Exmº Senhor Dr. Faria de Oliveira, digníssimo Presidente da Caixa Geral de Depósitos, avisar em tudo quanto é sítio na comunicação social que, quem vai pagar e suportar esse novo imposto que recairá sobre os bancos, serão os seus clientes com o aumento do spreed, é de um descaramento atroz que, aqui e agora, quero criticar e repudiar.

Claro que todos já sabíamos que seriam os clientes dos bancos a pagar o seu novo imposto – adivinhava-se né?... - mas, ver um senhor banqueiro declarar publicamente que o “Zé” é que vai pagar, é de um descaramento que raia a afronta e a sobranceria.!...

Meses atrás, a abanar, prestes a cair, receberam os bancos, todos “borrados” de medo, o apoio dos governos – leia-se: dos contribuintes pagantes e sofredores dos estados… - e, agora, pançudos, fortes e de barriga cheia, toca de voltar a exigir do “Zé” as despesas dessa novidade do novo imposto.

Nós sabíamos que isso assim seria mas, ouvir da própria boca de um banqueiro, não me parecia possível…

Descaramento de gente de barriga cheia!...

Na “selva” económico/financeira em que vivemos, o “quero, posso e mando” dos bancos que tudo fomentam, tudo constroem e tudo destroem…

A "selva" das nossas vidas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CONVITE ÚNICO ! ÚNICO !!! (II)

Volto ao assunto do fantástico e absolutamente único convite feito pelo meu amigo Cap. João Pereira, recebido pouco depois do início do mês de Setembro findo, para uma sonhada pescaria na Amazónia e ao qual não pude aceder com grande tristeza e de que aqui dei conta, para apresentar as primeiras imagens que me chegam desse acontecimento para mim totalmente único e fabuloso.

Na imagem abaixo temos uma provocação do brasuca e velho amigo JP, numa foto publicada no site do nosso grupo de pescadores com o título “Provocação de Brasuca ao nosso amigo luso”, onde vemos aquele amigo exibindo umas quantas garrafinhas de tinto. Ele que, na altura, pelo telefone, teve o cuidado de me avisar que tinha encomendado umas caixas de tinto para que a minha bebida preferida não faltasse no interior da Amazónia!...

Na imagem seguinte, que saquei de um filme publicado pelo Cap. JP no YouTube, bem podemos avaliar a qualidade, a emoção e a importância da fantástica pescaria que perdi neste maldito ano económico/financeiro de 2010, vendo na foto a beleza e o porte de um fantástico Tucunaré , de mais de 10 Kgs, um entre muitos de igual tamanho e até maiores, pescados durante o período da pescaria. Logo abaixo publico o vídeo em questão, onde poderemos avaliar com são belas estas fantásticas pescarias naquela bendita terra.

Uma pescaria que um dia destes eu quero fazer. Eu tenho de fazer!...


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

NÃO ME ADAPTO!...



Por mais que me esforce não consigo adaptar-me a este novo mundo, resultante da crise que vivemos e sentimos, da falta de confiança em tudo e em todos...

Ontem, numa casa de oftalmologia de que sou dedicado e julgo que bom cliente há bem mais de uma dezena de anos, deixando ali vários milhares de euros, sempre em p.p., o proprietário, pela 1ª vez, pediu-me €200 como sinal para uma compra de lentes de €600...

A justificação, com o pedido de desculpa, foi de que o computador não abria sem que se lhe introduzisse o valor do sinal...

Sem idoneidade, falso, desconfiado, eis o mundo que construímos e deixamos aos nossos netos...


E como vão longe os tempos dos nossos pais em que a palavra e o aperto de mão vigorava e firmava um negócio, um compromisso?...


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CONVITE ÚNICO! ÚNICO!!!

Capitão João Pereira é um amigão que conheço e com o qual convivo há já uns bons anos aqui na net e que ao longo do tempo sempre me tem presenteado com CDs, DVDs e muitas atenções resultantes das suas muitas pescarias na Amazónia e sobretudo dos seus inúmeros convívios com os índios da Aldeia Kuikuro, vizinhos do Rancho Xingu, do nosso comum amigo Atá que faz também o favor de me privilegiar com a sua amizade.

Trocamos correspondência e tornamo-nos amigos há já uns anos – o amigo Atá até já teve a gentileza de me visitar em Portugal! – e, pelo que se vê, o Capitão JP não esqueceu o meu velho sonho de visitar a Amazónia que ele tão bem conhece…

E - veja-se só como é belo! -, acabo de receber o e-mail que aí deixo, bem como a resposta que de imediato lhe enviei e só eu sei o que custou escrever a minha recusa a tão magnifico convite…

E mais não digo…



Amigão

Estamos indo pescar no rio negro na amazonia no dia 16/09/10.

Tenho um amigo que pagou a pescaria e não poderá ir.

Voce não consegue ir?

Vamos pescar até o dia 24/09 e ficaremos num barco hotel.

A pescaria é de tucunaré.

Se voce puder ir, pega avião para Manaus, saíremos na sexta de manhã. Me avisa urgente para eu remarcar o voo de Manaus para Santa Izabel (local de nossa pescaria)

Não precisa se preocupar com nada. Somente sua presença.

Seu amigo

João Pereira

....... /// .......

Meu bom amigo e Capitão João Pereira,

Nem sabe quanto me custa recusar um convite destes tão bonito, tão bom, tão único!

Noutra data, noutra condição sócio-económica, noutra situação de tempos atrás, meu amigo, eu agora estava escrevendo este e-mail e... fazendo as malas... Correndo! Correndo acelerado!!!

Meu amigo, fico super-grato - SUPER-GRATO!!! - por esta magnífica oferta que sei bem quanto custa e, sobretudo quanto significa mas, na data torna-se-me totalmente inviável realizar tal viagem face á situação que vivo. Dificil. Muito difícil!

Espero solucioná-la em breve mas, infelizmente, a hora ainda não chegou...

Agradeço muito esta magnífica oferta do meu dedicado amigo - Amazónia e pesca, sobretudo de Tucunarés, é o meu grande sonho!... - mas, nesta data, ela não se torna possível!...

Será talvez e eventualmente no futuro uma decisão de que me arrependa mas, nesta hora, manda o bom senso e a inteligência que me quede...

PENA! MUITA PENA!!!

Um abração, JP !

Victor Azevedo

PS - Capitão, me mande o contacto telefónico que eu quero agradecer de VIVA VOZ tão bonito e e gratificante convite! Por favor! (Se não mandar, eu arranjo-o noutro amigo comum...)



EM TEMPO - Ficam aí duas fotos do meu amigo Capitão JP, vendo-se numa ele com um belíssimo Tucunaré pescado e, noutra, em convívio com os seus amigos índios da Aldeia Kaikuro, na Amazónia.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ADÍLIA - ELA NÃO PÁRA !



Primeiro, em 2007, encontrei o “Cantinho d’ Adília”, na Bobadela, no que logo ali foi para mim uma grande surpresa e disso dei conta aqui no meu blogue!

A Adília, minha irmã, com uma vida e um passado super-difícil e atribulado “deu a volta”, sozinha, com condições e vicissitudes que só ela saberá, ali estava com uma excelente casa de restauração, digna de se
ver, digna de se aplaudir! Apreciei
sobremaneira o êxito! Gostei sobremaneira
do sucesso! Lindíssimo!

Mas, logo de seguida e não muito tempo depois, ela abre o “Cantinho d’ Adília II” em pleno Parque das Nações, numa inauguração de cerimónia muito bonita que presenciei e, aí, eu não fiquei só admirado porque, na verdade, também fiquei… pasmado! A beleza da casa, a recepção, a festa, tudo, tudo bem! Falei aqui disso com franco entusiasmo!


E, agora, eis que, de novo no Parque das Nações, numa das suas principais avenidas, se não a principal, a D. João II, ali bem juntinho
ao famoso e badalado “Campus de Justiça”,
a minha mana acaba de abrir uma terceira
casa, o “Cantinho d’ Adília III”, cantinho
que, em boa verdade, isso não é!... Será
mesmo um “cantão”, porque o espaço é
imenso e a casa está linda, linda!

Deixo aí para a posteridade três fotos que hoje ali captei e, com a minha muita admiração pelo querer desta mulher, pelo seu trabalho, pela sua dedicação, pela sua alegria nesta vida e nesta labuta, deixo-lhe um forte abraço,
esperando que a sorte e o saber, bem como
a saúde sempre lhe sorriam, dando-lhe o sucesso
que bem faz por merecer!


A Adília não pára!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

APLAUSOS PARA SÉRGIO CARRINHO !


Hoje, que abriu o ano lectivo para o Ensino Primário - essa coisa do Básico, não sei porquê faz-me lembrar a tropa… - eu, que quando acho oportuno e com a franqueza e o realismo que me caracteriza e que sempre gosto de usar na minha vida, não me acanho a criticar Sérgio Carrinho, presidente da Câmara Municipal da Chamusca, o meu concelho de origem - como é o caso desses incríveis leilões, de que deixo aí uma deprimente imagem que o “Expresso” fez questão de publicar numa sua 1ª página… - quero aqui deixar o meu mais vivo e franco aplauso á sua brilhante e firme posição nas negociações com a gente ignorante e insensível do Ministério da Educação, negociações que não conheço mas que adivinho e que conduziram a que no concelho da Chamusca nem uma só escola primária fechasse este ano!

A decisão – fria, ignorante e anti-nação estava tomada e Sérgio Carrinho soube “dar a volta” à ignorância daquela gente! Magnífico!

Um aplauso grande e um abraço forte de solidariedade e apoio!

sábado, 4 de setembro de 2010

CASA PIA - O SURREAL


Ver homens - ontem o apresentador de TV Carlos Cruz, hoje o médico Ferreira Dinis -, apontados como pedófilos no caso Casa Pia, como resultado de condenações judiciais a pesadas penas de prisão - certas ou erradas eu não sei... - a produzirem conferências de imprensa no Hotel Altis, em Lisboa, que nem candidatos presidenciais, acho coisa absolutamente surreal...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

TIO ZEFERINO, DE 98 ANOS, MORREU!


Estive hoje no Chouto a acompanhar á sua última morada o meu tio Zeferino Lopes, de 98 anos e meio, falecido ontem. Tanto falávamos na sua possibilidade de atingir os 100 anos e afinal tal não foi possível…

Casado em segundas núpcias com a minha tia Domingas, casamento muito falado na altura na família porque ele, viúvo da 1ª mulher, levava 4 filhos desse matrimónio, tiveram sempre um excelente relacionamento e dele ainda nasceram mais dois filhos, os meus primos Fernando e Victor.

Há anos, com o falecimento da minha tia e de novo viúvo, aceitou a sugestão dos 6 filhos e andava de casa em casa, mês a mês numa situação de que por vezes me fazia queixa por um ou outro relacionamento que mais o desagradava mas, por outro lado também reconhecia que estava mais estimado e conservado do que se estivesse só, na sua humilde habitação.

Ultimamente e fruto desses menos bons relacionamentos, os dois filhos meus primos tinham optado por o colocar num Lar de Idosos, em Almeirim, nos meses em que deveria estar em suas casas… Foi aí que se sentiu mal no início da semana e, depois de levado ao hospital e de um regresso aparentemente bem, voltou a piorar e acabou por falecer no hospital de Santarém.

Durante os últimos anos que ali permaneceu ainda o visitei por duas ou três vezes e sempre se apresentava ágil de movimentos e mente, com uma vivacidade que muito nos alegrava. A mesma vivacidade e alegria que evidenciava quando o procurava na casa do filho no Carregado sempre em Fevereiro e Agosto para darmos uma voltinha e bebermos um copinho na companhia de nossos conterrâneos por ali moradores. Bebia um ou dois copinhos de tinto, nunca mais mas, em boa verdade, aí talvez a partir dos seus 93/94 anos, deixou o tinto e bebia um copinho de sumo de fruta.

É de uma dessas minhas idas ao Carregado para darmos a habitual voltinha que ele tanto apreciava a foto que aí deixo.

Sempre me lembro do tio Zeferino, enquanto activo como trabalhador rural, o ser por conta da Casa Amaral Neto, do também já falecido Engº Carlos Amaral Neto, grande proprietário agrícola na Chamusca e figura grada do anterior Estado Novo, de que era 2ª figura, dado que, aquando do 25 de Abril, era Presidente da Assembleia Nacional. A Casa Amaral para além de lhe garantir trabalho, dava-lhe habitação e um terreno para horta que ele e minha tia cultivavam para seu sustento e da família.

E pronto… com o desaparecimento do Tio Zeferino, amigo de quem fico a recordar um sempre excelente convívio, resta-me agora em tios, por parte da minha mãe, os tios Chico e Beatriz, irmã da minha mãe, felizmente ainda vivos mas ultimamente com a saúde algo abaladas. Já quanto ao lado paterno, de tios, já era…

A lei da vida!… A lei da vida!… Triste mas infelizmente muito real.

Termino dizendo que há já talvez mais de um ano que não visitava o tio Zeferino em Almeirim mas ia sabendo do seu estado através dos filhos que sempre me diziam que estava óptimo, sendo a última grande novidade a de que tinha travado amizade mais chegada com uma senhora ali também internada e estavam namorando muito entusiasmados… (Ele sempre me dizia – devo confessar - que se encontrasse uma senhora do seu agrado ainda era capaz de casar uma 3ª vez…) .

Já não foi possível… Uma pena!...

Que descanse em paz!